Você já reparou numa ferida na pele que simplesmente não quer fechar? É normal sentir aquele frio na barriga quando uma lesão demora mais que o esperado para cicatrizar. Muitas pessoas convivem com pequenos machucados achando que vão melhorar sozinhos, mas algumas situações exigem atenção médica.
Uma leitora de 58 anos nos procurou dizendo: “Tenho uma ferida na perna que já dura dois meses. Já tentei pomadas caseiras, mas só piora”. Relatos como esse são mais comuns do que parece. O nome técnico para essas lesões persistentes é ulceração.
O que é ulceração — explicação real, não de dicionário
Ulceração é o processo de formação de uma úlcera, ou seja, uma perda de tecido na pele ou mucosa que expõe camadas mais profundas. Diferente de um arranhão comum, a ulceração tende a ser mais extensa, dolorida e demorada para cicatrizar. Pode surgir em qualquer parte do corpo – pernas, pés, boca, estômago ou região genital.
Na prática, a ulceração é um sinal de que algo não vai bem no organismo. Pode ser desde uma má circulação até uma infecção bacteriana. Por isso, entender as causas é o primeiro passo para tratar corretamente.
Ulceração é normal ou preocupante?
Toda ulceração merece atenção. Pequenas lesões que cicatrizam em até duas semanas geralmente são inofensivas. Mas quando a ferida persiste por mais de um mês, aumenta a área ou começa a liberar secreção, o cenário muda.
O que muitos não sabem é que a ulceração pode ser um alerta precoce de doenças crônicas. Por exemplo, cerca de 15% dos pacientes com diabetes desenvolvem úlceras nos pés ao longo da vida, segundo dados do Ministério da Saúde. Se não tratadas, essas lesões podem levar a infecções ósseas e amputações.
Portanto, não considere uma ulceração como algo banal. Se você tem mais de 50 anos, fuma ou tem histórico de pressão alta, o risco de complicações é ainda maior.
Ulceração pode indicar algo grave?
Sim. A ulceração pode ser a ponta do iceberg de problemas mais sérios. Entre as condições que cursam com úlceras estão:
- Doença arterial periférica (má circulação nas pernas)
- Insuficiência venosa crônica (varizes avançadas)
- Diabetes mellitus descompensado
- Infecções por bactérias resistentes
- Doenças inflamatórias intestinais (como doença de Crohn)
- Neoplasias malignas (câncer de pele ou mucosa)
Segundo a Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular, úlceras na perna que não cicatrizam em 3 meses devem ser investigadas com exames de imagem e biópsia, se necessário. O Ministério da Saúde oferece diretrizes completas sobre o manejo de úlceras crônicas.
Causas mais comuns
Causas vasculares
As úlceras venosas são as mais frequentes, geralmente na parte interna da perna, perto do tornozelo. Já as úlceras arteriais aparecem nos pés e dedos, associadas a dor noturna e pele fria.
Causas metabólicas
O diabetes é um grande vilão. A neuropatia diabética reduz a sensibilidade nos pés, fazendo com que pequenos traumas evoluam para ulceração sem que a pessoa perceba. O controle glicêmico inadequado retarda a cicatrização.
Causas infecciosas
Infecções bacterianas, fúngicas ou virais podem desencadear ulcerações. Por exemplo, aftas orais recorrentes são ulcerações da mucosa bucal. Já a balanopostite (inflamação da glande) pode causar úlceras genitais.
Causas traumáticas e externas
Pressão prolongada (como em pacientes acamados), queimaduras, radioterapia e uso de medicamentos imunossupressores também favorecem o surgimento de úlceras.
Sintomas associados
Os sinais de alerta variam conforme a causa, mas alguns sintomas merecem atenção redobrada:
- Dor local que piora ao levantar a perna ou à noite
- Vermelhidão e calor ao redor da lesão
- Secreção amarelada, esverdeada ou com mau cheiro
- Bordas elevadas ou endurecidas
- Sangramento fácil
- Febre ou calafrios (sinal de infecção generalizada)
Uma leitora de 45 anos nos contou: “Achei que era só uma picada de inseto, mas em uma semana a ferida triplicou de tamanho”. O ideal é procurar avaliação médica assim que notar qualquer anormalidade.
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico começa com uma consulta clínica detalhada. O médico vai perguntar sobre doenças prévias, medicamentos em uso e hábitos de vida. Em seguida, examina a lesão: tamanho, profundidade, presença de secreção e aspecto das bordas.
Exames complementares podem ser solicitados, como:
- Doppler vascular para avaliar circulação
- Glicemia e hemoglobina glicada (para diabetes)
- Cultura da secreção (para identificar bactérias)
- Biópsia da borda da úlcera (se houver suspeita de câncer)
O diagnóstico precoce é fundamental. Estudos no PubMed mostram que o tratamento iniciado nos primeiros 30 dias reduz em até 70% o risco de amputação.
Tratamentos disponíveis
O tratamento da ulceração depende da causa de base. Entre as abordagens mais comuns estão:
- Curativos especiais: hidrocoloides, alginatos, hidrogéis, carvão ativado – cada um indicado para um tipo de lesão
- Terapia compressiva: meias ou ataduras elásticas para úlceras venosas
- Desbridamento: remoção de tecido morto para estimular a cicatrização
- Medicamentos tópicos ou sistêmicos: antibióticos, anti-inflamatórios e analgésicos
- Cirurgia vascular: em casos de obstrução arterial grave
- Oxigenoterapia hiperbárica: para úlceras diabéticas complexas
O acompanhamento com enfermeiro estomaterapeuta ou angiologista é essencial para a escolha do curativo adequado e prevenção de recidivas.
O que NÃO fazer
- Não aplique pomadas caseiras, pasta de dente, vinagre ou álcool na ferida – isso piora a inflamação
- Não ignore sinais de infeção – pus, vermelhidão crescente e febre são bandeiras vermelhas
- Não fume – o tabagismo reduz o oxigênio nos tecidos e dificulta a cicatrização
- Não deixe de tratar doenças de base – controlar o diabetes e a pressão é tão importante quanto o curativo
- Não ache que “vai passar sozinho” – úlceras crônicas raramente cicatrizam sem intervenção
Se os sintomas persistem ou estão piorando, você pode estar ignorando um problema mais sério. Uma avaliação médica rápida pode evitar complicações.
Perguntas frequentes sobre ulceração
Ulceração é contagiosa?
Depende da causa. Úlceras infecciosas (como as causadas por bactérias) podem transmitir o agente por contato direto. Já as úlceras vasculares ou diabéticas não são contagiosas.
Qual médico trata ulceração?
O primeiro profissional a procurar é o clínico geral ou o dermatologista. Dependendo da causa, você pode ser encaminhado para angiologista, cirurgião vascular, endocrinologista ou gastroenterologista.
Ulceração na boca é igual à da pele?
Não exatamente. As úlceras orais (aftas) geralmente são benignas e cicatrizam em até 15 dias. Mas se persistirem por mais de 3 semanas, merecem investigação, pois podem ser sinal de câncer bucal ou doenças autoimunes.
Quanto tempo leva para uma úlcera cicatrizar?
Uma úlcera bem tratada pode fechar em 4 a 12 semanas. Úlceras crônicas, como as venosas, podem levar meses. O tempo depende da causa, da adesão ao tratamento e das condições de saúde do paciente.
Posso usar pomada antibiótica sem receita?
Não é recomendado. O uso indiscriminado de antibióticos tópicos pode gerar resistência bacteriana e mascarar infecções mais graves. Sempre consulte um médico antes de usar qualquer medicamento.
Ulceração pode virar câncer?
Sim, mas é raro. Úlceras que não cicatrizam por mais de 3 meses, especialmente na região genital ou na boca, devem ser biopsiadas para descartar carcinoma espinocelular ou melanoma.
Diabetes tem cura para ulceração?
O diabetes é uma condição crônica, mas a úlcera pode cicatrizar com controle rigoroso da glicemia, curativos adequados e, em alguns casos, cirurgia. A prevenção é a melhor arma: inspecione os pés diariamente.
O que fazer se a úlcera começar a sangrar muito?
Comprima o local com gaze limpa e procure imediatamente um pronto-socorro. Sangramento abundante pode indicar ruptura de vasos ou infecção grave.
Revisão médica: Conteúdo revisado por profissional de saúde (CRM ativo).
Última atualização: Abril de 2026
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a consulta médica. Procure sempre um profissional de saúde para diagnóstico e tratamento adequados.
Entenda seus sintomas, conheça os tratamentos e saiba quando buscar ajuda médica.
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