O que é O que é Alveolite?
Na prática diária de um clínico geral no SUS e em clínicas populares, o termo “alveolite” aparece com dois significados distintos, mas que geram grande preocupação nos pacientes. O mais comum no consultório é a alveolite pulmonar, também chamada de pneumonite de hipersensibilidade. Trata-se de uma inflamação dos alvéolos – aquelas pequenas bolsas de ar nos pulmões responsáveis pela troca de oxigênio – causada pela inalação de partículas orgânicas, como fungos, poeira de grãos, penas de aves ou até mesmo sprays químicos. No Brasil, essa condição é frequente em trabalhadores rurais (exposição a feno mofado), criadores de pombos ou pacientes que vivem em ambientes com mofo, como casas com infiltração. Muitas vezes o paciente chega na unidade básica de saúde (UBS) com falta de ar progressiva, tosse seca e cansaço, achando que é uma “gripe que não passa”.
O segundo significado, mais comum em odontologia, é a alveolite seca (osteíte alveolar). Ocorre após a extração de um dente, quando o coágulo sanguíneo que protege o osso e os nervos do alvéolo se desloca ou se desfaz, expondo o osso ao ar, à saliva e aos alimentos. O paciente sente uma dor forte e pulsátil no local da extração, que pode irradiar para o ouvido e a cabeça. Nas clínicas populares, é uma queixa frequente nos primeiros dias pós-cirurgia odontológica. A dor costuma aparecer de 2 a 5 dias após o procedimento e, se não tratada, pode levar a infecções.
É importante destacar que, apesar de compartilharem o nome, as duas condições têm causas, sintomas e tratamentos completamente diferentes. No SUS, a alveolite pulmonar é subdiagnosticada, pois muitas vezes é confundida com asma ou bronquite. Segundo dados da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT), a pneumonite de hipersensibilidade representa cerca de 5 a 15% dos casos de doença pulmonar intersticial no Brasil. Já a alveolite seca é uma das complicações mais comuns em extrações de sisos, afetando entre 1% a 5% dos casos, com maior incidência em mulheres, tabagistas e pacientes que usam anticoncepcionais orais.
Como funciona / Características
No caso da alveolite pulmonar, o mecanismo é uma reação alérgica do sistema imunológico aos antígenos inalados. Quando uma pessoa suscetível respira partículas de fungos, bactérias ou proteínas animais, os alvéolos inflamam, acumulando células de defesa e dificultando a troca gasosa. Isso leva a sintomas que podem ser agudos (surgem 4 a 6 horas após a exposição: febre, calafrios, falta de ar, tosse) ou crônicos (aparecem gradualmente, com perda de peso, cansaço aos esforços e tosse seca). Um exemplo clínico comum no nosso consultório: o paciente “seu José”, agricultor de 55 anos, chega com falta de ar que piora nas épocas de colheita do milho, quando ele trabalha em galpões fechados com grãos mofados. Ele relata que “toda safra dá uma gripe que não passa”. Ao ouvir os pulmões, detectamos estertores finos nas bases – um achado típico.
Já a alveolite seca (odontológica) é uma condição localizada. Após a extração dentária, o coágulo sanguíneo que se forma no alvéolo é essencial para a cicatrização. Se ele se desprende precocemente, o osso alveolar fica exposto, irritando as terminações nervosas. O paciente sente uma dor intensa, que não melhora com analgésicos comuns. No exame clínico, o alvéolo aparece vazio, sem coágulo, e pode haver um odor fétido (halitose) devido à decomposição de restos alimentares. É comum o paciente dizer: “Doutor, arranquei um dente há três dias e a dor só aumentou, parece que está piorando”. Isso é típico da alveolite seca.
Tipos e Classificações
No Brasil, a classificação mais usada para alveolite pulmonar (pneumonite de hipersensibilidade) é baseada no tempo de evolução e na exposição:
- Forma aguda: surge horas após exposição intensa. Sintomas gripais: febre, tosse, dispneia. Geralmente regride em 24-48 horas se a exposição cessa.
- Forma subaguda: exposição moderada e contínua. Sintomas mais persistentes (semanas a meses): tosse crônica, cansaço, perda de peso.
- Forma crônica: exposição prolongada e de baixa intensidade. Desenvolve fibrose pulmonar irreversível, com falta de ar progressiva e dedos em baqueta de tambor.
Quanto à causa, temos nomes populares, como “pulmão de criador de aves” (exposição a penas e fezes de pombos ou galinhas), “pulmão do fazendeiro” (feno mofado), “pulmão do fumante de maconha” (contaminação por fungos) e “pulmão do ar condicionado” (contaminação por umidificadores). Na alveolite seca odontológica, a classificação é simplificada: presença de dor intensa, ausência de coágulo e exposição óssea, sem sinais de infecção purulenta (se houver pus, é uma alveolite supurada, que exige drenagem).
Quando procurar um médico
Você deve procurar atendimento médico em uma UBS, clínica popular ou pronto-atendimento se apresentar:
- Falta de ar que piora com esforço ou que surge após contato com poeira, mofo, pássaros ou sprays.
- Tosse seca persistente (mais de 3 semanas), especialmente se acompanhada de febre baixa, cansaço e chiado no peito.
- Dor intensa no local da extração dentária que não melhora com analgésicos e que surge 2 a 5 dias após o procedimento.
- Halitose (mau hálito) e gosto ruim na boca associados à dor no alvéolo.
No SUS, o médico da atenção primária pode solicitar exames como radiografia de tórax, espirometria (teste de função pulmonar) e, se necessário, tomografia computadorizada de alta resolução. Na suspeita de alveolite seca, o cirurgião-dentista da rede pública ou particular deve ser consultado. Para a alveolite pulmonar crônica, o encaminhamento ao pneumologista é essencial para evitar fibrose pulmonar.
Termos Relacionados
- Pneumonite de hipersensibilidade: nome técnico da alveolite pulmonar causada por inalação de partículas orgânicas.
- Fibrose pulmonar: cicatrização dos pulmões que pode ocorrer na forma crônica da alveolite, levando à perda da elasticidade pulmonar.
- Alvéolo seco: outro nome para a alveolite odontológica, caracterizada pela perda do coágulo protetor.
- Extração dentária: remoção cirúrgica de um dente, procedimento que pode levar à alveolite seca como complicação.
- Corticoides: medicamentos anti-inflamatórios usados no tratamento da alveolite pulmonar para reduzir a inflamação.
- Oxigenoterapia: suplementação de oxigênio indicada para pacientes com alveolite crônica e baixa oxigenação no sangue.
- Tomografia computadorizada de tórax: exame de imagem de alta resolução que ajuda no diagnóstico da pneumonite de hipersensibilidade.
- Curativo alveolar: tratamento tópico da alveolite seca, que consiste em colocar um medicamento anestésico e anti-inflamatório dentro do alvéolo.
Perguntas Frequentes sobre O que é O que é Alveolite
1. Alveolite tem cura? Como é o tratamento?
Sim, a alveolite pulmonar tem cura, especialmente se diagnosticada nas fases aguda e subaguda. O principal tratamento é afastar a causa (parar a exposição ao agente desencadeante). Casos mais graves podem necessitar de corticoides orais por algumas semanas. Já a alveolite seca é tratada com curativos locais feitos pelo dentista, que aliviam a dor e protegem o osso exposto. A cicatrização completa ocorre em 7 a 14 dias. O mais importante é não ignorar os sintomas.
2. A alveolite é contagiosa?
Não, em nenhuma das formas. A alveolite pulmonar é uma reação alérgica do próprio organismo, não uma infecção. A alveolite seca é uma condição inflamatória local, sem transmissão de pessoa para pessoa. Portanto, não há risco de passar para familiares ou colegas de trabalho.
3. Quanto tempo dura uma alveolite pulmonar?
Na forma aguda, os sintomas podem desaparecer em 24 a 48 horas após o afastamento da exposição. Na forma subaguda, pode levar semanas ou meses para melhorar completamente. Na forma crônica, a melhora é mais lenta e pode haver dano pulmonar irreversível. Quanto mais cedo o diagnóstico, melhor o prognóstico.
4. O que pode ser confundido com alveolite?
A alveolite pulmonar é frequentemente confundida com asma, bronquite, pneumonia, gripe ou COVID-19. Por isso, é importante o médico investigar a história de exposição a poeiras orgânicas. Já a alveolite seca pode ser confundida com infecção do alvéolo (alveolite supurada) ou abscesso dentário, que exigem antibióticos e drenagem.
5. Como prevenir a alveolite?
Para a alveolite pulmonar, evitar a exposição a mofo, poeira de grãos, penas de aves e ambientes úmidos é fundamental. Use máscaras adequadas (N95 ou PFF2) durante trabalhos rurais ou limpeza de locais mofados. Mantenha a casa ventilada e evite acúmulo de umidade. Já para a alveolite seca, evite fumar por pelo menos 48 horas após a extração dentária, não use canudos para beber líquidos e siga as orientações do


