O que é O que é Atrofia vaginal?
A atrofia vaginal é uma condição caracterizada pelo afinamento, ressecamento e inflamação da mucosa da vagina, causada principalmente pela queda dos níveis de estrogênio. Esse hormônio feminino é essencial para manter a espessura, a elasticidade e a lubrificação natural da parede vaginal. Quando ele diminui — o que acontece de forma mais intensa na menopausa, mas também pode ocorrer durante a amamentação, após cirurgias de retirada dos ovários ou em tratamentos oncológicos — os tecidos perdem viço e podem se tornar frágeis, irritados e doloridos.
No dia a dia de uma clínica popular ou do SUS, a atrofia vaginal é um motivo de queixa frequente, mas muitas vezes não é relatada espontaneamente. Muitas mulheres têm vergonha ou acham que sintomas como secura, dor durante a relação sexual e ardência são “normais da idade”. No Brasil, estima-se que cerca de 50% a 60% das mulheres na pós-menopausa apresentem algum grau de atrofia vaginal, mas menos da metade busca tratamento. O problema é subdiagnosticado e subtratado, especialmente em unidades básicas de saúde, onde a consulta ginecológica pode ser limitada. Dados do Ministério da Saúde indicam que a menopausa atinge por volta de 13 milhões de mulheres brasileiras, e a atrofia vaginal está entre as principais causas de disfunção sexual feminina.
É importante entender que a atrofia vaginal não é uma doença grave, mas afeta profundamente a qualidade de vida. Pode levar a desconforto constante, infecções urinárias de repetição, sangramentos após a relação e até mesmo alterações no desejo sexual. Felizmente, existem tratamentos eficazes e acessíveis no SUS, como cremes tópicos de estrogênio e lubrificantes. O primeiro passo é reconhecer os sinais e conversar abertamente com um profissional de saúde.
Como funciona / Características
A atrofia vaginal se desenvolve de forma gradual. Imagine uma parede vaginal que antes era espessa, elástica e bem lubrificada. Com a falta de estrogênio, essa parede se torna fina como papel, perde a capacidade de se esticar e as glândulas que produzem a lubrificação natural param de funcionar adequadamente. O pH vaginal, que normalmente é ácido (entre 3,8 e 4,5), se torna mais alcalino, favorecendo o crescimento de bactérias que causam infecções. É como se a vagina ficasse “desprotegida”.
Exemplos do cotidiano na clínica:
- Uma paciente de 55 anos que chega com queixa de “ardor ao urinar” há meses, já tratou infecção urinária várias vezes, mas os sintomas persistem. No exame ginecológico, a mucosa está fina, pálida e com pequenas fissuras. Diagnóstico: atrofia vaginal com vaginite atrófica.
- Uma mulher de 48 anos, em menopausa há 2 anos, que relata que a relação sexual se tornou dolorosa e que evita ter relações com o marido por medo do desconforto. Ela usa lubrificante, mas sente que “não resolve”. A história é típica de atrofia vaginal.
- Uma paciente jovem, 32 anos, que está amamentando há 6 meses e percebeu ressecamento vaginal intenso e dor durante o sexo. É a chamada atrofia vaginal lactacional, causada pela queda do estrogênio durante a amamentação.
O quadro pode vir acompanhado de sintomas urinários, como necessidade de urinar com mais frequência, urgência miccional e infecções recorrentes. Por isso, o termo mais completo é síndrome geniturinária da menopausa (SGM), que inclui também alterações na vulva e no trato urinário inferior.
Tipos e Classificações
Embora não exista uma classificação única e oficial no Brasil, na prática clínica a atrofia vaginal é categorizada de acordo com a intensidade dos sintomas e os achados ao exame. As classificações mais usadas em manuais do SUS e da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) são:
- Leve: sintomas discretos (secura ocasional, desconforto leve). Ao exame, a mucosa vaginal tem uma leve palidez, mas ainda apresenta pregueamento normal.
- Moderada: sintomas mais frequentes (secura constante, dor durante a relação, prurido). O exame mostra afinamento da mucosa, perda de pregueamento, áreas de petéquias (pequenos pontos vermelhos).
- Grave: sintomas intensos (dor mesmo sem relação, sangramento ao toque, infecções urinárias repetidas). A mucosa está fina, lisa, frágil, podendo apresentar fissuras e inflamação evidente.
Outra forma de classificar é pela causa do hipoestrogenismo:
- Atrofia vaginal da menopausa natural: a mais comum, ocorre gradualmente após a última menstruação.
- Atrofia vaginal cirúrgica: após ooforectomia bilateral (retirada dos ovários).
- Atrofia vaginal lactacional: durante a amamentação exclusiva.
- Atrofia vaginal induzida por medicamentos: por exemplo, análogos do GnRH usados no tratamento de endometriose ou câncer de mama.
- Atrofia vaginal pós-radioterapia: em casos de radioterapia pélvica para tumores ginecológicos.
Quando procurar um médico
A atrofia vaginal é uma condição benigna, mas merece atenção médica sempre que os sintomas interferirem na qualidade de vida. Você deve procurar um ginecologista ou um médico clínico geral na sua UBS se apresentar:
- Secura vaginal persistente que não melhora com lubrificantes de venda livre.
- Dor durante a relação sexual (dispaurenia) — evite sofrer em silêncio, pois há tratamento.
- Ardência, coceira ou irritação vaginal sem causa aparente (como candidíase ou infecção bacteriana).
- Infecções urinárias de repetição ou vontade repentina e frequente de urinar (urgência miccional).
- Sangramento vaginal após a relação ou ao exame — isso exige uma avaliação para descartar outras lesões.
- Sinais de alerta: sangramento espontâneo, dor pélvica intensa, secreção com mau cheiro ou qualquer sintoma que piore rapidamente.
Nas unidades do SUS, o médico pode fazer o diagnóstico apenas com a história e o exame ginecológico (toque e exame especular). Exames como a citologia oncótica (Papanicolau) e a medição do pH vaginal ajudam, mas não são obrigatórios. O tratamento é simples e seguro, e a maioria das pacientes melhora com o uso de cremes de estrogênio tópico (como estriol ou estradiol) e orientações de hidratação local. A terapia hormonal tópica está disponível na Farmácia Popular (alguns medicamentos) e no SUS, conforme protocolo do Ministério da Saúde.
Termos Relacionados
- Menopausa: Data da última menstruação, a partir dos 12 meses sem ciclo. A atrofia vaginal é uma das alterações mais comuns nesse período.
- Hipoestrogenismo: Níveis baixos do hormônio estrogênio, principal causa da atrofia vaginal.
- Dispaurenia: Dor durante a relação sexual, sintoma cardinal da atrofia vaginal.
- Síndrome geniturinária da menopausa: Termo mais amplo que inclui atrofia vaginal, sintomas vulvares e urinários.
- Vaginite atrófica: Inflamação da vagina causada pela atrofia, com vermelhidão, desconforto e maior risco de infecções.
- Lubrificante vaginal: Produto (à base de água ou silicone) usado para aliviar a secura, mas não trata a causa.
- Hidratante vaginal: Produto usado regularmente (ex.: Replens) para manter a umidade e o pH, complementando o tratamento.
- Terapia hormonal tópica: Uso de estrogênio em creme, gel ou anel vaginal, aplicado diretamente na mucosa para restaurar sua espessura e lubrificação.
Perguntas Frequentes sobre O que é O que é Atrofia vaginal
Atrofia vaginal é a mesma coisa que câncer?
Não. A atrofia vaginal é uma condição benigna, não é câncer nem aumenta o risco de câncer. O sangramento que pode ocorrer é devido à fragilidade da mucosa, não a um tumor. No entanto, como qualquer sangramento vaginal na pós-menopausa deve ser investigado, o médico fará exames como o Papanicolau para descartar alterações malignas.
Quem está amamentando pode ter atrofia vaginal?
Sim. Durante a amamentação exclusiva, os níveis de estrogênio ficam muito baixos, semelhantes aos da menopausa. Por isso, muitas mulheres relatam ressecamento vaginal, dor durante o sexo e até infecções urinárias. A condição costuma melhorar assim que a amamentação é interrompida ou quando os ciclos menstruais retornam. Enquanto isso, lubrificantes e hidratantes vaginais podem ajudar.
Atrofia vaginal tem cura?
A atrofia vaginal é uma condição que pode ser controlada e revertida com tratamento. Se a causa for a menopausa, o uso de estrogênio tópico restaura a espessura da mucosa e elimina os sintomas na maioria dos casos. O tratamento é contínuo — mas com segurança e baixo risco de efeitos colaterais. Se a causa for temporária (amamentação, medicamento), a atrofia desaparece sozinha após a retirada do fator causador.
Lubrificante comum resolve a atrofia vaginal?
O lubrificante de venda livre alivia o desconforto durante a relação, mas não trata a raiz do problema: a falta de estrogênio que causa o afinamento da mucosa. Para uma melhora duradoura, é necessário usar hidratantes vaginais (como Replens) e, principalmente, o tratamento hormonal tópico prescrito por um médico. O ideal é combinar as abordagens: usar o lubrificante na hora da relação e o creme hormonal continuamente.
A atrofia vaginal pode causar infecção urinária?
Sim. Com a queda do estrogênio, a mucosa da uretra e da bexiga também se torna mais fina e sensível. O pH alterado facilita a proliferação de bactérias. Muitas mulheres com atrofia vaginal têm infecções urinárias de repetição, e o tratamento hormonal tópico pode reduzir significativamente esses episódios. Por isso, quando uma paciente acima dos 45 anos tem cistites frequentes, o médico deve pensar em atrofia urogenital.
O que acontece se não tratar a atrofia vaginal?
Sem tratamento, os sintomas tendem a piorar


