quarta-feira, maio 27, 2026

O que é O que é Atelectasia

O que é O que é A Atelectasia?

A atelectasia é o colapso parcial ou total de uma região do pulmão, fazendo com que o tecido pulmonar perca seu volume e não consiga se expandir normalmente durante a respiração. Imagine um balão murcho em um canto – é mais ou menos isso que acontece com uma parte do pulmão. Na prática clínica do dia a dia, especialmente no SUS e em clínicas populares brasileiras, essa condição aparece com frequência em pacientes que passaram por cirurgias abdominais ou torácicas, em idosos acamados por longos períodos, em crianças com bronquiolite ou em pessoas com doenças crônicas como DPOC (Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica).

Dados do Ministério da Saúde indicam que a atelectasia é uma das complicações respiratórias mais comuns em hospitais públicos, atingindo cerca de 30% a 50% dos pacientes submetidos a cirurgias de grande porte, como cirurgia bariátrica ou cardíaca. Em clínicas populares, onde atendemos muitos pacientes de baixa renda, é frequente vermos casos de atelectasia associados a infecções respiratórias não tratadas adequadamente ou à falta de acompanhamento fisioterápico pós-alta hospitalar. No contexto do SUS, a ausência de programas contínuos de fisioterapia respiratória em algumas regiões agrava o quadro, tornando o diagnóstico precoce ainda mais importante.

A boa notícia é que, na maioria dos casos, a atelectasia é reversível com medidas simples, como exercícios respiratórios, uso de aparelhos de pressão positiva (como o CPAP) ou tratamento da causa de base. No entanto, quando negligenciada, pode evoluir para pneumonia ou insuficiência respiratória, especialmente em pacientes frágeis. Por isso, entender o que é e como identificar os sinais é fundamental para quem cuida da própria saúde ou de familiares.

Como funciona / Características

O pulmão funciona como uma esponja cheia de pequenos alvéolos – saquinhos de ar que fazem a troca de oxigênio e gás carbônico. Na atelectasia, esses alvéolos se fecham, seja porque algo obstrui a passagem do ar (um tampão de muco, por exemplo), seja porque há compressão externa (como um derrame pleural ou um tumor) ou por falta do surfactante pulmonar (substância que mantém os alvéolos abertos). O resultado é que aquela área do pulmão deixa de participar da respiração, e o corpo tenta compensar com esforço extra – o que pode levar a falta de ar, cansaço e até baixa oxigenação no sangue.

No meu consultório em uma clínica popular da periferia de Fortaleza, vejo muitos casos após cirurgias de hérnia ou de vesícula. O paciente chega com queixa de “não consigo respirar fundo” ou “sinto um peso no peito”. Ao examinar, percebo que a respiração está superficial e, muitas vezes, há um som diminuído na ausculta de um lado do tórax. O raio-X simples de tórax, exame disponível no SUS e em clínicas conveniadas, geralmente confirma o diagnóstico mostrando a área colapsada. Em bebês prematuros, a atelectasia é comum devido à imaturidade pulmonar e à falta de surfactante – quadro que exige internação em UTI neonatal, onde há suporte do SUS.

Um exemplo clássico é o paciente pós-operatório que, por medo da dor, evita tossir e respirar fundo. Essa imobilidade respiratória leva ao acúmulo de secreções e ao colapso de pequenas áreas pulmonares. Por isso, nas enfermarias do SUS, as equipes de enfermagem e fisioterapia orientam exercícios com um incentivador respiratório (aquele aparelho plástico com bolinhas) desde o primeiro dia após a cirurgia. Medidas simples como essa previnem a atelectasia e reduzem complicações.

Tipos e Classificações

A atelectasia pode ser classificada de acordo com a causa e a extensão. As classificações mais usadas na prática clínica brasileira, conforme consenso da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT), são:

  • Atelectasia obstrutiva (ou reabsortiva): é a mais comum. Ocorre quando uma via aérea (brônquio) é bloqueada por um tampão de muco, corpo estranho ou tumor. O ar preso é reabsorvido e o alvéolo colapsa. É típica em pacientes com asma, bronquite ou pós-cirurgia.
  • Atelectasia compressiva: causada por pressão externa sobre o pulmão, como um derrame pleural (líquido entre as camadas que revestem o pulmão), pneumotórax (ar na cavidade pleural), aumento do coração (cardiomegalia) ou tumores que empurram o pulmão.
  • Atelectasia adesiva: ocorre por deficiência de surfactante, substância que impede o colapso alveolar. É comum em recém-nascidos prematuros (doença da membrana hialina) e em adultos com síndrome do desconforto respiratório agudo (SDRA).
  • Atelectasia cicatricial: resultado de fibrose pulmonar, como na tuberculose ou na silicose. O tecido cicatricial contrai o pulmão, reduzindo seu volume. Essa forma é irreversível.
  • Atelectasia por perda de contato: ocorre quando o pulmão perde a aderência à parede torácica, como em pneumotórax ou derrame pleural maciço.

Em termos de extensão, classificamos em atelectasia lobar (atinge um lobo inteiro do pulmão), segmentar (um segmento) ou subsegmentar/lamelar (pequenas áreas, muitas vezes vistas em raio-X como linhas finas). No SUS, a classificação ajuda a guiar a conduta: atelectasias obstrutivas costumam responder bem à fisioterapia, enquanto compressivas exigem drenagem do derrame ou tratamento do tumor.

Quando procurar um médico

Você deve procurar atendimento médico, de preferência em uma Unidade Básica de Saúde (UBS) ou clínica popular, se apresentar algum dos seguintes sinais:

  • Falta de ar que piora ao deitar ou ao fazer pequenos esforços (como andar dentro de casa);
  • Tosse persistente, seca ou com catarro, especialmente após cirurgia ou internação;
  • Dor torácica do lado afetado, que piora ao respirar fundo;
  • Sensação de “peso” no peito;
  • Febre baixa (pode indicar pneumonia associada);
  • Lábios ou pontas dos dedos arroxeados (cianose) – sinal de oxigenação baixa, que exige atendimento de urgência.

No contexto do SUS, o médico generalista na UBS pode fazer o diagnóstico inicial com o exame físico e solicitar um raio-X de tórax. Caso haja suspeita de complicações ou necessidade de suporte respiratório, o paciente é encaminhado para um hospital de referência. Em clínicas populares, costumamos orientar medidas caseiras, como manter-se hidratado, mudar de posição no leito a cada duas horas e fazer exercícios de respiração profunda (inspirar lentamente pelo nariz, segurar por 2 segundos e soltar pela boca). Se houver piora, não hesite em buscar um médico – o tratamento precoce evita internações prolongadas.

Termos Relacionados

  • Surfactante pulmonar: substância natural produzida pelos alvéolos que reduz a tensão superficial e evita que os alvéolos colapsem. Sua falta causa atelectasia adesiva.
  • Broncoscopia: exame em que um tubo flexível com câmera é introduzido pelas vias aéreas para visualizar brônquios e remover obstruções, como tampões de muco que causam atelectasia.
  • Fisioterapia respiratória: conjunto de técnicas que ajudam a expandir o pulmão, desobstruir vias aéreas e prevenir ou tratar atelectasias. Muito usada no SUS em pacientes pós-cirúrgicos e em UTIs.
  • Derrame pleural: acúmulo anormal de líquido entre as pleuras (membranas que revestem o pulmão), que pode comprimir o pulmão e causar atelectasia compressiva.
  • Pneumotórax: presença de ar na cavidade pleural, levando ao colapso do pulmão – uma forma aguda de atelectasia.
  • Ventilação mecânica: suporte respiratório artificial usado em UTIs. Pacientes sob ventilação podem desenvolver atelectasia se os parâmetros não forem ajustados corretamente.
  • Espirometria: exame que mede a capacidade pulmonar e ajuda a diagnosticar doenças obstrutivas ou restritivas associadas à atelectasia.
  • Enfisema pulmonar: condição em que os alvéolos se dilatam e perdem elasticidade, podendo coexistir com atelectasia em pacientes com DPOC.

Perguntas Frequentes sobre O que é Atelectasia

A atelectasia é grave?

Depende da extensão e da causa. Pequenas atelectasias, comuns após cirurgias, geralmente são reversíveis e não causam danos permanentes. Porém, quando atingem grandes áreas do pulmão ou persistem por muito tempo, podem levar a pneumonia, insuficiência respiratória e até óbito – principalmente em idosos, bebês prematuros e pacientes com doenças crônicas. Por isso, o acompanhamento médico é essencial.

Atelectasia tem cura?

Sim, a maioria dos casos tem tratamento eficaz. As at