sexta-feira, junho 12, 2026

O que é O que é Aterosclerose aórtica

O que é O que é O que é Aterosclerose aórtica?

A aterosclerose aórtica é uma condição silenciosa e progressiva que afeta a aorta, a maior e mais importante artéria do corpo humano. Essa artéria nasce diretamente do coração e é responsável por levar sangue oxigenado para todos os órgãos e tecidos. Na aterosclerose, placas de gordura, colesterol, cálcio e outras substâncias se acumulam na parede da aorta, causando seu espessamento, perda de elasticidade e, em casos graves, obstrução ou enfraquecimento da parede arterial. É como se a “mangueira principal” do sistema circulatório fosse se entupindo e endurecendo com o tempo.

Na prática clínica brasileira, especialmente no SUS e em clínicas populares, a aterosclerose aórtica aparece com frequência em pacientes acima dos 50 anos, muitas vezes associada a outras doenças crônicas como hipertensão arterial, diabetes e colesterol alto. Durante uma consulta, o médico pode suspeitar da condição ao ouvir um sopro no abdômen ou ao sentir um pulso fraco nas pernas. No entanto, a maioria dos casos é descoberta por acaso, em exames de imagem solicitados por outros motivos, como uma ultrassonografia de abdômen ou uma tomografia computadorizada. De acordo com o Ministério da Saúde, as doenças cardiovasculares são a principal causa de morte no Brasil, e a aterosclerose aórtica é uma peça central nesse cenário, especialmente em regiões com maior prevalência de fatores de risco.

A importância de entender essa condição vai além do indivíduo. Ela reflete um problema de saúde pública: estima-se que cerca de 30% dos brasileiros acima de 60 anos apresentem algum grau de aterosclerose aórtica detectável em exames de imagem. Dados do DATASUS e do IBGE mostram que as internações por complicações da aterosclerose, como aneurisma de aorta e infarto, consomem milhões de reais por ano no sistema público. Por isso, a prevenção e o diagnóstico precoce são prioridades nas Diretrizes de Atenção à Saúde Cardiovascular do SUS.

Como funciona / Características

O processo de aterosclerose aórtica começa silenciosamente, às vezes ainda na juventude. Pequenas lesões no revestimento interno da aorta (endotélio) — causadas por fatores como tabagismo, pressão alta ou glicose elevada — permitem que partículas de gordura (LDL, o “mau colesterol”) penetrem na parede do vaso. O corpo responde com uma inflamação crônica, atraindo células de defesa que tentam “limpar” a gordura. Com o tempo, esse processo forma as chamadas placas de ateroma, que podem crescer, calcificar ou até se romper.

No dia a dia de uma clínica popular, o médico observa dois cenários típicos:

1. Paciente assintomático: Geralmente um senhor ou senhora acima de 55 anos, fazendo exames de rotina. O ultrassom doppler de aorta mostra placas calcificadas. O paciente fica surpreso, pois nunca sentiu nada. Aí entra o trabalho de orientação: controlar a pressão, o colesterol, parar de fumar e fazer exercícios. O SUS oferece acompanhamento em Unidades Básicas de Saúde (UBS) e distribuição de medicamentos como estatinas.

2. Paciente com complicações: Um homem de 65 anos que chega ao pronto-socorro com dor abdominal intensa e latejante. O exame de ultrassom revela um aneurisma de aorta abdominal, uma dilatação perigosa causada pelo enfraquecimento da parede pela aterosclerose. Nesse caso, a cirurgia — eletiva ou de emergência — é necessária, e o paciente é encaminhado para um hospital de referência do SUS.

As características clínicas mais comuns incluem: perda de elasticidade da aorta (o que aumenta a pressão sistólica e dificulta o controle da hipertensão), formação de trombos sobre as placas (que podem se desprender e causar derrames ou embolias em membros), e estreitamento do vaso (que diminui o fluxo para as pernas, causando claudicação — dor ao andar).

Tipos e Classificações

No Brasil, a classificação da aterosclerose aórtica é baseada principalmente em achados de imagem e na localização. As principais formas são:

1. Aterosclerose da aorta torácica: Acomete a parte da aorta que passa pelo tórax. Pode ser detectada em um raio-X de tórax (mostrando calcificações) ou em uma tomografia. É frequente em pacientes com hipertensão de longa data.

2. Aterosclerose da aorta abdominal: Muito comum e frequentemente associada a aneurisma. O ultrassom abdominal é o exame padrão no SUS para rastreio. A classificação por grau de obstrução ou calcificação é usada pelos radiologistas (leve, moderado, grave).

3. Classificação pela morfologia da placa:
Placa fibrocalcificada: endurecida, com cálcio, mais estável.
Placa rica em lipídios: mole, com alto risco de ruptura.
Placa ulcerada: com irregularidades que favorecem trombos.

Embora não exista uma classificação oficial brasileira específica para aterosclerose aórtica isolada, as diretrizes da Sociedade Brasileira de Cardiologia orientam o uso do escore de cálcio coronariano (tomografia) e a medida da espessura médio-intimal carotídea como forma de avaliar o risco cardiovascular global. Na prática do SUS, o que vale é a interpretação do radiologista e a avaliação clínica.

Quando procurar um médico

A aterosclerose aórtica é traiçoeira porque muitas vezes não apresenta sintomas até que uma complicação grave ocorra. No entanto, existem sinais de alerta que merecem atenção imediata:

Dor súbita e intensa no peito, nas costas ou no abdômen, especialmente se for descrita como “rasgando” ou “latejando”. Pode ser sinal de dissecção aórtica, uma emergência médica.
Dor nas costas ou no abdômen que não passa, acompanhada de pulso fraco na perna ou diferença de pressão entre os braços.
Sensação de massa pulsátil no abdômen (como se o coração batesse na barriga), que pode indicar aneurisma de aorta abdominal.
Dor ao caminhar que melhora com o repouso (claudicação intermitente), sugerindo obstrução nas artérias das pernas, frequentemente associada à aterosclerose aórtica.
Tontura, desmaio ou perda súbita de força em um lado do corpo, que pode ser consequência de um trombo que se soltou da placa e foi para o cérebro.

Na rotina, qualquer pessoa com fatores de risco — hipertensão, diabetes, colesterol alto, tabagismo, obesidade, histórico familiar de doença cardiovascular — deve procurar um médico da UBS ou clínica para avaliação. O ideal é fazer check-ups anuais a partir dos 40 anos. O SUS oferece consultas, exames de sangue (perfil lipídico, glicemia) e encaminhamento para ultrassom quando indicado. Não espere sentir dor para cuidar do coração.

Termos Relacionados

  • Aneurisma de aorta: Dilatação anormal da parede da aorta, geralmente causada por aterosclerose. Quando atinge tamanho crítico, pode romper — risco de morte.
  • Dissecção aórtica: Rasgo na camada interna da aorta, com sangramento entre as camadas da parede. É uma emergência cirúrgica.
  • Placa de ateroma: O depósito de gordura, cálcio e células inflamatórias na parede arterial. É a “marca registrada” da aterosclerose.
  • LDL (lipoproteína de baixa densidade): Conhecido como “mau colesterol”. Quando está elevado, acelera a formação de placas.
  • Hipertensão arterial: Pressão alta, principal fator de progressão da aterosclerose aórtica por causar estresse na parede do vaso.
  • Claudicação

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