O que é O que é O que é Arterite?
Arterite é o nome que a medicina dá para a inflamação das artérias – aqueles vasos que levam sangue rico em oxigênio do coração para o resto do corpo. Quando essas paredes inflamam, o vaso pode ficar mais estreito, endurecer ou até formar coágulos, atrapalhando a circulação. É uma condição que aparece com frequência no meu consultório, principalmente em pacientes com mais de 50 anos. Muitos chegam com queixas de dor de cabeça que não passa, cansaço e dores musculares que confundem com “reumatismo” ou “estresse do dia a dia”.
Na prática da clínica popular brasileira, é comum encontrarmos dois cenários: ou o paciente já está com sintomas avançados, como perda de visão de um olho, ou ele está no início, com dor ao mastigar e sensibilidade no couro cabeludo. A arterite mais frequente no Brasil é a chamada arterite de células gigantes (também conhecida como arterite temporal), que atinge cerca de 1 a 2 pessoas em cada 10 mil acima dos 50 anos, segundo dados da Sociedade Brasileira de Reumatologia. Embora pareça raro, nas clínicas populares – especialmente em regiões com grande população idosa – a suspeita surge quase toda semana.
O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece diagnóstico e tratamento para a arterite na atenção primária (postos de saúde) e nas unidades especializadas. O médico clínico geral da rede municipal é o primeiro a suspeitar do problema, e pode solicitar exames como VHS e PCR – marcadores de inflamação – além de encaminhar para o reumatologista ou para o oftalmologista quando há risco de perda visual. A ANVISA regula os medicamentos usados, principalmente os corticoides (como prednisona), que são a base do tratamento e estão disponíveis na lista de medicamentos essenciais do SUS.
Como funciona / Características
Imagine que suas artérias são como canos de água. Na arterite, a parede interna desses canos fica inflamada, inchada e sensível. O corpo manda células de defesa para o local, o que pode formar um “calo” que estreita a passagem do sangue. Nos casos mais graves, o vaso pode entupir totalmente, causando falta de circulação nos tecidos que ele irriga.
No dia a dia de uma clínica popular, o paciente típico vem com uma história assim: “Doutor, estou com uma dor de cabeça que não passa há semanas, parece que meu couro cabeludo está doendo até quando penteio o cabelo. Mastigar está difícil, sinto a mandíbula cansada depois de comer um pão”. Esses são sinais clássicos de comprometimento da artéria temporal, uma das que mais frequentemente inflamam. Além disso, muitos relatam mal-estar geral, febre baixa à tarde, perda de apetite e dor nos ombros e quadris – uma condição associada chamada polimialgia reumática.
Do ponto de vista clínico, a arterite pode ser traiçoeira. Frequentemente, exames de rotina como hemograma mostram anemia leve e um aumento na velocidade de hemossedimentação (VHS) – um exame simples e barato que está disponível em praticamente qualquer laboratório do Brasil, inclusive em unidades do SUS. Quando o médico vê um VHS muito elevado em um idoso com esses sintomas, a suspeita de arterite aumenta bastante. A confirmação definitiva é feita por biópsia da artéria temporal, um procedimento pequeno que pode ser feito em ambulatório.
Tipos e Classificações
Na literatura médica brasileira, classificamos a arterite principalmente de acordo com o tamanho dos vasos afetados e a causa. Os tipos mais importantes que vejo em consultório são:
- Arterite de Células Gigantes (ACG) – também chamada de arterite temporal. É a mais comum em idosos. Acomete artérias de médio e grande calibre, especialmente os ramos da artéria carótida externa (como a temporal). Afeta principalmente pessoas acima de 50 anos, com pico entre 70-80 anos. No Brasil, a incidência é um pouco menor que em países europeus, mas ainda é significativa.
- Arterite de Takayasu – atingem artérias grandes, como a aorta e seus ramos. É mais comum em mulheres jovens (20-40 anos). Diferente da ACG, aqui os sintomas são mais sistêmicos: cansaço, febre, diferença de pressão entre os braços, desmaios. É uma condição rara, mas que aparece em serviços de reumatologia do SUS.
- Poliarterite Nodosa (PAN) – inflamação de artérias de médio calibre, que pode atacar rins, nervos e pele. É menos frequente, mas grave. No Brasil, está associada a infecções como hepatite B e C, o que exige investigação sorológica.
- Arterites associadas a doenças autoimunes – como lúpus, artrite reumatoide e esclerodermia. Nesses casos, a inflamação das artérias é uma complicação de outra doença de base.
A classificação usada no Brasil segue os critérios do Colégio Americano de Reumatologia (ACR), adaptados pela Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR). O Conselho Federal de Medicina (CFM) recomenda que todo caso suspeito seja avaliado por especialista, para evitar atraso no tratamento que pode levar à cegueira irreversível.
Quando procurar um médico
O momento certo de buscar ajuda é crucial na arterite, pois o tratamento precoce pode salvar a visão e evitar danos permanentes aos vasos. Fique atento aos seguintes sinais de alerta:
- Dor de cabeça nova, persistente e diferente do habitual, principalmente em pessoas com mais de 50 anos
- Dor ou sensibilidade no couro cabeludo – dói até escovar o cabelo ou encostar o travesseiro
- Dor ao mastigar ou falar por muito tempo (claudicação de mandíbula)
- Visão turva, embaçada ou perda súbita e temporária da visão em um olho (chamada de amaurose fugaz)
- Dor nos ombros e quadris, rigidez matinal que melhora com o movimento (suspeita de polimialgia reumática)
- Febre baixa, perda de peso sem causa e cansaço extremo
Se você ou um familiar apresentar um desses sintomas, especialmente se tiver mais de 60 anos, procure imediatamente um posto de saúde ou uma clínica popular. O clínico geral pode solicitar exames simples (hemograma, VHS, PCR) e, se houver suspeita, encaminhar com urgência para um reumatologista ou para o pronto-socorro oftalmológico. Não espere o problema passar sozinho – a arterite não melhora sem tratamento.
Termos Relacionados
- Vasculite – termo mais amplo que significa inflamação dos vasos sanguíneos em geral. A arterite é um tipo de vasculite que ataca especificamente as artérias.
- Polimialgia Reumática – condição inflamatória que causa dor e rigidez nos ombros, pescoço e quadris. Muitas vezes anda junto com a arterite temporal.
- VHS (Velocidade de Hemossedimentação) – exame de sangue que detecta inflamação no corpo. Valores muito altos são típicos na arterite ativa.
- PCR (Proteína C Reativa) – outro marcador inflamatório, usado junto com o VHS para monitorar a doença.
- Biopisia de Artéria Temporal – procedimento cirúrgico pequeno que retira um fragmento da artéria para análise microscópica. É o padrão-ouro para confirmar o diagnóstico.
- Corticoides (Prednisona) – medicamento anti-inflamatório potente que é a base do tratamento da arterite. Deve ser usado sob supervisão médica.
- Imunossupressores – como metotrexato, usados em casos resistentes aos corticoides ou para reduzir a dose deles.
- Amaurose Fugaz – perda temporária da visão em um olho, como se uma cortina descesse. É um sinal de alerta para arterite temporal.
Perguntas Frequentes sobre O que é O que é O que é Arterite
Arterite tem cura?
A arterite não tem uma “cura” definitiva como uma infecção, mas tem tratamento eficaz. Com o uso correto de corticoides e acompanhamento médico, a inflamação é controlada e a maioria dos pacientes entra em remissão. Muitos conseguem reduzir a medicação após 1 a 2 anos, mas algumas pessoas precisam de tratamento por mais tempo. O importante é iniciar logo para evitar complicações como cegueira ou derrame.
Arterite é contagiosa?
Não, de forma alguma. A arterite é uma doença inflamatória autoimune, ou seja, o próprio sistema de defesa do corpo ataca as artérias por engano. Não é transmitida por contato, saliva, ar ou qualquer via. Não há motivo para afastar o paciente do convívio familiar ou social.
Qual exame confirma a arterite?
Não existe um único exame que feche o diagnóstico. O médico suspeita pelos sintomas e pelos exames de sangue (VHS e PCR muito elevados). A confirmação é feita pela biópsia da artéria temporal, que mostra a inflamação característica com células gigantes. Em alguns casos, exames de imagem como angiorressonância podem ajudar, mas a biópsia é o padrão-ouro.
Arterite pode matar?
Sim, se não tratada, a arterite pode levar a complicações graves: perda permanente da visão, acidente vascular cerebral (derrame), aneurisma de aorta e infarto. Porém, com o tratamento adequado, o risco de morte é muito baixo. O maior perigo é o atraso no diagnóstico. Por isso, sintomas como dor de cabeça nova em idoso e perda de visão devem ser levados a sério.
O tratamento é caro? O SUS fornece?
O tratamento principal é com corticoides orais, como a prednisona, que são remédios de baixo custo e estão disponíveis na rede pública do SUS. Exames como VHS e PCR são feitos gratuitamente nos laboratórios municipais. A biópsia e o acompanhamento com reumatologista também são oferecidos pelo sistema. Em clínicas populares particulares, o custo da consulta e exames é acessível, geralmente entre R$ 50 e R$ 150. O importante é não deixar de tratar por medo do preço.
Posso tomar vacina contra gripe ou covid tendo arterite?
Sim, e é recomendado! Pacientes com arterite em tratamento com corticoides têm o sistema imunológico um pouco mais frágil, então as vacinas são ainda mais importantes para prevenir infecções. Converse com seu médico, mas a orientação geral é vacinar-se. A ANVISA e o Ministério da Saúde liberam as vacinas para esse grupo. Apenas evite vacinas com vírus vivos atenuados (como a da febre amarela) sem avaliação do reumatologista. No mais, todas as vacinas indicadas para a idade são seguras.
Conteúdo revisado por equipe médica. Este verbete é educativo e não substitui consulta médica.
Fontes consultadas:


