O que é O que é Aterosclerose arterial?
Imagine que suas artérias são como canos que levam sangue — com oxigênio e nutrientes — para todo o corpo. A aterosclerose arterial é uma doença silenciosa e progressiva em que essas “mangueiras” vão se entupindo e endurecendo por dentro, como se placas de gordura, colesterol, cálcio e outras substâncias fossem grudando nas paredes. Na prática clínica, a gente vê isso todos os dias: o paciente chega com pressão alta, diabetes descontrolada ou queixa de cansaço, e, ao examinar, percebemos que o fluxo sanguíneo já não é o mesmo. A placa, chamada de ateroma, pode crescer lentamente por anos sem dar sinal, até que um dia ela se rompe e forma um coágulo, causando um infarto do coração ou um derrame cerebral.
No Brasil, as doenças cardiovasculares ligadas à aterosclerose são a principal causa de morte, responsáveis por cerca de 30% dos óbitos, segundo dados do Ministério da Saúde. Nas clínicas populares e no SUS, a realidade é dura: muitos pacientes só procuram ajuda quando já há sintomas avançados, como dor no peito ou dificuldade para andar. Por isso, o diagnóstico precoce — feito com exames de sangue, ultrassom das carótidas ou até mesmo um simples cálculo de risco cardiovascular — é essencial. A ANVISA regula os medicamentos para colesterol e anti-hipertensivos, que são distribuídos gratuitamente na farmácia popular ou nas Unidades Básicas de Saúde (UBS).
A aterosclerose não é uma fatalidade. Ela tem relação direta com o estilo de vida: alimentação gordurosa, sedentarismo, tabagismo e estresse aceleram o processo. No consultório, a gente costuma dizer que a doença é “traiçoeira”, porque ela não dói até que o entupimento esteja grave. Por isso, o médico do SUS ou da clínica popular está sempre de olho em fatores de risco como hipertensão, diabetes, colesterol alto e obesidade, que são muito comuns na população brasileira. Saiba mais sobre hipertensão e seus riscos no site do Ministério da Saúde.
Como funciona / Características
Pense numa artéria saudável: ela é elástica, lisinha por dentro (o endotélio). Na aterosclerose, o endotélio é agredido por fatores como colesterol LDL elevado, tabaco, açúcar em excesso ou pressão alta. O corpo tenta reparar essa lesão, mas acaba formando a placa. Com o tempo, a placa cresce, estreita o canal e endurece a parede — é a chamada esclerose. O sangue passa com mais dificuldade, e os órgãos recebem menos oxigênio.
No dia a dia da clínica, isso aparece de várias formas. Um exemplo clássico: o paciente reclama de dor na panturrilha quando caminha, que melhora com o repouso — é a claudicação intermitente, sinal de aterosclerose nas pernas (doença arterial periférica). Outro é a dor no peito (angina) ao subir uma ladeira ou carregar peso: o coração está pedindo mais sangue, mas a artéria coronária está obstruída. Se a placa se rompe, forma-se um coágulo que bloqueia de vez o fluxo, gerando um infarto agudo do miocárdio. Já atendi muitos pacientes que chegam ao posto com “queimação no estômago” que, na verdade, era angina — o coração avisa de forma diferente.
Uma característica importante que a gente vê na prática é a aterosclerose silenciosa. O paciente não sente nada até que o estreitamento seja muito grave. Por isso, médicos do SUS usam ferramentas como o escore de risco de Framingham, adaptado para a população brasileira, para identificar quem precisa de prevenção. Exames simples, como o ultrassom de carótidas com doppler, podem mostrar placas antes dos sintomas. A Sociedade Brasileira de Cardiologia tem diretrizes atualizadas sobre o tema.
Tipos e Classificações
Na prática médica, a aterosclerose é classificada de acordo com a localização das placas e o estágio da doença. Embora não exista uma “tipagem” para o paciente leigo, é útil entender essas diferenças:
- Aterosclerose coronariana: afeta as artérias do coração. É a principal causa de infarto e angina. Muito comum em homens acima de 45 anos e mulheres após a menopausa no Brasil.
- Aterosclerose carotídea: atinge as artérias do pescoço que levam sangue ao cérebro. Pode causar Acidente Vascular Cerebral (AVC) isquêmico. No SUS, a triagem com ultrassom de carótidas é feita em pacientes de alto risco.
- Aterosclerose periférica: nas pernas (artérias femorais, poplíteas) ou braços. Provoca dor ao caminhar (claudicação) e, em casos graves, feridas que não cicatrizam, podendo levar à amputação.
- Aterosclerose renal: nas artérias dos rins. Pode causar hipertensão refratária e insuficiência renal. Muitas vezes é descoberta ao investigar pressão alta difícil de controlar.
Quanto à morfologia, as placas podem ser estáveis (com capa fibrosa espessa, menos propensas a romper) ou instáveis (com centro lipídico grande e capa fina, com alto risco de ruptura). Na prática, o tratamento visa estabilizar as placas com estatinas e mudar o estilo de vida. O CFM e a ANVISA orientam o uso de medicamentos como sinvastatina, rosuvastatina e antiagregantes plaquetários (AAS) na prevenção secundária.
Quando procurar um médico
Muitos pacientes me perguntam: “Doutor, como saber se tenho aterosclerose?”. A resposta é que, na fase inicial, não há sintomas. Por isso, é fundamental fazer check-ups regulares, principalmente se você tem mais de 40 anos, é homem, tem histórico familiar de infarto ou AVC, ou apresenta fatores de risco como pressão alta, diabetes, colesterol alto, obesidade ou tabagismo.
Procure um médico imediatamente se apresentar sinais de alerta:
- Dor no peito ( aperto, queimação, peso ) que aparece com esforço e melhora com repouso.
- Falta de ar súbita ou cansaço exagerado ao fazer atividades que antes eram normais.
- Dor na panturrilha ou coxa ao caminhar, que passa quando para.
- Tontura, visão embaçada ou fraqueza em um lado do corpo (sinais de AVC).
- Feridas nos pés ou pernas que demoram a cicatrizar, especialmente em diabéticos.
Nas clínicas populares e no SUS, o primeiro contato é com o clínico geral ou o médico da família. Ele vai fazer uma avaliação clínica, pedir exames de sangue (colesterol total, LDL, HDL, triglicérides, glicemia), aferir a pressão e, se necessário, solicitar exames de imagem como ecocardiograma, teste ergométrico ou ultrassom com doppler. Não espere sentir dor para cuidar do coração — a prevenção salva vidas.
Termos Relacionados
- Ateroma: a placa de gordura que se forma na parede da artéria. É a lesão básica da aterosclerose.
- Dislipidemia: alteração nos níveis de gorduras no sangue (colesterol e triglicérides). Principal fator de risco tratável.
- Hipertensão arterial: pressão alta, que danifica o endotélio e acelera a aterosclerose. Muito prevalente no Brasil (cerca de 30% dos adultos).
- Diabetes mellitus: doença do açúcar no sangue; lesa os vasos e dobra o risco de aterosclerose.
- Infarto agudo do miocárdio: morte do músculo cardíaco por obstrução total de uma artéria coronária.
- Acidente Vascular Cerebral (AVC): derrame, geralmente isquêmico (entupimento) ou hemorrágico, ligado à aterosclerose carotídea.
- Estatinas: medicamentos que reduzem o colesterol LDL e estabilizam as placas. Distribuídos pelo SUS.
- Angina: dor no peito por falta temporária de oxigênio no coração, sinal de obstrução parcial.
Perguntas Frequentes sobre O que é O que é Aterosclerose arterial
O que causa a aterosclerose arterial?
A causa é multifatorial. O principal gatilho é o acúmulo de colesterol LDL (o “mau” colesterol) na parede das artérias, que sofre oxidação e inflama. Mas outros fatores contribuem: hipertensão, diabetes, tabagismo, obesidade, sedentarismo e estresse. Existe também uma predisposição genética — se seu pai ou mãe teve infarto cedo, seu risco é maior. No Brasil, o consumo de alimentos ultraprocessados e frituras aumenta a carga de gordura na dieta.
A aterosclerose tem cura?
Não tem cura definitiva, mas tem controle. Quando a placa já se formou, não conseguimos removê-la completamente (


