O que é O que é Artroscopia do punho?
No meu dia a dia como clínico, tanto no posto de saúde quanto na clínica popular, vejo muitos pacientes que chegam com dor no punho depois de uma queda, de um esforço repetitivo no trabalho ou até de uma partida de futebol. Quando os exames de imagem, como raio-X ou ultrassom, não mostram claramente o problema, ou quando já sabemos que existe uma lesão que precisa ser reparada, eu encaminho para um ortopedista especialista em punho. E ele, muitas vezes, indica a Artroscopia do punho.
A Artroscopia do punho é um procedimento cirúrgico minimamente invasivo que permite ao médico olhar dentro da articulação do punho com uma pequena câmera (chamada artroscópio) e, se necessário, tratar lesões com instrumentos finos inseridos por pequenos furos. No Brasil, essa técnica é realizada em hospitais credenciados ao SUS (através dos serviços de ortopedia de média e alta complexidade) e em clínicas particulares e convênios. Embora não seja a primeira opção para qualquer dor no punho, ela é fundamental para casos específicos como lesões do fibrocartilagem triangular (TFCC), cistos sinoviais, fraturas complexas ou corpos livres articulares. Segundo o DATASUS, as internações por procedimentos artroscópicos de punho representam cerca de 5 a 8% de todas as artroscopias realizadas no país, mas esses números podem ser subnotificados porque muitas cirurgias são feitas em regime ambulatorial.
É importante entender que a Artroscopia do punho não é um exame de rotina. Eu sempre explico aos meus pacientes que, antes de chegar a essa cirurgia, a gente tenta tratamento clínico com anti-inflamatórios, fisioterapia e imobilização. A artroscopia entra quando essas medidas falham ou quando a lesão é tão evidente que não vale a pena esperar. No contexto do SUS, a fila para essa cirurgia pode variar de 3 a 12 meses, dependendo da região e da gravidade. Já na clínica popular (convênio ou particular), o tempo de espera é bem menor. A ANVISA regula os equipamentos e materiais usados (como as cânulas e câmeras) e exige que o serviço tenha condições de realizar o procedimento com segurança.
Como funciona / Características
Vou tentar descrever de forma simples o que acontece no momento da Artroscopia do punho. O paciente recebe anestesia (geral ou regional, dependendo da complexidade e da preferência do cirurgião). O braço é posicionado em um suporte especial, e o médico faz de 2 a 5 pequenas incisões, cada uma com cerca de 2 a 4 milímetros. Por uma delas, ele introduz o artroscópio (uma câmera minúscula com luz), e pelas outras, os instrumentos — como uma pinça, um shaver (espécie de lixadeira) ou um gancho de sutura.
A imagem é transmitida para um monitor, permitindo que o cirurgião veja a articulação ampliada. Assim, ele pode diagnosticar com precisão lesões que não aparecem no raio-X, como rasgos no ligamento escafossemilunar, sinovite (inflamação da membrana que reveste a articulação) ou fragmentos de cartilagem soltos. Se houver um reparo possível, ele faz ali mesmo: retira o corpo livre, sutura o ligamento ou regulariza a cartilagem. Tudo isso sem precisar abrir o punho com cortes grandes. A grande vantagem para o paciente é menos dor pós-operatória, menor tempo de imobilização e recuperação mais rápida.
Na minha prática, encaminho especialmente trabalhadores braçais, pedreiros, costureiras e digitadores que sofrem com dores crônicas. Quando a Artroscopia do punho é bem indicada, o retorno ao trabalho costuma ocorrer entre 4 e 12 semanas, dependendo da profissão e do tipo de lesão. Mas é importante lembrar: nem toda lesão de punho precisa de cirurgia. Eu sempre reavalio o paciente após 4–6 semanas de tratamento conservador antes de sugerir a artroscopia.
Tipos e Classificações
Na prática ortopédica brasileira, as artroscopias do punho são classificadas de acordo com o objetivo e a abordagem:
- Artroscopia diagnóstica: usada quando os exames de imagem não revelam a causa da dor. O médico entra com a câmera e observa a articulação. É comum em casos de dor de etiologia indeterminada, especialmente em atletas.
- Artroscopia terapêutica: realizada para tratar lesões já identificadas, como sutura do TFCC (fibrocartilagem triangular), remoção de cisto sinovial, tratamento de fraturas do rádio distal (quando há fragmentos soltos) ou sinovectomia (retirada de tecido inflamado).
- Artroscopia assistida: combinada com pequenas incisões para fixação de fraturas com parafusos ou fios. No Brasil, a classificação de Palmer para lesões do TFCC é muito usada — tipos 1A a 1D (traumáticas) e 2A a 2E (degenerativas) —, e a escolha da técnica artroscópica depende desse padrão.
A Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT) e o CFM reconhecem essas classificações, e os hospitais do SUS seguem protocolos baseados nelas para autorizar o procedimento. Não há um “tipo” exato para cada paciente; a decisão é sempre individualizada.
Quando procurar um médico
Você deve procurar um médico (clínico geral ou ortopedista) se apresentar:
- Dor no punho que dura mais de 3 semanas sem melhora com repouso, gelo ou anti-inflamatórios comuns.
- Inchaço persistente ou aumento de volume no punho, especialmente após uma queda ou torção.
- Sensação de instabilidade — como se o punho fosse “dar um estalo” ou sair do lugar ao fazer força.
- Estalos ou crepitação (barulho de areia) ao movimentar o punho, acompanhados de dor.
- Limitação dos movimentos — dificuldade para girar a chave, abrir uma garrafa ou apoiar a mão no chão.
- Fraqueza na mão ou sensação de que o punho “falha” ao segurar objetos.
Sinais de alerta que exigem atendimento de urgência: dor intensa após trauma, deformidade visível no punho, incapacidade total de mover a mão ou dormência/ Formigamento nos dedos. Nesses casos, vá ao pronto-socorro. Na minha experiência, muitos pacientes com fratura do rádio distal (muito comum em quedas no Brasil, especialmente em idosos) acabam sendo candidatos a artroscopia se o desvio for grande ou se houver lesão associada de ligamentos.
Se você tem um trabalho manual intenso (como construção civil, costura, digitação) e sente dor recorrente, não espere virar “crônico”. Uma avaliação precoce pode evitar que a única saída seja a cirurgia.
Termos Relacionados
- TFCC (fibrocartilagem triangular): estrutura de cartilagem e ligamentos que estabiliza o punho. Lesões são a causa mais comum de artroscopia do punho, principalmente no lado ulnar (dedo mínimo).
- Artroscopia de joelho: procedimento semelhante, mas no joelho. É a artroscopia mais comum no Brasil, mas a técnica do punho é mais delicada.
- Ligamento escafossemilunar: ligamento que conecta os ossos escafoide e semilunar. Sua ruptura pode levar à instabilidade crônica e artrose.
- Sinovite: inflamação da sinóvia (membrana que reveste a articulação). Pode ser tratada com sinovectomia artroscópica.
- Corpo livre articular: fragmento de osso ou cartilagem solto dentro do punho, que pode causar dor, estalos e bloqueio.
- Imobilização gessada: técnica conservadora usada antes ou depois da artroscopia para proteger a articulação enquanto cicatriza.
- Reabilitação pós-artroscópica: conjunto de exercícios de fisioterapia essenciais para recuperar movimento e força após a cirurgia.
- Rádio distal: a parte do osso do antebraço que se articula com o punho. Fraturas desse osso muitas vezes são tratadas com artroscopia.
Perguntas Frequentes sobre O que é O que é Artroscopia do punho
A artroscopia do punho dói?
A cirurgia em si é indolor porque é feita sob anestesia (geral ou regional). Após o procedimento, o paciente pode sentir um desconforto moderado, que geralmente é controlado com analgésicos comuns (dipirona, paracetamol) e gelo nas primeiras 48 horas. A dor aguda costuma diminuir após 3 a 5 dias. A recuperação completa para atividades leves leva de 4 a 6 semanas.
Precisa ficar internado? Quanto tempo no hospital?
A maioria das artroscopias do punho hoje é feita em regime de cirurgia ambulatorial, ou seja, o paciente chega no hospital pela manhã, faz a cirurgia e recebe alta no mesmo dia, algumas horas depois. Casos mais complexos (como reparo de fraturas ou suturas extensas) podem exigir internação de 1 dia. No SUS, o tempo de permanência costuma ser um pouco maior devido a questões logísticas, mas ainda assim raramente passa de 24 horas.
Quanto tempo dura a recuperação? Posso dirigir ou trabalhar?
Depende do tipo de lesão tratada. Se foi apenas uma artroscopia diagnóstica, o retorno ao trabalho sedentário pode ser em 1 a 2 semanas. Se houve reparo do TFCC ou de um ligamento, a imobilização pode durar de 4 a 6 semanas, e a fisioterapia se estende por mais 2 a 3 meses. Trabalhadores braçais podem precisar de 3 a 6 meses para retomar atividades pesadas. Dirigir só é permitido quando o punho recupera força e controle, geralmente após 4–6 semanas, e com autorização do médico. Nunca dirija com o punho imobilizado.
A artroscopia do punho é feita pelo SUS? Tem fila?
Sim, é um procedimento coberto pelo SUS quando há necessidade clínica comprovada. No entanto, a disponibilidade varia de região para região. Nas capitais e grandes centros, há hospitais de referência (como os hospitais universitários e as unidades de ortopedia de média complexidade). A fila pode ser longa: dependendo da unidade, de 3 meses a mais de 1 ano. O médico que acompanha o paciente no posto de saúde pode fazer o


