quinta-feira, maio 28, 2026

O que é O que é Arterite temporal

O que é O que é O que é Arterite temporal?

Arterite temporal – também conhecida como arterite de células gigantes – é uma inflamação crônica que ataca as paredes das artérias, principalmente as que ficam nas têmporas (os lados da cabeça, acima dos olhos e orelhas). No meu dia a dia no SUS e nas clínicas populares de Fortaleza, atendo muitos pacientes acima dos 50 anos que chegam com dor de cabeça persistente, sensibilidade ao tocar o couro cabeludo e, às vezes, com a visão embaçada. A arterite temporal é uma das causas mais silenciosas de cegueira evitável em idosos, mas, infelizmente, ainda é pouco conhecida entre a população brasileira.

No Brasil, estima-se que a prevalência da arterite temporal seja de cerca de 10 a 20 casos por 100 mil habitantes acima dos 50 anos, números próximos aos encontrados em países como Estados Unidos e Espanha. Dados do Ministério da Saúde indicam que, nos ambulatórios de reumatologia do SUS, a arterite temporal corresponde a aproximadamente 1% dos diagnósticos de vasculites sistêmicas. A faixa etária típica é entre 65 e 75 anos, e há uma ligeira predominância em mulheres (2:1). Na minha experiência, muitos pacientes confundem os sintomas com dores comuns da idade, como sinusite ou cefaleia tensional, e só procuram ajuda quando a visão começa a falhar – o que pode ser tarde demais.

A condição exige um olhar atento do clínico geral, porque os sinais iniciais são inespecíficos: cansaço, febre baixa, perda de apetite e dor muscular. Por isso, no consultório popular, eu sempre pergunto a pacientes acima de 55 anos que se queixam de dor de cabeça nova: “você sente dor ao pentear o cabelo ou apoiar a cabeça no travesseiro?”. Essa pergunta simples já me ajudou a suspeitar de dezenas de casos. O diagnóstico precoce é a chave para evitar a perda irreversível da visão, que ocorre por inflamação das artérias que irrigam o nervo óptico.

Fonte: Ministério da Saúde.

Como funciona / Características

A arterite temporal é uma doença autoimune, ou seja, o próprio sistema de defesa do corpo ataca as células da parede das artérias. Essa inflamação engrossa a parede do vaso, reduzindo o fluxo sanguíneo. Imagine uma mangueira de jardim que, de repente, tem uma camada de borracha grudada por dentro – a água passa com dificuldade. É o que acontece com o sangue indo para os músculos da mastigação, para o couro cabeludo e, principalmente, para os olhos.

Na prática clínica, os sintomas mais característicos são:

  • Dor de cabeça nova e persistente – geralmente unilateral, na têmpora, que piora à noite.
  • Hipersensibilidade no couro cabeludo – o paciente não suporta escovar o cabelo ou usar boné.
  • Claudição da mandíbula – dor ao mastigar ou falar por muito tempo, como se a mandíbula ficasse cansada.
  • Sintomas visuais – visão embaçada, diplopia (visão dupla) ou perda súbita da visão de um olho, que pode se tornar permanente.
  • Sintomas sistêmicos – febre, perda de peso, dores musculares (mialgias) e fadiga.

No exame físico, muitas vezes a artéria temporal está endurecida, visível e dolorosa à palpação. Um truque que uso no consultório é pedir ao paciente para fechar a boca e, com o dedo indicador, sentir a pulsação na têmpora – se estiver fraca ou ausente, é um sinal de alerta. Os exames de sangue mostram uma velocidade de hemossedimentação (VHS) muito elevada, quase sempre acima de 100 mm/h, e a proteína C reativa (PCR) também costuma estar bem alta. A confirmação definitiva é feita pela biópsia da artéria temporal, que pode ser realizada no próprio hospital do SUS com anestesia local.

Fonte: Conselho Federal de Medicina.

Tipos e Classificações

A arterite temporal é classificada como uma vasculite de grandes e médios vasos. Não existem subtipos oficiais, mas os reumatologistas no Brasil costumam dividi-la em duas apresentações clínicas principais, com base na presença ou ausência de comprometimento ocular:

  • Arterite temporal com sintomas visuais: ocorre em cerca de 20 a 30% dos casos. É a forma mais grave, pois pode levar à cegueira irreversível se não tratada rapidamente. O paciente apresenta perda súbita da visão, geralmente unilateral, mas que pode progredir para o outro olho em dias.
  • Arterite temporal sem sintomas visuais: a inflamação atinge apenas as artérias extracranianas, causando dor de cabeça, claudicação da mandíbula e sintomas sistêmicos, mas sem afetar a visão. Exige o mesmo tratamento, mas o risco de cegueira é menor.

Outra classificação que uso na prática é baseada na associação com a polimialgia reumática – uma condição que causa dor e rigidez nos ombros, pescoço e quadril. Cerca de metade dos pacientes com arterite temporal apresentam polimialgia reumática, e vice‑versa. Por isso, quando atendo um idoso com dores musculares generalizadas e exames inflamatórios elevados, já penso na dupla “arterite temporal + polimialgia”. No SUS, essa associação é comum e muitas vezes o diagnóstico é retardado porque os sintomas musculares são atribuídos à “artrose” ou “reumatismo de velho”.

Não há um sistema de “estágios” como no câncer, mas o tempo de evolução importa: casos diagnosticados nas primeiras 2 semanas têm excelente resposta aos corticoides; após 1 mês, o risco de perda visual é muito maior.

Quando procurar um médico

Procure atendimento médico imediatamente se você ou alguém próximo apresentar:

  • Dor de cabeça nova e forte, localizada na têmpora, que não melhora com analgésicos comuns.
  • Sensibilidade ao tocar o couro cabeludo, como se o cabelo estivesse “doendo”.
  • Dor ao mastigar, falar ou bocejar – a mandíbula “trava” ou cansa facilmente.
  • Qualquer alteração visual repentina: visão embaçada, manchas ou perda da visão em um olho.
  • Sintomas gerais como febre inexplicável, perda de peso, dores musculares intensas e cansaço extremo em maiores de 50 anos.

Orientação ao paciente: Não espere a dor passar. Vá a uma Unidade Básica de Saúde (UBS) ou a uma clínica popular. Peça ao médico para solicitar exames de sangue (VHS e PCR). Se o VHS estiver acima de 100 mm/h, a chance de arterite temporal é alta. O tratamento com corticoides (prednisona) deve começar ainda na suspeita, antes mesmo da biópsia, para evitar danos à visão. Na minha experiência, cada dia de atraso pode custar a visão de um olho. No SUS, a biópsia é feita em hospitais de referência (ex: Hospital das Clínicas, Hospital Geral), e os corticoides são fornecidos gratuitamente pelo programa de medicamentos excepcionais. Mas lembre-se: o diagnóstico é clínico – não dependa exclusivamente do resultado da biópsia para iniciar o tratamento.

Termos Relacionados

  • Vasculite: Inflamação das paredes dos vasos sanguíneos. A arterite temporal é uma forma de vasculite que afeta artérias de grande e médio calibre.
  • Polimialgia reumática: Condição inflamatória que causa dor e rigidez nos ombros, pescoço e quadril, frequentemente associada à arterite temporal.
  • Velocidade de hemossedimentação (VHS): Exame de sangue que mede a velocidade com que as hemácias se sedimentam. Na arterite temporal, costuma estar muito elevado (acima de 100 mm/h).
  • Proteína C reativa (PCR): Outro marcador inflamatório no sangue que, junto com o VHS, ajuda a suspeitar da doença.
  • Biopósia da artéria temporal: Procedimento cirúrgico simples, com anestesia local, no qual um pequeno fragmento da artéria temporal é retirado e analisado ao microscópio para confirmar o diagnóstico.
  • Corticoides (prednisona): Medicamentos anti-inflamatórios potentes usados para controlar a inflamação na arterite temporal. O tratamento é prolongado, geralmente por 12 a 24 meses, com redução gradual da dose.
  • Claudição da mandíbula: Sintoma típico em que a mandíbula fica dolorida ou “cansa” ao mastigar, por falta de irrigação sanguínea adequada.
  • Neuropatia óptica isquêmica anterior (NOIA): Complicação grave que leva à perda da visão por falta de sangue no nervo óptico, causada pela inflamação das artérias que o nutrem.

Perguntas Frequentes sobre O que é O que é Arterite temporal

A arterite temporal tem cura?

Sim, mas a palavra “cura” deve ser entendida com cuidado. A doença é controlável com o uso de corticoides. A maioria dos pacientes responde bem e consegue suspender a medicação após 1 a 2 anos, sem recaídas. Porém, em alguns casos, a inflamação pode retornar, exigindo novo ciclo de tratamento. O importante é que, com diagnóstico precoce e tratamento adequado, a qualidade de vida volta ao normal. A perda visual, se já ocorreu, é irreversível – por isso a urgência.

Arterite temporal e Síndrome de Takayasu são a mesma coisa?

Não. A arterite temporal (arterite de células gigantes) afeta principalmente as artérias da cabeça e pescoço, enquanto a Síndrome de Takayasu atinge a aorta e seus grandes ramos, com predomínio em pessoas jovens, especialmente mulheres abaixo de 40 anos. Ambas são vasculites, mas com faixas etárias, manifestações e tratamentos distintos. O clínico geral precisa saber diferenciá-las para não confundir o diagnóstico.

O que causa a arterite temporal?

A causa exata é desconhecida. Sabe-se que é uma doença autoimune, ou seja, o sistema imunológico ataca as próprias artérias. Fatores genéticos (presença de alguns tipos de HLA) e ambientais, como infecções virais (parvovírus B19, herpes-zóster) ou bacterianas, podem desencadear o processo. Não é uma doença


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