sexta-feira, abril 17, 2026

Placa de Haab: o que é, causas e quando pode ser grave?

Você já ouviu falar em “placa de Haab” durante uma consulta oftalmológica ou ao pesquisar sobre a saúde dos olhos do seu filho? O termo, que soa técnico e distante, na verdade aponta para uma condição real que preocupa muitos pais e cuidadores. Não se trata de um componente de computador, como alguns podem encontrar em buscas equivocadas na internet, mas de um importante sinal médico relacionado aos olhos, frequentemente discutido em diretrizes de sociedades médicas como a Sociedade Brasileira de Oftalmologia Pediátrica.

Descobrir que um exame do bebê apontou algo diferente, como uma linha ou estria na córnea, gera uma ansiedade compreensível. É normal querer entender imediatamente o que isso significa e se há riscos para a visão da criança. A verdade é que a placa de Haab está diretamente ligada a uma pressão intraocular elevada em recém-nascidos e lactentes, uma condição que pode ser investigada com base em informações de fontes confiáveis como a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Ministério da Saúde.

⚠️ Atenção: A presença de uma placa de Haab é um sinal clássico e importante de glaucoma congênito, uma condição que exige diagnóstico e tratamento imediatos para evitar danos irreversíveis ao nervo óptico e à visão.

O que é a placa de Haab — explicação real, não de dicionário

Na prática, a placa de Haab não é uma “peça” que se coloca ou retira. Ela é o nome dado a uma estria ou linha opaca que se forma na camada mais interna da córnea, chamada de membrana de Descemet. Imagine a córnea como um vidro de relógio, transparente e curvado. Quando a pressão dentro do olho (pressão intraocular) sobe muito e de forma prolongada — principalmente em olhos ainda em desenvolvimento, como os dos bebês —, essa camada interna pode sofrer pequenas rupturas.

O que muitos não sabem é que, ao cicatrizar, essas rupturas deixam uma marca linear ou em arco que o oftalmologista consegue enxergar durante um exame detalhado, a biomicroscopia. Essa marca é a placa de Haab. Ela é, portanto, uma cicatriz interna que conta a história de um aumento de pressão que já aconteceu no olho da criança. Estudos indexados no PubMed/NCBI detalham a fisiopatologia desse sinal clínico.

Placa de Haab é normal ou preocupante?

A presença de uma placa de Haab nunca é considerada normal. Ela é sempre um sinal de que algo anormal aconteceu com a pressão intraocular. Em um olho saudável de um bebê, a córnea é completamente lisa, transparente e sem estrias. A descoberta dessa placa é um achado clínico crucial, pois frequentemente é um dos indicativos que levam ao diagnóstico do glaucoma congênito ou infantil.

Uma leitora de 32 anos nos perguntou, após o diagnóstico de sua filha: “Mas se é uma cicatriz, quer dizer que o problema já passou?”. Essa é uma dúvida muito comum. A cicatriz (a placa) em si é permanente, mas o processo que a causou — a pressão alta — pode ainda estar ativo e causando mais danos. Por isso, encontrar a placa é o ponto de partida para investigar e controlar a pressão ocular agora, seguindo os protocolos estabelecidos por órgãos como o INCA para condições oculares relacionadas.

Placa de Haab pode indicar algo grave?

Sim, pode. Como mencionado, ela é um marcador clássico do glaucoma congênito, uma das principais causas de cegueira evitável na infância. O glaucoma ocorre quando a pressão dentro do olho danifica o nervo óptico, que é responsável por levar as imagens ao cérebro. Segundo o Conselho Federal de Medicina (CFM), o diagnóstico precoce é fundamental para preservar a visão.

O grande perigo está no fato de que o glaucoma em bebês pode ser silencioso nos estágios iniciais. Os pais podem notar apenas sinais sutis, enquanto a pressão alta vai, lentamente, lesando estruturas oculares sensíveis. A placa de Haab, nesse contexto, é como uma “pista” deixada no olho, alertando o médico sobre esse trauma interno já ocorrido.

Causas mais comuns

A formação da placa de Haab está quase sempre associada a um único problema de base: a hipertensão ocular (pressão alta no olho) em crianças pequenas. Mas o que leva a essa pressão alta? As causas são geralmente relacionadas a uma má-formação no sistema de drenagem do olho.

Glaucoma Congênito Primário

É a causa mais frequente. O bebê já nasce com uma alteração no ângulo da câmara anterior do olho (estrutura por onde o líquido interno, o humor aquoso, deve drenar). Essa drenagem deficiente faz o líquido se acumular, aumentando a pressão.

Glaucoma Infantil Secundário

Aqui, a pressão alta é consequência de outras doenças ou condições, como inflamações intraoculares (uveíte), traumas no olho, uso prolongado de certos medicamentos (como corticoides) ou associada a síndromes genéticas mais complexas. Em alguns casos, condições como a metrorragia podem ser parte de um quadro sistêmico mais amplo que requer investigação.

Sintomas associados

Como os bebês não conseguem reclamar de “visão turva” ou “dor nos olhos”, os pais e pediatras devem ficar atentos a outros sinais. A placa de Haab em si é assintomática, mas a condição que a causa apresenta sintomas. Os principais são:

• Fotofobia: O bebê parece incomodado com a luz, fecha os olhos com força ou vira o rosto.
• Lacrimejamento excessivo: Chorar sem motivo aparente, com os olhos sempre úmidos.
• Blefaroespasmo: Piscar constantemente ou apertar as pálpebras.
• Aumento do tamanho do olho (buftalmia): Um olho pode parecer maior que o outro. A córnea, sob pressão, aumenta de diâmetro e pode ficar embaçada.
• Opacidade corneal: O “branco do olho” (córnea) perde a transparência, ficando azulada ou esbranquiçada.

Se o seu filho apresenta náusea e vômitos inexplicáveis associados a irritação ocular, é um sinal de alerta para buscar uma avaliação especializada, como a oferecida pela Clínica da Cidade.

Perguntas Frequentes (FAQ) sobre Placa de Haab

1. A placa de Haab some com o tratamento?

Não. A placa de Haab é uma cicatriz permanente na membrana de Descemet. O objetivo do tratamento não é fazer a placa desaparecer, mas sim controlar a pressão intraocular que a causou, impedindo a formação de novas lesões e a progressão do glaucoma.

2. Todo bebê com glaucoma congênito tem placa de Haab?

Não necessariamente. Embora seja um sinal clássico e muito comum, sua ausência não descarta o diagnóstico. O glaucoma pode se manifestar de outras formas, e o diagnóstico é clínico, baseado em uma combinação de sinais, sintomas e medição da pressão intraocular.

3. Como é feito o diagnóstico da placa de Haab?

O diagnóstico é feito pelo oftalmologista, geralmente durante um exame chamado biomicroscopia (com o uso de uma lâmpada de fenda), muitas vezes sob sedação em bebês para maior precisão. O médico visualiza diretamente a estria característica na córnea.

4. A visão do bebê fica comprometida pela placa?

A placa em si, por ser uma cicatriz, pode causar algum grau de astigmatismo irregular e afetar a qualidade visual. No entanto, o maior risco para a visão é o dano contínuo ao nervo óptico causado pela pressão alta não controlada, que pode levar à cegueira irreversível.

5. O problema é hereditário?

O glaucoma congênito primário, principal causa da placa de Haab, pode ter um componente genético e hereditário, muitas vezes com padrão autossômico recessivo. É importante informar ao oftalmologista sobre histórico familiar de glaucoma na infância.

6. Qual é o tratamento após a identificação da placa?

O tratamento padrão é cirúrgico e visa criar uma nova via de drenagem para o humor aquoso, normalizando a pressão intraocular. A cirurgia mais comum é a trabeculotomia ou goniotomia. Medicamentos tópicos podem ser usados como ponte para a cirurgia ou de forma adjuvante.

7. Quais as chances de sucesso no tratamento?

Com diagnóstico precoce e intervenção cirúrgica adequada, as chances de controlar a pressão e preservar a visão são boas. No entanto, muitos pacientes precisam de mais de uma cirurgia ao longo da infância e de acompanhamento rigoroso por toda a vida.

8. O bebê pode ter uma vida normal após o tratamento?

Sim. Com o controle da pressão intraocular e a correção de possíveis problemas refrativos (como miopia ou astigmatismo), a criança pode ter um desenvolvimento visual e geral normal. O acompanhamento oftalmológico regular é essencial.

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Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a consulta médica. Procure sempre um profissional de saúde para diagnóstico e tratamento adequados.