O que é O que é Artroplastia?
Quando um paciente chega ao nosso consultório com dores constantes no joelho ou no quadril, muitas vezes já tentou de tudo: remédios, fisioterapia, gelo, repouso. A artroplastia é o nome técnico que a medicina dá para a cirurgia de substituição de uma articulação doente por uma prótese artificial. Em outras palavras, é a famosa “colocação de prótese” no quadril, joelho, ombro ou outras juntas do corpo. No dia a dia do SUS e das clínicas populares brasileiras, esse termo aparece principalmente quando o desgaste da cartilagem (osteoartrose) já está em estágio avançado e a dor impede o paciente de andar, subir escadas ou até mesmo dormir.
De acordo com dados do Ministério da Saúde e do DATASUS, o Brasil realizou mais de 40 mil artroplastias de quadril e joelho apenas em 2023 pelo Sistema Único de Saúde. A demanda é crescente, especialmente entre idosos, mas também atinge adultos jovens com sequelas de acidentes, artrite reumatoide ou necrose óssea. Na prática da clínica popular, vejo muitos pacientes que esperaram meses – às vezes anos – na fila do SUS para conseguir a cirurgia. Por isso, o acolhimento e a orientação correta sobre o que esperar desse procedimento são fundamentais para reduzir o medo e a ansiedade.
A artroplastia não é uma cirurgia simples, mas quando bem indicada, transforma vidas. Ela é regulamentada pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) e as próteses utilizadas passam pelo crivo da ANVISA. O grande objetivo é devolver a mobilidade e eliminar a dor que não responde mais a tratamentos conservadores. Como médico com mais de 15 anos de experiência, posso afirmar: ver um paciente que mal conseguia andar voltar a caminhar sem dor é uma das maiores gratificações da profissão.
Como funciona / Características
O procedimento cirúrgico da artroplastia consiste em remover as partes danificadas da articulação (cartilagem e osso) e substituí-las por componentes artificiais, geralmente feitos de metal de alta resistência (como ligas de cobalto-cromo ou titânio), polietileno de ultra-alto peso molecular e, em alguns casos, cerâmica. A prótese é fixada ao osso com ou sem cimento ósseo, dependendo da técnica escolhida pelo cirurgião ortopedista. No SUS, a maioria das próteses é cimentada, pois oferece boa estabilidade imediata e permite que o paciente comece a andar mais cedo.
Na prática clínica, o paciente chega à clínica popular com uma história típica: dor no joelho que piora ao caminhar, rigidez matinal que melhora após alguns minutos, estalos e dificuldade para se agachar. Quando o exame de raio-X mostra desaparecimento do espaço articular e ossos se esfregando (o chamado “osso com osso”), a artroplastia total passa a ser a melhor opção. O ortopedista solicita exames pré-operatórios (eletrocardiograma, exames de sangue, avaliação cardiológica) e, se o paciente estiver apto, a cirurgia é agendada. O tempo de internação varia de 2 a 5 dias, e a recuperação completa, com fisioterapia intensiva, leva de 3 a 6 meses.
Uma característica importante: a artroplastia não é indicada para todos os casos de artrose. Pacientes com obesidade mórbida, infecções ativas ou problemas graves de circulação podem precisar de tratamentos alternativos ou de um preparo especial. Como médico, sempre oriento: “A cirurgia é uma ferramenta, não uma solução mágica. O sucesso depende do seu empenho na reabilitação.”
Tipos e Classificações
As artroplastias são classificadas principalmente pelo local da articulação e pela extensão da substituição. Os tipos mais comuns no Brasil são:
- Artroplastia total de quadril (ATQ): substituição completa da cabeça do fêmur e do acetábulo (encaixe do quadril). É uma das cirurgias ortopédicas mais bem-sucedidas, com próteses que duram 15 a 20 anos ou mais.
- Artroplastia total de joelho (ATJ): substituição das superfícies articulares do fêmur, tíbia e patela. Muito frequente em pacientes acima de 60 anos com osteoartrose.
- Artroplastia parcial (hemiatroplastia): substitui apenas uma parte da articulação, como a cabeça do fêmur (usada em fraturas do colo do fêmur em idosos) ou um compartimento do joelho. É menos comum, mas indicada em casos selecionados.
- Artroplastia de ombro, cotovelo, tornozelo e punho: procedimentos mais raros, geralmente realizados em centros de referência do SUS ou em hospitais privados.
Do ponto de vista técnico, as próteses ainda se dividem em cimentadas (fixadas com cimento acrílico) e não cimentadas (com revestimento poroso para crescimento ósseo). No Brasil, a ANVISA regula todos os materiais utilizados, e o CFM estabelece diretrizes para a indicação cirúrgica, especialmente no âmbito da saúde pública.
Quando procurar um médico
Você deve procurar um clínico geral ou ortopedista se apresentar os seguintes sinais de alerta:
- Dor persistente na articulação que não melhora com analgésicos comuns, repouso ou fisioterapia;
- Rigidez matinal que dura mais de 30 minutos e dificulta levantar da cama;
- Inchaço frequente e sensação de calor na junta;
- Dificuldade para andar, subir escadas ou realizar atividades simples como calçar sapatos;
- Estalos ou rangidos acompanhados de dor;
- Deformidade visível (perna torta, joelho arqueado ou “em x”).
Na clínica popular, muitos pacientes vêm com a queixa: “Doutor, já não aguento mais tomar remédio. A dor não passa.” Esse é o momento certo de conversar sobre a artroplastia. É importante lembrar que a cirurgia deve ser o último recurso, após o fracasso do tratamento conservador (medicamentos, fisioterapia, perda de peso, uso de bengala). Mas quando a qualidade de vida fica comprometida, a espera na fila do SUS vale a pena. Não se cale: informe-se sobre o encaminhamento para o ortopedista na sua unidade básica de saúde.
Termos Relacionados
- Osteoartrose (artrose): doença degenerativa que desgasta a cartilagem das articulações, principal causa da indicação de artroplastia.
- Prótese articular: o implante artificial que substitui a articulação doente, composto por metal, polietileno ou cerâmica.
- Fisioterapia pós-operatória: conjunto de exercícios e técnicas essenciais para recuperar a força muscular e a amplitude de movimento após a cirurgia.
- Reabilitação: processo multidisciplinar que inclui fisioterapia, terapia ocupacional e suporte psicológico para o retorno às atividades diárias.
- Cimento ósseo: material acrílico usado para fixar a prótese ao osso, especialmente em pacientes idosos com ossos mais frágeis.
- Artroscopia: cirurgia minimamente invasiva para diagnóstico e tratamento de lesões articulares, mas que não substitui a artroplastia em casos avançados.
- Condropatia: lesão da cartilagem articular, que pode evoluir para osteoartrose e, eventualmente, necessidade de prótese.
- Goniometria: medição dos ângulos de movimento da articulação, usada para avaliar a evolução da reabilitação.
Perguntas Frequentes sobre Artroplastia
A cirurgia dói muito?
Durante o ato cirúrgico, você estará sob anestesia (raquidiana ou geral) e não sentirá dor. No pós-operatório imediato, é normal sentir desconforto, mas a equipe médica administra analgésicos e anti-inflamatórios potentes para controlar a dor. Com o passar dos dias, a dor vai diminuindo – e a melhora é sentida já na primeira semana. Muitos pacientes relatam que a dor do pós-operatório é muito menor do que a dor que sentiam antes da cirurgia.
Quanto tempo dura uma prótese de quadril ou joelho?
Em média, as pró


