O que é O que é O que é Aterosclerose aórtica?
A aterosclerose aórtica é uma condição silenciosa e progressiva que afeta a aorta, a maior e mais importante artéria do corpo humano. Essa artéria nasce diretamente do coração e é responsável por levar sangue oxigenado para todos os órgãos e tecidos. Na aterosclerose, placas de gordura, colesterol, cálcio e outras substâncias se acumulam na parede da aorta, causando seu espessamento, perda de elasticidade e, em casos graves, obstrução ou enfraquecimento da parede arterial. É como se a “mangueira principal” do sistema circulatório fosse se entupindo e endurecendo com o tempo.
Na prática clínica brasileira, especialmente no SUS e em clínicas populares, a aterosclerose aórtica aparece com frequência em pacientes acima dos 50 anos, muitas vezes associada a outras doenças crônicas como hipertensão arterial, diabetes e colesterol alto. Durante uma consulta, o médico pode suspeitar da condição ao ouvir um sopro no abdômen ou ao sentir um pulso fraco nas pernas. No entanto, a maioria dos casos é descoberta por acaso, em exames de imagem solicitados por outros motivos, como uma ultrassonografia de abdômen ou uma tomografia computadorizada. De acordo com o Ministério da Saúde, as doenças cardiovasculares são a principal causa de morte no Brasil, e a aterosclerose aórtica é uma peça central nesse cenário, especialmente em regiões com maior prevalência de fatores de risco.
A importância de entender essa condição vai além do indivíduo. Ela reflete um problema de saúde pública: estima-se que cerca de 30% dos brasileiros acima de 60 anos apresentem algum grau de aterosclerose aórtica detectável em exames de imagem. Dados do DATASUS e do IBGE mostram que as internações por complicações da aterosclerose, como aneurisma de aorta e infarto, consomem milhões de reais por ano no sistema público. Por isso, a prevenção e o diagnóstico precoce são prioridades nas Diretrizes de Atenção à Saúde Cardiovascular do SUS.
Como funciona / Características
O processo de aterosclerose aórtica começa silenciosamente, às vezes ainda na juventude. Pequenas lesões no revestimento interno da aorta (endotélio) — causadas por fatores como tabagismo, pressão alta ou glicose elevada — permitem que partículas de gordura (LDL, o “mau colesterol”) penetrem na parede do vaso. O corpo responde com uma inflamação crônica, atraindo células de defesa que tentam “limpar” a gordura. Com o tempo, esse processo forma as chamadas placas de ateroma, que podem crescer, calcificar ou até se romper.
No dia a dia de uma clínica popular, o médico observa dois cenários típicos:
1. Paciente assintomático: Geralmente um senhor ou senhora acima de 55 anos, fazendo exames de rotina. O ultrassom doppler de aorta mostra placas calcificadas. O paciente fica surpreso, pois nunca sentiu nada. Aí entra o trabalho de orientação: controlar a pressão, o colesterol, parar de fumar e fazer exercícios. O SUS oferece acompanhamento em Unidades Básicas de Saúde (UBS) e distribuição de medicamentos como estatinas.
2. Paciente com complicações: Um homem de 65 anos que chega ao pronto-socorro com dor abdominal intensa e latejante. O exame de ultrassom revela um aneurisma de aorta abdominal, uma dilatação perigosa causada pelo enfraquecimento da parede pela aterosclerose. Nesse caso, a cirurgia — eletiva ou de emergência — é necessária, e o paciente é encaminhado para um hospital de referência do SUS.
As características clínicas mais comuns incluem: perda de elasticidade da aorta (o que aumenta a pressão sistólica e dificulta o controle da hipertensão), formação de trombos sobre as placas (que podem se desprender e causar derrames ou embolias em membros), e estreitamento do vaso (que diminui o fluxo para as pernas, causando claudicação — dor ao andar).
Tipos e Classificações
No Brasil, a classificação da aterosclerose aórtica é baseada principalmente em achados de imagem e na localização. As principais formas são:
1. Aterosclerose da aorta torácica: Acomete a parte da aorta que passa pelo tórax. Pode ser detectada em um raio-X de tórax (mostrando calcificações) ou em uma tomografia. É frequente em pacientes com hipertensão de longa data.
2. Aterosclerose da aorta abdominal: Muito comum e frequentemente associada a aneurisma. O ultrassom abdominal é o exame padrão no SUS para rastreio. A classificação por grau de obstrução ou calcificação é usada pelos radiologistas (leve, moderado, grave).
3. Classificação pela morfologia da placa:
– Placa fibrocalcificada: endurecida, com cálcio, mais estável.
– Placa rica em lipídios: mole, com alto risco de ruptura.
– Placa ulcerada: com irregularidades que favorecem trombos.
Embora não exista uma classificação oficial brasileira específica para aterosclerose aórtica isolada, as diretrizes da Sociedade Brasileira de Cardiologia orientam o uso do escore de cálcio coronariano (tomografia) e a medida da espessura médio-intimal carotídea como forma de avaliar o risco cardiovascular global. Na prática do SUS, o que vale é a interpretação do radiologista e a avaliação clínica.
Quando procurar um médico
A aterosclerose aórtica é traiçoeira porque muitas vezes não apresenta sintomas até que uma complicação grave ocorra. No entanto, existem sinais de alerta que merecem atenção imediata:
– Dor súbita e intensa no peito, nas costas ou no abdômen, especialmente se for descrita como “rasgando” ou “latejando”. Pode ser sinal de dissecção aórtica, uma emergência médica.
– Dor nas costas ou no abdômen que não passa, acompanhada de pulso fraco na perna ou diferença de pressão entre os braços.
– Sensação de massa pulsátil no abdômen (como se o coração batesse na barriga), que pode indicar aneurisma de aorta abdominal.
– Dor ao caminhar que melhora com o repouso (claudicação intermitente), sugerindo obstrução nas artérias das pernas, frequentemente associada à aterosclerose aórtica.
– Tontura, desmaio ou perda súbita de força em um lado do corpo, que pode ser consequência de um trombo que se soltou da placa e foi para o cérebro.
Na rotina, qualquer pessoa com fatores de risco — hipertensão, diabetes, colesterol alto, tabagismo, obesidade, histórico familiar de doença cardiovascular — deve procurar um médico da UBS ou clínica para avaliação. O ideal é fazer check-ups anuais a partir dos 40 anos. O SUS oferece consultas, exames de sangue (perfil lipídico, glicemia) e encaminhamento para ultrassom quando indicado. Não espere sentir dor para cuidar do coração.
Termos Relacionados
- Aneurisma de aorta: Dilatação anormal da parede da aorta, geralmente causada por aterosclerose. Quando atinge tamanho crítico, pode romper — risco de morte.
- Dissecção aórtica: Rasgo na camada interna da aorta, com sangramento entre as camadas da parede. É uma emergência cirúrgica.
- Placa de ateroma: O depósito de gordura, cálcio e células inflamatórias na parede arterial. É a “marca registrada” da aterosclerose.
- LDL (lipoproteína de baixa densidade): Conhecido como “mau colesterol”. Quando está elevado, acelera a formação de placas.
- Hipertensão arterial: Pressão alta, principal fator de progressão da aterosclerose aórtica por causar estresse na parede do vaso.
- Claudicação
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