sexta-feira, junho 12, 2026

O que é O que é Articulação carpometacarpiana

O que é O que é Articulação carpometacarpiana?

A articulação carpometacarpiana (também chamada de articulação CMC) é a junta que conecta os ossos do carpo (punho) com os ossos do metacarpo (a parte média da mão). Existem cinco articulações carpometacarpianas na mão, uma para cada dedo. Porém, a mais conhecida e que mais gera queixas no consultório é a do polegar, chamada de articulação trapeziometacarpal, que liga o osso trapézio (no punho) ao primeiro metacarpo (dedão).

Na prática diária de um médico clínico geral que atende no SUS e em clínicas populares, a frase “o que é articulação carpometacarpiana” surge quando o paciente chega com dor na base do polegar, dificuldade para abrir potes ou fazer movimentos de pinça. Muitas vezes a pessoa diz: “Doutor, essa juntinha aqui do dedão está doendo demais”. Nesse momento, estamos falando justamente da articulação carpometacarpiana do polegar.

Dados epidemiológicos brasileiros mostram que a osteoartrite (desgaste) dessa articulação é uma das queixas reumáticas mais comuns entre mulheres acima de 50 anos. Segundo o Ministério da Saúde, cerca de 10% da população com mais de 60 anos apresenta artrose sintomática em alguma articulação das mãos, e a articulação do polegar é uma das mais afetadas. No contexto do SUS, esse problema é frequentemente manejado com analgésicos, fisioterapia e orientações de proteção articular, pois a cirurgia (artroplastia ou artrodese) fica reservada para casos graves.

Como funciona / Características

A articulação carpometacarpiana do polegar é uma das juntas mais especiais do corpo humano. Ela possui um formato de sela (por isso é chamada de articulação selar), o que permite que o polegar faça movimentos em três planos: flexão/extensão, abdução/adução e, principalmente, oposição. Esse movimento de oposição é o que nos permite encostar a ponta do polegar nos outros dedos – essencial para segurar um lápis, uma faca ou o celular.

No dia a dia do consultório, explico que essa articulação funciona como um “encaixe de sela de cavalo”: um osso se move sobre o outro em várias direções, mas sem perder a estabilidade. O problema é que, com o tempo e o uso repetitivo, a cartilagem que reveste as superfícies ósseas pode se desgastar – é o que chamamos de rizartrose (artrose da base do polegar).

No Brasil, é muito comum mulheres que realizaram trabalhos manuais por décadas (domésticas, costureiras, cabeleireiras) apresentarem essa condição. Também vejo casos em pacientes que usam muito o polegar em smartphones ou em atividades profissionais como digitadores. A degeneração é progressiva, mas existe muito que podemos fazer para aliviar os sintomas e preservar a função da mão.

Tipos e Classificações

A principal classificação usada no Brasil para a osteoartrite da articulação carpometacarpiana do polegar é a classificação de Eaton-Littler, que divide a doença em 4 estágios. Essa classificação ajuda o ortopedista a decidir o melhor tratamento – de medicamentos e fisioterapia até a cirurgia.

– **Estágio I**: a articulação está normal na radiografia, mas o paciente já sente dor.
– **Estágio II**: há um leve estreitamento do espaço articular e pequenos osteófitos (bicos de papagaio).
– **Estágio III**: o espaço está bastante reduzido, com cistos e esclerose óssea.
– **Estágio IV**: a articulação está gravemente degenerada, podendo haver subluxação (o polegar “sai do lugar”).

No SUS, geralmente iniciamos o tratamento conservador nos estágios I e II, com analgésicos, anti-inflamatórios, órtese de polegar e encaminhamento para fisioterapia. Nos estágios avançados, se a dor e a incapacidade persistirem, o paciente pode ser encaminhado para a cirurgia de artroplastia (substituição da articulação) ou artrodese (fusão dos ossos). A escolha depende da idade e da demanda funcional.

Outra classificação menos usada, mas importante, é a classificação radiológica de Kellgren-Lawrence, também empregada para artrose em geral, mas a de Eaton-Littler é a padrão para essa articulação específica.

Quando procurar um médico

Qualquer desconforto persistente na base do polegar ou na região do punho que dificulte atividades cotidianas merece avaliação médica. Os principais sinais de alerta para a articulação carpometacarpiana são:

– **Dor localizada na base do polegar**, que piora ao segurar objetos (caneta, garrafa, panela) ou ao fazer movimentos de pinça.
– **Inchaço** ou nódulo na região (pode ser um cisto sinovial ou osteófito).
– **Crepitação** (sensação de areia ou estalo ao mover o polegar).
– **Perda de força** para abrir tampas, segurar sacolas ou escrever.
– **Deformidade** – o polegar pode parecer “deslocado” para cima, formando um “degrau” na base.

Na rotina de uma clínica popular do Nordeste, atendo muitos pacientes que negligenciam a dor por meses, usando remédios caseiros ou anti-inflamatórios por conta própria. É importante alertar que o uso de anti-inflamatórios sem orientação médica pode causar lesões gástricas e renais, além de mascarar a progressão da doença. O recomendado é procurar a Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima ou uma clínica especializada. O médico fará o exame físico (teste de grind, teste de distração) e, se necessário, solicitará radiografias simples.

No SUS, esses exames são gratuitos. Em caso de suspeita de artrite inflamatória (como artrite reumatoide), o médico pode pedir exames de sangue (VHS, PCR, fator reumatoide). O diagnóstico precoce permite um tratamento conservador eficaz, evitando a progressão para deformidades graves.

Termos Relacionados

  • Rizartrose – É o termo específico para a osteoartrite (artrose) da articulação carpometacarpiana do polegar. Muito usado nos laudos de radiografia e nas conversas entre médicos e pacientes.
  • Articulação trapeziometacarpal – Nome mais anatômico para a junta entre o trapézio (osso do carpo) e o primeiro metacarpo. Sinônimo de articulação CMC do polegar.
  • Osteoartrite (artrose) – Doença degenerativa que afeta a cartilagem das articulações. É a causa mais comum de dor na articulação CMC.
  • Órtese de polegar – Dispositivo (tala, luva com imobilizador) usado para estabilizar a articulação e reduzir a dor. Muito prescrito no SUS para rizartrose.
  • Teste de Grind – Manobra clínica em que o médico comprime e rotaciona a articulação CMC para avaliar se há dor. Se positivo, sugere artrose ou lesão do ligamento.
  • Artroplastia trapeziometacarpal – Cirurgia para substituir a articulação desgastada por uma prótese. Indicada em casos avançados e pacientes com boa demanda funcional.
  • Artrodese – Fusão cirúrgica dos ossos da articulação para eliminar a dor, mas com perda da mobilidade. Mais indicada para pacientes jovens com trabalho braçal intenso.
  • Ligamento metacarpal anterior oblíquo (Ligamento de Kaplan) – Estrutura que estabiliza a articulação. Lesões nesse ligamento podem causar instabilidade e dor crônica.

Perguntas Frequentes sobre O que é O que é Articulação carpometacarpiana

O que é rizartrose?

Rizartrose é o nome médico para a artrose (desgaste) da articulação carpometacarpiana do polegar. Ela causa dor na base do dedão, inchaço e perda da força de pinça. É mais comum em mulheres acima de 50 anos e em pessoas que realizam trabalhos manuais repetitivos. O tratamento inicial envolve analgésicos, órtese e fisioterapia.

Como é feito o diagnóstico da articulação carpometacarpiana?

O diagnóstico começa com a história clínica e o exame físico. O médico realiza o teste de grind (compressão e rotação da articulação) e observa a presença de deformidades. Em seguida, solicita radiografias simples das mãos em duas posições (AP e perfil). Em casos de dúvida, pode ser pedida ultrassonografia ou ressonância magnética. No SUS, a radiografia é suficiente para a maioria dos casos.

Tem cura para a artrose da articulação carpometacarpiana?

A artrose não tem cura, pois a cartilagem desgastada não se regenera. Porém, o tratamento é eficaz para controlar a dor e melhorar a função da mão. Muitas pessoas vivem anos com boa qualidade de vida usando medidas conservadoras. Nos casos avançados, a cirurgia pode eliminar a dor e restaurar a força. O importante é procurar ajuda cedo para evitar a progressão.

Quais tratamentos o SUS oferece para essa condição?

O SUS oferece desde medicamentos (analgésicos, anti-inflamatórios prescritos, e em casos específicos corticoides) até fisioterapia (com exercícios de fortalecimento e alongamento) e órteses personalizadas (fornecidas por serviços de reabilitação). Em casos refratários, o paciente é encaminhado para ortopedia especializada, que pode indicar infiltração de corticoides ou cirurgia (artroplastia ou artrodese). Tudo sem custo para o paciente. Consulte a UBS de referência.

O que é uma órtese para o polegar e onde conseguir?

A órtese para o polegar é um tipo de tala que imobiliza a articulação carpometacarpiana, reduzindo o movimento e aliviando a dor. No SUS, ela pode ser solicitada pelo médico e confeccionada por um terapeuta ocupacional ou fornecida por serviços de órtese e prótese. Também é encontrada em lojas de materiais ortopédicos. O uso é recomendado principalmente à noite e durante atividades que causam dor.

Exercícios caseiros ajudam a melhorar a dor nessa articulação?

Sim, exercícios suaves podem ajudar a manter a mobilidade e fortalecer a musculatura ao redor da articulação carpometacarpiana. Exemplos: abrir e fechar a mão lentamente, fazer movimento de pinça com uma bolinha de borracha macia, e apoiar o polegar em uma mesa e movê-lo de um lado para o outro. Porém, devem ser realizados sem dor e com orientação de um fisioterapeuta. No SUS, a fisioterapia é gratuita e o profissional ensina os exercícios corretos para cada estágio da doença.

Conteúdo revisado por equipe médica. Este verbete é educativo e não substitui consulta médica.


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