O que é O que é O que é Alopecia areata?
Na minha prática de 15 anos no SUS e em clínicas populares, vejo quase toda semana um paciente chegando com o mesmo susto: “Doutor, acordei com uma careca redonda no meio do cabelo”. Isso é a alopecia areata. Em termos simples, é uma doença autoimune em que o próprio sistema de defesa do corpo, por engano, ataca os folículos capilares – as estruturas que produzem os fios. Esse ataque interrompe o crescimento do cabelo e provoca a queda em placas bem delimitadas, geralmente arredondadas ou ovais.
Diferente da calvície comum (que é progressiva e hormonal), a alopecia areata costuma aparecer de repente, sem aviso. Uma pessoa pode estar lavando o cabelo e sentir um “vazio” ou notar uma falha ao se olhar no espelho. Ela não é contagiosa, não dói e não coça (na maioria dos casos). No Brasil, estima-se que cerca de 0,1% a 0,2% da população tenha ou terá algum episódio ao longo da vida, o que significa centenas de milhares de brasileiros. Embora possa ocorrer em qualquer idade, é mais frequente em crianças, adolescentes e adultos jovens, sem diferença entre homens e mulheres.
No dia a dia da clínica, o que mais aflige o paciente não é a queda em si, mas a incerteza: “Vai voltar a crescer?”. A boa notícia é que na maioria dos casos o cabelo cresce novamente em meses, mesmo sem tratamento. Mas existem formas mais extensas que merecem acompanhamento médico. Aqui no SUS, o primeiro passo é o clínico geral ou o dermatologista da unidade básica – a consulta é gratuita e o acesso é garantido. A alopecia areata está entre as doenças de pele que podem ser tratadas na atenção primária, com encaminhamento para especialista apenas nos casos graves ou persistentes.
Como funciona / Características
Imagine que o sistema imunológico é um exército que deveria proteger o corpo de invasores (como vírus e bactérias). Na alopecia areata, esse exército confunde os folículos capilares com inimigos e dispara um ataque. O resultado é uma inflamação localizada que interrompe o ciclo normal do fio, empurrando-o para uma fase de repouso precoce e, em seguida, para a queda.
As características mais comuns no consultório:
- Placas redondas ou ovais – geralmente uma ou duas, de tamanho variável (de uma moeda a vários centímetros). A pele no local fica lisa, sem vermelhidão ou descamação.
- Surgimento súbito – muitos pacientes contam que “de um dia para o outro” apareceu uma falha. Na verdade, a queda leva alguns dias, mas a pessoa só percebe quando a área já está mais evidente.
- Pelos em ponto de exclamação – na borda da placa, às vezes vemos fios quebrados, grossos na base e finos na ponta, que são um sinal típico da inflamação ativa.
- Pode afetar unhas – em cerca de 10-20% dos casos, as unhas ficam com pequenas depressões (pittings) ou ondulações, algo que sempre pergunto na consulta.
Um caso clássico: uma paciente de 28 anos, professora, chega apavorada porque encontrou uma placa de 3 cm atrás da orelha. Ela não está com dor, nem coceira. Ao examinar, vejo que a pele está íntegra, sem sinais de infecção. Explico que isso é alopecia areata e que, estatisticamente, a chance de recuperação espontânea em um ano é superior a 80%. Ela se acalma. A maioria das pessoas precisa apenas de orientação e, se desejar, pode usar pomadas com corticoides que aceleram o crescimento.
Tipos e Classificações
Na prática clínica brasileira, a classificação mais usada é a que considera a extensão da queda. Esses tipos ajudam a definir o prognóstico e a conduta:
- Alopecia areata em placas – a forma mais comum. Uma ou algumas áreas redondas de queda no couro cabeludo. Costuma ter boa evolução.
- Alopecia areata total (AT) – quando a queda atinge 100% do couro cabeludo. É mais rara e exige tratamento especializado.
- Alopecia areata universal (AU) – a forma mais extensa: perda de todos os pelos do corpo, incluindo sobrancelhas, cílios, barba e pelos pubianos. Afeta menos de 1% dos pacientes com alopecia areata.
- Alopecia areata ofiásica – a queda em forma de faixa na região da nuca e têmporas. Tem um padrão característico e costuma ser mais resistente ao tratamento.
- Alopecia areata reticulada – várias pequenas placas que se espalham pelo couro cabeludo, dando aspecto de rede.
No SUS, usamos principalmente a classificação clínica (leve, moderada, grave) para direcionar o tratamento. A gravidade é medida pelo percentual de área afetada. Casos leves (menos de 50% do couro cabeludo) são tratados na atenção básica; casos extensos ou com rápida progressão são referenciados para a dermatologia.
Quando procurar um médico
Qualquer pessoa que perceba uma queda de cabelo em placas, sem causa aparente, deve procurar atendimento. Mesmo que a placa seja pequena, a avaliação é importante para confirmar o diagnóstico e descartar outras doenças (como micose, lúpus ou sífilis, que também podem causar falhas).
Sinais de alerta que merecem consulta urgente:
- Queda rápida e extensa em poucas semanas.
- Placas que aumentam de tamanho dia após dia.
- Envolvimento de sobrancelhas e cílios.
- Alterações nas unhas associadas.
- Sinais inflamatórios (vermelhidão, descamação, dor) no local da placa – isso pode indicar outra doença.
No SUS, o caminho é: procure a Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima. O clínico ou o enfermeiro fará a primeira avaliação. Se necessário, será agendada uma consulta com dermatologista. Não há fila específica para alopecia areata, mas a maioria das secretarias municipais oferece atendimento em até 30-60 dias para casos de pele. Em clínicas populares, o acesso é mais rápido e o custo é baixo.
Termos Relacionados
- Alopecia androgenética – a calvície comum, hereditária e hormonal, que afeta homens e mulheres de forma progressiva. Diferente da areata, não tem placas redondas e não é autoimune.
- Eflúvio telógeno – queda de cabelo difusa e temporária, geralmente desencadeada por estresse, cirurgia, parto ou dieta restritiva. Ocorre em todo o couro cabeludo, não em placas.
- Tricotilomania – transtorno psiquiátrico em que a pessoa arranca os próprios cabelos de forma impulsiva, criando falhas irregulares. Exige tratamento com psicólogo ou psiquiatra.
- Doença autoimune – condição em que o sistema imunológico ataca tecidos do próprio corpo. Exemplos: alopecia areata, vitiligo, artrite reumatoide, diabetes tipo 1.
- Corticoides tópicos – pomadas ou loções à base de cortisona, usadas para reduzir a inflamação nos folículos. São a primeira linha de tratamento no SUS para casos leves.
- Minoxidil – medicamento que estimula o crescimento capilar, disponível em solução tópica. Pode ser associado ao corticosteroide para potencializar o resultado.
- Imunoterapia tópica – tratamento para formas extensas, em que se aplica uma substância que provoca uma reação alérgica controlada no couro cabeludo, “distraindo” o sistema imune. Não é oferecido na rotina do SUS, mas sim em centros de referência.
- Folículo piloso – a estrutura da pele que produz o fio de cabelo. Na alopecia areata, o folículo não é destruído, apenas “adormecido” pelo ataque imunológico.
Perguntas Frequentes sobre O que é O que é Alopecia areata
A alopecia areata é hereditária?
Sim, existe predisposição genética. Cerca de 20% dos pacientes têm parentes próximos com a mesma condição. Isso não significa que a pessoa vai necessariamente desenvolver, mas o risco é maior. Na consulta, sempre pergunto sobre histórico familiar de calvície em placas, vitiligo, tireoidite ou outras doenças autoimunes.
O cabelo volta a crescer sozinho?
Na maioria dos casos, sim. Estudos mostram que 80% a 90% das pessoas com uma ou poucas placas têm recuperação espontânea em até um ano, sem qualquer tratamento. O cabelo pode nascer fino e branco no início, depois retomar a cor e espessura normais. Porém, em formas mais extensas (total ou universal), a chance de recuperação completa é menor, daí a importância do acompanhamento.
Precisa fazer exames de sangue?
Em geral, o diagnóstico é clínico – o médico observa a placa e usa um dermatoscópio (lente de aumento). Exames de sangue são solicitados quando há suspeita de doenças associadas, como tireoidite (problemas na tireoide) ou anemia. No SUS, o clínico pode pedir TSH, ferro e hemograma para investigar causas que podem dificultar o crescimento capilar. Mas na alopecia areata típica, os exames costumam estar normais.
Tem relação com estresse?
Pacientes frequentemente relatam que as placas apareceram após um período de estresse intenso – perda de emprego, luto, separação. Embora o estresse não seja a causa direta, ele pode


