O que é O que é Atrofia vulvar?
Atrofia vulvar é o afinamento, ressecamento e perda de elasticidade dos tecidos da vulva (parte externa do órgão genital feminino) causado pela diminuição dos hormônios estrogênios. Na prática de 15 anos atendendo no SUS e em clínicas populares, vejo que muitas mulheres de 45 a 65 anos chegam com queixas vagas de “ardor”, “coceira” ou “desconforto íntimo” e só depois de uma conversa mais aprofundada descobrimos que a raiz do problema é a atrofia vulvar. Ela é extremamente comum – estima-se que até 50% das mulheres na pós-menopausa apresentam algum grau de atrofia, mas menos da metade procura ajuda por vergonha ou por achar que é “normal envelhecer”.
No Brasil, o Ministério da Saúde reconhece a atrofia vulvar como parte da Síndrome Geniturinária da Menopausa (SGM). Dados do IBGE mostram que as mulheres brasileiras vivem, em média, um terço de suas vidas após a menopausa – período em que a falta de estrogênio afeta diretamente a vulva e a vagina. Nas consultas de clínica geral, principalmente em unidades básicas de saúde (UBS), essa condição é subdiagnosticada porque muitas pacientes não mencionam o sintoma espontaneamente. Por isso, costumo perguntar ativamente: “A senhora sente secura, dor na relação ou irritação na parte íntima?” – essa simples pergunta já revela o problema em boa parte dos casos.
É importante deixar claro: atrofia vulvar não é uma doença contagiosa nem um sinal de falta de higiene. Trata-se de uma alteração fisiológica que pode e deve ser tratada para melhorar a qualidade de vida. O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece opções de tratamento, como cremes à base de estrogênio e lubrificantes, e o farmacêutico da clínica popular pode orientar sobre produtos acessíveis.
Como funciona / Características
O mecanismo é simples: o estrogênio é o hormônio que mantém a pele da vulva grossa, úmida e elástica. Quando ele cai – seja na menopausa, após cirurgia de retirada dos ovários, durante a amamentação ou com uso de alguns medicamentos – a pele fica fina, seca e frágil. No meu consultório, descrevo para a paciente como “uma roupa que encolheu e ficou áspera”. Os sintomas mais comuns são:
- Secura vulvar constante ou que piora após o banho.
- Coceira (prurido) que pode levar a feridas por coçar.
- Ardor ao urinar ou ao lavar a região.
- Dor durante a relação sexual (dispareunia) – um dos principais motivos de procura nas clínicas.
- Pele mais clara, perda dos pequenos lábios e estreitamento da entrada vaginal.
No dia a dia da clínica popular, atendo mulheres que chegam achando que têm candidíase de repetição, mas o exame não mostra infecção. Quando examino a vulva, vejo tecido pálido, liso, sem as pregas normais. Muitas vezes há rachaduras (fissuras) e até sangramento leve após o ato sexual. Ao contrário do que muitos pensam, a atrofia vulvar não se resolve com pomadas comuns ou antifúngicos – o tratamento correto envolve reposição hormonal local.
Tipos e Classificações
Na prática brasileira, classificamos a atrofia vulvar de acordo com a causa e a gravidade. As principais formas são:
- Atrofia por menopausa natural: a mais comum, surge entre 1 e 5 anos após a última menstruação. Cerca de 80% das mulheres na pós-menopausa têm algum grau.
- Atrofia pós-parto / lactação: ocorre durante a amamentação devido à queda temporária de estrogênio. Costuma melhorar sozinha, mas pode ser intensa enquanto a mãe amamenta exclusivamente.
- Atrofia iatrogênica: causada por medicamentos como análogos do GnRH (usados em endometriose) ou tamoxifeno (para câncer de mama). Também após radioterapia pélvica.
- Atrofia associada ao líquen escleroso: uma condição inflamatória crônica que pode evoluir para atrofia vulvar grave, com fusão dos pequenos lábios e estreitamento do intróito vaginal. Exige acompanhamento especializado porque há risco de câncer (embora baixo).
Quanto à gravidade, usamos a classificação clínica:
- Leve: queixas de secura, mas sem alterações visíveis significativas.
- Moderada: afinamento evidente, palidez, queixas de dor durante a relação.
- Grave: fissuras, sangramento, estreitamento vulvar, aderências.
A Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO) recomenda o uso do Índice de Saúde Vaginal (VHI) para padronizar a avaliação. No SUS, muitas vezes usamos a avaliação clínica mesmo – o que importa é tratar precocemente para evitar complicações como infecções urinárias de repetição e perda da qualidade de vida.
Quando procurar um médico
Se você sente qualquer um destes sinais por mais de duas semanas, marque uma consulta no posto de saúde, clínica da família ou clínica popular:
- Secura persistente que não melhora com hidratantes íntimos comuns.
- Dor ou ardência ao urinar, sem infecção urinária comprovada.
- Coceira intensa na vulva, principalmente à noite.
- Dor durante a relação sexual que impede ou desestimula a vida íntima.
- Alteração na pele: áreas brancas, grossas, rachaduras ou manchas.
- Sangramento anormal (fora da menstruação) – nesse caso, procure com urgência.
Na minha experiência, muitas mulheres adiam a consulta por vergonha. Não tenha receio: o médico está ali para ajudar, e atrofia vulvar tem tratamento simples e eficaz. No SUS, o clínico geral pode diagnosticar e iniciar o tratamento; se houver suspeita de líquen escleroso ou se não houver melhora, encaminhamos para o ginecologista. A demora pode levar a complicações como incontinência urinária e infecções recorrentes, que são mais difíceis de tratar.
Termos Relacionados
- Menopausa: fase da vida em que a mulher para de menstruar, geralmente entre 45 e 55 anos. A queda hormonal é a principal causa da atrofia vulvar.
- Estrogênio: hormônio feminino que mantém a saúde da vulva e da vagina. Sua falta é o gatilho da atrofia.
- Líquen escleroso: doença inflamatória crônica que causa manchas brancas, afinamento e cicatrizes na vulva. Pode evoluir para atrofia grave.
- Dispareunia: dor durante a relação sexual. É um dos sintomas mais comuns da atrofia vulvar e motivo frequente de consulta.
- Secura vaginal: sensação de falta de lubrificação natural. Atinge a vagina e a vulva.
- Vaginose bacteriana: infecção vaginal que pode ser confundida com atrofia. A diferença é que a atrofia não tem corrimento fétido.
- Incontinência urinária: perda involuntária de urina. A atrofia pode enfraquecer os tecidos de suporte da uretra e piorar a incontinência.
- Hidratante vulvar: produto à base de ácido hialurônico ou óleos naturais que alivia o ressecamento. Pode ser usado como coadjuvante.
Perguntas Frequentes sobre O que é O que é Atrofia vulvar
Atrofia vulvar é a mesma coisa que atrofia vaginal?
Não exatamente. A atrofia vulvar afeta a parte externa (vulva), enquanto a atrofia vaginal afeta o canal vaginal. Mas as duas geralmente acontecem juntas porque a causa é a mesma – a falta de estrogênio. O termo médico mais atual é Síndrome Geniturinária da Menopausa, que engloba vulva, vagina e trato urinário inferior.
Atrofia vulvar tem cura?
Sim, é reversível com tratamento adequado. O uso de cremes ou óvulos de estrogênio (prescritos pelo médico) restaura a espessura e a hidratação da pele em algumas semanas. Enquanto a mulher estiver usando a medicação, os sintomas desaparecem. Se parar, a atrofia pode voltar, pois a causa (falta de estrogênio) permanece. O tratamento é contínuo, como usar um hidratante para a pele do rosto – não é um problema que “cura para sempre”, mas que se controla.
Precisa de exames para diagnosticar?
Na maioria dos casos, o diagnóstico é clínico: história e exame físico. O médico observa a vulva, avalia a cor, a espessura e a presença de fissuras. Em alguns casos, principalmente se houver suspeita de líquen escleroso, pode ser feita uma biópsia (pequeno pedaço de pele analisado). Exames de sangue para dosar hormônios geralmente não são necessários, pois a menopausa já é evidente pela idade e sintomas.
Atrofia vulvar pode virar câncer?
Raramente. A atrofia vulvar em si não é lesão pré-cancerosa. No entanto, o líquen escleroso (que causa atrofia) tem um pequeno risco (cerca de 4-5% ao longo da vida) de evoluir para carcinoma de células escamosas da vulva. Por isso, toda mulher com atrofia grave ou que não melhora com tratamento deve ser avaliada pelo ginecologista para descartar outras condições.
O que posso fazer em casa para aliviar?
Evite sabonetes perfumados, duchas vaginais e roupas apertadas (calcinhas de algodão são melhores). Use lubrificantes à base de água ou óleo de coco antes da relação sexual. Existem hidratantes vul


