O que é O que é O que é Artéria hepática?
A artéria hepática é o vaso sanguíneo responsável por levar sangue rico em oxigênio e nutrientes para o fígado. Ela nasce do tronco celíaco (um ramo da aorta abdominal) e se divide em ramos direito e esquerdo para irrigar os lobos hepáticos. No meu dia a dia como clínico no SUS, explico ao paciente que essa artéria funciona como um “cano de abastecimento” que mantém o fígado vivo e funcionando. Sem ela, o fígado não receberia o oxigênio necessário para realizar suas funções vitais, como filtrar toxinas, produzir bile e metabolizar medicamentos.
No Brasil, doenças que afetam a artéria hepática são menos comuns que as doenças hepáticas difusas, mas são extremamente graves. Dados do Ministério da Saúde apontam que cerca de 1 em cada 10.000 pessoas pode apresentar variações anatômicas na artéria hepática, o que é relevante para cirurgias e transplantes. Em clínicas populares, muitas vezes identificamos alterações nesse vaso durante ultrassonografias abdominais realizadas para investigar dores abdominais ou suspeitas de tumores. O exame de ultrassom com doppler, disponível na rede pública, é o principal recurso para avaliar o fluxo sanguíneo da artéria hepática.
No contexto do SUS, o acesso a exames de imagem para avaliar a artéria hepática pode ser demorado, mas a Sociedade Brasileira de Hepatologia e o Ministério da Saúde têm protocolos para priorizar casos suspeitos de trombose da artéria hepática (especialmente em pacientes transplantados) ou aneurismas. Sempre oriento os pacientes: “se seu médico pediu um ultrassom doppler do fígado, não é porque ele está procurando cachaça, é para verificar se o sangue está chegando direitinho”.
Como funciona / Características
A artéria hepática trabalha em paralelo com a veia porta: enquanto a veia porta traz sangue rico em nutrientes do intestino, a artéria hepática traz sangue oxigenado do coração. Juntas, elas garantem que o fígado tenha tanto combustível (nutrientes) quanto oxigênio para funcionar. No cotidiano de uma clínica popular, quando atendo pacientes com esteatose hepática (gordura no fígado), explico que a artéria hepática pode ficar “apertada” se o fígado estiver muito inchado, reduzindo o fluxo e piorando a lesão.
Uma característica clínica importante é que a artéria hepática é um vaso de “alta pressão” — diferente das veias portais, que têm baixa pressão. Por isso, se houver um trauma abdominal, uma ruptura da artéria hepática é uma emergência cirúrgica que pode levar a sangramento maciço. O atendimento no SUS segue o protocolo do Advanced Trauma Life Support (ATLS), e muitas vezes precisamos encaminhar pacientes para hospitais de referência com cirurgia vascular. Outra situação comum é o paciente com cirrose hepática: o fluxo da artéria hepática pode aumentar para compensar a redução do fluxo portal, um fenômeno que chamamos de “compensação hepática”.
No consultório, já vi muitos pacientes chegarem com exames de sangue com enzimas hepáticas alteradas (TGO, TGP, GGT) e ficarem extremamente preocupados. Sempre mostro que a artéria hepática pode estar envolvida indiretamente, já que a inflamação no fígado afeta os vasos. Recomendo a leitura de materiais da Sociedade Brasileira de Hepatologia para entender melhor a relação entre fluxo sanguíneo e doenças hepáticas.
Tipos e Classificações
A artéria hepática apresenta variações anatômicas frequentes, classificadas conforme a sua origem e trajeto. As principais são:
- Artéria hepática comum normal: nasce do tronco celíaco, divide-se em artéria hepática própria e depois em ramos direito e esquerdo. Presente em cerca de 55% da população brasileira.
- Artéria hepática esquerda acessória: ramo extra que surge da artéria gástrica esquerda. Presente em 15-20% dos pacientes, comum na prática cirúrgica.
- Artéria hepática direita acessória: ramo extra da artéria mesentérica superior. Muito relevante em transplantes hepáticos.
- Artéria hepática substituída: quando a artéria hepática não se origina do tronco celíaco, mas de outra artéria, como a mesentérica superior. Essa variação pode dificultar cirurgias.
No Brasil, a classificação de Michels (dividida em 10 tipos) é a mais usada por cirurgiões e radiologistas. Quando solicito uma angiotomografia para um paciente com tumor hepático, sempre peço ao radiologista que descreva o padrão anatômico, pois isso impacta o planejamento cirúrgico. No SUS, muitos hospitais universitários têm protocolos para mapeamento da artéria hepática antes de transplantes, conforme as diretrizes do Sistema Nacional de Transplantes. A ANVISA também exige avaliação vascular pré-operatória para procedimentos de alta complexidade.
Quando procurar um médico
Na minha experiência, a maioria das doenças da artéria hepática é silenciosa ou mimetiza outros problemas. Procure um médico se você apresentar:
- Dor abdominal intensa e súbita no quadrante superior direito (região do fígado) que pode irradiar para as costas — isso pode ser sinal de aneurisma ou trombose da artéria hepática.
- Icterícia (olhos e pele amarelos) acompanhada de febre e dor — pode ser colangite ou complicações de um aneurisma comunicante.
- Sangramento digestivo alto (vômito com sangue ou fezes escuras) sem causa aparente — raro, mas a artéria hepática pode erodir para as vias biliares.
- Hipotensão e taquicardia após trauma abdominal — pode ser ruptura da artéria hepática.
- Alteração nos exames de imagem (ultrassom ou tomografia) com suspeita de lesão vascular hepática.
No atendimento do SUS, encaminho pacientes com suspeita de trombose da artéria hepática para o serviço de cirurgia vascular ou hepatologia de referência. Pessoas com cirrose ou transplante hepático devem fazer acompanhamento regular com doppler hepático a cada 6-12 meses, conforme protocolo do Ministério da Saúde. A Sociedade Brasileira de Hepatologia tem um guia para pacientes que recomenda procurar o médico se o exame de ultrassom mostrar fluxo turbulento ou ausência de fluxo na artéria hepática.
Termos Relacionados
- Tronco celíaco: artéria que dá origem à artéria hepática comum. Doenças nesse tronco podem reduzir o fluxo para o fígado.
- Veia porta: vaso que traz sangue do intestino para o fígado; junto com a artéria hepática, forma o suprimento duplo do órgão.
- Doppler hepático: exame de ultrassom que avalia o fluxo sanguíneo da artéria hepática e da veia porta. Muito usado no SUS.
- Trombose da artéria hepática: formação de coágulo que bloqueia o vaso, comum em pacientes transplantados. Leva à necrose hepática se não tratado.
- Aneurisma de artéria hepática: dilatação anormal que pode se romper. Raro, mas taxas de ruptura podem chegar a 30% na literatura.
- Angiotomografia hepática: exame de imagem com contraste que mostra a anatomia da artéria hepática. Utilizado para planejamento cirúrgico no SUS.
- Cirrose hepática: doença difusa que altera o fluxo sanguíneo, levando a hiperfluxo compensatório na artéria hepática.
- Transplante hepático: procedimento em que a artéria hepática do doador é anastomosada à artéria do receptor. A perviedade da artéria é crucial para o sucesso.
Perguntas Frequentes sobre O que é O que é O que é Artéria hepática
O que acontece se a artéria hepática for cortada?
É uma emergência cirúrgica. O corte da artéria hepática leva a sangramento maciço e isquemia (falta de oxigênio) do fígado. Sem reparo, pode ocorrer necrose do órgão e morte em horas. Felizmente, isso é raro e geralmente ocorre em traumas abdominais graves ou complicações cirúrgicas. No SUS, o atendimento é feito em hospitais de referência com cirurgia vascular e hepatologia.
É normal sentir pulsação na região do fígado? Pode ser a artéria hepática?
Na maioria das pessoas, não se sente pulsação no fígado. Se você perceber uma pulsação forte ou visível no abdome superior direito, pode ser sinal de um aneurisma da artéria hepática ou de outras artérias abdominais. Procure um clínico para solicitar um ultrassom. Ansiedade e estresse podem aumentar a percepção, mas não ignore – melhor verificar. Já atendi pacientes com essa queixa e estava tudo normal, mas outros precisaram de cirurgia.
Quais exames detectam problemas na artéria hepática?
O exame mais simples é o ultrassom com doppler, que avalia o fluxo sanguíneo. Ele está disponível no SUS, embora possa ter fila de espera. A angiotomografia é o padrão-ouro para ver a anatomia completa, mas geralmente é reservada para casos suspeitos de tumores, aneurismas ou antes de transplantes. Exames de sangue como TGO, TGP e bilirrubinas ajudam a ver se o fígado está funcionando, mas não detectam diretamente problemas na artéria.
A artéria hepática pode ser afetada por má alimentação ou álcool?
Indiretamente, sim. O consumo excessivo de álcool e dietas ricas em gorduras levam à esteatose hepática (gordura no fígado). Com o tempo, o fígado inflamado pode comprimir a artéria hepática e reduzir o fluxo, piorando a lesão. Além disso, a cirrose alcoólica altera a hemodinâmica hepática. Num estudo brasileiro do Ministério da Saúde, 20% dos pacientes com cirrose apresentaram aumento do diâmetro da artéria hepática. Controlar a alimentação e evitar álcool são medidas preventivas fundamentais.
Existe cirurgia para desobstruir a artéria hepática?
Sim, em casos de trombose (geralmente em pacientes transplantados) ou aneurisma. A cirurgia pode ser feita por via aberta ou por cateterismo (angioplastia). No SUS, esses procedimentos são realizados em hospitais terciários, como os que fazem transplante hepático. A equipe de cirurgia vascular avalia caso a caso. Existem também tratamentos medicamentosos com anticoagulantes, se a trombose for recente e em pacientes selecionados.
Quem tem aneurisma de artéria hepática pode fazer atividade física?
Depende do tamanho e da localização do aneurisma. Aneurismas pequenos (


