quarta-feira, maio 27, 2026

O que é O que é Alopecia cicatricial

O que é O que é O que é Alopecia cicatricial?

A alopecia cicatricial é um tipo de queda de cabelo definitiva e irreversível. Diferente da calvície comum (alopecia androgenética), em que o folículo capilar apenas encolhe e pode ser estimulado com tratamentos, na alopecia cicatricial o folículo é completamente destruído por um processo inflamatório e substituído por tecido cicatricial (fibrose). Ou seja, o “buraquinho” de onde nasce o cabelo desaparece, formando uma área lisa e brilhante, sem poros visíveis.

No meu consultório, tanto no SUS quando em clínicas populares aqui no Brasil, vejo muitos pacientes chegarem apavorados: “Doutor, tá caindo um tufo de cabelo e não para!” ou “Parece que formou uma caspa que não sara e o cabelo vai sumindo”. Esses relatos são típicos. A alopecia cicatricial costuma vir acompanhada de sintomas como coceira, ardor, dor local, vermelhidão e descamação. Muitas vezes é confundida com dermatite seborreica grave, mas a diferença crucial é que a área afetada fica definitivamente sem cabelo — quando a inflamação passa, o cabelo não volta mais.

Ela é considerada uma condição rara, mas com impacto enorme na autoestima. Dados epidemiológicos brasileiros são escassos, mas estima-se que a alopecia cicatricial corresponda a cerca de 1 a 3% de todos os casos de queda de cabelo atendidos na dermatologia. Nas regiões Norte e Nordeste, o diagnóstico ainda é subnotificado por falta de acesso a exames como a biópsia de couro cabeludo. O SUS oferece esse exame em serviços de referência, mas a fila de espera pode ser longa. Por isso, o papel do clínico geral e do dermatologista na atenção primária é fundamental para suspeitar e encaminhar cedo. Saiba mais no Ministério da Saúde – Alopecia.

Como funciona / Características

O mecanismo básico é uma inflamação que ataca diretamente a região do folículo capilar (a “raiz” do cabelo). Dependendo da causa, essa inflamação pode ser mediada pelo sistema imunológico (doenças autoimunes), por infecções bacterianas ou fúngicas, ou por traumas físicos e químicos. O resultado final é a morte do folículo e a formação de uma cicatriz. No cotidiano da clínica popular, percebo duas apresentações mais comuns:

  • Placas localizadas: áreas de cerca de 2 a 5 cm, com perda total de cabelo, bordas avermelhadas e, às vezes, crostas ou escamas. Paciente costuma relatar coceira intensa e “cabelo saindo fácil ao puxar”.
  • Forma difusa: mais rara, mas pode simular um “ralo” generalizado. O couro cabeludo fica inflamado e dolorido, com perda progressiva.

Um exemplo real: atendi uma paciente de 34 anos, professora, que há 6 meses notava uma “feridinha” na nuca que não cicatrizava e o cabelo ao redor estava sumindo. Ela já tinha usado vários shampoos anticaspa sem melhora. Ao exame, havia uma placa de 3 cm com ausência de óstios foliculares (os poros) – sinal patognomônico de alopecia cicatricial. A biópsia confirmou líquen plano pilar. O tratamento com corticoide tópico e hidroxicloroquina estabilizou a inflamação, mas a área já cicatrizada não recuperou o cabelo. Esse caso ilustra bem a urgência do diagnóstico precoce.

Características clínicas que ajudam na identificação:

  • Perda de cabelo irreversível na área afetada
  • Couro cabeludo com aspecto de cicatriz (liso, brilhante, sem poros)
  • Sinais inflamatórios associados: eritema, descamação, crostas, pústulas ou bolhas
  • Sintomas: coceira, queimação, dor (presentes em mais de 70% dos casos)
  • Pode haver envolvimento de unhas, mucosa oral ou outras áreas do corpo (dependendo da doença de base)

Tipos e Classificações

A classificação mais utilizada no Brasil, baseada nas diretrizes da North American Hair Research Society (NAHRS) e adotada pela Sociedade Brasileira de Dermatologia, divide a alopecia cicatricial em dois grandes grupos:

  • Alopecia cicatricial primária: a inflamação é direcionada especificamente ao folículo capilar. Divide-se em subtipos conforme o infiltrado celular:
    • Linfocítica: as principais são líquen plano pilar (mais comum em mulheres de 30 a 60 anos) e lúpus eritematoso discoide (pode afetar também face e orelhas).
    • Neutrofílica: representada pela foliculite decalvante (pústulas e abscessos) e celulite dissecante do couro c

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