quarta-feira, julho 8, 2026

O Que e Saco Lacrimal






O Que é Saco Lacrimal: Funções, Doenças e Tratamentos


Dado importante

No Brasil, estima-se que até 6% dos recém-nascidos apresentem obstrução congênita do ducto lacrimal, e cerca de 30% dos adultos acima de 60 anos desenvolvem algum grau de disfunção do sistema lacrimal, segundo dados do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (2025). A dacriocistite é a complicação infecciosa mais frequente, respondendo por milhares de consultas ambulatoriais anualmente.

Você já percebeu o olho lacrimejando sem motivo aparente, principalmente ao vento ou ao ar livre? E aquele inchaço no canto interno do olho, perto do nariz? Esses incômodos podem estar relacionados ao saco lacrimal, uma pequena estrutura que faz parte do sistema de drenagem das lágrimas. Neste artigo completo, explicamos o que é o saco lacrimal, suas funções, as doenças mais comuns que o afetam e os tratamentos disponíveis, de forma clara e acessível para você entender e cuidar melhor da sua saúde ocular.

Resumo rápido

  • O que é: Pequena bolsa localizada no canto interno dos olhos, que coleta e conduz as lágrimas para o nariz.
  • Quando ocorre: Pode inflamar (dacriocistite) ou obstruir, causando lacrimejamento, secreção e infecções.
  • Quem trata: Oftalmologista.
  • Urgência: Moderada a alta em casos de infecção aguda com dor e febre.
  • Tratamento: Compressas mornas, massagem, antibióticos ou cirurgia (dacriocistorrinostomia).

Exemplo prático

Dona Clara, 68 anos, começou a notar que o olho direito lacrimejava constantemente, principalmente quando saía na rua. Após algumas semanas, surgiu uma leve vermelhidão e um pequeno caroço doloroso no canto interno do olho. Ela foi ao oftalmologista, que diagnosticou dacriocistite aguda — inflamação do saco lacrimal. Foi prescrito antibiótico oral e compressas mornas. Com a melhora, a obstrução de base foi confirmada por exame, e ela realizou uma dacriocistorrinostomia, resolvendo o problema definitivamente.

Atenção: Inchaço, vermelhidão e dor intensa no canto interno do olho, acompanhados de febre ou secreção purulenta, podem indicar dacriocistite aguda grave. Essa condição requer avaliação médica urgente para evitar complicações como celulite periorbital, abscesso ou disseminação da infecção para as vias aéreas.

O que é o saco lacrimal? Definição completa

O saco lacrimal é uma pequena estrutura em forma de bolsa, localizada no canto interno de cada olho, dentro da órbita ocular, próxima ao osso nasal. Ele faz parte do sistema lacrimal, responsável pela produção, distribuição e drenagem das lágrimas. As lágrimas são produzidas pelas glândulas lacrimais (localizadas acima dos olhos) e, após banharem a superfície ocular, são drenadas por pequenos canais (canalículos lacrimais) que desembocam no saco lacrimal. Do saco lacrimal, as lágrimas seguem pelo ducto lacrimonasal até a cavidade nasal (nariz). Esse sistema garante que os olhos permaneçam lubrificados e protegidos, ao mesmo tempo que evita o acúmulo excessivo de lágrimas. O saco lacrimal mede cerca de 10 a 15 mm de comprimento e sua parede é formada por tecido fibroso e mucosa. Quando esse sistema funciona corretamente, as lágrimas são drenadas de forma contínua e imperceptível.

Como funciona e qual sua importância no organismo

O funcionamento do saco lacrimal é essencial para a saúde ocular. As lágrimas são produzidas continuamente pelas glândulas lacrimais e, após banharem a córnea e a conjuntiva (protegendo e nutrindo essas superfícies), são coletadas pelos pontos lacrimais (pequenos orifícios nos cantos internos das pálpebras). Através dos canalículos, as lágrimas chegam ao saco lacrimal. O saco lacrimal atua como um reservatório temporário: ele acumula as lágrimas e, com a ajuda da contração muscular das pálpebras durante o piscar, impulsiona o líquido para o ducto lacrimonasal, que desemboca no nariz. Esse mecanismo é conhecido como “bomba lacrimal”. A importância do saco lacrimal vai além da drenagem: ele também participa da resposta imune local, pois sua mucosa contém células de defesa que ajudam a combater microrganismos presentes nas lágrimas. Sem o funcionamento adequado do saco lacrimal, as lágrimas se acumulam, causando lacrimejamento constante (epífora) e aumentando o risco de infecções.

Tipos e variações anatômicas

Embora a anatomia básica do saco lacrimal seja semelhante em todas as pessoas, existem variações que podem influenciar a ocorrência de doenças. A principal variação é o tamanho e a posição do saco lacrimal em relação às estruturas ósseas vizinhas. Em alguns indivíduos, o ducto lacrimonasal é mais estreito ou possui um trajeto mais tortuoso, o que predispõe a obstruções. Variações congênitas incluem a presença de válvulas mucosas (como a válvula de Hasner) que podem não se abrir adequadamente ao nascimento, levando à obstrução congênita do ducto lacrimal — condição frequente em recém-nascidos. Em adultos, o envelhecimento pode levar a alterações degenerativas na mucosa do saco lacrimal, como espessamento ou formação de divertículos (pequenas bolsas). Além disso, variações étnicas podem influenciar: estudos mostram que asiáticos e africanos têm maior incidência de obstrução do ducto lacrimal. Conhecer essas variações é importante para o planejamento de cirurgias, como a dacriocistorrinostomia.

Causas e fatores de risco

As doenças do saco lacrimal têm causas variadas. A obstrução do ducto lacrimonasal (que impede a drenagem) pode ser congênita (presente desde o nascimento) ou adquirida. As causas adquiridas incluem:

Infecções: sinusites, rinites ou infecções oculares podem inflamar a mucosa do ducto, levando a obstrução temporária ou crônica.

Traumas: fraturas faciais, cirurgias nasais ou lesões diretas na região podem danificar o sistema lacrimal.

Envelhecimento: com a idade, os tecidos perdem elasticidade e podem ocorrer estreitamentos.

Inflamações crônicas: doenças como sarcoidose, granulomatose de Wegener (granulomatose com poliangiíte) ou lúpus podem afetar o saco lacrimal.

Tumores: raros, mas podem obstruir o ducto (ex: papiloma, carcinoma).

Os principais fatores de risco são: idade acima de 50 anos, sexo feminino (mais afetado), história de traumas faciais, infecções de repetição (sinusite, rinite alérgica), tabagismo e exposição a irritantes oculares.

Sintomas e manifestações clínicas

Os sintomas de problemas no saco lacrimal variam conforme o tipo e a gravidade da condição. O sintoma mais comum é o lacrimejamento excessivo (epífora), que pode ser persistente ou intermitente, piorando com vento, frio ou uso de lentes de contato. Outros sinais incluem:

– Secreção mucosa ou purulenta no canto interno do olho, especialmente ao pressionar a região do saco lacrimal (sinal de dacriocistite crônica).

– Vermelhidão e inchaço local (dacriocistite aguda), podendo evoluir para abscesso com dor intensa.

– Febre e mal-estar geral nas formas infecciosas agudas.

– Sensação de “olho pegajoso” ou crostas nos cílios ao acordar.

– Em obstruções congênitas, o recém-nascido apresenta olho constantemente lacrimejante, sem sinais de infecção inicialmente.

É importante diferenciar esses sintomas de outras causas de olho seco ou alergias. Se o lacrimejamento vier acompanhado de dor, febre ou secreção espessa, a consulta médica é indispensável.

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico das doenças do saco lacrimal é realizado pelo oftalmologista por meio de história clínica e exame físico detalhado. O médico observa a presença de secreção ao pressionar a região do saco lacrimal (teste de regurgitação). Exames complementares incluem:

Teste de drenagem lacrimal: instila-se um colírio com corante (fluoresceína) no olho; após alguns minutos, verifica-se se o corante aparece no nariz (normal) ou não (obstrução).

Lavagem do sistema lacrimal (irrigação): com uma cânula fina, o médico injeta soro fisiológico no canalículo para verificar se há obstrução.

Dacriocistografia: exame de raio-X ou tomografia com contraste injetado no sistema lacrimal, que mostra a anatomia e o local da obstrução.

Ultrassonografia ou ressonância magnética: úteis para avaliar massas ou complicações.

– Em casos suspeitos de tumores, pode ser necessária biópsia.

O diagnóstico precoce é essencial para evitar complicações como infecções recorrentes e celulite orbital.

Tratamentos e abordagens terapêuticas

O tratamento depende da causa e da gravidade. Para obstrução congênita em bebês, a primeira abordagem é a massagem do saco lacrimal (técnica de Crigler), que ajuda a abrir o ducto. Se não resolver até 12 meses, pode ser necessária sondagem do ducto. Em adultos, a dacriocistite aguda é tratada inicialmente com antibióticos orais e compressas mornas; abscessos podem exigir drenagem cirúrgica. Para obstrução crônica, o tratamento de referência é a dacriocistorrinostomia (DCR), uma cirurgia que cria um novo canal de drenagem entre o saco lacrimal e a cavidade nasal. A DCR pode ser feita por via externa (com pequena incisão na pele) ou endoscópica (pelo nariz, sem cortes externos), sendo ambas eficazes. Em casos de tumores, a cirurgia pode envolver a ressecção do tumor e reconstrução. O uso de colírios lubrificantes pode aliviar sintomas, mas não trata a obstrução. O acompanhamento com oftalmologista é fundamental para definir a melhor conduta.

Prevenção e cuidados contínuos

Nem todas as causas de obstrução do saco lacrimal podem ser prevenidas, mas algumas medidas reduzem o risco:

– Tratar adequadamente sinusites, rinites e infecções oculares.

– Evitar coçar os olhos com força, o que pode traumatizar a região.

– Usar óculos de proteção em atividades com risco de trauma facial.

– Manter boa higiene das mãos e evitar compartilhar toalhas ou maquiagem.

– Para bebês, a massagem orientada pelo pediatra ou oftalmologista pode ajudar a desobstruir o ducto antes dos 12 meses.

– Pessoas com tendência a lacrimejamento devem evitar exposição a vento e poeira, usando óculos de sol.

– Realizar consultas oftalmológicas regulares, especialmente após os 40 anos.

O cuidado contínuo inclui o monitoramento de sintomas e a adesão ao tratamento prescrito, evitando automedicação, principalmente com colírios antibióticos sem orientação, que podem mascarar infecções.

Quando procurar ajuda médica

Você deve consultar um oftalmologista se apresentar:

– Lacrimejamento persistente que interfere nas atividades diárias.

– Inchaço, vermelhidão ou dor no canto interno do olho.

– Secreção esverdeada ou amarelada saindo do olho ou ao pressionar a região.

– Febre associada a sintomas oculares.

– Recorrência frequente de infecções oculares.

– Histórico de trauma facial e surgimento de lacrimejamento.

– Em bebês, se o olho lacrimeja constantemente desde o nascimento, especialmente se houver secreção.

A busca precoce por atendimento evita complicações e permite tratamentos menos invasivos.

Dicas Práticas

  1. 01. Realize a massagem do saco lacrimal em bebês conforme orientação médica: com o dedo indicador, pressione suavemente o canto interno do olho de cima para baixo, 5 a 10 vezes, 2 a 3 vezes ao dia.
  2. 02. Use compressas mornas (nunca quentes) sobre o saco lacrimal por 5 a 10 minutos, 3 vezes ao dia, para aliviar inflamações leves.
  3. 03. Mantenha as mãos limpas ao tocar nos olhos; evite compartilhar colírios ou maquiagem.
  4. 04. Após cirurgia de dacriocistorrinostomia, evite esforços físicos e assoar o nariz com força nas primeiras semanas.
  5. 05. Em caso de ressecamento ocular, use lubrificantes oculares sem conservantes, mas lembre-se que eles não tratam obstruções.
  6. 06. Consulte um oftalmologista anualmente, mesmo sem sintomas, especialmente se você tem mais de 50 anos.

Perguntas Frequentes sobre o saco lacrimal

O que é dacriocistite?

Dacriocistite é a inflamação (geralmente infecciosa) do saco lacrimal. Pode ser aguda (com dor, vermelhidão e febre) ou crônica (com lacrimejamento e secreção). O tratamento inclui antibióticos e, se necessário, cirurgia.

Obstrução do ducto lacrimal em bebês tem cura?

Sim, na maioria dos casos. Cerca de 90% das obstruções congênitas se resolvem espontaneamente até os 12 meses com massagens. Se persistir, a sondagem do ducto é eficaz.

Quais são os sinais de que preciso de cirurgia no saco lacrimal?

Indicações comuns incluem obstrução completa do ducto lacrimonasal que não responde a tratamentos conservadores, dacriocistite recorrente ou abscesso, e tumores. A cirurgia (DCR) cria um novo canal de drenagem.

A massagem no saco lacrimal realmente funciona?

Sim, especialmente em bebês com obstrução congênita. Em adultos, pode ajudar a aliviar sintomas leves, mas geralmente não resolve obstruções mais graves.

Posso usar colírios para tratar obstrução do saco lacrimal?

Colírios lubrificantes aliviam o desconforto, mas não desobstruem o ducto. Colírios antibióticos são usados apenas em infecções ativas, sob prescrição médica.

Dacriocistorrinostomia é dolorosa?

A cirurgia é feita sob anestesia local ou geral, portanto não dói durante o procedimento. No pós-operatório, pode haver desconforto leve, controlado com analgésicos.

Qual o tempo de recuperação após a cirurgia do saco lacrimal?

O retorno às atividades normais leva de 1 a 2 semanas. A recuperação completa, com cicatrização total, pode levar até 2 meses. O paciente deve evitar esforços e assoar o nariz com força.

Problemas no saco lacrimal podem causar sinusite?

Sim, a obstrução crônica pode levar ao acúmulo de secreção que drena para o nariz, favorecendo infecções sinusais. Por outro lado, sinusites também podem inflamar o ducto lacrimal.

Revisão médica: Conteúdo revisado pela equipe médica da Clinica Popular Fortaleza, com base em evidências científicas atualizadas e protocolos do Ministério da Saúde do Brasil.

Última atualização: 25/06/2026

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Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. Não substitui consulta médica profissional. Sempre consulte um médico ou profissional de saúde habilitado para diagnóstico e tratamento.

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