De acordo com dados do DATASUS e revisões de 2025–2026, a taxa de cirurgias de vagotomia para úlcera péptica no Brasil caiu aproximadamente 70% nas últimas duas décadas, dando lugar ao tratamento clínico com inibidores de bomba de prótons e erradicação do Helicobacter pylori. Porém, ainda são realizadas cerca de 1.200 vagotomias por ano no país em casos selecionados.
Você já imaginou que um nervo pode ser “cortado” cirurgicamente para tratar problemas no estômago? Esse é o princípio da vagotomia, um procedimento que já foi padrão-ouro para úlceras gástricas e duodenais. Embora hoje seja menos frequente, continua sendo uma ferramenta importante em situações específicas. Neste artigo, você vai entender o que é vagotomia, quando é indicada, como é feita, os riscos e o que esperar da recuperação. Tudo explicado de forma simples e completa.
- O que é: Cirurgia que secciona o nervo vago para reduzir a produção de ácido no estômago.
- Quando ocorre: Indicada para úlceras pépticas refratárias ao tratamento clínico, hemorragia digestiva alta ou perfuração gástrica.
- Quem trata: Cirurgião geral ou cirurgião do aparelho digestivo.
- Urgência: Moderada – normalmente eletiva, mas pode ser urgente em caso de perfuração ou sangramento.
- Tratamento: Cirurgia por videolaparoscopia ou técnica aberta, com secção total ou seletiva do nervo vago.
Seu João, 58 anos, trabalhador rural, há dois anos tratava uma úlcera duodenal com omeprazol e antibióticos para H. pylori. Apesar do tratamento, os sintomas de dor epigástrica e azia persistiam e ele já havia tido dois episódios de sangramento digestivo. O gastroenterologista solicitou endoscopia que mostrou úlcera profunda, sem cicatrização. Como as medicações não resolveram, o médico encaminhou seu João para um cirurgião digestivo, que indicou vagotomia troncular por videolaparoscopia. A cirurgia durou cerca de duas horas, seu João ficou internado por três dias e, após três meses, a úlcera estava cicatrizada e os sintomas desapareceram.
O que é vagotomia e quando é indicado
A vagotomia é um procedimento cirúrgico que consiste na secção (corte) parcial ou total do nervo vago, o décimo par craniano, que inerva o estômago e outros órgãos digestivos. O objetivo principal é reduzir drasticamente a produção de ácido gástrico, que é estimulada pelo nervo vago. Essa redução permite a cicatrização de úlceras pépticas (feridas na parede do estômago ou duodeno) e previne recidivas.
A indicação clássica da vagotomia é a úlcera péptica refratária ao tratamento clínico, ou seja, aquela que não cicatriza após 8 a 12 semanas de uso de inibidores de bomba de prótons (como omeprazol, pantoprazol) e erradicação do Helicobacter pylori. Também é indicada em casos de úlcera complicada com hemorragia digestiva alta (quando a endoscopia não consegue controlar o sangramento), perfuração gástrica ou duodenal, e obstrução da saída do estômago. Em algumas situações de síndrome de Zollinger-Ellison (tumor produtor de gastrina) que não respondem a medicamentos, a vagotomia pode ser considerada.
Vale destacar que, com o avanço dos medicamentos antiácidos e dos antibióticos para H. pylori, a vagotomia deixou de ser a primeira linha de tratamento. Hoje, a maioria dos pacientes com úlcera péptica consegue controle clínico. Porém, cerca de 5% a 10% dos casos ainda necessitam de intervenção cirúrgica. A decisão é sempre multidisciplinar, envolvendo gastroenterologista e cirurgião digestivo.
Tipos de vagotomia
Existem três tipos principais de vagotomia, que variam conforme a extensão da secção do nervo vago:
- Vagotomia troncular: Secciona os dois troncos principais do nervo vago (anterior e posterior) ao nível do esôfago distal. É a mais completa, mas também a que causa maior efeito colateral, como esvaziamento gástrico retardado (gastroparesia). Por isso, geralmente é associada a uma drenagem gástrica (piloroplastia ou gastroenterostomia).
- Vagotomia seletiva: Secciona apenas os ramos do nervo vago que inervam o estômago, poupando os ramos que vão para o fígado, vesícula e intestino. Mantém melhor a função de esvaziamento, mas ainda pode causar alguma dismotilidade.
- Vagotomia superseletiva (ou de células parietais): Secciona apenas os ramos que inervam a porção do estômago produtora de ácido (fundo e corpo), preservando completamente a inervação do antro e do piloro. É a técnica mais moderna e com menos efeitos adversos, porém tecnicamente mais complexa.
A escolha do tipo depende da condição do paciente, da experiência do cirurgião e da necessidade de associar outras cirurgias (como piloroplastia). Atualmente, a vagotomia superseletiva é a preferida quando possível, pois minimiza complicações pós-operatórias.
Como o procedimento é realizado
A vagotomia pode ser realizada por duas vias de acesso: cirurgia aberta (laparotomia) ou minimamente invasiva (videolaparoscopia). A via laparoscópica é a mais utilizada hoje, pois oferece menor dor pós-operatória, recuperação mais rápida e menor risco de infecção. O paciente é posicionado sob anestesia geral.
Na videolaparoscopia, o cirurgião faz de 4 a 5 pequenas incisões (de 0,5 a 1 cm) no abdome para inserir a câmera e os instrumentos. O abdome é insuflado com gás carbônico para criar espaço de trabalho. O nervo vago é identificado ao redor do esôfago distal e seccionado conforme o tipo planejado. Se necessário, realiza-se também uma piloroplastia (alargamento da saída do estômago) ou uma drenagem gástrica. Ao final, os instrumentos são retirados, o gás é liberado e os pontos são fechados.
Na cirurgia aberta, uma incisão maior (cerca de 10 a 15 cm) é feita na linha média do abdome. O procedimento é semelhante, mas com visualização direta. A escolha entre as técnicas leva em conta a complexidade do caso, histórico de cirurgias anteriores e condições clínicas do paciente. O tempo cirúrgico varia de 1 a 3 horas.
Preparo e cuidados antes do procedimento
O preparo para a vagotomia começa semanas antes com uma avaliação completa. O paciente deve passar por exames de sangue (hemograma, coagulação, função renal e hepática), eletrocardiograma e, em alguns casos, ecocardiograma se houver suspeita de doença cardíaca. Endoscopia digestiva alta com biópsia é essencial para documentar a úlcera e descartar malignidade.
Na semana anterior, o cirurgião pode orientar a suspensão de medicamentos anti-inflamatórios, anticoagulantes e aspirina, para reduzir o risco de sangramento. Geralmente, os inibidores de bomba de prótons são mantidos até o dia da cirurgia. A equipe de anestesia realiza uma consulta para avaliar riscos e definir o plano anestésico.
No dia anterior, o paciente deve fazer jejum absoluto de pelo menos 8 horas antes da cirurgia (normalmente a partir da meia-noite). Em alguns hospitais, é prescrita uma preparação intestinal leve. É importante informar a equipe sobre qualquer sintoma novo, como febre ou infecção respiratória, que possa adiar o procedimento. Também é recomendado levar exames anteriores e uma lista de medicamentos em uso. O apoio psicológico é benéfico, pois a cirurgia pode gerar ansiedade.
O que esperar durante o procedimento
No centro cirúrgico, o paciente recebe anestesia geral e fica completamente dormindo durante todo o procedimento. Uma sonda nasogástrica é inserida para descomprimir o estômago e facilitar a visualização. Também é colocado um cateter urinário para monitorar a diurese. A equipe cirúrgica monitora constantemente os sinais vitais (pressão, frequência cardíaca, oxigenação).
O procedimento, seja por laparoscopia ou aberto, segue os passos descritos. Durante a cirurgia, o cirurgião pode optar por testar a integridade do nervo vago antes da secção, usando um estimulador para confirmar a localização. Se a vagotomia for associada a uma piloroplastia, uma pequena incisão no piloro é suturada para aumentar seu diâmetro. Tudo é feito com materiais estéreis e cautela para evitar lesões em órgãos vizinhos (esôfago, baço, pâncreas).
Ao final, após a retirada dos instrumentos, os pequenos cortes são fechados com pontos ou grampos metálicos e cobertos com curativos. O paciente é levado à sala de recuperação pós-anestésica (SRPA) onde permanece até acordar e ter sinais vitais estáveis. A média de permanência na SRPA é de 1 a 2 horas.
Recuperação e cuidados pós-procedimento
A recuperação da vagotomia varia conforme a técnica utilizada. Na laparoscopia, a alta hospitalar costuma ocorrer entre 2 a 4 dias; na cirurgia aberta, pode levar de 5 a 7 dias. As primeiras 24 horas são de observação rigorosa: a sonda nasogástrica permanece até que haja boa movimentação intestinal, e a dieta é reiniciada de forma progressiva (líquidos claros, depois pastosos e finalmente sólidos).
Em casa, o paciente deve seguir algumas orientações:
- Manter repouso relativo nas primeiras duas semanas, evitando esforços físicos, dirigir ou levantar peso.
- Alimentação fracionada (pequenas porções várias vezes ao dia), evitando alimentos gordurosos, frituras, café, bebidas alcoólicas e condimentos fortes.
- Tomar os medicamentos prescritos: analgésicos (como dipirona ou paracetamol), antibióticos (se indicados) e, geralmente, inibidores de bomba de prótons por algumas semanas.
- Observar os curativos: mantê-los limpos e secos; trocar conforme orientação médica.
- Retornar ao consultório para retirada de pontos (se não forem absorvíveis) entre 7 e 10 dias.
A maioria dos pacientes retoma atividades leves após 2 semanas e atividades normais após 4 a 6 semanas. A cicatrização completa da úlcera é confirmada por endoscopia após 3 meses.
Riscos e complicações possíveis
Como toda cirurgia, a vagotomia apresenta riscos. Os mais comuns incluem reações à anestesia, sangramento, infecção da ferida operatória, trombose venosa profunda e embolia pulmonar. Especificamente, há complicações relacionadas à secção do nervo vago:
- Gastroparesia (esvaziamento gástrico retardado): O estômago “demora” a esvaziar, causando sensação de plenitude, náuseas e vômitos. Mais frequente na vagotomia troncular sem drenagem.
- Diarreia: Pode ocorrer por alteração na motilidade intestinal e na flora bacteriana. Geralmente transitória, mas em alguns casos pode ser crônica.
- Síndrome de dumping: Esvaziamento rápido do conteúdo gástrico para o intestino delgado, causando sudorese, palpitação, tontura e diarreia após as refeições. Mais associada a vagotomias com drenagem.
- Recidiva da úlcera: Pode ocorrer em 5% a 10% dos casos se a secção não foi completa ou se o H. pylori não foi erradicado.
- Lesão de órgãos adjacentes: Esôfago, baço, pâncreas ou vasos sanguíneos podem ser acidentalmente lesionados durante a cirurgia.
É fundamental que o paciente entenda esses riscos e discuta com o cirurgião as medidas para preveni-los. A escolha do tipo de vagotomia e da técnica (laparoscopia vs. aberta) influencia diretamente na incidência dessas complicações.
Alternativas ao procedimento
Antes de indicar a vagotomia, o médico avalia todas as alternativas não cirúrgicas. O tratamento clínico moderno é altamente eficaz:
- Inibidores da bomba de prótons (IBP): Omeprazol, pantoprazol, esomeprazol, lansoprazol. Reduzem fortemente a acidez gástrica, permitindo a cicatrização da úlcera em 4 a 8 semanas.
- Erradicação do Helicobacter pylori: Combinação de antibióticos (amoxicilina, claritromicina, metronidazol) com IBP por 7 a 14 dias. Cura a infecção em mais de 85% dos casos.
- Antagonistas H2 (cimetidina, ranitidina): Menos usados atualmente, mas ainda disponíveis.
- Procinéticos (domperidona, metoclopramida): Podem auxiliar no esvaziamento gástrico.
- Endoscopia terapêutica: Em sangramentos ativos, a endoscopia pode cauterizar ou aplicar clipes no vaso sangrante, evitando cirurgia em muitos casos.
Além disso, mudanças no estilo de vida como dieta equilibrada, evitar álcool e tabagismo, reduzir estresse e fazer refeições regulares são fundamentais. A vagotomia fica reservada para falha destas medidas ou para complicações agudas (perfuração, hemorragia incontrolável).
Resultado e o que ele indica
O principal resultado esperado da vagotomia é a redução da acidez gástrica e a cicatrização completa da úlcera. Estudos mostram que a taxa de cicatrização após vagotomia superseletiva chega a 90% em três meses. A maioria dos pacientes fica assintomática, sem necessidade de medicamentos antiácidos contínuos. No entanto, o sucesso depende da erradicação concomitante do H. pylori e da ausência de complicações pós-operatórias.
O cirurgião solicita uma endoscopia de controle após 3 meses para confirmar a cicatrização. Caso a úlcera persista, pode-se repetir o tratamento clínico ou considerar uma segunda cirurgia (rerressecção gástrica). Infelizmente, um pequeno grupo pode apresentar recidiva, especialmente se o H. pylori não foi eliminado ou se o paciente continuar usando anti-inflamatórios.
Resultados adversos como diarreia crônica, síndrome de dumping ou gastroparesia podem comprometer a qualidade de vida. É essencial que o paciente seja acompanhado por uma equipe multidisciplinar (cirurgião, gastroenterologista, nutricionista) para manejo dessas sequelas, que muitas vezes melhoram com dieta e medicamentos procinéticos. Em geral, o prognóstico é bom para a úlcera, mas requer monitoramento a longo prazo.
Quando é urgente procurar médico
A vagotomia não costuma ser uma emergência, mas algumas situações indicam que a cirurgia se tornou urgente ou que há complicações pós-operatórias que exigem atenção imediata. Procure o pronto-socorro se:
- Sangramento digestivo: Vômitos com sangue vermelho vivo ou borra de café, fezes pretas e malcheirosas (melena), fraqueza intensa, tontura ou desmaio.
- Perfuração gástrica: Dor abdominal súbita e muito forte, rigidez abdominal (abdome em tábua), febre, calafrios.
- Obstrução intestinal: Vômitos repetidos (principalmente após comer), distensão abdominal, incapacidade de eliminar gases ou fezes.
- Infecção grave pós-operatória: Febre acima de 38,5°C, vermelhidão e pus no local da incisão, dor abdominal intensa e crescente.
- Problemas respiratórios: Falta de ar, dor no peito, tosse persistente — podem indicar embolia pulmonar ou pneumonia aspirativa.
Mesmo na fase de recuperação, qualquer sinal de complicação deve ser relatado ao cirurgião ou ao serviço de emergência. Nunca espere para ver se melhora sozinho. Intervenção precoce salva vidas.
- 01. Mantenha uma dieta fracionada: pequenas refeições a cada 3 horas ajudam a evitar distensão e dumping.
- 02. Evite alimentos gordurosos e muito açucarados após a cirurgia, pois pioram os sintomas de esvaziamento rápido.
- 03. Beba líquidos entre as refeições (não durante) para reduzir a sensação de plenitude gástrica.
- 04. Anote os sintomas e compartilhe com o médico nas consultas de follow-up – isso ajuda a ajustar o tratamento.
- 05. Consulte um nutricionista especializado em cirurgia digestiva para planejar cardápios adequados à sua condição.
- 06. Retorne ao médico ao menor sinal de recidiva dos sintomas (azia, dor epigástrica) – não espere a úlcera complicar.
Perguntas Frequentes sobre vagotomia
1. A vagotomia dói muito?
Durante a cirurgia, você está sob anestesia geral e não sente dor. No pós-operatório, é comum sentir desconforto nas incisões, que é controlado com analgésicos comuns (dipirona, paracetamol). Em geral, a dor é moderada e melhora após alguns dias.
2. Quanto tempo dura a cirurgia?
O procedimento completo leva entre 1 e 3 horas, dependendo da técnica (laparoscopia ou aberta) e se há necessidade de procedimentos associados, como piloroplastia.
3. É possível viver sem o nervo vago?
Sim. O nervo vago tem funções importantes no controle da frequência cardíaca, digestão e outras, mas a secção afeta principalmente o estômago e parte do intestino. As funções restantes são compensadas por outros mecanismos. A maioria das pessoas leva uma vida normal, embora com adaptações alimentares.
4. Vagotomia e gastrectomia são a mesma coisa?
Não. Na vagotomia, apenas o nervo é seccionado, preservando o estômago. Na gastrectomia, parte ou todo o estômago é removido. A vagotomia é uma cirurgia menos radical e mais específica para redução de ácido.
5. Quem precisa de vagotomia?
Pacientes com úlcera péptica que não cicatriza com medicamentos, úlcera complicada (sangramento, perfuração, obstrução) ou síndrome de Zollinger-Ellison refratária. A decisão é individualizada após falha do tratamento clínico adequado.
6. Quais os principais efeitos colaterais a longo prazo?
Os mais comuns são diarreia (até 20% dos casos), gastroparesia (10–15%) e síndrome de dumping (5–10%). Muitos melhoram com ajustes dietéticos e medicamentos.
7. A vagotomia é reversível?
Não. Uma vez que o nervo é seccionado, não pode ser reconstruído. Por isso, a indicação deve ser muito bem avaliada e apenas após tentativas de tratamento clínico.
8. Preciso tomar medicamentos depois da cirurgia?
Sim. Geralmente, o paciente continua usando inibidores de bomba de prótons por algumas semanas ou meses até a cicatrização completa. Depois, muitos conseguem parar, mas alguns podem precisar de dose baixa de manutenção.
9. A vagotomia aumenta o risco de câncer de estômago?
Estudos não mostram aumento significativo de câncer gástrico após vagotomia. Porém, como a úlcera crônica e a infecção por H. pylori são fatores de risco, o acompanhamento endoscópico regular é recomendado.
10. Qual a diferença entre vagotomia e fundoplicatura?
A fundoplicatura é uma cirurgia para refluxo gastroesofágico, que envolve enrolar a parte superior do estômago ao redor do esôfago. A vagotomia trata a úlcera péptica. São procedimentos diferentes, embora ambos possam ser realizados por laparoscopia.
Revisão médica: Conteúdo revisado pela equipe médica da Clinica Popular Fortaleza, com base em evidências científicas atualizadas e protocolos do Ministério da Saúde do Brasil.
Última atualização: 25/06/2026
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Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. Não substitui consulta médica profissional. Sempre consulte um médico ou profissional de saúde habilitado para diagnóstico e tratamento.
Fontes consultadas:
MedlinePlus – Vagotomia (em espanhol/inglês)
MSD Manual – Cirurgia para úlcera péptica
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