quinta-feira, maio 28, 2026

O que é O que é Aumento da próstata

O que é o Aumento da próstata?

No meu consultório aqui na clínica popular, é muito comum um paciente chegar com aquele olhar de preocupação e dizer: “Doutor, estou acordando três, quatro vezes à noite para fazer xixi. E quando vou, o jato está fraco, demora a sair. Será que é a próstata?”. Na maioria das vezes, sim. O que chamamos popularmente de aumento da próstata é, na verdade, uma condição chamada Hiperplasia Prostática Benigna (HPB). A próstata é uma glândula do tamanho de uma noz que fica logo abaixo da bexiga, envolvendo a uretra (o cano que leva a urina para fora). Com o passar dos anos, especialmente após os 40, ela tende a crescer em muitos homens. Esse crescimento não é câncer – é benigno – mas pode apertar a uretra e dificultar a saída da urina.

Aqui no Brasil, a realidade das clínicas populares e do SUS mostra que esse é um dos motivos mais frequentes de procura por urologia entre homens acima dos 50 anos. Segundo dados do Ministério da Saúde, cerca de 50% dos homens com 60 anos apresentam algum grau de aumento da próstata, e essa porcentagem sobe para 90% após os 80 anos. Muitos pacientes só procuram ajuda quando os sintomas já estão atrapalhando o sono ou a rotina de trabalho. É importante entender que o aumento da próstata não é uma doença grave por si só, mas se não for tratado, pode levar a complicações como infecções urinárias de repetição, pedras na bexiga e até mesmo lesão nos rins.

No contexto do SUS, o diagnóstico é feito principalmente através da conversa (anamnese), do exame de toque retal (que ainda causa receio em muitos homens, mas é rápido e essencial) e do exame de sangue PSA. A ANVISA regulamenta os medicamentos usados para controlar os sintomas, como alfabloqueadores (tansulosina, doxazosina) e inibidores da 5-alfa-redutase (finasterida, dutasterida), que são fornecidos pela rede pública. A cirurgia (RTU – Ressecção Transuretral da Próstata) também é oferecida quando necessário. O importante é desmistificar: aumento da próstata é algo normal do envelhecimento masculino, mas precisa ser acompanhado.

## Como funciona / Características

O aumento da próstata começa internamente, na zona de transição da glândula. O crescimento é lento e progressivo, e muitos homens nem percebem nos primeiros anos. O problema é que, como a próstata envolve a uretra, qualquer crescimento extra comprime esse tubo, como se alguém apertasse uma mangueira. Isso gera um grupo de sintomas que chamamos de “LUTS” (Lower Urinary Tract Symptoms), ou sintomas do trato urinário inferior.

Na prática do dia a dia, os pacientes descrevem:

– **Dificuldade para começar a urinar**: a pessoa fica em frente ao vaso e a urina não sai logo, precisa fazer força.
– **Jato urinário fraco ou interrompido**: o xixi sai fino, às vezes para e depois volta.
– **Gotejamento ao final**: após urinar, ainda pinga um pouco na roupa.
– **Urgência urinária**: vontade súbita e forte de urinar, difícil de segurar.
– **Aumento da frequência urinária**: especialmente à noite (noctúria), que é um dos sintomas mais incômodos.
– **Sensação de esvaziamento incompleto**: mesmo depois de urinar, a pessoa sente que ainda tem urina na bexiga.

Esses sintomas podem variar de leves a graves. Em clínicas populares, vejo muitos pacientes que já chegam com retenção urinária aguda – não conseguem urinar por completo e precisam de sonda. Isso geralmente acontece após um descuido, como tomar muito líquido antes de dormir ou usar descongestionantes nasais, que pioram a obstrução.

É importante lembrar que os sintomas não são proporcionais ao tamanho da próstata: um paciente com próstata muito aumentada pode ter sintomas leves, e outro com aumento discreto pode sofrer bastante. Por isso, avaliamos cada caso individualmente.

## Tipos e Classificações

Embora o termo popular seja aumento da próstata, na prática clínica precisamos diferenciar as causas. As principais são:

– **Hiperplasia Prostática Benigna (HPB)**: é o crescimento não canceroso das células da próstata, dependente de hormônios masculinos (testosterona e di-hidrotestosterona). É a causa mais comum e não aumenta o risco de câncer.
– **Prostatite**: inflamação ou infecção da próstata, que pode causar aumento temporário e sintomas parecidos, mas geralmente com dor ou febre.
– **Câncer de próstata**: em estágios iniciais, o câncer pode não causar sintomas; mas quando cresce, pode obstruir a uretra. É fundamental rastrear com PSA e toque retal.

No Brasil, os urologistas classificam a gravidade dos sintomas da HPB usando o **Escore Internacional de Sintomas Prostáticos (IPSS)**. É um questionário de 7 perguntas que o paciente responde (como “Com que frequência você teve a sensação de não esvaziar completamente a bexiga?”). A pontuação classifica:

– 0 a 7: sintomas leves
– 8 a 19: moderados
– 20 a 35: graves

Além disso, o tamanho da próstata é medido por ultrassonografia (via abdominal ou transretal). O volume normal é em torno de 20-30 gramas. Acima de 40g já é considerado aumento significativo. Essa classificação ajuda a decidir o tratamento: casos leves podem usar apenas mudanças de hábitos; moderados, medicação; graves, cirurgia.

Vale ressaltar que, no SUS, o estadiamento é feito com exames acessíveis (ultrassom, PSA, toque retal) e a cirurgia de RTU é o padrão ouro para próstatas até 80g. Para próstatas maiores, pode ser indicada prostatectomia a laser ou aberta, dependendo da disponibilidade local.

## Quando procurar um médico

Muitos homens acham que “é normal” urinar várias vezes à noite ou ter jato fraco após os 50 anos. E realmente, certo grau de aumento da próstata é fisiológico, mas quando os sintomas começam a interferir na qualidade de vida, é hora de buscar ajuda. Procure um médico (clínico geral, médico de família ou urologista) se você apresentar:

– **Urinar mais de 2 vezes por noite** de forma regular.
– **Jato urinário muito fraco** a ponto de demorar mais de 30 segundos para esvaziar a bexiga.
– **Necessidade de fazer força** para urinar.
– **Vontade urgente e incontrolável de urinar** que atrapalha o trabalho ou a vida social.
– **Sangue na urina** (hematúria) – mesmo que só uma vez.
– **Infecções urinárias frequentes** (ardência, febre).
– **Incapacidade total de urinar** (retenção urinária aguda) – isso é emergência médica, vá ao pronto-socorro.

No SUS, o primeiro passo é marcar uma consulta na UBS (Unidade Básica de Saúde) com o clínico geral. Ele vai fazer a anamnese, o toque retal e solicitar exames de sangue (PSA, creatinina) e urina. Se houver suspeita de câncer ou necessidade de especialista, o paciente é encaminhado ao urologista via regulação. Em clínicas populares, o atendimento é mais rápido, e muitos pacientes já chegam com exames prontos.

Não adie a consulta por vergonha. O exame de toque retal dura menos de 30 segundos e é fundamental para excluir nódulos suspeitos. A maioria dos casos de aumento da próstata é benigna, e o tratamento pode aliviar os sintomas rapidamente.

## Termos Relacionados

  • PSA (Antígeno Prostático Específico) – Exame de sangue que mede uma proteína produzida pela próstata. Valores elevados podem indicar HPB, prostatite ou câncer. É usado no rastreamento e no acompanhamento.
  • Toque retal – Exame físico em que o médico insere um dedo lubrificado no reto para avaliar o tamanho, consistência e presença de nódulos na próstata. Essencial para diagnóstico diferencial.
  • Noctúria – A necessidade de acordar para urinar durante a noite. Um dos sintomas mais comuns e incômodos do aumento da próstata.
  • Jato urinário fraco – Diminuição da força do fluxo de urina, que pode ser medida por exames como a urofluxometria.
  • Retenção urinária aguda – Incapacidade súbita de urinar, geralmente dolorosa. Requer passagem de sonda vesical de emergência.
  • Incontinência urinária de urgência – Perda involuntária de urina após uma vontade súbita e forte, comum quando a bexiga fica irritada pela obstrução.
  • Bexiga neurogênica – Disfunção da bexiga causada por problemas neurológicos (como diabetes ou AVC), que pode simular sintomas de próstata. Diagnóstico diferencial importante.
  • Ressecção Transuretral da Próstata (RTU) – Cirurgia minimamente invasiva em que se remove o excesso de tecido prostático através da uretra. É o tratamento cirúrgico mais comum no SUS para HPB.

## Perguntas Frequentes sobre o Aumento da próstata

O aumento da próstata pode virar câncer?

Não, a Hiperplasia Prostática Benigna não é câncer e não se transforma em câncer. São doenças diferentes, embora possam coexistir no mesmo homem. Por isso, mesmo com diagnóstico de HPB, é importante fazer o rastreamento do câncer de próstata com PSA e toque retal anualmente após os 50 anos (ou 45 para negros e quem tem histórico familiar).

O que causa o aumento da próstata?

A principal causa é o envelhecimento e a influência dos hormônios masculinos, especialmente a di-hidrotestosterona (DHT). Com o passar dos anos, a próstata vai crescendo de forma benigna. Fatores como obesidade, sedentarismo, diabetes e doenças cardiovasculares podem piorar os sintomas, mas não causam diretamente o crescimento.

Preciso parar de beber água à noite para não urinar tanto?

Não. É importante se manter hidratado. O que recomendamos é reduzir a ingestão de líquidos nas 2-3 horas antes de dormir e evitar bebidas que irritam a bexiga, como café, chá preto, álcool e refrigerantes com cafeína. Isso pode aliviar a noctúria sem desidratar.

O aumento da próstata atrapalha a atividade sexual?

Pode atrapalhar indiretamente. Os sintomas urinários podem causar desconforto e ansiedade, o que prejudica o desejo e a ereção. Além disso, alguns medicamentos usados no tratamento (como finasterida) podem reduzir a libido ou causar disfunção erétil em uma minoria dos pacientes. Converse com seu médico – existem alternativas e ajustes de dose.

O exame de toque retal é obrigatório?

Não existe obrigatoriedade legal, mas é um exame clínico de extrema importância. Ele permite ao médico palpar a próstata, sentir sua consistência e detectar nódulos suspeitos que o PSA pode não mostrar. O toque dura segundos e, embora cause constrangimento, é um procedimento seguro e indolor quando feito por profissional capacitado. Não tenha vergonha – sua saúde vale mais.

Tenho sintomas leves, posso esperar mais um tempo para procurar o médico?

Sim, se os sintomas são leves (IPSS até 7) e não atrapalham sua vida, você pode adotar mudanças no estilo de vida (perder peso, praticar exercícios, evitar café à noite) e reavaliar em 6 meses. Mas é


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