sexta-feira, junho 12, 2026

O que é O que é Ateroma

O que é Ateroma?

Se você já fez um ultrassom de carótidas ou um check-up vascular, é bem provável que tenha ouvido o médico falar em ateroma — e, na hora, a primeira dúvida que surge é: “isso é grave?”. A resposta não é simples, mas vou explicar com a clareza que usamos no dia a dia do consultório.

Ateroma (ou placa de ateroma) é uma lesão que se forma na parede interna das artérias. Imagine a parede de um cano de água: ela começa lisinha por dentro. Com o tempo, substâncias como colesterol “ruim” (LDL), gorduras, cálcio e restos celulares vão se acumulando ali, formando uma placa endurecida e, muitas vezes, inflamada. Esse processo recebe o nome de aterosclerose — uma doença silenciosa que, quando não controlada, pode levar a infarto, AVC e outras complicações graves.

No Brasil, a situação é preocupante: segundo o Ministério da Saúde, as doenças cardiovasculares são a principal causa de morte no país, responsáveis por cerca de 30% de todos os óbitos. E a base de boa parte dessas mortes está justamente na progressão do ateroma. A boa notícia? É possível prevenir, tratar e até reverter parte do processo com mudanças no estilo de vida e medicamentos disponíveis no SUS e nas clínicas populares.

Como funciona / Características

Pense no ateroma como uma “crosta” que vai se formando dentro da artéria. O processo começa bem antes de qualquer sintoma — geralmente na juventude, quando há lesão na camada mais interna da artéria (endotélio). Fatores como hipertensão, diabetes, tabagismo e colesterol alto agridem essa camada e abrem caminho para o depósito de gordura.

Com o passar dos anos, a placa cresce e pode se tornar instável. Uma placa instável tem uma capa fina e um interior mole e inflamado. Se essa capa rompe, o organismo entende que houve um ferimento e forma um coágulo (trombo) no local. Esse coágulo pode bloquear a artéria de uma hora para outra — é o que chamamos de evento agudo, como um infarto do coração ou um derrame cerebral.

Na rotina de uma clínica popular, recebo muitos pacientes com exames mostrando ateromas nas carótidas (pescoço) ou nas artérias das pernas. Muitas vezes a pessoa está assintomática e descobre a placa num ultrassom de rotina. Outras vezes, o primeiro sintoma é uma dor no peito aos esforços (angina) ou uma fraqueza repentina de um lado do corpo (AVC). O importante é saber que o ateroma não aparece do nada: ele é fruto de anos de exposição a fatores de risco que podem ser controlados.

Tipos e Classificações

Nem todo ateroma é igual. Na prática clínica, classificamos as placas de acordo com o grau de estreitamento (estenose) que provocam e com a estabilidade da placa. As classificações mais usadas no Brasil seguem as diretrizes da Sociedade Brasileira de Cardiologia e da Anatomia Patológica:

  • Por grau de estenose: leve (menos de 50% de obstrução), moderada (50-69%), grave (70-99%) e oclusão total (100%). Quanto maior a obstrução, maior o risco de falta de sangue para o órgão.
  • Por composição: placas calcificadas (mais duras, geralmente mais estáveis) e placas não calcificadas ou mistas (mais propensas a romper).
  • Por morfologia: placas concêntricas (ao redor de toda a artéria) ou excêntricas (apenas em um lado).
  • Classificação de Stary: usada em anatomia patológica, vai do tipo I (lesão inicial) ao tipo VI (placa complicada com trombo).

No dia a dia, quando peço um ultrassom de carótidas ou uma angiotomografia, o laudo muitas vezes descreve a espessura médio-intimal (IMT) e a presença de placas. Se a placa é heterogênea, com áreas escuras (lipídicas) e bordas irregulares, o risco de ruptura é maior — e isso orienta nossa conduta.

Quando procurar um médico

O ateroma em si não dói, não coça e não dá sinais até que a placa tenha crescido ou rompido. Por isso, a prevenção é a chave. Você deve procurar um médico (clínico geral, cardiologista ou angiologista) nas seguintes situações:

  • Fatores de risco: se você tem hipertensão, diabetes, colesterol alto, obesidade, tabagismo ou histórico familiar de infarto/AVC, é hora de fazer uma avaliação, mesmo sem sintomas.
  • Sintomas sugestivos: dor no peito (aperto, queimação) que piora com esforço e melhora com repouso; falta de ar inexplicada; dormência ou fraqueza súbita de um braço ou perna; dificuldade para falar; tontura ou desmaio.
  • Alterações em exames de rotina: se um ultrassom de carótidas ou uma angiotomografia mostrou um ateroma, mesmo que pequeno, o acompanhamento deve ser iniciado.
  • Claudicação vascular: dor nas pernas ao caminhar que obriga a parar (sinal de ateroma nas artérias das pernas).

No SUS, a porta de entrada é a Unidade Básica de Saúde (UBS). Lá você consegue fazer consulta, solicitar exames simples (como perfil lipídico, glicemia, eletrocardiograma) e receber medicamentos para controle de colesterol, pressão e diabetes. Se houver necessidade, o médico da UBS encaminha para um especialista.

Termos Relacionados

  • Aterosclerose: doença generalizada das artérias caracterizada pela formação de ateromas em múltiplos locais. É o processo, enquanto ateroma é a placa em si.
  • Placa de ateroma: sinônimo de ateroma. Refere-se ao acúmulo localizado de lipídios e células na parede arterial.
  • LDL (lipoproteína de baixa densidade): o “colesterol ruim” que, em excesso, penetra na parede arterial e contribui para a formação do ateroma.
  • Infarto agudo do miocárdio (IAM): morte de uma parte do músculo cardíaco por obstrução súbita de uma artéria coronária devido à ruptura de um ateroma e formação de trombo.
  • Acidente vascular cerebral (AVC): obstrução (ou rompimento) de uma artéria cerebral, muitas vezes causada por um ateroma nas carótidas ou nas artérias intracranianas.
  • Estatinas: medicamentos (ex.: sinvastatina, atorvastatina) que reduzem o LDL e estabilizam as placas de ateroma, diminuindo o risco de eventos. São amplamente distribuídos pelo SUS.
  • Angioplastia: procedimento minimamente invasivo para desobstruir uma artéria com ateroma grave, utilizando um cateter com balão e, muitas vezes, um stent (pequena malha de metal).
  • Doença arterial coronariana (DAC): condição em que as artérias que irrigam o coração apresentam ateromas, causando angina ou infarto.

Perguntas Frequentes sobre Ateroma

1. Ateroma tem cura?

Não existe uma “cura” no sentido de fazer a placa desaparecer completamente. Mas é possível estabilizar o ateroma, reduzir seu tamanho e, principalmente, evitar que ele cause complicações. Com tratamento adequado (mudanças na alimentação, exercícios, medicamentos), a placa pode até regredir em alguns casos. O mais importante é controlar os fatores de risco e manter acompanhamento médico regular.

2. Quais exames detectam o ateroma?

Os exames mais comuns são: ultrassom de carótidas (para artérias do pescoço), ultrassom de membros inferiores (para pernas), angiotomografia coronariana (para artérias do coração) e ressonância magnética vascular. Exames de sangue, como o perfil lipídico, ajudam a avaliar o risco, mas não mostram a placa diretamente.

3. Ateroma é a mesma coisa que colesterol alto?

Não. Colesterol alto é um fator de risco importante para o desenvolvimento de ateroma, mas nem toda pessoa com colesterol alto tem ateroma, e nem todo ateroma ocorre apenas por colesterol alto. Outros fatores como hipertensão, diabetes e tabagismo também são determinantes.

4. O SUS oferece tratamento para ateroma?

Sim, o SUS cobre desde a prevenção primária (consultas na UBS, medicamentos para hipertensão, diabetes e dislipidemia) até procedimentos de alta complexidade, como angioplastia e cirurgia de revascularização (ponte de safena ou mamária). As estatinas, como sinvastatina e atorvastatina, são distribuídas gratuitamente em farmácias populares e unidades do SUS, mediante receita médica.

5. Quanto tempo leva para um ateroma se formar?

O processo começa na infância e adolescência, mas as placas clinicamente significativas costumam aparecer após os 40-50 anos em pessoas com fatores de risco. Em indivíduos com predisposição genética ou exposição intensa a fatores de risco (por exemplo, tabagismo e diabetes mal controlado), o ateroma pode evoluir mais rapidamente, em questão de anos.

6. É possível ter ateroma e não ter sintomas?

Sim, e isso é muito comum. Muitas pessoas descobrem o ateroma em exames de imagem realizados por outros motivos (check-up, avaliação pré-cirúrgica). Por isso, o rastreamento com exames de imagem é indicado para grupos de risco, mesmo na ausência de sintomas. Quando o ateroma provoca estreitamento acima de 70% ou rompe, aí surgem os sintomas.

Conteúdo revisado por equipe médica. Este verbete é educativo e não substitui consulta médica.