quarta-feira, junho 3, 2026

O que é O que é Avc trombótico

O que é AVC trombótico?

O AVC trombótico é o tipo mais comum de acidente vascular cerebral (derrame) e acontece quando um coágulo de sangue (trombo) se forma dentro de uma artéria que leva sangue ao cérebro, bloqueando a passagem de oxigênio e nutrientes. No meu dia a dia de consulta, tanto no SUS quanto em clínicas populares de Fortaleza, vejo que muitos pacientes chegam com dúvidas sobre o que é um “derrame” e como diferenciar os tipos. O AVC trombótico geralmente está associado à aterosclerose – aquelas placas de gordura que vão se acumulando nos vasos ao longo dos anos, principalmente em pessoas com hipertensão, diabetes e colesterol alto.

No Brasil, o AVC é uma das principais causas de morte e incapacidade. Segundo dados do Ministério da Saúde, ocorrem cerca de 200 mil casos por ano, e o AVC isquêmico (que inclui o trombótico) representa aproximadamente 85% de todos os derrames. É um problema de saúde pública que sobrecarrega o SUS, mas que pode ser prevenido com controle dos fatores de risco e acompanhamento médico regular. Na prática clínica, percebo que a falta de informação ainda é o maior obstáculo: muitos pacientes só reconhecem os sintomas quando o quadro já está avançado.

Chamo a atenção para um detalhe importante: o AVC trombótico é diferente do AVC embólico (quando o coágulo vem de outra parte do corpo, como o coração) e do AVC hemorrágico (quando um vaso se rompe). Saber disso ajuda a entender o tratamento – enquanto no trombótico o objetivo é dissolver ou remover o coágulo, no hemorrágico a prioridade é estancar o sangramento. Para o paciente leigo, o fundamental é reconhecer os sinais de alerta e buscar ajuda o mais rápido possível, preferencialmente pelo SAMU (192) ou indo direto a uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA).

Como funciona / Características

Imagine as artérias do cérebro como canos por onde a água precisa passar sem parar. Se um cano entope, a água para de chegar e, com o tempo, a região que depende dela vai secar e morrer. No AVC trombótico, esse entupimento ocorre por um coágulo que se forma no próprio local, geralmente em artérias já comprometidas pela aterosclerose. O processo não é instantâneo; muitas vezes a placa de gordura vai crescendo devagar, até que um dia ela se rompe e desencadeia a formação do trombo.

Em termos práticos, o paciente começa a sentir sintomas de forma súbita: fraqueza ou dormência em um lado do corpo, dificuldade para falar, boca torta, perda súbita de visão em um olho, tontura intensa, dor de cabeça forte e sem causa aparente, ou dificuldade para andar. Na clínica, vejo que muitos idosos chegam contando que “a perna ficou pesada” ou “a mão não obedecia” – e isso é o déficit neurológico focal. O tempo é o maior inimigo: a cada minuto sem tratamento, cerca de 1,9 milhão de neurônios podem morrer.

O tratamento no SUS segue o Protocolo de AVC Agudo, que inclui a realização de uma tomografia computadorizada de crânio para descartar hemorragia e, se possível, a administração do medicamento trombolítico (alteplase) em até 4h30 do início dos sintomas. Nas clínicas populares, infelizmente, muitos pacientes chegam após esse janela, o que limita as opções. Por isso, reforço sempre: ao menor sinal, ligue para o SAMU ou vá imediatamente a um pronto-socorro. O CFM (Conselho Federal de Medicina) e a ANVISA regulamentam os protocolos e a segurança dos medicamentos usados.

Tipos e Classificações

Na prática clínica brasileira, o AVC trombótico é classificado de acordo com a localização e o mecanismo. Uma das classificações mais usadas é a classificação de TOAST, que divide os AVCs isquêmicos em subtipos:

  • Aterotrombótico (grande artéria): o coágulo se forma em uma artéria de grande calibre, como a carótida ou a artéria cerebral média. É o mais comum em pacientes com aterosclerose avançada.
  • Lacunar (pequena artéria): ocorre em pequenos vasos profundos do cérebro, geralmente em pessoas com hipertensão mal controlada. O coágulo é micro e a lesão é pequena, mas pode se repetir.
  • Cardioembólico: embora não seja trombótico “puro”, muitas vezes se confunde. O coágulo vem do coração (ex.: fibrilação atrial) e entope uma artéria cerebral. No dia a dia, incluímos na suspeita inicial.
  • De causa indeterminada: quando não se identifica a origem exata, situação comum em clínicas com menos recursos.

Além disso, no SUS os médicos utilizam a avaliação clínica e exames de imagem (tomografia e ressonância) para localizar a região afetada. Uma classificação prática que ensino aos pacientes é: “AVC trombótico é quando o vaso entope por dentro, por uma ‘gordura’ que vira coágulo, e não por algo que veio de fora”. Isso ajuda a entender porque o tratamento foca em dissolver o coágulo e prevenir novos.

Quando procurar um médico

Sempre que houver qualquer sinal súbito de alteração neurológica, deve-se procurar atendimento médico de emergência. Eu costumo ensinar o “SAMU” como mnemônico:

  • S – Sorriso: Peça para a pessoa sorrir. Um lado do rosto fica torto, não consegue?
  • A – Abraço: Peça para levantar os dois braços. Um não sobe ou cai?
  • M – Música: Peça para cantar uma música ou repetir uma frase. A fala está estranha, arrastada?
  • U – Urgência: Qualquer um desses sinais? Ligue 192 (SAMU) ou vá ao pronto-socorro imediatamente.

Além desses, outros alertas incluem: dor de cabeça muito forte e repentina (pior da vida), tontura com desequilíbrio, perda de visão de um olho (amaurose fugaz) e confusão mental súbita. Nunca espere os sintomas passarem. Muitas vezes o paciente acha que é cansaço ou labirintite e perde tempo precioso.

Oriento também que quem tem pressão alta, diabetes, colesterol alto, obesidade ou tabagismo deve fazer acompanhamento médico regular, mesmo sem sintomas. O AVC trombótico pode ser prevenido com controle rigoroso desses fatores, uso de medicamentos (anti-hipertensivos, estatinas, antiagregantes) e mudanças no estilo de vida.

Termos Relacionados

  • Aterosclerose: Doença em que placas de gordura se acumulam nas artérias, estreitando-as e facilitando a formação de coágulos. É a principal causa do AVC trombótico.
  • Trombo: Coágulo de sangue que se forma dentro de um vaso, podendo obstruir o fluxo e causar o AVC.
  • Isquemia cerebral: Falta de oxigênio em uma região do cérebro devido à obstrução do fluxo sanguíneo. O AVC trombótico é um tipo de isquemia.
  • Hipertensão arterial sistêmica (HAS): Pressão alta, o principal fator de risco modificável para todos os tipos de AVC, inclusive o trombótico.
  • Diabetes mellitus: Doença do açúcar no sangue que danifica os vasos e aumenta o risco de aterosclerose e coágulos.
  • Fibrilhação atrial: Arritmia cardíaca que pode gerar coágulos no coração, os quais viajam até o cérebro (AVC cardioembólico), mas que também pode coexistir com o trombótico.
  • Trombolítico (alteplase): Medicamento “dissolvedor de coágulos” usado no AVC isquêmico agudo, dentro da janela de até 4h30. Disponível no SUS em hospitais de referência.
  • AVC hemorrágico: Derrame causado por ruptura de um vaso sanguíneo. É menos comum, mas mais letal. Difere do trombótico porque não há coágulo obstruindo, e sim sangramento.

Perguntas Frequentes sobre AVC trombótico

Qual a diferença entre AVC trombótico e AVC embólico?

No AVC trombótico, o coágulo (trombo) se forma exatamente no local do entupimento, geralmente em uma artéria já doente por aterosclerose. No AVC embólico, o coágulo (êmbolo) se forma em outro lugar do corpo, como no coração (devido a fibrilação atrial) ou em grandes artérias, e viaja pela corrente sanguínea até entupir uma artéria cerebral. Ambos são isquêmicos, mas a causa e o tratamento podem ser diferentes – no embólico, anticoagulantes são frequentes.

O AVC trombótico tem cura?

Sim, quando tratado a tempo. O objetivo é restabelecer o fluxo sanguíneo e minimizar a lesão cerebral. Com o tratamento adequado (trombolítico ou trombectomia mecânica), muitos pacientes se recuperam bem. Mesmo nos casos em que há sequelas, a reabilitação com fisioterapia, fonoaudiologia e terapia ocupacional pode trazer grandes melhorias. No SUS, existem centros de reabilitação e programas de acompanhamento. O mais importante é o tratamento precoce e a prevenção de novos eventos.

Quem tem mais risco de ter um AVC trombótico?

Pessoas com hipertensão, diabetes, colesterol alto, tabagistas, obesos, sedentários e com histórico familiar de AVC. A idade também é um fator: a partir dos 55 anos o risco aumenta. No Brasil, a população negra e parda tem maior prevalência de hipertensão e diabetes, o que eleva o risco. Por isso, ações de prevenção nas clínicas populares e no SUS são fundamentais.

O AVC trombótico é hereditário?

Não é diretamente hereditário, mas a predisposição genética para hipertensão, diabetes e colesterol alto pode ser passada de pais para filhos. Se seus pais tiveram AVC ou doenças cardiovasculares, você deve ter mais cuidado com os fatores de risco. O estilo de vida e o acompanhamento médico regular são as melhores formas de prevenção.

É verdade que o AVC só dá em idosos?

Não. Embora a maioria dos casos ocorra em pessoas acima de 60 anos, o AVC trombótico também pode acontecer em jovens, especialmente quando há fatores de risco como uso de drogas ilícitas (cocaína, anfetaminas), anticoncepcionais orais combinados, obesidade severa, doenças autoimunes ou alterações na coagulação. Já atendi pacientes de 30 e 40 anos com AVC. A prevenção deve começar cedo.

Como prevenir um AVC trombótico?

Controlando a pressão arterial (mantendo abaixo de 140/90 mmHg, idealmente <130 80="" a="" acordo="" com="" meta="" personalizada="" pode="" ser="" mais="" rigorosa="" e="" diabetes="" glicemia="" em="" jejum="" abaixo="" 100="" mg="" dl="" colesterol="" le="" e="" tabagismo="" fazendo="" atividade="" física="" regular="" va="" minutos="" na="" semana="" moderada="" alimentação="" rica="" vegetais="" frutas="" pobre="" gorduras="" saturadas="" sódio="" evitando="" uso="" excessivo="" de="" álcool="" realizando="" exames="" periódicos="" sus="" oferece="" acompanhamento="" nas="" unidades="" básicas="" saúde="" ubs="" onde="" se="" pode="" medir="" pegar="" medicamentos="" gratuitamente="">

O AVC trombótico pode voltar?

Sim, o risco de um novo AVC trombótico é maior depois do primeiro evento. Por isso, após o tratamento agudo, é fundamental manter o acompanhamento com neurologista, clínico geral ou da família no SUS, tomar corretamente os medicamentos de prevenção secundária (antiagregantes como AAS, estatinas, anti-hipertensivos) e adotar hábitos saudáveis. Existem até programas de reabilitação que incluem orientação alimentar e exercícios supervisionados.

Conteúdo revisado por equ