O que é O que é O que é Atrofia vulvovaginal?
No meu consultório, tanto no SUS quanto em clínicas populares, atendo diariamente mulheres que chegam com uma queixa comum, mas muitas vezes escondida pela vergonha: “doutor, tem algo errado lá embaixo, arde, incomoda e a relação sexual dói demais”. Essa é a descrição clássica da atrofia vulvovaginal, uma condição provocada pela queda dos níveis de estrogênio no corpo feminino.
A atrofia vulvovaginal não é uma doença contagiosa ou um sinal de falta de higiene. Na verdade, trata-se de um fenômeno fisiológico que ocorre principalmente após a menopausa, mas que também pode surgir durante a amamentação, após cirurgias de retirada dos ovários ou com o uso de certos medicamentos. No Brasil, estudos indicam que cerca de 50 a 60% das mulheres na pós-menopausa apresentam sintomas de atrofia vulvovaginal, mas menos de 20% procuram ajuda médica por falta de informação ou por acreditarem que seja algo inevitável e sem tratamento.
Segundo dados do Ministério da Saúde e da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, a prevalência da atrofia vulvovaginal aumenta com a idade e pode afetar significativamente a qualidade de vida, trazendo dores, ressecamento, infecções urinárias repetidas e até mesmo sangramentos leves. A boa notícia é que existem opções terapêuticas acessíveis no SUS e nas farmácias populares, como cremes vaginais de estrogênio e lubrificantes, que podem aliviar os sintomas e devolver o conforto.
Como funciona / Características
Para entender a atrofia vulvovaginal, imagine a pele da vagina e da vulva como uma planta que precisa de água para se manter viçosa. O estrogênio é essa “água”: ele mantém as paredes vaginais espessas, elásticas e bem lubrificadas. Quando o hormônio cai, a mucosa vaginal fica fina, seca, menos elástica e mais irritável. É como se a pele “encolhesse” e perdesse a proteção natural.
No dia a dia da clínica, as pacientes descrevem:
- Ressecamento vaginal intenso – sensação de areia ou papel lixa dentro da vagina.
- Dor durante as relações sexuais (dispaureunia) – a queixa mais comum, que leva muitas mulheres a evitarem o sexo.
- Coceira e ardor – principalmente na vulva e na entrada da vagina.
- Infecções urinárias frequentes – a falta de lubrificação e a alteração do pH facilitam a entrada de bactérias.
- Corrimento mais espesso ou amarelado – às vezes confundido com infecção, mas é da própria atrofia.
Esses sintomas não são apenas incômodos físicos; eles afetam a autoestima e os relacionamentos. Por isso, sempre oriento que a mulher não sofra em silêncio. O tratamento é simples e pode ser feito com cremes de estrogênio tópico (que agem localmente, sem grandes riscos) ou com lubrificantes de venda livre, recomendados pela ANVISA.
Tipos e Classificações
Na prática clínica brasileira, a atrofia vulvovaginal costuma ser classificada de acordo com a intensidade dos sintomas e a causa desencadeante. As principais classificações usadas pela Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO) e pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) são:
- Leve: ressecamento leve, discreto desconforto, relações sexuais ainda possíveis com lubrificação extra.
- Moderada: ressecamento moderado, dor durante o sexo, necessidade frequente de lubrificantes, pequenas irritações.
- Grave: mucosa muito fina, sangramento após contato, dor intensa, infecções urinárias recorrentes, impossibilidade de ter relação sexual.
Quanto à causa, podemos classificar em:
- Fisiológica: pós-menopausa natural ou perimenopausa.
- Iatrogênica: induzida por medicamentos (como inibidores de aromatase, usados no câncer de mama) ou por cirurgia de retirada dos ovários.
- Transitória: durante a amamentação (hipoestrogenismo temporário) ou após o parto.
No SUS, o diagnóstico é feito pela história clínica e pelo exame ginecológico. Não há necessidade de exames caros. Basta a conversa e o exame físico para identificar a finura da mucosa, a perda de rugosidades e a palidez característica.
Quando procurar um médico
Se você está passando por qualquer um dos sinais abaixo, é hora de marcar uma consulta com um ginecologista, seja no posto de saúde perto de casa ou em uma clínica popular:
- Ressecamento vaginal que não melhora com lubrificantes comuns.
- Dor ou desconforto persistente na vulva ou vagina.
- Relações sexuais dolorosas que atrapalham a vida a dois.
- Coceira ou ardor que não passa com pomadas antimicóticas.
- Sangramento após o sexo ou após esforço (como evacuar).
- Infecções urinárias repetidas (mais de duas ao ano).
Não espere o problema se agravar. Muitas mulheres acham que é “normal” sentir dor na menopausa, mas não é. O tratamento existe e pode ser iniciado rapidamente. No SUS, você tem direito a consultas, exames e até mesmo medicamentos como creme de estriol (estrogênio local) e lubrificantes. Procure a unidade básica de saúde mais próxima e não tenha vergonha de falar sobre isso.
Termos Relacionados
- Menopausa: marco na vida da mulher que ocorre após 12 meses sem menstruação, associado à queda hormonal e ao início da atrofia.
- Climatério: período de transição que antecede e sucede a menopausa, onde os sintomas da atrofia podem começar.
- Estrogênio: hormônio feminino responsável pela manutenção da saúde vaginal; sua diminuição causa a atrofia.
- Dispaureunia: termo médico para dor durante a relação sexual, sintoma central da atrofia vulvovaginal.
- Lubrificantes vaginais: produtos de uso tópico que aliviam o ressecamento; podem ser à base de água ou silicone.
- Creme de estriol: medicamento hormonal tópico usado no tratamento da atrofia, aplicado diretamente na vagina.
- Vulva: parte externa dos genitais femininos; a atrofia afeta tanto a vulva quanto a vagina.
- Saúde da mulher: área de atenção integral que inclui o cuidado com as queixas ginecológicas na menopausa.
Perguntas Frequentes sobre O que é O que é O que é Atrofia vulvovaginal
1. Isso é normal depois dos 50 anos?
Sim, é uma consequência natural da queda hormonal. Porém, “normal” não significa que você precisa sofrer. A atrofia vulvovaginal é comum, mas tratável. Muitas mulheres melhoram completamente com o uso de lubrificantes ou cremes hormonais. Não se cale: converse com seu médico.
2. O que posso usar sem receita médica?
Você pode comprar lubrificantes vaginais à base de água ou silicone em qualquer farmácia, sem prescrição. Eles ajudam a aliviar o ressecamento durante a relação sexual. Evite produtos com perfumes ou corantes, que podem irritar mais. Cremes hidratantes vaginais (não hormonais) também são opções, mas para casos leves. Se os sintomas persistirem, consulte um ginecologista.
3. A atrofia vulvovaginal tem cura?
A condição em si não tem “cura” no sentido de reverter o processo hormonal, mas os sintomas podem ser controlados de forma eficaz. Com o tratamento adequado (cremes de estrogênio ou lubrificantes), a maioria das mulheres volta a ter conforto e qualidade de vida. O tratamento é contínuo, mas simples e seguro, principalmente quando feito com orientação médica.
4. É transmissível? Posso passar para meu parceiro?
Não. A atrofia vulvovaginal não é uma infecção nem uma doença contagiosa. É uma condição hormonal. Você não transmite para ninguém. Seu parceiro pode até notar o desconforto, mas não há risco de contágio. O que acontece é que, sem tratamento, a relação pode ser dolorosa, o que impacta o casal, mas não por transmissão.
5. A atrofia pode causar câncer?
Não. A atrofia vulvovaginal em si não causa câncer. No entanto, o sangramento anormal (principalmente após a menopausa) pode ser um sinal de outras condições, incluindo câncer de endométrio. Por isso, se você tiver sangramento, mesmo que leve, procure um médico para investigar. Mas fique tranquila: a maioria dos casos de atrofia é benigna.
6. Como o SUS trata a atrofia vulvovaginal?
O Sistema Único de Saúde oferece consultas com ginecologista, exames básicos e medicamentos do Componente Básico da Assistência Farmacêutica. O creme de estriol (estrogênio tópico) está disponível em muitas unidades, assim como lubrificantes. Procure seu posto de saúde para uma avaliação. Se houver dificuldade de acesso, as clínicas populares também oferecem atendimento a preços acessíveis. O importante é não adiar o cuidado.
Conteúdo revisado por equipe médica. Este verbete é educativo e não substitui consulta médica.


