O que é O que é Articulações intervertebrais?
Imagine que sua coluna é uma torre feita de ossos empilhados – as vértebras. Entre cada osso existe um “amortecedor” chamado disco intervertebral, e nas laterais da coluna há pequenas juntas que deslizam uma na outra. Esse conjunto todo – discos mais as juntinhas laterais – forma o que chamamos de articulações intervertebrais. São elas que permitem que você curve o tronco, gire a cintura, levante um peso ou simplesmente se sente com conforto. Na prática, todo movimento que fazemos com a coluna depende da saúde dessas articulações.
No meu consultório, atendo dezenas de pacientes por semana com dores na coluna. Muitos chegam dizendo: “Doutor, minha coluna tá ‘travando’”, “sinto um estalo quando levanto”, ou “essa dor nas costas não passa nem com remédio”. Na maioria das vezes, a causa está nas articulações intervertebrais. Segundo dados do Ministério da Saúde, a lombalgia (dor na região lombar) afeta cerca de 80% da população adulta brasileira em algum momento da vida, e é uma das principais causas de afastamento do trabalho pelo INSS. As articulações intervertebrais são as grandes responsáveis por esse quadro, seja por desgaste dos discos, seja por inflamação nas facetas (as juntinhas laterais).
No contexto do SUS, as queixas de coluna lotam as Unidades Básicas de Saúde (UBS) e os prontos-atendimentos. Muitas vezes, o paciente é encaminhado para fisioterapia, uso de anti-inflamatórios ou, em casos mais graves, para ortopedia. A ANVISA regula os medicamentos e dispositivos usados no tratamento, e o CFM orienta os médicos sobre as melhores práticas. Por isso, entender o que são as articulações intervertebrais ajuda você a saber quando é hora de procurar ajuda e como cuidar da sua coluna no dia a dia.
Como funciona / Características
Cada articulação intervertebral é composta por duas partes principais: o disco intervertebral (um “gel” envolvido por fibras resistentes) e as articulações facetárias (pequenas juntinhas ósseas revestidas de cartilagem). O disco funciona como um amortecedor: quando você pula, corre ou até mesmo anda, ele absorve o impacto e impede que as vértebras se choquem. Já as facetas guiam os movimentos – por exemplo, ao inclinar para frente, as facetas deslizam; ao girar o tronco, uma faceta se abre e a outra fecha. É um sistema de engenharia fina, que dura em média 60 a 70 anos, mas que com o tempo pode se desgastar.
Na prática clínica, atendo muitos pacientes que trabalham em pé o dia todo, como vendedores de loja, ou passam horas sentados em escritórios. A postura inadequada – ombros caídos, queixo para frente, coluna curvada – sobrecarrega as articulações intervertebrais. Com o tempo, surgem as hérnias de disco (quando o “gel” do disco vaza e comprime um nervo) ou a artrose facetária (desgaste da cartilagem das juntinhas). Um exemplo comum: o paciente chega com dor que irradia para a perna, tipo “choque” ou “queimação”. Isso é típico de compressão nervosa causada por uma hérnia de disco – e muitas vezes exige tratamento conservador (fisioterapia, medicação) ou, em casos raros, cirurgia.
Vale lembrar que as articulações intervertebrais também são influenciadas pela idade. Após os 40 anos, o disco perde água, fica mais ressecado e menos elástico, o que aumenta o risco de fissuras e hérnias. O fortalecimento da musculatura das costas e do abdômen (o chamado “core”) é a melhor forma de proteger essas articulações. Oriento meus pacientes a praticarem pilates, hidroginástica ou musculação orientada – atividades que melhoram a estabilidade da coluna e reduzem a sobrecarga nas juntas.
Tipos e Classificações
As articulações intervertebrais são divididas em dois tipos principais na classificação médica usada no Brasil:
- Articulações dos discos intervertebrais (sínfises): são as juntas entre os corpos vertebrais, que permitem pequenos movimentos e funcionam como amortecedores. No Brasil, seguimos a classificação de Nachemson para hérnia de disco, que divide em: protrusão (o disco incha mas não rompe), extrusão (o material vaza) e sequestro (fragmento solto dentro do canal vertebral). Essa classificação ajuda a decidir o tratamento.
- Articulações facetárias (diartroses): são pequenas juntinhas sinoviais localizadas na parte de trás das vértebras. Elas são classificadas como planas (deslizantes) e podem ser afetadas por artrose (desgaste) ou síndrome facetária, uma condição comum em pacientes acima de 50 anos.
Na prática clínica, usamos também classificações radiológicas, como os graus de degeneração discal (de I a V) propostos por Pfirrmann, que avaliam a perda de altura e a hidratação do disco. Esses critérios são adotados por serviços de radiologia do SUS e planos de saúde para padronizar laudos e encaminhamentos.
Quando procurar um médico
Se você tem dor nas costas que não passa com repouso de 3 a 5 dias ou que piora progressivamente, é hora de procurar atendimento. No SUS, você pode ir a uma Unidade Básica de Saúde (UBS), onde o clínico geral vai avaliar seu caso e, se necessário, encaminhar para ortopedia ou reumatologia. Sinais de alerta que exigem avaliação médica imediata:
- Dor que irradia para uma perna ou braço, com formigamento ou dormência
- Fraqueza muscular nas pernas ou dificuldade para andar
- Perda de controle da urina ou das fezes
- Febre associada à dor na coluna
- Histórico de câncer ou queda recente
Muitas vezes o problema pode ser resolvido com analgésicos, anti-inflamatórios, fisioterapia e mudanças posturais. Evite automedicação – o uso indiscriminado de relaxantes musculares pode causar dependência e não trata a causa. Nas clínicas populares, orientamos também a aplicação de compressas quentes na região dolorida por 15 a 20 minutos, várias vezes ao dia, e a manutenção de atividades leves, como caminhada, para não imobilizar demais a coluna.
Termos Relacionados
- Disco intervertebral: estrutura gelatinosa entre as vértebras que amortece impactos. O desgaste do disco leva a hérnias e artrose.
- Hérnia de disco: extravazamento do conteúdo do disco para fora, podendo comprimir nervos e causar dor irradiada.
- Coluna vertebral: conjunto de 33 vértebras que protege a medula espinhal e sustenta o corpo.
- Lordose: curvatura natural da coluna para dentro (região cervical e lombar). O excesso ou perda dela sobrecarrega as articulações.
- Cifose: curvatura para fora (região torácica). O aumento da cifose (corcunda) pode gerar dor nas articulações.
- Escoliose: desvio lateral da coluna, que assimétrica e sobrecarrega as articulações de um lado.
- Faceta articular: pequena articulação sinovial que permite movimentos de deslizamento entre as vértebras.
- Lombalgia: dor na região lombar (entre as costelas e o quadril), frequentemente associada a problemas nas articulações intervertebrais.
Perguntas Frequentes sobre O que é O que é Articulações intervertebrais
As articulações intervertebrais podem se desgastar com o tempo?
Sim. Assim como as juntas dos joelhos e quadris, as articulações intervertebrais sofrem desgaste natural com a idade, processo chamado de osteoartrose. O disco perde água e fica mais rígido, e as facetas perdem cartilagem. Isso pode causar dor crônica, rigidez matinal e limitação de movimentos. No entanto, o desgaste pode ser acelerado por obesidade, má postura, tabagismo e atividades que exigem esforço repetitivo da coluna.
Quais exames detectam problemas nas articulações intervertebrais?
O primeiro passo é uma consulta clínica com o médico, que fará testes físicos (como levantar a perna esticada). Se houver suspeita de hérnia de disco ou artrose, o médico pode solicitar radiografias (para avaliar desgaste e alinhamento) ou ressonância magnética (que mostra os discos, os nervos e as facetas). O SUS oferece esses exames, mas pode haver fila de espera. Em clínicas populares, conseguimos agendar com mais rapidez.


