quarta-feira, maio 27, 2026

O que é O que é Atrofia vestibular

# Verbete de Glossário: Atrofia vestibular

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O que é O que é Atrofia vestibular?

A **atrofia vestibular** é um processo progressivo de afinamento, ressecamento e perda de elasticidade da mucosa que reveste o vestíbulo vaginal – aquela região situada entre os pequenos lábios, onde ficam a abertura da uretra e a entrada da vagina. Na prática clínica do SUS e das clínicas populares brasileiras, esse termo aparece com frequência durante o atendimento de mulheres na perimenopausa e pós‑menopausa, muitas vezes sem que elas próprias saibam nomear o que sentem. Elas relatam ardência, desconforto íntimo, dor durante a relação sexual (dispareunia) e infecções urinárias de repetição. O que poucas sabem é que a causa principal é a queda natural dos níveis de estrogênio, hormônio que mantém a espessura, a lubrificação e a resistência dos tecidos genitais.

No Brasil, estima‑se que entre 40% e 60% das mulheres na pós‑menopausa apresentem sintomas da chamada “síndrome geniturinária da menopausa”, da qual a atrofia vestibular é um dos pilares. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que a expectativa de vida feminina ultrapassa os 80 anos, o que significa que muitas mulheres viverão mais de três décadas após a menopausa. Apesar disso, o tema ainda é rodeado de tabus e desinformação. Nas unidades básicas de saúde (UBS) e em consultórios de clínicas populares, costuma‑se ouvir frases como “doutora, acho que estou seca por dentro” ou “toda vez que tenho relação, parece que estou sendo cortada”. Por isso, é fundamental que o médico clínico geral saiba identificar, acolher e tratar ou encaminhar essa condição, pois ela impacta diretamente a qualidade de vida, a autoestima e a saúde sexual.

O Ministério da Saúde, por meio das linhas de cuidado para a saúde da mulher, recomenda a avaliação ginecológica na atenção primária e a oferta de tratamentos disponíveis no SUS, como cremes vaginais de estrogênio e lubrificantes de venda livre. A **atrofia vestibular**, quando não tratada, pode evoluir para complicações como estenose vaginal (estreitamento), fissuras e aumento da susceptibilidade a infecções. Porém, com o manejo adequado, os sintomas são altamente reversíveis.

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Como funciona / Características

A mucosa do vestíbulo e da vagina é rica em receptores de estrogênio. Quando esse hormônio começa a diminuir – naturalmente por volta dos 45–50 anos ou de forma abrupta após cirurgia de retirada dos ovários –, o tecido perde espessura, vascularização e capacidade de produzir secreção lubrificante. O pH vaginal se torna mais alcalino (passa de 4,5 para 5,5 ou mais), favorecendo o crescimento de bactérias patogênicas e diminuindo a proteção contra infecções.

No dia a dia da clínica, a paciente descreve sensação de “areia” ou “aspereza” na região íntima, coceira, ardor ao urinar e sangramento após o ato sexual. Em muitos casos, o parceiro também se queixa de desconforto, o que gera tensão no relacionamento. Uma característica importante é que o quadro é progressivo: começa de forma leve e, se não houver intervenção, torna‑se mais intenso com o passar dos anos.

Durante o exame físico (especular), observa‑se a mucosa pálida, fina, com perda das rugosidades normais e presença de petéquias (pequenos pontos avermelhados) ou fissuras. No toque vaginal, o canal pode estar estreitado e menos distensível. Muitas vezes, a paciente chega dizendo que “evita ter relação há meses” e que “já tentou lubrificantes de farmácia, mas não resolveu”. Isso porque, em casos moderados a graves, apenas a lubrificação não é suficiente; é necessário repor o estrogênio localmente para reconstituir o tecido.

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Tipos e Classificações

Embora não exista uma classificação oficial adotada pelo Ministério da Saúde, na prática clínica brasileira costuma‑se estratificar a **atrofia vestibular** em três níveis de gravidade, baseados nos sintomas e nos achados do exame:

– **Leve**: paciente refere ressecamento ocasional, desconforto leve durante a relação, mas ainda consegue manter atividade sexual. Ao exame, a mucosa tem coloração normal ou discretamente pálida, com poucos sinais de atrofia.
– **Moderada**: sintomas mais frequentes – ardência, prurido, dispareunia (dor durante o sexo) que interrompe a relação. Uso de lubrificantes traz alívio parcial. No exame, observa‑se mucosa fina, pálida, com algumas fissuras e redução das rugas vaginais.
– **Grave**: a paciente relata dor intensa, sangramento após o sexo, infecções urinárias repetidas e até impossibilidade de penetração. A mucosa está muito atrófica, com áreas de erosão, petéquias e estreitamento do canal vaginal.

Outra forma de classificar é pelo tempo de instalação: atrofia por menopausa natural (mais comum) e atrofia iatrogênica (após radioterapia pélvica, cirurgia de ooforectomia ou uso de medicamentos antiestrogênicos, como tamoxifeno). No Brasil, a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO) recomendam que o diagnóstico seja essencialmente clínico, sem necessidade de exames complementares rotineiros, a não ser quando houver suspeita de outras doenças (como líquen escleroso ou infecções).

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Quando procurar um médico

Sinais de alerta que indicam a necessidade de avaliação médica incluem:

– Ressecamento vaginal persistente que não melhora com hidratação ou lubrificantes comuns.
– Dor ou desconforto durante as relações sexuais (dispareunia), seja no momento da penetração ou durante todo o ato.
– Sangramento após a relação ou em pequenos esforços (como evacuar).
– Coceira, ardor ou sensação de queimação na vulva ou na entrada da vagina.
– Infecções urinárias de repetição (cistites recorrentes) sem outra causa aparente.
– Sensação de “pressão” ou estreitamento vaginal, especialmente se houver histórico de menopausa.

A orientação para a paciente é: procure primeiro a Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima. O clínico geral ou o ginecologista da atenção primária podem fazer o diagnóstico e iniciar o tratamento – que, muitas vezes, é simples, eficaz e de baixo custo. Caso a unidade não disponha de creme hormonal, o médico pode prescrever e orientar a adquirir em farmácia popular ou encaminhar para um serviço especializado. Não é preciso ter vergonha: a **atrofia vestibular** não é uma doença, é uma condição fisiológica que tem tratamento e pode ser plenamente manejada.

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Termos Relacionados

  • Menopausa: período na vida da mulher marcado pela última menstruação, confirmado após 12 meses sem ciclo. Ocorre em média aos 51 anos no Brasil.
  • Climatério: fase de transição que antecede e sucede a menopausa, quando começam as alterações hormonais.
  • Estrogênio: hormônio feminino responsável pela manutenção dos tecidos genitais. Sua queda é a causa principal da atrofia.
  • Terapia hormonal da menopausa (THM): uso de estrogênio (isolado ou combinado com progesterona) para aliviar sintomas do climatério, incluindo a atrofia vestibular. Pode ser administrada por via oral, adesivo ou creme vaginal.
  • Síndrome geniturinária da menopausa (SGM): termo atual que engloba atrofia vaginal, vestibular e vulvar, além de sintomas urinários (incontinência, infecções).
  • Lubrificante vaginal: produto que reduz o atrito durante a relação. Pode ser à base de água, silicone ou hialuronato. Útil como adjuvante, mas não trata a atrofia.
  • Dispareunia: dor durante a relação sexual, sintoma‑chave da atrofia vestibular.
  • Líquen escleroso: doença inflamatória crônica que também causa atrofia vulvar, mas com características diferentes (placas brancas, prurido intenso). Exige tratamento específico.

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Perguntas Frequentes sobre O que é O que é Atrofia vestibular

Atrofia vestibular tem cura?

Sim, os sintomas são reversíveis com o tratamento adequado. O objetivo não é “curar” a menopausa, mas repor localmente o estrogênio para que a mucosa se reconstitua. Com o uso de cremes vaginais hormonais, a maioria das mulheres sente melhora significativa em 2 a 4 semanas. A manutenção do tratamento (geralmente 1 a 2 vezes por semana após a fase inicial) mantém o tecido saudável. Mesmo sem