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Como lavar as mãos corretamente evita doenças no inverno

Você já sentiu aquele friozinho na barriga ao pensar em quantas viroses andam circulando no inverno? Não se preocupe, você não está sozinho — a maioria de nós se preocupa com a saúde da família quando as temperaturas caem. A boa notícia é que existe um hábito simples, barato e poderoso que pode ser o seu maior escudo: lavar as mãos corretamente.

Por que a higiene das mãos é tão importante no inverno?

No inverno, passamos mais tempo em ambientes fechados, com pouca ventilação. Isso faz com que vírus e bactérias circulem com muito mais facilidade. As mãos são o principal veículo de transmissão: tocamos em maçanetas, celulares, corrimões e, sem perceber, levamos esses germes aos olhos, nariz e boca.

Estudos mostram que lavar as mãos com água e sabão pode reduzir em até 50% o risco de infecções respiratórias. Isso acontece porque o sabão quebra a camada de gordura dos vírus, inativando-os. E não é só sobre COVID-19: gripes, resfriados, norovírus e até conjuntivites virais têm a transmissão reduzida com essa prática.

Os 7 passos que você precisa saber (e ensinar para todo mundo)

Você pode até achar que sabe lavar as mãos, mas a ciência mostra que a maioria das pessoas passa menos de 10 segundos nessa tarefa. O ideal? Pelo menos 20 segundos. Veja o passo a passo aprovado pela Organização Mundial da Saúde:

  1. Molhe as mãos com água corrente (não precisa ser quente, água fria já funciona).
  2. Aplique sabão suficiente para cobrir toda a superfície das mãos.
  3. Esfregue as palmas entre si.
  4. Esfregue a palma direita sobre o dorso da mão esquerda (e vice-versa), entrelaçando os dedos.
  5. Esfregue as costas dos dedos contra a palma oposta, com os dedos entrelaçados.
  6. Esfregue o polegar esquerdo com a mão direita (movimento rotatório) e repita com o outro polegar.
  7. Esfregue as pontas dos dedos na palma oposta, em movimentos circulares. Enxágue e seque com papel toalha descartável.

Dica extra: se estiver em local sem água, use álcool em gel 70% — mas lembre-se: ele não substitui a lavagem quando as mãos estão visivelmente sujas.

Os 5 momentos em que você NÃO pode esquecer de lavar as mãos

Muita gente só lava as mãos depois de usar o banheiro, mas existem momentos críticos no inverno que merecem atenção redobrada. Anote aí:

  • Antes de comer ou preparar alimentos: principalmente se você cozinha para crianças ou idosos.
  • Depois de tossir, espirrar ou assoar o nariz: mesmo que você tenha usado lenço descartável.
  • Ao chegar da rua: antes de tocar em qualquer superfície da casa ou no rosto.
  • Depois de usar transporte público: ônibus, metrô e Uber acumulam germes de dezenas de pessoas.
  • Antes e depois de visitar alguém doente: para proteger tanto o paciente quanto você.

Erros comuns que transformam a lavagem em risco

Você pode estar se esforçando, mas pequenos deslizes podem comprometer todo o benefício. Veja os erros mais frequentes:

  • Usar água muito quente: resseca a pele e pode causar microfissuras, que são portas de entrada para bactérias.
  • Esquecer as unhas e os polegares: essas áreas concentram até 80% dos germes das mãos.
  • Secar as mãos em toalhas de tecido compartilhadas: em banheiros públicos, prefira papel toalha ou secadores automáticos.
  • Lavar apenas com água: sem sabão, você apenas remove a sujeira visível, mas os vírus permanecem ativos.
  • Passar álcool em gel em mãos sujas ou úmidas: o álcool perde eficácia quando diluído ou bloqueado por sujeira.

Como transformar esse hábito em algo natural para as crianças

Se você tem filhos pequenos, sabe que convencê-los a lavar as mãos pode ser uma batalha diária. A boa notícia é que existem truques que funcionam:

  • Crie uma música de 20 segundos: cante “Parabéns a você” duas vezes enquanto ensaboa.
  • Use sabonetes coloridos ou com cheirinho: o estímulo sensorial ajuda a criança a querer repetir o gesto.
  • Seja o exemplo: lave as mãos junto com a criança e explique por que está fazendo aquilo.
  • Transforme em jogo: pergunte “será que conseguimos espalhar o sabão até as pontas dos dedos antes do final da música?”

Crianças que aprendem cedo a higiene das mãos têm até 30% menos faltas na escola durante o inverno. É um investimento que vale ouro.

Mitos e verdades sobre lavar as mãos no frio

Você já ouviu por aí que lavar as mãos com frequência tira a imunidade? Ou que água fria não mata germes? Vamos esclarecer:

  • Mito: lavar as mãos com frequência enfraquece o sistema imunológico. Verdade: o sistema imunológico se fortalece com exposição controlada, não com sujeira acumulada. A lavagem remove patógenos perigosos sem prejudicar sua defesa natural.
  • Mito: água gelada não limpa. Verdade: a temperatura da água não interfere na remoção de germes. O que importa é a fricção e o tempo de contato com o sabão.
  • Mito: sabão antibacteriano é melhor. Verdade: sabão comum já é suficiente. Os antibacterianos podem contribuir para a resistência bacteriana e não são mais eficazes contra vírus.
  • Mito: luvas descartáveis substituem a lavagem. Verdade: luvas podem dar falsa sensação de segurança. Se você tocar em superfícies contaminadas com luvas e depois tocar o rosto, a contaminação acontece do mesmo jeito.

O que fazer quando não há água e sabão por perto?

Nem sempre temos acesso a uma pia. Para esses momentos, o álcool em gel 70% é um aliado. Mas atenção: ele só funciona se suas mãos não estiverem visivelmente sujas ou engorduradas. Aplique uma quantidade generosa (cerca de 3 ml) e esfregue por 20 a 30 segundos, até secar completamente.

Outra opção são os lenços umedecidos antissépticos, mas eles são menos eficazes que o álcool em gel. Se possível, carregue um pequeno frasco na bolsa ou mochila — especialmente em dias de passeio ou consultas médicas.

Proteja quem você ama com esse gesto simples

Lavar as mãos corretamente é um ato de cuidado que vai muito além de você. Quando você adota esse hábito, está protegendo seus pais, seus filhos, seus colegas de trabalho e até o motorista do ônibus. No inverno, quando os hospitais lotam com casos de gripe e pneumonia, a prevenção é o único recurso que realmente funciona a curto prazo.

Se você ou alguém da sua família apresentar sintomas como febre alta, tosse persistente, falta de ar ou cansaço extremo, não hesite em buscar atendimento médico. A hidratação e o repouso são importantes, mas apenas um profissional pode avaliar se há necessidade de exames ou medicação específica. Prevenir é bom, mas cuidar com responsabilidade é ainda melhor.

Ana Beatriz Melo
Ana Beatriz Melohttps://clinicapopularfortaleza.com.br
Ana Beatriz Melo é jornalista de saúde com mais de 8 anos de experiência em comunicação médica. Graduada em Jornalismo pela UFC e com MBA em Gestão da Saúde pela FGV, atua como editora-chefe do Clínica Popular Fortaleza. Seu trabalho é pautado pela precisão científica, responsabilidade editorial e compromisso com a saúde pública brasileira.

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