sexta-feira, junho 12, 2026

O que é O que é Artéria femoral

O que é Artéria femoral?

A artéria femoral é um dos maiores e mais importantes vasos sanguíneos do corpo humano, responsável por levar sangue oxigenado do coração para boa parte da perna e do pé. Ela começa na região da virilha (logo abaixo do ligamento inguinal) e desce pela parte interna da coxa até o joelho, onde muda de nome e se torna a artéria poplítea. No meu consultório do SUS e nas clínicas populares, ouço com frequência pacientes dizerem: “Doutor, sinto uma dor na virilha que vai descendo pela coxa” ou “Meu pé fica roxo e frio”. Muitas vezes o problema está justamente nessa artéria.

No Brasil, a artéria femoral ganha ainda mais destaque por causa das altas taxas de doenças cardiovasculares e metabólicas. Dados do Ministério da Saúde mostram que a doença arterial periférica (que acomete principalmente as artérias das pernas, inclusive a femoral) atinge entre 10% e 15% da população acima de 60 anos. E o mais preocupante: grande parte dos casos não é diagnosticada nas unidades básicas de saúde, porque os sintomas podem ser confundidos com dor na coluna ou desgaste articular. Por isso, conhecer bem essa artéria é fundamental para prevenir amputações e melhorar a qualidade de vida dos brasileiros.

Na prática clínica cotidiana, a artéria femoral também é o local mais usado para acessar o sistema arterial durante procedimentos como cateterismo cardíaco, angiografias e até mesmo para medir a pressão arterial invasiva em pacientes graves. A rede pública de saúde (SUS) realiza milhares desses exames por ano, especialmente nos grandes centros urbanos. Saber palpar o pulso femoral – aquela “batidinha” que sentimos na virilha – é uma habilidade básica que todo médico de família e clínico geral precisa dominar. Quando esse pulso está fraco ou ausente, acendemos um alerta.

Como funciona / Características

Imagine a artéria femoral como uma mangueira grossa e elástica que sai da pelve e vai até o joelho. Ela é a continuação da artéria ilíaca externa e se divide em dois ramos principais: a artéria femoral comum (que desce até a parte superior da coxa) e a artéria femoral profunda (que irriga os músculos profundos da coxa). Essa divisão acontece a poucos centímetros da virilha e é muito importante para a circulação colateral – isto é, se um ramo entupir, o outro pode tentar compensar.

No dia a dia de uma clínica popular, vejo pacientes com claudicação intermitente: “Doutor, quando ando um quarteirão, a perna começa a doer e tenho que parar. Aí passa”. Isso acontece porque a placa de gordura (aterosclerose) está estreitando a artéria femoral. Quando o músculo pede mais sangue durante o exercício, a artéria não consegue aumentar o fluxo, e a dor surge. É um sinal clássico de obstrução parcial. Se a obstrução for total, o pé fica pálido, frio e dolorido mesmo em repouso – uma emergência vascular.

Outra característica prática: a artéria femoral é relativamente superficial na região da virilha, o que facilita a punção para exames. No SUS, é comum realizar o índice tornozelo-braço (ITB) na atenção primária: medimos a pressão no tornozelo e no braço e comparamos. Se o valor no tornozelo for muito menor que no braço, suspeitamos de obstrução na femoral ou nas artérias da perna. Esse teste simples, barato e não invasivo pode mudar o rumo do tratamento. Muitas vezes, com mudanças no estilo de vida, medicação adequada e acompanhamento, evitamos que o paciente precise de cirurgia.

Tipos e Classificações

Na literatura médica brasileira, costumamos classificar a artéria femoral de duas maneiras principais:

  • Artéria femoral comum: trecho entre o ligamento inguinal e a origem da artéria femoral profunda. É o segmento mais acessível para palpação do pulso e para punções.
  • Artéria femoral superficial: continuação da femoral comum, desce pela coxa até o hiato dos adutores (abertura no músculo que leva até o joelho). Apesar do nome “superficial”, fica profunda entre os músculos.
  • Artéria femoral profunda: ramo que se origina da femoral comum e vai para trás, irrigando os músculos posteriores da coxa. É uma via colateral importante em casos de obstrução da superficial.

Além disso, do ponto de vista clínico, classificamos as doenças que acometem a artéria femoral conforme o grau de obstrução, usando a classificação de Fontaine (estágios I a IV) ou a classificação de Rutherford (categorias 0 a 6). No Brasil, a Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV) recomenda o uso da classificação de Fontaine para padronizar os encaminhamentos no SUS. Por exemplo: paciente no estágio II (claudicação intermitente) pode ser tratado clinicamente, enquanto no estágio IV (dor em repouso, ferida ou gangrena) precisa de revascularização urgente.

Quando procurar um médico

Se você sente algum desses sinais, marque uma consulta com seu clínico geral ou procure uma unidade básica de saúde (UBS) – lá, o médico pode avaliar seu pulso femoral e pedir exames simples:

  • Dor nas pernas ao caminhar que melhora com o repouso (claudicação intermitente).
  • Pé ou perna mais frio que o outro, com mudança de cor (pálido, arroxeado ou avermelhado).
  • Ferida que não cicatriza na perna ou no pé, principalmente em diabéticos.
  • Dor intensa e súbita na perna acompanhada de palidez e falta de pulso na virilha – isso é uma emergência, vá ao pronto-socorro imediatamente.
  • Inchaço na virilha com “massinha” pulsátil (pode ser um aneurisma de artéria femoral).

Na rede pública, você pode solicitar ultrassom Doppler com angiologista ou cirurgião vascular. O SUS cobre esses exames, embora o tempo de espera varie de acordo com a região. Não deixe para depois: a doença arterial periférica tratada precocemente reduz em até 50% o risco de amputação maior, segundo dados do DATASUS.

Termos Relacionados

  • Pulso femoral: batida que sentimos na virilha, indicando o fluxo sanguíneo. Sua ausência sugere obstrução grave.
  • Doença arterial periférica (DAP): estreitamento das artérias das pernas, principalmente por aterosclerose. A artéria femoral é um dos locais mais comuns.
  • Claudicação intermitente: dor muscular na perna ao caminhar, que cede com o repouso. Sinal típico de DAP.
  • Índice tornozelo-braço (ITB): exame não invasivo que compara a pressão do tornozelo com a do braço. Valores abaixo de 0,9 indicam obstrução.
  • Aneurisma de artéria femoral: dilatação anormal da parede da artéria, podendo causar inchaço pulsátil na virilha e risco de ruptura.
  • Trombose arterial aguda: obstrução súbita da artéria femoral por um coágulo (trombo). Emergência que pode levar à perda da perna.
  • Angioplastia femoral: procedimento minimamente invasivo para desobstruir a artéria com balão e, às vezes, colocação de stent. Feito no SUS em hospitais de referência.
  • Bypass femoropoplíteo: cirurgia de ponte de safena que desvia o sangue ao redor de uma obstrução na femoral. Muito comum no Brasil.

Perguntas Frequentes sobre O que é Artéria femoral

O que causa dor na artéria femoral?

A dor geral


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