Você já reparou numa feridinha na perna que simplesmente não sara? Aquela que insiste em voltar, que dói e às vezes até solta um líquido? Se isso te parece familiar, saiba que você não está sozinho. Muita gente convive com esse problema sem saber que ele tem nome e tratamento.
Na verdade, as úlceras cutâneas são mais comuns do que parece. Um paciente de 58 anos nos contou que passou meses tratando uma “ferida qualquer” em casa, até que ela infeccionou e ele quase perdeu a mobilidade da perna. O susto foi grande, mas serviu de alerta.
O que são úlceras cutâneas — explicação real, não de dicionário
Imagine a pele como uma barreira de proteção. Quando essa barreira se rompe e não consegue se regenerar no tempo esperado, formam-se as úlceras cutâneas. Elas não são simples machucados: são lesões profundas que podem atingir camadas internas, gordura e até músculo.
É mais comum do que se imagina. A Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular estima que cerca de 5% dos adultos tenham alguma forma de úlcera crônica, principalmente nas pernas e nos pés. O que muitos não sabem é que essas feridas têm causas específicas e precisam de tratamento direcionado.
Úlceras cutâneas é normal ou preocupante?
Não, não é normal. Pequenos cortes e arranhões cicatrizam em poucos dias. Quando uma ferida persiste por semanas ou meses, algo está errado na capacidade de regeneração da pele ou na circulação local.
Se você tem úlceras cutâneas que voltam com frequência, é sinal de que o corpo está dando um aviso. Pode ser um problema venoso, arterial, metabólico ou até mesmo infeccioso. Ignorar é arriscar que a lesão se aprofunde e se torne de difícil tratamento.
Úlceras cutâneas pode indicar algo grave?
Sim, especialmente quando associadas a condições crônicas. Segundo o Ministério da Saúde, as úlceras cutâneas em pacientes diabéticos são a principal causa de amputações não traumáticas no Brasil. As úlceras venosas e arteriais podem evoluir para infecção generalizada (sepse) se não forem tratadas adequadamente.
Na prática, o perigo não está só na ferida em si, mas no que ela representa: um desequilíbrio interno que precisa ser identificado.
Causas mais comuns
Causas vasculares
A insuficiência venosa crônica é a campeã. O sangue não consegue voltar direito das pernas ao coração, acumula-se e rompe a pele. Já a insuficiência arterial reduz o oxigênio nos tecidos, dificultando a cicatrização.
Diabetes e neuropatia
O excesso de glicose no sangue danifica nervos e vasos. A pessoa perde a sensibilidade nos pés e não percebe pequenas lesões, que viram úlceras cutâneas. A cicatrização lenta é agravada pela imunidade baixa.
Pressão prolongada
Pessoas acamadas ou em cadeiras de rodas desenvolvem as temidas úlceras de pressão (escaras). A falta de movimento comprime os tecidos contra o osso, interrompendo a circulação.
Outros fatores incluem doenças autoimunes, como a polimiosite, que pode causar lesões cutâneas, e infecções crônicas como a giardíase, que leva à desnutrição e prejudica a regeneração da pele.
Sintomas associados
- Ferida aberta que não fecha em 2 semanas
- Dor local, que pode piorar ao levantar as pernas (caso venoso) ou ao caminhar (caso arterial)
- Vermelhidão, calor ou inchaço ao redor
- Presença de pus, secreção amarelada ou com odor
- Pele escurecida ou endurecida nas bordas
- Coceira intensa na região
Uma úlcera cutânea infeccionada pode evoluir para celulite ou abscesso. Por isso, ao notar qualquer desses sinais, procure um médico.
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico começa com uma conversa sobre seu histórico e um exame físico da lesão. O profissional pode solicitar exames de imagem, como o Doppler vascular, para avaliar a circulação. A Organização Mundial da Saúde reforça que o diagnóstico precoce é essencial para evitar complicações.
Em alguns casos, exames de sangue ajudam a descartar diabetes, anemia ou infecções. A cultura da secreção identifica o microrganismo causador, permitindo o tratamento com antibióticos específicos.
Tratamentos disponíveis
O tratamento varia conforme a causa, mas sempre inclui:
- Limpeza adequada da ferida – com soro fisiológico e gaze estéril, sem produtos caseiros
- Curativos especiais – hidrocolóides, alginato ou espuma, que mantêm o ambiente úmido e favorecem a cicatrização
- Terapia compressiva – meias ou faixas elásticas para melhorar o retorno venoso
- Medicação – analgésicos, anti-inflamatórios e antibióticos se houver infecção
- Correção da causa base – controle do diabetes, cirurgia vascular ou desbridamento de tecido morto
Nos casos mais graves, a radiculopatia pode causar imobilidade e favorecer novas úlceras, exigindo fisioterapia e mudança de posição frequente.
O que NÃO fazer
- Não use álcool, água oxigenada ou produtos caseiros na ferida – eles irritam e retardam a cicatrização
- Não ignore a dor – ela é um sinal de que algo não vai bem
- Não tente “estourar” bolhas ou retirar cascas – isso abre portas para infecções
- Não aplique pomadas sem orientação médica – muitas contêm corticoides que podem piorar a lesão
Se os sintomas persistem ou estão piorando, você pode estar ignorando um problema mais sério. Uma avaliação médica rápida pode evitar complicações.
Perguntas frequentes sobre úlceras cutâneas
Qual a diferença entre úlcera venosa e arterial?
A venosa geralmente ocorre na parte inferior da perna, é mais rasa e dolorida ao ficar muito tempo em pé. A arterial aparece nos pés e dedos, é mais profunda e dói ao elevar a perna.
Úlcera cutânea tem cura?
Sim, desde que a causa seja identificada e tratada. Muitas cicatrizam com cuidados adequados, mas podem recidivar se o fator desencadeante não for controlado.
Posso usar pomada de antibiótico por conta própria?
Não. O uso indiscriminado pode selecionar bactérias resistentes e piorar a infecção. Só use com prescrição médica.
Diabetes causa úlceras nos pés?
Sim, é uma das causas mais frequentes. O controle rigoroso da glicemia é fundamental para prevenir e tratar as úlceras cutâneas em diabéticos.
Quanto tempo leva para uma úlcera cicatrizar?
Depende do tamanho, profundidade e causa. Úlceras venosas bem tratadas podem levar de 4 a 12 semanas. As arteriais, se a circulação for restaurada, podem fechar em semanas.
O que é desbridamento?
É a remoção do tecido morto ou infectado da ferida, feita pelo médico. Acelera a cicatrização e permite que o curativo atue melhor.
É normal a úlcera feder?
Não. Odor forte é sinal de infecção bacteriana. Procure um serviço de saúde o quanto antes.
Alimentação influencia na cicatrização?
Sim. Uma dieta rica em proteínas, vitaminas A e C, zinco e ferro ajuda na regeneração dos tecidos. A desnutrição, por sua vez, atrasa a cicatrização.
Quem está mais sujeito a ter úlceras cutâneas?
Idosos, diabéticos, fumantes, pessoas com varizes, acamados ou com mobilidade reduzida, e portadores de doenças autoimunes, como a dermatose acantolítica transitória de Grover.
Úlcera cutânea pode ser contagiosa?
Normalmente não, mas se houver infecção por bactérias ou fungos, o contato com a secreção pode transmitir o microrganismo para outra pessoa. Mantenha a ferida coberta.
Revisão médica: Conteúdo revisado por profissional de saúde (CRM ativo).
Última atualização: Abril de 2026
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a consulta médica. Procure sempre um profissional de saúde para diagnóstico e tratamento adequados.
Entenda seus sintomas, conheça os tratamentos e saiba quando buscar ajuda médica.
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