O que é Alopecia androgenética?
A alopecia androgenética – popularmente conhecida como calvície – é a forma mais comum de queda de cabelo em homens e, em menor escala, em mulheres. No dia a dia de uma clínica popular ou de uma UBS (Unidade Básica de Saúde) do SUS, é muito comum o paciente chegar com a queixa: “Doutor, meu cabelo está caindo muito, está afinando, principalmente na frente e no alto da cabeça”. A alopecia androgenética é um processo genético e hormonal, no qual o folículo capilar, sensível ao hormônio di-hidrotestosterona (DHT), vai miniaturizando e produzindo fios mais finos e mais curtos até que o cabelo deixa de crescer.
Essa condição não é uma doença no sentido clássico, mas uma característica hereditária que afeta uma grande parcela da população brasileira. Estudos epidemiológicos sugerem que cerca de 50% dos homens brasileiros acima dos 40 anos apresentam algum grau de calvície, e esse número sobe para 80% aos 70 anos. Entre as mulheres, a prevalência é menor, mas ainda significativa: aproximadamente 20% a 30% das mulheres com mais de 50 anos têm algum afinamento difuso do couro cabeludo. Dados do Ministério da Saúde apontam que a alopecia androgenética é um dos principais motivos de consulta nos ambulatórios de dermatologia do SUS, especialmente entre homens jovens entre 20 e 40 anos, que buscam tratamento precoce.
É importante deixar claro que a alopecia androgenética não é contagiosa nem causada por má alimentação ou estresse, mas pode ser agravada por esses fatores. O diagnóstico é essencialmente clínico, feito pelo médico através da observação do padrão de queda e do exame do couro cabeludo. Em clínicas populares, frequentemente precisamos tranquilizar o paciente, explicar que se trata de algo esperado para a genética dele e que existem opções de tratamento acessíveis pelo SUS ou em farmácias populares, como o minoxidil e a finasterida.
Como funciona / Características
A alopecia androgenética ocorre pela ação do DHT (derivado da testosterona) sobre folículos capilares geneticamente predispostos. O hormônio encurta a fase de crescimento (anágena) e prolonga a fase de repouso (telógena), fazendo com que os fios nasçam mais finos e caiam mais cedo. Com o tempo, o folículo encolhe (miniaturização) até não produzir mais cabelo visível.
No consultório, o paciente típico é um homem de 25 a 30 anos que percebe que o cabelo está afinando nas têmporas (entradas) e no topo da cabeça (coroa). Muitos relatam que o pai ou o avô também eram calvos. Nas mulheres, o padrão é diferente: o afinamento é difuso, principalmente no topo do couro cabeludo, e raramente há recuo da linha frontal completa. É comum a paciente dizer: “Meu cabelo está ralo, vejo o couro cabeludo”. A progressão é lenta e varia de pessoa para pessoa.
Ao examinar, usamos o teste de tração (puxar suavemente um tufo de fios) e a tricoscopia (lupa de mão) para identificar a miniaturização. Nas clínicas populares, nem sempre temos aparelhos sofisticados, mas a anamnese e a inspeção visual são suficientes para o diagnóstico. É comum o paciente perguntar: “Isso tem cura?”. Explicamos que não tem cura definitiva, mas o tratamento pode controlar a queda e até estimular o crescimento de novos fios, desde que iniciado precocemente e mantido.
Tipos e Classificações
A alopecia androgenética é classificada por escalas visuais que descrevem a evolução da perda capilar. A mais usada no Brasil é a escala de Hamilton-Norwood para homens, dividida em 7 estágios (I a VII). O estágio I é uma calvície mínima (entradas discretas) e o VII é uma calvície extensa (faixa de cabelo nucal e temporário). Nas mulheres, a escala de Ludwig classifica em três graus: I (afinamento leve no topo), II (moderado) e III (grave).
No dia a dia do SUS, o médico dermatologista ou clínico geral utiliza essas escalas para documentar a evolução e decidir o tratamento. Por exemplo, um homem com estágio III (entradas acentuadas e topo ralo) tem boa resposta ao uso de finasterida e minoxidil. Já estágios avançados (VI ou VII) podem não responder tão bem e o transplante capilar pode ser a melhor opção – infelizmente, indisponível na rede pública.
Também se diferencia a alopecia androgenética de padrão feminino (afinamento difuso) da masculina (recuo e coroa). É importante excluir outras causas de queda, como deficiência de ferro, problemas tireoidianos ou eflúvio telógeno (queda temporária por estresse ou doença). Por isso, em clínicas populares, sempre pedimos exames básicos: hemograma, ferritina, TSH e T4 livre.
Quando procurar um médico
Procure um médico (clínico geral, dermatologista ou até mesmo o médico da UBS) se você notar qualquer um dos seguintes sinais:
- Queda de cabelo persistente por mais de 3 meses.
- Afinamento dos fios na região frontal, nas têmporas (entradas) ou no alto da cabeça (coroa).
- Queda em tufos ou áreas circulares sem cabelo (que podem indicar outra condição, como alopecia areata).
- Coceira, descamação ou dor no couro cabeludo associada à queda.
- Queda súbita e intensa, principalmente após febre, cirurgia, parto ou estresse emocional.
- Histórico familiar de calvície precoce (antes dos 30 anos).
No SUS, o primeiro passo é agendar uma consulta na UBS. O médico fará o diagnóstico clínico e, se necessário, solicitará exames laboratoriais. Caso haja indicação de tratamento com finasterida (para homens) ou minoxidil (para ambos os sexos), o médico pode prescrever e o paciente pode adquirir os medicamentos na farmácia popular ou pelo Programa Farmácia Popular do Brasil, que oferece finasterida e minoxidil tópico com desconto ou gratuitamente, conforme a renda. Lembrando que a finasterida exige receita médica (controle especial – C1) e deve ser usada sob orientação, especialmente em mulheres em idade fértil (pode causar malformações no feto).
Em clínicas populares, vemos muitos pacientes que demoram a procurar ajuda por vergonha ou por achar que “calvície não tem jeito”. A orientação é: quanto mais cedo o diagnóstico, mais eficaz o tratamento para preservar os fios existentes.
Termos Relacionados
- Miniaturização capilar: processo em que o folículo produz fios cada vez mais finos e curtos, característico da alopecia androgenética.
- Di-hidrotestosterona (DHT): hormônio derivado da testosterona que, em pessoas geneticamente predispostas, atua no couro cabeludo causando a queda dos fios.
- Minoxidil: medicamento tópico (loção) aprovado pela ANVISA que estimula o crescimento capilar, disponível em farmácias populares e no SUS.
- Finasterida: medicamento oral (comprimido) que inibe a enzima 5-alfa-redutase, reduzindo a formação de DHT. Usado no tratamento da alopecia androgenética masculina.
- Escala de Hamilton-Norwood: classificação visual da calvície masculina, usada por dermatologistas brasileiros para estadiar a condição.
- Escala de Ludwig: classificação do afinamento capilar difuso em mulheres, comum na prática clínica do SUS.
- Eflúvio telógeno: queda temporária e acelerada de cabelo, geralmente 2-3 meses após um evento estressante (cirurgia, parto, febre). Pode coexistir com a alopecia androgenética.
- Transplante capilar: procedimento cirúrgico para redistribuir folículos capilares de áreas doadoras para áreas calvas; não é oferecido pelo SUS, mas é realizado em clínicas privadas.
Perguntas Frequentes sobre Alopecia androgenética
1. A calvície tem cura?
Não, a alopecia androgenética não tem cura definitiva, pois é uma condição genética. No entanto, o tratamento pode controlar a progressão e, em muitos casos, estimular o crescimento de novos fios. O segredo é começar cedo e manter o uso contínuo dos medicamentos (minoxidil e/ou finasterida) para preservar o cabelo existente.
2. Minoxidil realmente faz crescer cabelo?
Sim, o minoxidil tópico (2% ou 5%) é um vasodilatador que estimula o folículo capilar a prolongar a fase de crescimento. Em muitos pacientes, promove o aparecimento de fios mais grossos e reduz a queda. O resultado leva de 3 a 6 meses para aparecer. É importante aplicar todos os dias, duas vezes ao dia, e não interromper, senão a queda retorna. A ANVISA regulamenta o produto, e ele está disponível em farmácias populares.
3. Finasterida causa impotência sexual? É verdade?
O uso de finasterida pode causar efeitos colaterais sexuais em cerca de 2% a 5% dos homens, como diminuição da libido, dificuldade de ereção ou redução do volume de ejaculação. Esses efeitos são geralmente reversíveis com a suspensão do medicamento. Porém, muitos pacientes não apresentam nenhum sintoma. No SUS, o médico orienta sobre os riscos e benefícios. É fundamental que o paciente relate qualquer alteração para ajuste de dose ou troca de tratamento.
4. Mulheres também podem ter calvície genética?
Sim, embora seja menos


