O que é O que é Aterosclerose renal?
Imagine que as artérias que levam sangue para os seus rins são canos que, com o tempo, podem acumular gordura, colesterol e outras substâncias, formando uma espécie de “sujeira” endurecida. Essa placa, chamada de aterosclerose renal, estreita os vasos sanguíneos e reduz o fluxo de sangue para os rins. Na prática clínica do SUS e das clínicas populares, esse é um problema muito mais comum do que se imagina, principalmente entre pacientes com mais de 50 anos, hipertensos, diabéticos ou com colesterol alto. Infelizmente, muitas vezes a aterosclerose renal é silenciosa e só é descoberta quando o paciente já apresenta sinais de insuficiência renal ou hipertensão de difícil controle.
Segundo dados do Ministério da Saúde, a hipertensão arterial atinge cerca de 30% da população adulta brasileira, e a doença renal crônica afeta aproximadamente 10% dos adultos. A aterosclerose renal é uma das principais causas de hipertensão secundária (aquela que tem uma causa identificável) e de perda progressiva da função dos rins, especialmente em idosos. No Brasil, o impacto é enorme: muitos pacientes chegam aos pronto-atendimentos com quadros de crise hipertensiva ou com exames de creatinina alterados, sem nunca ter ouvido falar dessa condição. É por isso que gosto de explicar com clareza: a aterosclerose renal não é uma doença rara; ela está no nosso dia a dia, escondida atrás de consultas de rotina.
O diagnóstico precoce faz toda a diferença. Com o tratamento adequado, que pode incluir mudanças no estilo de vida, medicamentos e, em alguns casos, procedimentos como angioplastia, é possível preservar a função renal por muitos anos. A Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN) recomenda que pacientes hipertensos de difícil controle e diabéticos com piora da função renal sejam investigados para estenose de artéria renal, que é a complicação principal da aterosclerose renal. Por isso, se você tem fatores de risco, não deixe de conversar com seu médico sobre esse exame.
Como funciona / Características
Para entender como a aterosclerose renal age no corpo, pense nas artérias renais como mangueiras que levam água para um jardim. Se dentro delas se acumula gordura e cálcio, forma-se uma placa de ateroma. Essa placa endurece e estreita a mangueira, fazendo com que menos sangue chegue aos rins. Como os rins são órgãos que filtram o sangue e controlam a pressão arterial, a falta de sangue engana o organismo: ele acha que a pressão está baixa e libera hormônios (como a renina) que aumentam a pressão geral do corpo. O resultado é uma hipertensão renovascular, que muitas vezes não responde bem aos remédios comuns.
No meu consultório, vejo isso com frequência em pacientes que tomam três ou quatro anti-hipertensivos e ainda assim a pressão fica alta. Ou em diabéticos que, mesmo com glicemia controlada, apresentam uma piora progressiva da creatinina nos exames de sangue. Outro sinal clássico é a diferença de tamanho entre os rins vista na ultrassonografia – um rim menor do que o outro pode indicar que a artéria daquele lado está muito estreitada. A aterosclerose renal também pode causar edema (inchaço) nos pés e nas pernas, além de cansaço e falta de ar, quando já há comprometimento da função renal.
Uma característica importante é que a doença costuma ser silenciosa nos estágios iniciais. O paciente pode não sentir nada até que a placa já tenha reduzido o fluxo sanguíneo em mais de 70%. Por isso, exames como o Doppler das artérias renais (uma ultrassonografia especial) são fundamentais para o diagnóstico. No SUS, esse exame pode ser solicitado pelo clínico geral ou nefrologista, especialmente para pacientes com hipertensão de difícil controle. A aterosclerose renal também pode ser identificada em exames de imagem como angiotomografia ou ressonância magnética, mas o Doppler é o mais acessível e seguro na rotina da atenção básica.
Tipos e Classificações
Na prática clínica brasileira, a aterosclerose renal é classificada principalmente de acordo com o grau de estreitamento da artéria renal:
- Estenose leve: menos de 50% de obstrução. Geralmente não causa sintomas nem altera a função renal. O tratamento é clínico, com controle de fatores de risco.
- Estenose moderada: entre 50% e 70%. Pode começar a causar hipertensão de difícil controle e pequena redução na filtração dos rins. O acompanhamento nefrológico é importante.
- Estenose grave: acima de 70%. É quando a hipertensão se torna refratária (não responde a medicamentos) e a função renal começa a cair progressivamente. Nesses casos, a revascularização (angioplastia com stent) pode ser indicada.
Além disso, a aterosclerose renal pode ser unilateral (afetando apenas um rim) ou bilateral (os dois rins). A forma bilateral é mais grave e pode levar rapidamente à insuficiência renal crônica. Outra classificação importante separa a estenose aterosclerótica (mais comum em idosos e associada a outros fatores de risco cardiovascular) da displasia fibromuscular (mais comum em mulheres jovens, mas que não é aterosclerótica). No dia a dia das clínicas populares, a maioria dos casos é de aterosclerose renal mesmo, ligada ao envelhecimento e aos maus hábitos.
Quando procurar um médico
Muitos pacientes me perguntam: “Doutor, quando devo desconfiar que tenho aterosclerose renal?”. Os principais sinais de alerta para procurar um clínico geral ou nefrologista são:
- Hipertensão de difícil controle: se você já toma 2 ou mais medicamentos para pressão e ela continua alta (acima de 140/90 mmHg).
- Piora da função renal: exames de sangue mostrando aumento da creatinina ou redução da taxa de filtração glomerular.
- Diferença de tamanho entre os rins detectada em ultrassom ou outro exame de imagem.
- Edema inexplicado (inchaço nos pés, tornozelos ou pernas).
- Episódios de crise hipertensiva que exigem idas frequentes ao pronto-socorro.
- Sintomas de insuficiência renal: cansaço, falta de apetite, coceira na pele, náuseas ou redução do volume de urina.
É importante lembrar que muitas pessoas com aterosclerose renal não apresentam nenhum sintoma por anos. Por isso, se você tem fatores de risco como diabetes, colesterol alto, tabagismo ou histórico familiar de doença renal, faça check-ups regulares. No SUS, a atenção básica oferece acompanhamento com agentes comunitários e médicos de família que podem solicitar os exames iniciais. Quanto mais cedo descobrirmos, mais fácil é tratar e evitar a progressão para a diálise.
Termos Relacionados
- Estenose da artéria renal: é o nome técnico para o estreitamento das artérias que levam sangue aos rins, sendo a aterosclerose renal a causa mais frequente desse estreitamento.
- Hipertensão renovascular: aumento da pressão arterial causado diretamente por uma obstrução nas artérias renais, geralmente associado à aterosclerose renal.
- Placa de ateroma: acúmulo de gordura, colesterol, cálcio e outras substâncias na parede das artérias, que é a base da aterosclerose renal.
- Doppler renal: exame de ultrassom que avalia o fluxo de sangue nas artérias dos rins, muito usado para diagnosticar a aterosclerose renal.
- Angioplastia renal com stent: procedimento minimamente invasivo para desobstruir a artéria renal, indicado em casos graves de aterosclerose renal.
- Creatinina: substância no sangue que indica a função dos rins; níveis elevados podem sugerir que a aterosclerose renal está prejudicando a filtração.
- Displasia fibromuscular: outra causa de estreitamento das artérias renais, mais comum em mulheres jovens e que não está relacionada à aterosclerose renal.
- Doença renal crônica: perda progressiva e irreversível da função dos rins, que pode ser consequência de uma aterosclerose renal não tratada.
Perguntas Frequentes sobre O que é Aterosclerose renal
A aterosclerose renal tem cura?
Não exatamente uma cura, mas sim um controle. O tratamento visa impedir a progressão da placa de gordura, controlar a pressão e preservar a função renal. Com medicamentos, mudanças no estilo de vida e, se necessário, procedimentos como angioplastia, a maioria dos pacientes consegue manter uma boa qualidade de vida por muitos anos. O segredo é o diagnóstico precoce e o acompanhamento regular.
Quais são os sintomas da aterosclerose renal?
Na fase inicial, geralmente não há sintomas. Com o avanço, podem surgir hipertensão de difícil controle (que não melhora com vários remédios), piora dos exames de função renal (creatinina alta), inchaço nos pés e pernas, cansaço, falta de apetite e, em casos mais graves, redução do volume de urina. Muitas vezes, o paciente descobre a condição durante uma investigação por hipertensão resistente.
Como é feito o diagnóstico no SUS?
O diagnóstico começa na consulta com o clínico geral, que avalia os fatores de risco e solicita exames de sangue (creatinina, ureia) e ultrassom dos rins. Se houver suspeita, o médico pede um Doppler das artérias renais, exames de imagem como angiotomografia ou ressonância. No SUS, esses exames podem levar algum tempo para agendar, mas são disponíveis pela regulação. A Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN) também tem diretrizes que orientam os médicos na solicitação.
Preciso fazer cirurgia ou colocação de stent?
Nem sempre. A cirurgia ou a angioplastia com stent são indicadas apenas para casos graves (estenose acima de 70%) ou quando a hipertensão não está controlada com medicamentos e a função renal está caindo rapidamente. Para a maioria dos pacientes com aterosclerose renal leve a moderada, o tratamento clínico com remédios (anti-hipertensivos, estatinas) e mud


