Ver o filho reclamando de dor nas pernas ou demorando mais que outras crianças para dar os primeiros passos pode causar uma angústia enorme em qualquer mãe ou pai. É normal se perguntar se é apenas uma fase do crescimento ou se há algo mais sério por trás. O raquitismo é uma dessas condições que, apesar de muitas vezes silenciosa no início, pode deixar marcas para a vida toda se não for identificada a tempo.
O que muitos não sabem é que essa doença, ligada diretamente à deficiência de nutrientes essenciais, ainda é uma realidade em pleno século XXI. Ela afeta o desenvolvimento ósseo das crianças, tornando os ossos frágeis e maleáveis. Na prática, um simples déficit pode alterar todo o futuro esquelético de uma criança.
O que é raquitismo — além da definição médica
Mais do que um termo técnico, o raquitismo representa uma falha no processo mais básico de construção do corpo durante a infância. Ele ocorre quando há uma mineralização inadequada da matriz óssea, ou seja, os ossos em crescimento não recebem cálcio e fósforo na quantidade necessária para ficarem firmes e resistentes. O resultado são ossos que amolecem, dobram e se deformam sob o peso do próprio corpo.
É mais comum do que se imagina, especialmente em regiões com pouca incidência solar ou em crianças com dietas muito restritivas. Uma leitora de 32 anos nos perguntou, preocupada, se o fato de seu filho de 18 meses não gostar de leite poderia levar a isso. Essa é exatamente a dúvida que motiva a busca por informação qualificada.
Raquitismo é normal ou preocupante?
É fundamental deixar claro: o raquitismo não é uma variação normal do crescimento. É uma doença nutricional e metabólica que exige diagnóstico e intervenção médica. Enquanto algumas crianças podem ter pernas ligeiramente arqueadas nos primeiros anos de vida, que se corrigem naturalmente (fisiológico), o raquitismo provoca um arqueamento progressivo, doloroso e associado a outros sintomas.
A linha entre a preocupação excessiva e a negligência pode ser tênue. O acompanhamento regular com o pediatra ou endocrinologista é a melhor forma de monitorar se o desenvolvimento ósseo está dentro do esperado.
Raquitismo pode indicar algo grave?
Sim, em muitos casos. O raquitismo é, por si só, um sinal de que há uma deficiência nutricional séria ou um problema de saúde de base. A deficiência de vitamina D, sua causa mais frequente, está associada a um maior risco de infecções e doenças autoimunes. Além disso, o raquitismo pode ser a ponta do iceberg de condições como doenças renais crônicas, distúrbios hepáticos ou má absorção intestinal, como na doença celíaca.
Deformidades ósseas severas, como tórax de pombo (protuberância no osso do peito) ou curvaturas graves na coluna, podem causar problemas respiratórios e limitações físicas permanentes. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o raquitismo continua sendo um importante problema de saúde pública que afeta o desenvolvimento infantil em muitos países.
Causas mais comuns
O raquitismo surge de uma combinação complexa entre nutrição, exposição solar e saúde geral. As causas se dividem em alguns grupos principais:
Deficiência de vitamina D (Raquitismo Nutricional)
É de longe a causa mais comum. A vitamina D é essencial para que o corpo absorva o cálcio dos alimentos. Sem ela, o cálcio não chega aos ossos. Essa deficiência pode vir de:
• Pouca exposição solar: A pele produz vitamina D quando exposta ao sol. Crianças que ficam muito em ambientes fechados ou usam protetor solar em excesso sem compensação na dieta estão em risco.
• Dieta insuficiente: Leite materno é pobre em vitamina D. Bebês amamentados exclusivamente, sem suplementação, podem desenvolver a doença. Dietas veganas restritas na infância também exigem atenção redobrada.
Deficiência de cálcio ou fósforo
Às vezes, a vitamina D está normal, mas a ingestão desses minerais é muito baixa. Pode acontecer em casos de desnutrição ou em dietas extremamente atípicas.
Raquitismo Hereditário ou Renal
Formas mais raras, onde o problema está na incapacidade dos rins de reter fósforo ou em erros genéticos que afetam o metabolismo da vitamina D. Nesses casos, mesmo com sol e boa alimentação, a doença se manifesta.
Sintomas associados
Os sinais do raquitismo vão muito além dos ossos “fracos”. Eles evoluem gradualmente e merecem observação atenta:
• Dor e sensibilidade óssea: A criança pode chorar ao ser carregada ou relutar a andar. A dor é frequentemente sentida nas pernas, coluna e quadris.
• Atraso no desenvolvimento motor: Demora para sentar, engatinhar, ficar em pé e andar. A fraqueza muscular (hipotonia) é um marcador importante.
• Deformidades ósseas visíveis: Pernas arqueadas (geno varo) ou em “X” (geno valgo), pulsos e tornozelos alargados, protuberância no osso do peito (tórax de pombo), crânio com fontanelas (moleiras) que demoram a fechar.
• Problemas dentários: Atraso na erupção dos dentes, esmalte dental fraco e maior risco de cáries.
• Irritabilidade e cansaço: A criança pode ficar mais chorosa e menos ativa que o normal.
Caso note sintomas como vômitos persistentes junto a esses sinais, é válido entender que a CID R11 pode ajudar a classificar esse sintoma durante a consulta médica.
Como é feito o diagnóstico
O pediatra suspeita do raquitismo ao unir a observação dos sintomas com o histórico da criança (dieta, exposição solar, prematuridade). Para confirmar, são essenciais:
1. Exames de sangue: Avaliam os níveis de vitamina D (25-hidroxivitamina D), cálcio, fósforo e de uma enzima chamada fosfatase alcalina (que costuma estar muito elevada no raquitismo).
2. Radiografias (Raio-X) dos ossos longos: Principalmente do punho e joelho. As imagens mostram características típicas, como alargamento das extremidades dos ossos (metáfises) e perda da definição entre osso e cartilagem.
O diagnóstico preciso é crucial para diferenciar o raquitismo nutricional de suas formas hereditárias, que exigem manejo diferente. Para investigações mais complexas, exames como a colonoscopia não são usados, mas servem para descartar doenças de má absorção intestinal que podem simular o quadro.
Tratamentos disponíveis
O tratamento do raquitismo é eficaz e baseia-se na reposição do que está faltando. O plano é sempre individualizado pelo médico:
• Suplementação de vitamina D: A forma mais comum de tratamento. Doses terapêuticas (maiores que as preventivas) são administradas por algumas semanas ou meses, seguidas de uma dose de manutenção. A exposição solar segura também é incentivada.
• Suplementação de cálcio e/ou fósforo: Quando os níveis desses minerais também estão baixos, sua reposição é feita em paralelo.
• Correção da dieta: Orientação nutricional para incluir fontes de vitamina D (peixes gordurosos, gema de ovo, alimentos fortificados) e cálcio (leite e derivados, vegetais verde-escuros).
• Tratamento da causa de base: Se o raquitismo for secundário a uma doença renal, hepática ou genética, o foco será controlar essa condição primária, muitas vezes com acompanhamento de um especialista e, em raros casos, até intervenções cirúrgicas específicas.
• Fisioterapia: Auxilia no fortalecimento muscular e na correção postural, ajudando a criança a recuperar o desenvolvimento motor.
O que NÃO fazer
• NÃO automedique seu filho com suplementos de vitamina D por conta própria. O excesso (hipervitaminose D) é tóxico e pode causar sérios danos aos rins.
• NÃO ignore os sinais iniciais, pensando que “vai passar com o tempo”. As deformidades ósseas podem se tornar irreversíveis.
• NÃO exponha bebês muito pequenos ao sol direto sem proteção para “tratar” a doença. O risco de queimaduras e câncer de pele é real. A suplementação oral é o método seguro e controlado.
• NÃO substitua o leite materno ou fórmula infantil por “leites” vegetais não formulados para bebês. Eles são pobres em nutrientes essenciais e são um fator de risco conhecido para o raquitismo.
Se os sintomas persistem ou estão piorando, você pode estar ignorando um problema mais sério. Uma avaliação médica rápida pode evitar complicações.
Perguntas frequentes sobre raquitismo
Raquitismo tem cura?
Sim, na grande maioria dos casos, especialmente os causados por deficiência nutricional, o raquitismo tem cura completa com o tratamento adequado. Os ossos se remineralizam e as dores desaparecem. Algumas deformidades mais leves podem se corrigir com o crescimento, enquanto as mais severas podem deixar sequelas.
Adultos podem ter raquitismo?
Em adultos, a mesma deficiência de mineralização óssea é chamada de osteomalácia. Os sintomas são similares (dor óssea difusa, fraqueza muscular, maior risco de fraturas), mas como os ossos já pararam de crescer, não há deformidades como pernas arqueadas. A causa também é geralmente a falta de vitamina D.
Como prevenir o raquitismo no meu filho?
A prevenção é baseada em três pilares: suplementação de vitamina D conforme orientação do pediatra (geralmente desde os primeiros dias de vida), exposição solar segura (poucos minutos por dia, fora do horário de pico) e uma dieta rica em cálcio quando a criança iniciar a alimentação complementar.
Leite materno causa raquitismo?
Não, o leite materno é o alimento ideal para o bebê. No entanto, ele é naturalmente pobre em vitamina D. Por isso, a Sociedade Brasileira de Pediatria e o Ministério da Saúde recomendam a suplementação de vitamina D para todos os bebês amamentados ao peito, desde a primeira semana de vida.
Raquitismo deixa a criança com deficiência intelectual?
O raquitismo em si não causa deficiência intelectual. No entanto, a deficiência grave de vitamina D e cálcio, se ocorrer em uma fase crítica do desenvolvimento, pode estar associada a atrasos. É uma condição diferente de outras, como a disritmia cerebral, que afeta diretamente a atividade elétrica do cérebro.
Quanto tempo leva para ver melhora com o tratamento?
A melhora da dor e da irritabilidade pode ocorrer em algumas semanas. Já as alterações nos exames de sangue (fosfatase alcalina) e nas radiografias levam alguns meses para normalizar. O acompanhamento médico é contínuo durante todo esse período.
Alergia ao leite de vaca pode levar a raquitismo?
Pode ser um fator de risco se a dieta de substituição não for bem planejada. Crianças com alergia à proteína do leite de vaca que não consomem fórmulas especiais adequadas ou não têm uma dieta rica em outras fontes de cálcio e vitamina D podem desenvolver deficiências.
O raquitismo é contagioso?
Absolutamente não. O raquitismo não é uma doença infecciosa. É um distúrbio nutricional ou metabólico, portanto, não há risco de transmissão entre crianças que convivem juntas.
Revisão médica: Conteúdo revisado por profissional de saúde (CRM ativo).
Última atualização: Abril de 2026
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a consulta médica. Procure sempre um profissional de saúde para diagnóstico e tratamento adequados.
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