Estima-se que cerca de 35% dos pacientes oncológicos em tratamento ativo apresentem anorexia caquexia no Brasil (dados INCA 2025-2026). O uso adequado de estimulantes de apetite pode melhorar a qualidade de vida e a adesão ao tratamento em até 60% dos casos quando associado a suporte nutricional.
Você (ou alguém próximo) tem sentido falta de apetite por dias ou semanas, sem conseguir se alimentar direito? A perda de apetite pode acontecer por estresse, doenças crônicas, efeitos de medicamentos ou transtornos alimentares. Muitas vezes, a frase “preciso de um remédio para abrir o apetite” surge como uma solução rápida. Mas afinal, esses medicamentos existem, como funcionam e quando são realmente úteis? Neste artigo você vai descobrir as opções disponíveis, com embasamento científico e linguagem acessível, para tomar decisões informadas sobre sua saúde.
- O que é: Classe de medicamentos que estimulam o centro da fome no cérebro ou melhoram o estado nutricional.
- Quando ocorre: Perda de apetite associada a doenças crônicas (câncer, HIV, idosos), transtornos alimentares ou efeito colateral de drogas.
- Quem trata: Clínico geral, nutrólogo, endocrinologista, geriatra ou psiquiatra.
- Urgência: Moderada – se houver perda de peso significativa (≥10% em 3 meses), desnutrição ou dificuldade para engolir, procure atendimento.
- Tratamento: Varia conforme a causa; inclui acetato de megestrol, dronabinol, mirtazapina, corticoides e suplementação nutricional.
Dona Maria, 74 anos, iniciou quimioterapia para câncer de pulmão. Em 6 semanas perdeu 8 kg e mal conseguia almoçar. O oncologista prescreveu acetato de megestrol oral 160 mg/dia e encaminhou para acompanhamento nutricional. Após 15 dias, Maria relatou melhora do paladar e voltou a sentir fome. O ganho de peso foi gradual (2 kg no primeiro mês), mas suficiente para interromper a perda ponderal e melhorar a disposição para as sessões de quimioterapia.
O que é remédio para abrir o apetite e para que serve
Os “remédios para abrir o apetite” (também chamados de estimulantes de apetite ou orexígenos) são substâncias capazes de aumentar a sensação de fome e a ingestão alimentar. Diferentemente de suplementos vitamínicos ou chás caseiros, esses medicamentos atuam diretamente em receptores do sistema nervoso central (hipotálamo) ou modulam hormônios que regulam o apetite.
Servem principalmente para tratar a anorexia secundária a doenças crônicas como câncer, HIV/AIDS, insuficiência cardíaca, doença pulmonar obstrutiva crônica e idosos com sarcopenia. Também podem ser usados em transtornos alimentares restritivos, sob supervisão psiquiátrica. O objetivo não é apenas fazer a pessoa comer mais, mas reverter a perda de peso involuntária, preservar massa muscular e melhorar a qualidade de vida.
Vale destacar que muitos pacientes confundem “falta de apetite” com náusea, saciedade precoce ou depressão. Por isso, a avaliação clínica completa é indispensável.
Como funciona o mecanismo de ação
Os principais estimulantes de apetite agem por diferentes vias:
- Acetato de megestrol (progestágeno): Aumenta a liberação de neuropeptídeo Y (NPY) no hipotálamo, potente estimulante da fome. Também inibe citocinas pró-inflamatórias (TNF-α, IL-1, IL-6) que suprimem o apetite na caquexia.
- Dronabinol (canabinoide sintético): Ativa receptores CB1 no cérebro, aumentando a fome e reduzindo náusea. É usado principalmente em náuseas por quimioterapia e anorexia relacionada ao HIV.
- Mirtazapina (antidepressivo noradrenérgico e serotoninérgico específico – NaSSA): Bloqueia receptores de serotonina (5-HT2) e histamina H1, resultando em aumento do apetite e ganho de peso como efeito colateral benéfico.
- Corticoides (dexametasona, prednisona): Reduzem inflamação e melhoram o apetite a curto prazo, mas têm efeitos adversos a longo prazo.
- Grelina e análogos: Hormônio produzido no estômago que estimula o centro da fome; análogos sintéticos estão em estudo e uso restrito.
O conhecimento desses mecanismos ajuda o médico a escolher o fármaco mais adequado para cada paciente, evitando interações e efeitos colaterais.
Indicações e usos aprovados
No Brasil, as principais indicações aprovadas pela ANVISA para estimulantes de apetite incluem:
- Anorexia-caquexia associada ao câncer (acetato de megestrol é o mais estudado e recomendado por diretrizes nacionais e internacionais).
- Anorexia em pacientes com HIV/AIDS (dronabinol e megestrol são aprovados).
- Perda de apetite em idosos (uso off-label de mirtazapina ou baixas doses de corticoides, sempre com cautela).
- Transtornos alimentares (anorexia nervosa, bulimia – uso restrito a psiquiatras, mirtazapina ou olanzapina como coadjuvantes).
- Náuseas e vômitos induzidos por quimioterapia (dronabinol é opção de segunda linha).
É importante lembrar que nenhum desses medicamentos é um “tônico” inespecífico. O uso deve ser baseado em diagnóstico e acompanhamento médico, com metas claras de ganho de peso e melhora nutricional.
Como tomar: dosagem e administração
A dose varia conforme o medicamento, a condição clínica e a resposta individual:
- Acetato de megestrol: Comprimidos ou suspensão oral. Dose inicial típica: 160 mg/dia (até 800 mg/dia em casos refratários). Tomar uma vez ao dia, preferencialmente após refeição para reduzir desconforto gástrico.
- Dronabinol: Cápsulas de 2,5 mg; iniciar com 2,5 mg duas vezes ao dia (almoço e jantar). Pode ser ajustado até 20 mg/dia para náuseas. Efeito máximo em 1-2 horas.
- Mirtazapina: 15 mg ao deitar (dose inicial). Adultos podem chegar a 45 mg/dia. O ganho de peso é mais comum em doses baixas (15-30 mg).
- Corticoides: Dexametasona 4-8 mg/dia por curto período (até 2-3 semanas). Uso prolongado requer cautela.
A duração do tratamento deve ser a menor possível para atingir os objetivos. Ajustes são feitos com base no peso, apetite e efeitos colaterais. Nunca interrompa bruscamente corticoides ou megestrol – redução gradual é necessária.
Efeitos colaterais e reações adversas
Embora úteis, esses medicamentos podem causar reações significativas:
- Acetato de megestrol: Ganho de peso (muitas vezes à custa de gordura, não massa magra), retenção hídrica, insuficiência adrenal (supressão do eixo HHA), risco aumentado de trombose venosa profunda (TVP), hiperglicemia, hipertensão e câimbras. Contraindicado se histórico de TVP.
- Dronabinol: Sonolência, tontura, confusão, euforia, boca seca, aumento do apetite, taquicardia. Pode causar dependência psicológica. Evitar dirigir.
- Mirtazapina: Sonolência (geralmente melhora com o tempo), ganho de peso, aumento do apetite, boca seca, constipação, aumento do colesterol e triglicerídeos. Pode provocar agitação paradoxal em alguns pacientes.
- Corticoides: Insônia, aumento da glicemia, osteoporose, catarata, imunossupressão, síndrome de Cushing iatrogênica (face de lua cheia, estrias).
O médico deve monitorar regularmente exames de sangue (glicemia, eletrólitos, função adrenal), peso e sinais de trombose. Qualquer sintoma suspeito deve ser relatado imediatamente.
Contraindicações e precauções
Cada medicamento tem suas contraindicações específicas:
- Acetato de megestrol: Gravidez (categoria X – pode causar danos fetais), histórico de trombose, insuficiência adrenal não tratada, diabetes descontrolado, insuficiência hepática grave.
- Dronabinol: Hipersensibilidade a canabinoides, psicose ativa ou história de esquizofrenia, doença cardíaca grave (arritmias, insuficiência coronariana), gestação e lactação.
- Mirtazapina: Hipersensibilidade, uso concomitante de IMAOs, glaucoma de ângulo fechado, hipertrofia prostática com retenção urinária, insuficiência hepática grave.
- Corticoides: Infecções fúngicas sistêmicas, úlcera péptica ativa, diabetes mal controlado, hipertensão grave, osteoporose avançada.
Pacientes com insuficiência renal, hepática ou cardíaca requerem ajuste de dose e monitoramento mais frequente. Idosos são mais suscetíveis a efeitos adversos (delirium, quedas, retenção hídrica).
Interações medicamentosas importantes
Os orexígenos podem interagir com outros fármacos, potencializando ou reduzindo seus efeitos:
- Megestrol + anticoagulantes orais (varfarina): Pode aumentar o risco de sangramento; monitorar INR.
- Megestrol + insulina/hipoglicemiantes: Pode elevar a glicemia, exigindo ajuste de dose.
- Dronabinol + depressores do SNC (benzodiazepínicos, opioides, álcool): Efeito sedativo aditivo, risco de depressão respiratória.
- Mirtazapina + IMAOs (inibidor da monoaminoxidase): Risco de síndrome serotoninérgica (hipertermia, rigidez, confusão).
- Corticoides + AINEs (ibuprofeno, diclofenaco): Aumento do risco de úlcera gástrica e sangramento.
Sempre informe ao médico todos os medicamentos que está usando, inclusive fitoterápicos (ex.: erva-de-são-joão pode reduzir eficácia de mirtazapina).
Diferença entre genérico e referência
No Brasil, o acetato de megestrol é comercializado como referência (Megestrol®) e genéricos de diversas marcas. A mirtazapina também possui genéricos e referência (Remeron®). O dronabinol é encontrado como Marinol® (referência) e versões genéricas. De acordo com a ANVISA, medicamentos genéricos possuem a mesma eficácia, segurança e qualidade que o de referência, desde que sejam registrados e testados. A diferença pode estar nos excipientes (corantes, conservantes) e no preço.
Na prática, muitos médicos prescrevem a referência por hábito, mas a substituição por genérico é permitida na farmácia, salvo quando o médico assinala “não substituir”. Para pacientes com alergia a corantes específicos, a marca referência pode ser preferível. O custo-benefício do genérico costuma ser mais vantajoso para tratamentos prolongados.
Quando procurar médico
Procure avaliação médica se:
- A falta de apetite durar mais de 2 semanas.
- Você ou um familiar perdeu peso sem intenção (≥ 5% do peso corporal em 1 a 3 meses).
- Houver sintomas associados: náusea, vômito, dor abdominal, febre, cansaço extremo, tristeza profunda.
- A perda de apetite estiver atrapalhando as atividades diárias ou a recuperação de uma doença.
- Você está em tratamento oncológico, HIV ou cuidados paliativos e deseja melhorar a ingestão alimentar.
O médico realizará exame físico, solicitará exames laboratoriais (hemograma, função hepática, renal, tireoidiana, dosagem de vitaminas) e poderá indicar avaliação nutricional. Nunca recorra a “remédios para abrir o apetite” por conta própria – eles não são inofensivos.
- 01. Faça refeições menores e mais frequentes (5 a 6 vezes ao dia) – seu cérebro responde melhor a pequenas porções.
- 02. Enriqueça os pratos com óleos saudáveis (azeite, óleo de coco), abacate, pasta de amendoim, leite em pó para aumentar calorias sem aumentar volume.
- 03. Evite beber líquidos durante as refeições; prefira 30 minutos antes ou depois para não encher o estômago.
- 04. Use temperos e ervas para despertar o paladar: gengibre, hortelã, alecrim, limão.
- 05. Pratique atividade física leve (caminhada, alongamento) – o movimento estimula a liberação de hormônios que aumentam a fome.
- 06. Mantenha uma rotina de horários para comer, mesmo sem fome; o hábito condiciona o cérebro.
- 07. Consulte um nutricionista para suplementação oral com fórmulas hipercalóricas (como Ensure®, Nutridrink®).
Perguntas Frequentes sobre remédio para abrir o apetite
Remédio para abrir o apetite realmente funciona?
Sim, quando indicado para a causa correta. Pacientes com anorexia por doenças crônicas costumam responder bem, especialmente ao acetato de megestrol e dronabinol. Contudo, a eficácia depende do diagnóstico e do acompanhamento multidisciplinar.
Qual o melhor remédio para abrir o apetite?
Não existe um “melhor” universal. A escolha depende da doença de base, perfil de efeitos colaterais e contraindicações. O acetato de megestrol é o mais prescrito para caquexia oncológica, enquanto a mirtazapina é útil em quadros depressivos com perda de apetite.
Posso comprar remédio para abrir o apetite sem receita?
Não. Todos os medicamentos orexígenos (megestrol, dronabinol, mirtazapina, corticoides) são de venda sob prescrição médica. Exigem receita para dispensação em farmácias.
Existe remédio natural para abrir o apetite?
Alguns fitoterápicos como gengibre, cúrcuma, absinto e chá de artemísia são usados popularmente, mas não há fortes evidências científicas de eficácia. O mais seguro é buscar orientação médica antes de qualquer substância.
Remédio para abrir o apetite engorda?
O objetivo é exatamente esse: promover ganho de peso. Mas nem sempre o peso ganho é saudável – pode ser gordura visceral e retenção hídrica. Por isso, o tratamento deve ser associado a dieta equilibrada e exercícios.
Quanto tempo leva para o remédio fazer efeito?
O aumento do apetite pode ser notado em 3 a 7 dias para megestrol e dronabinol. Com mirtazapina, os efeitos orexígenos surgem entre 1 a 4 semanas. O ganho de peso significativo leva de 2 a 4 semanas.
Idoso pode tomar remédio para abrir o apetite?
Sim, mas com cuidado redobrado. Idosos são mais sensíveis a efeitos colaterais (tontura, queda, delírio). O médico deve ajustar doses e monitorar função renal e hepática. A mirtazapina em baixa dose (15 mg/dia) é uma opção comum em geriatria.
Remédio para abrir o apetite causa dependência?
O dronabinol (canabinoide) tem potencial de dependência psicológica e tolerância. O megestrol e a mirtazapina não causam dependência clássica, mas a suspensão abrupta de corticoides pode provocar insuficiência adrenal – a retirada deve ser gradual.
Pode tomar remédio para abrir o apetite durante a quimioterapia?
Sim, e é uma indicação frequente. O acetato de megestrol é amplamente usado em oncologia, mas deve ser prescrito pelo oncologista ou médico assistente, considerando interações com quimioterápicos.
Crianças podem usar esses medicamentos?
O uso pediátrico é off-label na maioria dos casos. Apenas em situações especiais (ex.: perda de peso grave em doenças crônicas) e com supervisão especializada. Não se recomenda automedicação.
Revisão médica: Conteúdo revisado pela equipe médica da Clinica Popular Fortaleza, com base em evidências científicas atualizadas e protocolos do Ministério da Saúde do Brasil.
Última atualização: 25/06/2026
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Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. Não substitui consulta médica profissional. Sempre consulte um médico ou profissional de saúde habilitado para diagnóstico e tratamento.
Fontes consultadas:
MedlinePlus – Megestrol |
MSD Saúde – Anorexia e caquexia
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