quarta-feira, junho 17, 2026

O que é O que é Avc isquêmico

O que é O que é O que é Avc isquêmico?

O AVC isquêmico (Acidente Vascular Cerebral isquêmico) é o tipo mais comum de derrame, responsável por cerca de 85% de todos os casos no Brasil. Ele ocorre quando um coágulo ou uma placa de gordura bloqueia uma artéria que leva sangue ao cérebro, interrompendo o oxigênio e nutrientes para as células nervosas. Sem esse suprimento, os neurônios começam a morrer em minutos – por isso dizemos que tempo é cérebro. No dia a dia da clínica popular, muitas pessoas chegam com sintomas como perda de força de um braço, boca torta ou dificuldade para falar. Muitas vezes confundem com cansaço ou “mau jeito”, mas eu sempre reforço: qualquer alteração súbita precisa ser levada a sério.

De acordo com o Ministério da Saúde, o AVC é a primeira causa de morte e incapacidade no Brasil, com cerca de 100 mil óbitos por ano. Dados da Pesquisa Nacional de Saúde (IBGE, 2019) mostram que aproximadamente 1,6% dos adultos brasileiros já sofreram um AVC, sendo mais comum em negros, pessoas com baixa escolaridade e regiões Norte e Nordeste. Na prática do SUS, atendemos muitos pacientes hipertensos e diabéticos que não fazem controle adequado – e é justamente aí que o risco aumenta.

No contexto do SUS, o AVC isquêmico é uma emergência médica que deve ser tratada em unidades com suporte neurológico. Desde 2012, o Ministério da Saúde criou a Rede de Atenção às Doenças Cerebrovasculares (AVC), que organiza o fluxo de atendimento, desde as Unidades Básicas de Saúde até os hospitais com leitos de UTI. O Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) do AVC do SUS estabelece o uso do trombolítico (alteplase) dentro da janela de 4h30min e da trombectomia mecânica em centros de referência. Infelizmente, muitos pacientes chegam tarde, por falta de informação. Por isso, conhecer os sinais de alerta é essencial.

Como funciona / Características

Imagine que o cérebro é um motor que precisa de combustível (oxigênio e glicose) vindo do sangue. Quando uma artéria entope – por um coágulo que veio do coração (embolia) ou por uma placa de gordura que cresceu ali mesmo (trombose) – a região irrigada por ela fica sem energia. As células começam a falhar e, se não houver fluxo em até algumas horas, morrem de vez. É por isso que cada minuto perdido pode custar cerca de 1,9 milhão de neurônios.

No consultório, vejo casos clássicos: um senhor de 60 anos, hipertenso, que acordou com o braço esquerdo pesado e a boca torta. A esposa achou que era “derrame” e o levou ao posto – mas perdeu três horas. Quando chegam ao hospital, a janela de 4h30min já está apertada. Outra situação comum: uma senhora com fibrilação atrial (arritmia) que deixa de tomar anticoagulante “porque o estômago ficou ruim”. Ela tem um coágulo que viaja até o cérebro e causa um AVC cardioembólico. A prevenção é o melhor remédio, mas a realidade mostra que muitos só buscam ajuda depois do acontecido.

O diagnóstico inicial é clínico: o médico avalia os sinais de déficit neurológico focal (fraqueza de um lado, desvio da comissura labial, dificuldade para falar). No SUS, usamos a Escala de NIHSS (National Institutes of Health Stroke Scale) para medir a gravidade. Depois, fazemos uma tomografia computadorizada de crânio para descartar sangramento (AVC hemorrágico) e decidir se o tratamento com trombolítico pode ser iniciado. O tempo ideal é de até 60 minutos da chegada ao hospital – o chamado tempo porta-agulha.

Tipos e Classificações

Os AVCs isquêmicos são classificados de acordo com a causa e o local da obstrução. A classificação mais usada internacionalmente e adaptada no Brasil é a TOAST (Trial of Org 10172 in Acute Stroke Treatment), que divide em cinco grandes grupos:

  • 1. Aterosclerose de grandes artérias: placas de gordura nas carótidas ou vertebrais, comuns em idosos com colesterol alto.
  • 2. Cardioembólico: coágulos que vêm do coração, principalmente por fibrilação atrial, próteses valvares ou infarto recente.
  • 3. Lacunar (pequenos vasos): lesões pequenas e profundas, típicas de hipertensão mal controlada – muitos pacientes nem percebem, mas acumulam danos.
  • 4. Outras causas determinadas: como dissecção de artéria, doenças autoimunes (lúpus), uso de cocaína ou anfetaminas, trombofilias.
  • 5. Indeterminada (criptogênico): quando não achamos a causa depois de todos os exames – comum em jovens.

No dia a dia do SUS, a maioria é do tipo lacunar (relacionado à hipertensão) e cardioembólico (em pacientes com fibrilação atrial). A classificação orienta o tratamento: se for cardioembólico, além do trombolítico agudo, iniciamos anticoagulante; se for aterosclerótico, usamos antiagregantes (AAS) e estatina.

Quando procurar um médico

Qualquer sinal súbito de alteração neurológica deve ser tratado como emergência. Você não precisa ter todos os sintomas. O importante é lembrar do teste rápido SAMU (Sorriso, Abraço, Música, Urgência):

  • Sorriso: peça para a pessoa sorrir – um lado do rosto fica torto?
  • Abraço: peça para levantar os dois braços – um cai?
  • Música: peça para falar uma frase simples – a fala sai enrolada ou estranha?
  • Urgência: se qualquer sinal aparecer, ligue 192 (SAMU) ou vá imediatamente ao pronto-socorro. Não dê remédios, não espere melhorar, não deixe a pessoa dormir.

Outros sinais de alerta: dor de cabeça muito forte e súbita (em trovoada), tontura com desequilíbrio, visão dupla ou perda de visão em um olho, confusão mental. Em clínicas populares, é comum o paciente vir com queixa de “desmaio recente” – sempre investigo se houve déficit neurológico posterior. Se a pessoa teve um AIT (Ataque Isquêmico Transitório), aqueles sintomas que somem sozinhos em minutos, ela precisa ser avaliada com urgência, pois é um alerta de que um AVC maior está a caminho.

No SUS, o atendimento inicial pode ser feito em qualquer unidade de saúde 24h (UPAs), que deve encaminhar rapidamente para um hospital com neurologista e tomografia. Se você estiver longe do hospital, a orientação é ligar para o 192 – o SAMU tem protocolo de AVC e pode até iniciar o tratamento pré-hospitalar em alguns municípios. Não perca tempo com consultas ambulatoriais ou exames de rotina: é uma corrida contra o relógio.

Termos Relacionados

  • Ataque Isquêmico Transitório (AIT) – “mini-AVC”; sintomas neurológicos que desaparecem em menos de 24 horas. É um forte sinal de risco e exige investigação urgente.
  • AVC hemorrágico – derrame causado por rompimento de um vaso. É menos comum (15%) mas mais grave. O tratamento é diferente: cirurgia ou controle da pressão.
  • Trombolítico (alteplase) – medicamento “dissolvedor de coágulos” usado no AVC isquêmico dentro da janela de 4h30min. No SUS, está disponível em hospitais de referência.
  • Trombectomia mecânica – procedimento no qual um cateter retira o coágulo mecanicamente. Indicado para grandes artérias até 6 horas (e até 24 horas em casos selecionados).
  • Fibrilação atrial (FA) – arritmia cardíaca comum em idosos, que forma coágulos no coração. Principal causa de AVC cardioembólico. Prevenção com anticoagulantes (varfarina, rivaroxabana etc.) pelo SUS.
  • Hipertensão arterial sistêmica (HAS) – pressão alta. É o principal fator de risco para AVC, especialmente o lacunar. O SUS oferece tratamento gratuito com anti-hipertensivos (captopril, losartana, hidroclorotiazida).
  • Escala de NIHSS – teste usado por médicos para medir a gravidade do AVC. Vai de 0 a 42. Quanto maior, pior o prognóstico.
  • Rede de Atenção ao AVC (MS) – sistema de saúde que organiza desde a prevenção na UBS até o atendimento de emergência e reabilitação. Saiba mais: Portal do Ministério da Saúde – AVC.

Perguntas Frequentes sobre O que é O que é Avc isquêmico

AVC isquêmico tem cura?

Sim, depende do tempo e da extensão. Se o paciente chega dentro da janela de 4h30min e recebe o trombolítico, muitos recuperam função quase completamente. Para lesões maiores, o objetivo é estabilizar, evitar que piore e reabilitar. A reabilitação (fonoaudiologia, fisioterapia, terapia ocupacional) é essencial e também oferecida pelo SUS. Não existe “voltar a ser exatamente como antes” em todos os casos