sexta-feira, junho 12, 2026

O que é O que é Aterosclerose

O que é O que é O que é Aterosclerose?

Aterosclerose é uma doença inflamatória crônica que atinge as artérias de médio e grande calibre, caracterizada pelo acúmulo de placas de gordura, colesterol, cálcio e outras substâncias na parede interna dos vasos. Com o tempo, essas placas endurecem e estreitam o canal por onde o sangue passa, reduzindo ou bloqueando o fluxo sanguíneo para órgãos vitais como coração, cérebro, rins e pernas. No meu dia a dia como clínico no SUS e em clínicas populares, vejo aterosclerose como a raiz silenciosa de muitos problemas graves: infarto, derrame, doença arterial periférica e até demência vascular. É um processo que começa na juventude, mas só dá sinais décadas depois, quando já causou danos significativos.

No Brasil, as doenças cardiovasculares são a principal causa de morte, representando cerca de 30% dos óbitos, segundo o Ministério da Saúde. E a aterosclerose está por trás da maioria desses eventos. Dados da Sociedade Brasileira de Cardiologia mostram que mais de 14 milhões de brasileiros têm alguma doença cardiovascular, e a prevalência de fatores de risco como hipertensão (30% da população adulta), diabetes (9%) e colesterol alto (40%) é altíssima. Nas consultas, pacientes chegam com queixas comuns: “Doutor, sinto um cansaço no peito quando subo a ladeira” ou “Meu pé fica gelado e dói quando ando”. Muitas vezes, o diagnóstico de aterosclerose é uma descoberta tardia, feita após um infarto ou um AVC. Por isso, a prevenção primária – com orientação alimentar, atividade física e controle da pressão, açúcar e colesterol – é a ferramenta mais poderosa que temos.

O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece acompanhamento gratuito para rastreamento e tratamento de aterosclerose nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), com exames simples como o lipidograma (colesterol total e frações) e eletrocardiograma. Em casos mais complexos, como angina ou suspeita de obstrução coronariana, o paciente é encaminhado para serviços de cardiologia e cirurgia vascular. A ANVISA regula medicamentos essenciais como estatinas (para baixar o colesterol) e antiagregantes (como AAS), que estão disponíveis na Farmácia Popular e nas unidades do SUS. A aterosclerose não é uma sentença – com diagnóstico precoce e mudanças de estilo de vida, dá para frear sua progressão e viver bem por muitos anos.

Como funciona / Características

Imagine que a parede interna de uma artéria saudável é lisa e flexível, como um cano novo. Com o passar do tempo, lesões mínimas causadas por pressão alta, fumo, açúcar elevado ou colesterol oxidado criam “feridinhas” na camada interna. O corpo tenta repará-las enviando células inflamatórias e partículas de gordura (LDL). Esse material vai se acumulando e forma uma placa – a placa aterosclerótica. No início, a placa é mole e instável; pode se romper, formando um coágulo que obstrui a artéria de repente – é o que causa infarto ou AVC. Com o tempo, a placa endurece (calcifica) e estreita a artéria progressivamente, reduzindo o fluxo de sangue.

No cotidiano clínico, vejo isso em situações típicas: o paciente com angina estável sente dor no peito ao fazer esforço – subir escada, carregar peso – porque o coração não recebe oxigênio suficiente. A dor passa com repouso. Já na aterosclerose periférica, o sintoma mais comum é a claudicação intermitente: a pessoa anda duas quadras e começa a sentir dor na panturrilha, que melhora quando para. Esses são sinais de que as artérias estão com placas significativas. Outro exemplo: um paciente chega com um “derrame” (AVC) e, ao fazer o ecodoppler de carótidas, descobrimos uma placa que reduziu 70% do fluxo para o cérebro. Em todas essas situações, o diagnóstico precoce – com exames como ecodoppler, angiotomografia ou cateterismo – pode evitar tragédias.

Tipos e Classificações

Na prática clínica brasileira, a aterosclerose é classificada principalmente pela localização das placas e pelo estágio de risco. Os tipos mais comuns são:

  • Aterosclerose coronariana: nas artérias do coração – responsável pela angina e infarto. É a mais temida e a que mais mata no Brasil.
  • Aterosclerose carotídea e cerebral: nas artérias do pescoço e cérebro – causa AVC isquêmico e ataque isquêmico transitório (AIT).
  • Aterosclerose periférica: nos membros inferiores – provoca claudicação intermitente, dor em repouso e risco de amputação.
  • Aterosclerose renal: nas artérias dos rins – pode levar a hipertensão renovascular e insuficiência renal.
  • Aterosclerose mesentérica: nas artérias do intestino – causa dor abdominal após comer e infarto intestinal (raro, mas grave).

Quanto ao estágio, o SUS e as sociedades médicas usam a classificação de risco cardiovascular (baseada no Escore de Framingham ou do ERIC – Estudo de Risco Cardiovascular do Brasil). O paciente é classificado em baixo, médio, alto ou muito alto risco, orientando a intensidade do tratamento. Também existe a classificação histopatológica de Stary (usada mais para pesquisa), mas no dia a dia falamos em placa estável (calcificada, menor risco de ruptura) versus placa vulnerável (mole, com núcleo lipídico grande e capa fina, maior risco de ruptura).

Quando procurar um médico

Se você tem algum fator de risco (pressão alta, diabetes, colesterol alto, tabagismo, obesidade) ou histórico familiar de infarto ou AVC antes dos 55 anos (homens) ou 65 anos (mulheres), o ideal é procurar um clínico geral ou cardiologista pelo menos uma vez ao ano para avaliação. Não espere sentir sintomas! Mas existem sinais claros de que a aterosclerose já está avançada e você deve buscar atendimento:

  • Dor ou aperto no peito (pode irradiar para braço, costas, mandíbula) durante esforço ou em repouso – suspeita de angina ou infarto.
  • Falta de ar repentina ou cansaço excessivo para atividades que antes eram fáceis.
  • Fraqueza, dormência ou paralisia de um lado do corpo, dificuldade para falar ou enxergar – pode ser AVC.
  • Dor na panturrilha ao andar que melhora com parada – claudicação intermitente.
  • Pé ou perna fria, pálida ou com feridas que não cicatrizam – sugere doença arterial periférica grave.
  • Palpitações, tontura ou desmaios – podem estar associados a arritmias por isquemia.

Nesses casos, vá imediatamente a uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) ou chame o SAMU (192). Nas clínicas populares, faço o primeiro acolhimento e encaminhamento, mas não podemos tratar emergências. O SUS tem uma rede de urgência bem estruturada, especialmente nas capitais. Não adie: cada minuto conta para salvar o coração ou o cérebro.

Termos Relacionados

Esta lista reúne termos que aparecem juntos com aterosclerose no dia a dia do consultório. Entendê-los ajuda na conversa com o médico e no autocuidado.

  • Placa aterosclerótica: o acúmulo de gordura, colesterol e células inflamatórias na parede da artéria. Pode ser estável ou vulnerável a rompimentos.
  • Dislipidemia: nome técnico para colesterol elevado, triglicerídeos altos ou HDL baixo. Principal fator de risco para aterosclerose.
  • Hipertensão arterial: pressão alta (≥140×90 mmHg). Lesiona as artérias e acelera a formação de placas.
  • Diabetes mellitus: excesso de açúcar no sangue. Favorece a inflamação e oxidação do colesterol, aumentando o risco de aterosclerose.
  • Infarto agudo do miocárdio: morte de parte do músculo cardíaco por obstrução súbita de uma artéria coronária – geralmente causada por ruptura de placa aterosclerótica.
  • Acidente vascular cerebral (AVC) isquêmico: “derrame” por obstrução de artéria cerebral devido a placa ou coágulo. Também chamado de “isquemia cerebral”.
  • Angina pectoris: dor no peito por redução temporária do fluxo sanguíneo ao coração, geralmente desencadeada por esforço. Sinal clássico de aterosclerose coronariana.
  • Claudicação intermitente: dor muscular nas pernas ao caminhar, que passa com repouso, por obstrução de artérias periféricas. Muitas vezes é o primeiro sintoma de aterosclerose nos memb