sexta-feira, junho 12, 2026

O que é O que é Artéria vertebral

O que é O que é O que é Artéria vertebral?

Você já sentiu uma tontura ao virar a cabeça rapidamente ou teve aquela sensação de “cervical travada” vindo acompanhada de visão embaçada? Muitas vezes, a causa pode estar relacionada a um par de vasos que passam bem pertinho das vértebras do pescoço: as artérias vertebrais. Na minha rotina como clínico no SUS e em clínicas populares de Fortaleza, essa é uma das perguntas que mais surgem, principalmente entre pacientes acima dos 50 anos ou com histórico de osteoporose e hérnia de disco cervical.

A artéria vertebral é um vaso sanguíneo que nasce da artéria subclávia (no ombro) e sobe dentro de um túnel ósseo formado por pequenos buracos nas vértebras do pescoço (os forames transversos). Ela entra no crânio pelo buraco occipital e se une com a artéria vertebral do outro lado para formar a artéria basilar, irrigando o tronco cerebral, o cerebelo e a parte posterior do cérebro. Em termos práticos, é como se fosse a “estrada” que leva oxigênio para a região responsável pelo equilíbrio, coordenação motora, visão e audição. Sem ela funcionando direito, o corpo inteiro sente.

No Brasil, problemas relacionados às artérias vertebrais são mais comuns do que se imagina. Dados do Ministério da Saúde indicam que cerca de 1,2 milhão de brasileiros sofrem um AVC por ano, e a insuficiência vertebrobasilar (falta de fluxo nessas artérias) está por trás de muitos casos de tontura crônica e quedas em idosos – um dos principais motivos de procura nas unidades de pronto-atendimento e clínicas populares. Sem falar na associação com a cervicalgia (dor no pescoço) que, segundo o IBGE, atinge 23% da população adulta, sendo uma das queixas mais frequentes em consultórios do SUS.

Como funciona / Características

Imagine duas mangueirinhas que sobem paralelas ao lado da coluna cervical. A cada vértebra, elas passam por um “anel” ósseo que as protege, mas também as deixa vulneráveis a movimentos bruscos. Quando viramos a cabeça para o lado, as artérias vertebrais podem ser levemente comprimidas, e isso é normal. O problema acontece quando há uma obstrução por placa de gordura (aterosclerose), um espasmo muscular intenso ou uma hérnia de disco que comprime o vaso.

No dia a dia da clínica popular, atendo muitos pacientes que relatam tontura ao levantar a cabeça para olhar para cima (como ao retirar um prato do armário) ou ao virar o pescoço para estacionar o carro. Esses sintomas são clássicos da chamada “insuficiência vertebrobasilar”. Mas a artéria também pode ser afetada por traumas – um “chicote cervical” após uma batida de carro, por exemplo, pode lesionar a parede do vaso e formar um coágulo (dissecção). Isso exige atenção urgente, pois pode evoluir para um AVC.

Outra característica importante: a artéria vertebral não é única – existem duas, uma de cada lado. Em cerca de 15% da população, uma delas é muito fina (hipoplásica), então a outra precisa trabalhar dobrado. Nesses casos, um simples “mau jeito” no pescoço pode ter consequências maiores. No SUS, quando um paciente chega com tontura de repetição, o clínico geral costuma solicitar um Doppler de vértebro-basilares (exame de ultrassom) para avaliar o fluxo sanguíneo. Esse exame é padronizado pelo Ministério da Saúde e está disponível na maioria das policlínicas regionais.

Tipos e Classificações

Na prática clínica brasileira, não costumamos classificar a artéria vertebral em tipos como faríamos com fraturas, mas usamos descrições anatômicas e funcionais. As principais classificações que aparecem em laudos de imagem e prontuários do SUS são:

– **Segmentos anatômicos**: V1 (porção pré-vertebral, desde a subclávia até a entrada na vértebra C6), V2 (dentro dos forames transversos, de C6 a C2), V3 (alça atlanto-axial, onde a artéria sai da coluna e faz uma curva antes de entrar no crânio) e V4 (intracraniana, até formar a basilar). Essa divisão é importante para localizar o problema – por exemplo, uma hérnia de disco em C5-C6 pode comprimir o segmento V2.

– **Hipoplasia**: quando uma das artérias tem calibre menor que 2 mm, consideramos hipoplásica. Isso é comum, mas exige atenção durante procedimentos como manipulação quiroprática ou cirurgia de coluna. O CFM orienta que pacientes com hipoplasia conhecida evitem movimentos extremos do pescoço sem avaliação médica.

– **Dissecção**: não é uma classificação, mas um diagnóstico específico. O Ministério da Saúde inclui a dissecção de artéria vertebral no protocolo de AVC isquêmico em jovens (abaixo de 45 anos), pois é uma causa relevante nessa faixa etária.

– **Variação de PICA**: a artéria cerebelar póstero-inferior (PICA) pode nascer diretamente da artéria vertebral em vez da basilar, o que influencia em cirurgias de aneurisma.

No dia a dia, quando o radiologista descreve “artéria vertebral direita dominante” ou “calcificação ateromatosa no segmento V2”, isso já basta para o clínico orientar o tratamento.

Quando procurar um médico

Na minha experiência, muitas pessoas ignoram os sinais de alerta porque os sintomas vêm e vão. Mas existem situações em que a avaliação médica é urgente, especialmente se você tiver mais de 45 anos, for hipertenso, diabético ou tiver colesterol alto (fatores de risco comuns no Brasil, segundo a Vigitel 2023).

**Sinais que não podem esperar:**
– Tontura súbita e intensa, como se o mundo estivesse girando (vertigem), acompanhada de náusea e vômito.
– Perda de equilíbrio ao andar, sensação de “piso mole”.
– Visão dupla, embaçamento visual ou sensação de “cortina caindo” nos olhos.
– Dificuldade para falar (fala enrolada) ou engolir.
– Fraqueza ou dormência em um lado do corpo, mesmo que passageira.
– Dor de cabeça súbita e muito forte, principalmente na nuca ou atrás dos olhos.

**No consultório popular**, muitos pacientes chegam com queixa de “tontura de despertar” (ao levantar da cama) ou “tontura ao esforço” (carregar peso). Nem toda tontura é da artéria vertebral – pode ser labirintite, pressão baixa ou ansiedade. Mas o médico precisa fazer o diagnóstico diferencial. Por isso, se os sintomas forem frequentes, procure a Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima. O clínico geral pode solicitar o Doppler e, se necessário, encaminhar ao neurologista pelo Sistema de Regulação.

**Cuidado com manipulações no pescoço** – ajustes quiropráticos ou massagens muito fortes na cervical podem, em raras situações, causar dissecção da artéria. O CFM já emitiu nota de alerta sobre isso: não há proibição, mas o paciente deve ser informado dos riscos, especialmente se já tiver diagnóstico de hipoplasia ou placas de ateroma.

Termos Relacionados

  • Insuficiência vertebrobasilar – quadro de redução do fluxo sanguíneo nas artérias vertebrais e basilar, causando tontura, visão turva e quedas. Comum em idosos com aterosclerose cervical.
  • Dissecção de artéria vertebral – rasgo na parede do vaso, formando um coágulo. Pode ocorrer após trauma cervical ou espontaneamente. É uma das causas de AVC isquêmico em jovens.
  • Síndrome de Wallenberg – AVC da parte lateral do bulbo, geralmente por obstrução de um ramo da artéria vertebral. Causa tontura, desequilíbrio, rouquidão e perda de sensibilidade térmica em um lado do rosto e no corpo.
  • Doppler de artérias vertebrais – exame de ultrassom que avalia o fluxo sanguíneo e a presença de estreitamentos ou placas. É disponível no SUS, mas com filas de espera que variam conforme a região.
  • Hérnia de disco cervical – quando o disco entre as vértebras do pescoço se desloca, podendo comprimir a artéria vertebral (e também a raiz nervosa). Muito frequente em trabalhadores braçais e digitadores.
  • Osteofitose cervical – “bico de papagaio” nas vértebras, que pode crescer em direção ao forame transverso e comprimir a artéria. Comum em pessoas com osteoartrite, mais frequente a partir dos 60 anos.
  • Basilar – artéria formada pela união das duas artérias vertebrais dentro do crânio. Irriga o tronco cerebral e cerebelo. Aneurismas de basilar são graves e de difícil tratamento.
  • AVC isquêmico de circulação posterior – tipo de derrame que afeta as regiões supridas pelas artérias vertebrais e basilar. Os sintomas são diferentes do AVC típico (hemisférico), como tontura, diplopia e ataxia.

Perguntas Frequentes sobre O que é O que é Artéria vertebral

1. Dor no pescoço sempre significa problema na artéria vertebral?

Não. A maioria das dores no pescoço é de origem muscular (contratura, má postura) ou da coluna (hérnia, artrose). A artéria vertebral só está envolvida quando há tontura, sintomas visuais ou sensação de “desmaio” associados à dor. Mesmo assim, um médico deve avaliar, porque a dor no pescoço pode ser sinal de dissecção, principalmente se for súbita e muito forte (tipo “pancada”).

2. A manipulação quiroprática pode lesar a artéria vertebral?

Sim, embora seja rara (cerca de 1 caso a cada 100 mil manipulações), há risco de dissecção da artéria vertebral, especialmente em pessoas com predisposição (hipoplasia, aterosclerose, doenças do colágeno). O Conselho Federal de Medicina (CFM) recomenda que o paciente seja informado desse risco e que o profissional tenha treinamento adequado. Se você tem tontura frequente ou já teve AVC, evite manipulações sem avaliação médica.

3. Artéria vertebral entupida tem tratamento no SUS?

Sim, o SUS oferece diagnóstico (Doppler, angiotomografia, ressonância) e tratamento. O manejo inicial é clínico: controle de pressão, colesterol, diabetes e antiagregantes como AAS (ácido acetilsalicílico). Em casos graves (estenose > 70% ou sintomas recorrentes apesar do remédio), pode ser necessário angioplastia com stent, disponível em centros de referência como o INC (Instituto Nacional de Cardiologia) e hospitais universitários. O acesso depende da regulação municipal, mas a Lei 8080 garante atendimento integral.

4. Tontura ao virar a cabeça é sempre da artéria vertebral?

Nem sempre. A tontura ao virar o pescoço pode ser de origem labiríntica (labirintite posicional – VPPB), muscular ou até ansiedade. Mas a insuficiência vertebrobasilar também causa isso, principalmente quando dura minutos e melhora ao centralizar a cabeça. O clínico geral pode fazer o teste de Nylen-Barany (manobra de Dix-Hallpike) para diferenciar. Se suspeitar de causa vascular, encaminha para o neurologista.

5. Existe exame para ver a artéria vertebral no SUS?

Sim. O exame mais simples e acessível é o Doppler de artérias vertebrais (ultrassom), disponível em policlínicas e hospitais públicos. Em casos complexos, há angiotomografia e angio-ressonância, que são solicitadas por especialistas. A demora para agendar varia: no SUS de Fortaleza, por exemplo, o Doppler pode levar de 30 a 90 dias, dependendo da unidade. Em clínicas popula­res particulares, o custo é acess


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