O que é O que é Articulações cranianas?
As articulações cranianas são as junções entre os ossos que formam o crânio. Diferente da maioria das articulações do corpo, que permitem movimentos amplos (como joelho e ombro), a maioria das articulações do crânio é imóvel. Elas funcionam como encaixes naturais que protegem o cérebro e dão forma à cabeça. A principal exceção é a articulação temporomandibular (ATM), que liga a mandíbula ao crânio e permite abrir e fechar a boca.
No dia a dia de uma clínica popular brasileira, as articulações cranianas aparecem principalmente em dois contextos: nas consultas de puericultura (acompanhamento do bebê) e nas queixas de dor de cabeça ou maxilar. Nas clínicas do SUS e nos postos de saúde, a avaliação da “moleira” (fontanela) é um dos primeiros exames que o pediatra ou clínico geral faz no recém‑nascido. Uma fontanela muito tensa, muito afundada ou que fecha cedo demais pode indicar problemas como desidratação, hidrocefalia ou craniossinostose. No Brasil, a craniossinostose ocorre em aproximadamente 1 a cada 2.000 nascidos vivos, segundo dados do Ministério da Saúde e da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP).
Entender essas articulações cranianas é essencial para o diagnóstico precoce de alterações do crescimento craniano. O crânio do bebê não nasce com os ossos totalmente soldados; as suturas e fontanelas são os espaços flexíveis que permitem a passagem pelo canal do parto e o crescimento do cérebro nos primeiros anos de vida. Com o tempo, essas junções vão se fechando naturalmente. O acompanhamento regular no SUS — com a medição do perímetro cefálico e a palpação das suturas — segue as diretrizes da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) e do Conselho Federal de Medicina (CFM), que padronizam os cadernos de atenção básica e as fichas de puericultura.
Como funciona / Características
As articulações cranianas são do tipo sinartrose (articulação fibrosa imóvel) durante a maior parte da vida. Elas são formadas por uma fina camada de tecido conjuntivo denso que mantém os ossos unidos. Nos recém‑nascidos, essas juntas são mais frouxas e permitem um pequeno grau de movimento, principalmente durante o parto (chamado de cavalgamento das suturas). Esse movimento é normal e desaparece nos primeiros dias.
Vou dar um exemplo prático: quando uma mãe leva seu bebê de 2 meses a uma clínica popular em Fortaleza, eu sempre peço para ela deitar a criança em meu colo e, delicadamente, apalpo a moleira (a fontanela anterior) e as laterais do crânio. Esses espaços são os locais onde as articulações cranianas ainda não se fundiram. Eu avalio a tensão da moleira — se está muito mole (sinal de desidratação) ou muito tensa (sinal de pressão intracraniana aumentada). Também verifico se há assimetria, como na plagiocefalia (cabeça chata de um lado), muito comum em bebês que dormem sempre na mesma posição. Essa condição não é uma doença, mas pode ser prevenida com orientações simples: posicionamento alternado da cabeça durante o sono e “tummy time” (tempo de bruços) sob supervisão.
Nas crianças maiores e nos adultos, as articulações cranianas já estão ossificadas. As suturas se transformam em linhas de fusão óssea que podemos ver em radiografias. A única articulação craniana que mantém mobilidade é a ATM. Na clínica, muitos pacientes procuram atendimento por estalos, dor ao mastigar ou dificuldade de abrir a boca — isso pode ser disfunção da ATM, muitas vezes relacionada ao bruxismo (ranger os dentes) ou estresse. No SUS, há protocolos de atendimento para disfunção temporomandibular que incluem orientação postural, fisioterapia e, em casos graves, encaminhamento para cirurgião bucomaxilofacial.
Tipos e Classificações
As articulações cranianas podem ser classificadas em dois grandes grupos:
- Suturas cranianas: são articulações imóveis que unem os ossos planos do crânio. As principais são:
- Sutura coronal: entre o osso frontal e os parietais (frente).
- Sutura sagital: entre os dois ossos parietais (topo da cabeça).
- Sutura lambdoide: entre os parietais e o occipital (parte de trás).
- Sutura escamosa: entre o temporal e o parietal (lados).
- Fontanelas: são áreas largas de tecido conjuntivo onde várias suturas se encontram. As principais são:
- Fontanela anterior (moleira): situada no topo da cabeça, fecha entre 12 e 18 meses.
- Fontanela posterior: menor, fecha por volta dos 2‑3 meses.
- Articulação temporomandibular (ATM): a única articulação craniana móvel (do tipo sinovial). Localiza-se entre o osso temporal e a mandíbula.
Na prática clínica brasileira, usamos a classificação da Sociedade Brasileira de Radiologia para descrever alterações das suturas em exames de imagem. O Caderno de Atenção Básica nº 33 (Saúde da Criança – Ministério da Saúde) traz tabelas com os valores de referência do perímetro cefálico por idade, que ajudam a identificar fechamento precoce (craniossinostose) ou atraso no crescimento craniano (microcefalia).
Quando procurar um médico
Você deve procurar um clínico geral, pediatra ou neurologista nos seguintes casos:
- Bebês:
- Moleira (fontanela) muito tensa, pulsátil ou que não se movimenta suavemente ao toque.
- Moleira muito afundada, principalmente associada a choro fraco, boca seca e redução da urina (sinais de desidratação).
- Cabeça com formato muito alongado, muito chato de um lado, ou com uma “crista” óssea palpável nas suturas (suspeita de craniossinostose).
- Atraso no fechamento da moleira (depois de 18 meses) ou fechamento muito precoce (antes dos 3 meses) – ambos exigem avaliação.
- Perímetro cefálico que não acompanha as curvas de crescimento (medido na consulta de puericultura).
- Crianças, adolescentes e adultos:
- Dor de cabeça persistente, principalmente na região da testa ou das têmporas.
- Dor na mandíbula, estalo ao mastigar, dificuldade de abrir a boca completamente.
- Zumbido ou dor irradiada para o ouvido sem causa otológica (possível disfunção da ATM).
- Desvio da mandíbula ao abrir a boca.
- Trauma na cabeça com deformidade visível ou suspeita de fratura de crânio.
No SUS, o encaminhamento para neurocirurgia é feito quando há confirmação de craniossinostose ou hidrocefalia. As cirurgias para correção de deformidades cranianas são realizadas em centros de referência, com cobertura pelo Sistema Único de Saúde.
Termos Relacionados
- Sutura craniana: Junção fibrosa imóvel entre ossos do crânio. Ex: sutura sagital.
- Fontanela: “Moleira” – espaço membranoso onde as suturas se encontram. Permite crescimento cerebral e auxilia no parto.
- Craniossinostose: Fechamento prematuro de uma ou mais suturas, levando a deformidade craniana e possível hipertensão intracraniana.
- Plagiocefalia posicional: Achatamento assimétrico do crânio por pressão externa (deitar sempre do mesmo lado). Não exige cirurgia, apenas reposicionamento.
- Microcefalia: Perímetro cefálico abaixo do esperado para a idade. Pode ter causas genéticas, infecciosas (como zika vírus) ou ambientais.
- ATM (Articulação Temporomandibular): Articulação que conecta a mandíbula ao osso temporal. É a única articulação craniana móvel.
- Disfunção temporomand


