O que é O que é O que é Aterosclerose coronária?
Imagine que suas artérias, os canais que levam sangue para o coração, são como canos de uma casa. Com o tempo, gorduras, colesterol e outras substâncias vão se acumulando nas paredes desses canos, formando uma espécie de “placa” que endurece e estreita o espaço por onde o sangue passa. Esse processo é o que chamamos de aterosclerose coronária. Na prática clínica do dia a dia, especialmente aqui no Brasil, é uma das principais causas de infarto do miocárdio e de outras doenças cardiovasculares que lotam emergências e ambulatórios do SUS.
No meu consultório, já vi centenas de pacientes que chegam com queixas de dor no peito, cansaço inexplicável ou falta de ar, e descobrem, depois de exames, que as artérias do coração estão comprometidas. A aterosclerose coronária não aparece de uma hora para outra; ela se desenvolve silenciosamente ao longo de anos, muitas vezes sem nenhum sintoma até que uma placa se rompa e provoque um infarto. Segundo dados do Ministério da Saúde, as doenças do aparelho circulatório foram responsáveis por cerca de 360 mil mortes no Brasil em 2020, sendo o infarto uma das principais causas. A hipertensão, o diabetes, o colesterol alto, o tabagismo e o sedentarismo são os maiores vilões que aceleram esse processo.
No contexto do SUS, a prevenção da aterosclerose coronária é uma prioridade. As Unidades Básicas de Saúde (UBS) oferecem acompanhamento de fatores de risco, como aferição de pressão e exames de sangue, além de medicamentos anti-hipertensivos, estatinas (para colesterol) e ácido acetilsalicílico (AAS) quando indicado. Programas como o Hiperdia ajudam a monitorar pacientes crônicos. A ANVISA regula a qualidade dos medicamentos e dispositivos usados, como stents, e o CFM orienta os médicos sobre as melhores práticas. Mas o mais importante é a conscientização: muitos dos meus pacientes só procuram ajuda quando já estão com sintomas graves. Por isso, entender o que é aterosclerose coronária e como preveni-la pode salvar vidas.
Como funciona / Características
A aterosclerose coronária começa com uma lesão na parede interna da artéria, geralmente causada por fatores como pressão alta, tabagismo ou níveis elevados de glicose e colesterol. O corpo tenta reparar essa lesão enviando células inflamatórias, e aí o colesterol LDL (o “ruim”) se deposita na região, formando uma placa fibrosa. Com o tempo, essa placa endurece (calcifica) e reduz o diâmetro da artéria, dificultando a passagem de sangue rico em oxigênio para o músculo cardíaco.
No dia a dia de uma clínica popular, vejo pacientes que sentem desconforto no peito ao fazer esforço, como subir uma ladeira ou carregar compras. É a chamada angina estável: o coração precisa de mais oxigênio durante o esforço, mas a artéria estreitada não consegue suprir a demanda. Quando a placa se rompe ou forma um coágulo, a obstrução se completa e ocorre o infarto agudo do miocárdio — uma emergência que exige atendimento rápido, como cateterismo ou angioplastia para desobstruir o vaso.
Caracteristicamente, a aterosclerose coronária é uma doença sistêmica: quem tem placas nas artérias do coração geralmente também tem nas carótidas (que podem causar AVC), nas pernas (causando claudicação) e nos rins. No Brasil, a prevalência de doença coronariana é alta: estima-se que cerca de 5% dos adultos acima de 40 anos tenham algum grau de aterosclerose coronária, mas muitos desconhecem. Os exames mais comuns no SUS para diagnóstico incluem o eletrocardiograma (ECG), o teste ergométrico (esteira), e, quando possível, a cintilografia ou a angiotomografia coronariana.
Tipos e Classificações
A aterosclerose coronária pode ser classificada de várias formas, mas as mais relevantes para a prática clínica no Brasil são baseadas no grau de obstrução e na apresentação clínica:
- Angina estável: dor ou desconforto no peito que surge com esforço ou estresse e melhora com repouso ou medicamento (ex: nitrato). Geralmente associada a obstruções >70% de uma artéria.
- Angina instável: dor que aparece em repouso, é mais intensa, dura mais tempo ou piora progressivamente. Sinal de que uma placa está se rompendo e pode evoluir para infarto. É considerada uma síndrome coronariana aguda.
- Infarto agudo do miocárdio (IAM): quando a obstrução é total, causando lesão irreversível do músculo cardíaco. Divide-se em IAM com supradesnivelamento do segmento ST (mais grave) e sem supradesnivelamento.
- Doença coronariana obstrutiva vs. não obstrutiva: nem toda placa causa estreitamento significativo; algumas são “vulneráveis” e podem se romper mesmo sem obstruir muito. Por isso, o escore de cálcio coronariano ajuda a avaliar o risco.
No Brasil, a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) publica diretrizes que orientam o uso de escores de risco, como o Escore de Framingham adaptado à população brasileira, que considera idade, sexo, pressão arterial, colesterol, diabetes e tabagismo. Na ponta, na atenção primária do SUS, usamos o Escore de Risco Global para decidir quem precisa de estatinas ou AAS preventivo.
Quando procurar um médico
Muitas pessoas convivem com aterosclerose coronária sem saber, por isso é importante ficar atento aos sinais. Procure um médico (clínico geral, cardiologista ou uma UBS) se você apresentar:
- Dor, aperto, queimação ou desconforto no peito – especialmente se piora com esforço, emoção ou estresse, e melhora com repouso.
- Falta de ar – cansaço aos pequenos esforços, como andar rápido ou subir escadas.
- Dor no braço esquerdo, mandíbula, costas ou estômago – pode ser irradiação da angina.
- Sudorese fria, náuseas ou tontura – sintomas atípicos, comuns em mulheres, idosos e diabéticos.
- Cansaço incomum – fadiga sem causa aparente que persiste por dias.
Sinais de alerta de infarto: dor no peito intensa e persistente (mais de 20 minutos), acompanhada de falta de ar, palidez e suor frio. Nesse caso, ligue para o SAMU (192) ou vá imediatamente a uma emergência. Não espere!
Se você tem fatores de risco (hipertensão, diabetes, colesterol alto, obesidade, tabagismo, histórico familiar de infarto), mesmo sem sintomas, é fundamental fazer check-up anual. No SUS, o médico pode solicitar exames simples como ECG, glicemia, colesterol total e frações, além de avaliar seu risco cardiovascular. A prevenção começa cedo.
Termos Relacionados
- Angina pectoris: dor ou desconforto no peito causado pela falta temporária de oxigênio no coração devido ao estreitamento das artérias coronárias. É o sintoma mais clássico da aterosclerose coronária.
- Infarto agudo do miocárdio (IAM): morte de parte do músculo cardíaco por obstrução total de uma artéria coronária, geralmente por ruptura de uma placa aterosclerótica e formação de coágulo.
- Placa aterosclerótica: acúmulo de gordura, colesterol, cálcio e outros detritos na parede arterial. Pode ser estável (fibrosa) ou instável (vulnerável a ruptura).
- Colesterol LDL: lipoproteína de baixa densidade, conhecida como “colesterol ruim”. Quando em excesso, deposita-se nas artérias e acelera a aterosclerose.
- Cateterismo cardíaco: exame invasivo que introduz um cateter nas artérias coronárias para visualizar obstruções e, se necessário, realizar angioplastia com stent.
- Angioplastia com stent: procedimento no qual um balão é inflado para desobstruir a artéria e um pequeno tubo de metal (stent) é colocado para mantê-la aberta. Muito feito no SUS em casos de infarto ou angina grave.
- Revascularização do miocárdio (ponte de safena): cirurgia que cria um desvio para o sangue contornar a obstrução, usando um vaso da perna ou do braço. Indicada para obstruções múltiplas ou complexas.
- Aterosclerose sistêmica: processo que afeta todas as artérias do corpo, não só as coronárias. Pode causar AVC (artérias carótidas), doença arterial periférica (artérias das pernas) e aneurisma de aorta.
Perguntas Frequentes sobre O que é O que é O que é Aterosclerose coronária
A aterosclerose coronária tem cura?
Não se pode “reverter” completamente as placas, mas o tratamento adequado pode interromper o avanço, estabilizar as placas e, em alguns casos, reduzir seu tamanho. Com mudanças no estilo de vida (dieta, exercícios, parar de fumar) e medicamentos (estatinas, anti-hipertensivos, antiagregantes), muitas pessoas vivem décadas sem complicações. A doença torna-se controlada, como a hipertensão ou o diabetes. O acompanhamento médico é essencial.
Quais exames detectam a aterosclerose coronária?
Os principais exames


