O que é O que é Aspirina?
Aspirina é o nome comercial mais conhecido do ácido acetilsalicílico (AAS), um medicamento amplamente utilizado no Brasil para alívio de dores leves a moderadas, febre e inflamações. Na rotina de uma clínica popular ou do SUS, é comum o paciente chegar dizendo: “Doutor, estou com uma dor de cabeça forte, tomei uma aspirina e não passou” – e aí precisamos entender o contexto. A aspirina tem efeito analgésico, antipirético e anti-inflamatório, mas seu uso vai além: em baixas doses (100 mg ou 81 mg), é usada como antiagregante plaquetário para prevenir infarto e derrame.
No Brasil, a aspirina é um dos medicamentos mais vendidos e também um dos mais prescritos na atenção primária. Segundo dados do Ministério da Saúde e do Sistema Único de Saúde (SUS), o AAS está na lista de medicamentos essenciais (RENAME) e é distribuído gratuitamente em unidades básicas de saúde para pacientes com risco cardiovascular. No entanto, o uso indiscriminado – especialmente em crianças com suspeita de dengue ou varicela – pode ser perigoso, pois está associado à Síndrome de Reye, uma condição grave que afeta fígado e cérebro. Por isso, a ANVISA mantém alertas sobre a contraindicação em menores de 12 anos em quadros virais.
Na prática clínica, sempre esclarecemos ao paciente: aspirina não é inofensiva. Pode causar irritação gástrica, sangramentos e, em idosos, interagir com outros medicamentos (como anticoagulantes e anti-inflamatórios). É fundamental usar com orientação médica, principalmente em casos de uso contínuo para prevenção cardíaca.
Como funciona / Características
O ácido acetilsalicílico age inibindo as enzimas ciclo-oxigenases (COX-1 e COX-2), que produzem prostaglandinas – substâncias responsáveis pela dor, febre e inflamação. Em doses baixas (75 a 100 mg), a aspirina inibe principalmente a COX-1 nas plaquetas, reduzindo a capacidade de agregação e formação de coágulos. Por isso é tão usada na prevenção secundária de infarto agudo do miocárdio e acidente vascular cerebral (AVC).
Características importantes no dia a dia:
- Início de ação: cerca de 30 minutos a 1 hora por via oral. O efeito dura de 4 a 6 horas para dor e febre.
- Apresentações comuns: comprimidos de 100 mg (infantil) e 500 mg (adulto). Existe também versão efervescente, que é mais suave para o estômago.
- Uso na dengue: A Organização Mundial da Saúde e o Ministério da Saúde do Brasil contraindicam o uso de AAS em suspeita de dengue, pois aumenta o risco de sangramentos. Em clínicas populares, orientamos sempre o paciente com febre e dor no corpo a não tomar aspirina – prefira dipirona ou paracetamol.
- Uso infantil: não é recomendado para menores de 12 anos, salvo prescrição médica específica (ex.: doença de Kawasaki). A alternativa segura é paracetamol ou ibuprofeno.
Outro ponto relevante: a aspirina pode desencadear crises de asma em pessoas sensíveis (asma induzida por AAS). Isso ocorre porque o bloqueio da COX-1 desvia o metabolismo do ácido araquidônico para a via das leucotrienos, causando broncoconstrição. Sempre pergunto ao paciente: “Você já teve asma ou alergia a algum remédio?”
Tipos e Classificações
No Brasil, a aspirina é classificada como medicamento isento de prescrição (MIP) para doses de até 500 mg, desde que a indicação seja de curta duração (máximo 3 dias para febre e 5 dias para dor). A ANVISA permite a venda livre, mas há restrições:
- AAS infantil (100 mg): vendido sem receita, mas com orientação farmacêutica. Não é infantil de fato – o nome é histórico.
- AAS adulto (500 mg): também MIP, porém frequentemente usado para prevenção cardiovascular em baixas doses (75-100 mg), que requer prescrição médica.
- AAS efervescente: contém bicarbonato de sódio, neutraliza parcialmente o ácido e reduz irritação gástrica.
- AAS com protetor gástrico (omeprazol): algumas apresentações associadas existem, mas são menos comuns no SUS.
Na prática do SUS, a classificação mais importante é entre uso agudo (dor/febre) e uso crônico (prevenção cardiovascular). Para o segundo caso, o médico deve avaliar risco de sangramento, idade, função renal e uso de outros antiagregantes.
Quando procurar um médico
O paciente deve buscar atendimento médico nas seguintes situações:
- Uso contínuo de aspirina para prevenção de infarto/AVC sem prescrição – muitos pacientes começam por conta própria ao ouvir que “aspirina faz bem pro coração”. Isso pode causar sangramentos.
- Sinais de sangramento: fezes escuras (melena), vômito com sangue, hematomas frequentes ou sangramento gengival.
- Dor abdominal intensa, queimação ou azia persistente – pode indicar úlcera gástrica.
- Chiado no peito, falta de ar ou crise de asma após tomar aspirina.
- Febre em criança com suspeita de dengue, catapora ou gripe – não usar aspirina.
- Se você está grávida ou amamentando: o uso no terceiro trimestre pode causar complicações no bebê.
- Se faz uso de anticoagulantes (varfarina, rivaroxabana) ou outros anti-inflamatórios – risco de sangramento.
Em clínicas populares, orientamos: “não tome aspirina mais que 3 dias para febre ou 5 dias para dor sem consultar um médico”. Também reforçamos que, em caso de suspeita de infarto (dor no peito, falta de ar), mascar 1 comprimido de AAS 100 mg pode salvar vidas – mas a pessoa deve ligar 192 ou ir ao pronto-socorro imediatamente.
Termos Relacionados
- Ácido acetilsalicílico (AAS) – nome genérico do princípio ativo da aspirina.
- Antiagregante plaquetário – medicamento que impede a formação de coágulos; a aspirina em baixa dose é um dos mais usados.
- Síndrome de Reye – complicação rara mas grave, associada ao uso de aspirina em crianças com infecções virais (gripe, catapora).
- COX-1 / COX-2 – enzimas inibidas pela aspirina; responsáveis pela produção de prostaglandinas.
- RENAME – Relação Nacional de Medicamentos Essenciais, que inclui o AAS no SUS.
- Dengue – doença viral em que o uso de aspirina é contraindicado devido ao risco de hemorragia.
- Infarto agudo do miocárdio – quadro de obstrução coronariana em que a aspirina é usada como emergência.
- ANVISA – Agência Nacional de Vigilância Sanitária, que regula a venda e bulas de medicamentos no Brasil.
Perguntas Frequentes sobre O que é O que é Aspirina
Posso tomar aspirina para dor de cabeça todo dia?
Não é recomendado. O uso diário de aspirina para dor de cabeça pode causar dependência (cefaleia por uso excessivo de analgésicos) e aumentar o risco de sangramento gástrico. Se a dor de cabeça for frequente, consulte um clínico geral para investigar a causa – pode ser tensão, enxaqueca ou outra condição.
Qual a diferença entre aspirina e dipirona?
Ambos são analgésicos e antipiréticos, mas a dipirona (como Novalgina) tem ação mais potente para dores e cólicas e não age como antiagregante plaquetário. A aspirina, além do efeito analgésico, tem ação anti-inflamatória e cardiovascular. Dipirona é mais segura para crianças e em casos de suspeita de dengue.
Criança pode tomar aspirina para febre?
Não. Crianças menores de 12 anos não devem tomar aspirina, especialmente se houver quadro viral (gripe, catapora, dengue). O risco é a Síndrome de Reye. Prefira paracetamol (Tylenol) ou ibuprofeno (Aliviou, apesar de ser anti-inflamatório) com orientação pediátrica.
Aspirina com proteção gástrica é suficiente para evitar úlcera?
Reduz o risco, mas não elimina. O ideal é usar a menor dose eficaz e, se possível, associar a um inibidor de bomba de prótons (omeprazol, pantoprazol) para pacientes de alto risco (idosos, histórico de úlcera). Nunca tome aspirina com o estômago vazio – prefira após as refeições.
Como devo tomar aspirina para prevenir infarto?
A dose preventiva usual é de 75 a 100 mg uma vez ao dia. Muitas pessoas tomam o comprimido infantil (100 mg). Não mastigue; engula inteiro. Nunca comece sem avaliação médica, pois o benefício depende do seu risco cardiovascular (histórico de infarto, diabetes, colesterol alto, tabagismo, etc.).
Aspirina venceu a validade, ainda serve?
Não. Medicamento vencido perde eficácia e pode se decompor, formando substâncias irritantes para o estômago. Verifique a data na embalagem e descarte em pontos de coleta (farmácias ou unidades de saúde).
Conteúdo revisado por equipe médica. Este verbete é educativo e não substitui consulta médica.


