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Como parar de roer as unhas: guia prático

Você já escondeu as mãos para não mostrar as unhas roídas? Ou prometeu parar várias vezes e, sem perceber, já estava roendo de novo? Saiba que isso não é falta de força de vontade — é um hábito que o seu cérebro automatizou, muitas vezes como resposta à ansiedade ou ao tédio. A boa notícia é que, com as estratégias certas, é possível parar de roer unhas de vez e recuperar a autoestima.

1. Por que roemos as unhas? (E por que não é culpa sua)

A onicofagia (nome técnico para o hábito de roer unhas) é considerada um transtorno do controle de impulsos, muito comum em crianças e adultos. Estudos indicam que até 30% da população já teve ou tem esse comportamento. Ele geralmente está ligado a:

  • Ansiedade e estresse: roer as unhas libera uma pequena sensação de alívio imediato, como um “escape” para a tensão.
  • Tédio ou concentração excessiva: muitas pessoas roem as unhas quando estão entediadas ou profundamente focadas em algo (como ler ou estudar).
  • Perfeccionismo: acredite, quem roe unhas muitas vezes é mais crítico consigo mesmo e busca uma “perfeição” inatingível.
  • Hereditariedade: sim, há uma componente genética. Se seus pais roíam, as chances são maiores.

Entender que isso não é “falta de vergonha na cara” é o primeiro passo para tratar o hábito com gentileza e eficácia.

2. Estratégias práticas para parar de roer unhas hoje

Você não precisa de tratamentos caros ou milagrosos. Pequenas mudanças no dia a dia criam barreiras físicas e mentais. Veja o que funciona de verdade:

  1. Mantenha as unhas curtas e lixadas: unhas curtas oferecem menos “superfície” para roer e, se estiverem bem lixadas, diminuem o gatilho visual de imperfeições.
  2. Use esmaltes com gosto amargo: existem esmaltes específicos (vendidos em farmácias) com um gosto desagradável e inofensivo. Cada vez que você leva a mão à boca, o cérebro associa o hábito a uma experiência negativa.
  3. Crie um “substituto” para as mãos: tenha por perto um objeto para apertar (bolinha antiestresse), uma pedra lisa ou até um elástico de cabelo. Quando sentir vontade de roer, use o objeto.
  4. Identifique seus gatilhos: por uma semana, anote em que momentos você roe as unhas. É vendo TV? No trânsito? Durante reuniões? Saber o gatilho ajuda a antecipar e evitar.
  5. Estabeleça metas pequenas: prometa não roer por 1 hora. Depois, por meio dia. Comemore cada pequena vitória com algo que você gosta (um café especial, um episódio de série).

3. O poder dos lembretes visuais e do autocuidado

Nosso cérebro responde muito bem a estímulos visuais. Se você quer parar de roer unhas, torne o processo visível e prazeroso:

  • Use um adesivo ou pulseira: coloque um adesivo colorido no celular ou no relógio. Cada vez que olhar, lembre-se: “Mãos longe da boca”.
  • Invista em um creme para as mãos: passar creme hidratante várias vezes ao dia não só melhora a aparência das unhas e cutículas, como também te obriga a tocar nas mãos de forma consciente e carinhosa.
  • Faça as unhas uma vez por semana: mesmo que você seja homem ou não goste de esmaltes, lixar, polir e hidratar as unhas cria um cuidado que reduz a vontade de roer. Você passa a ver as unhas como algo que merece cuidado, não destruição.
  • Tenha uma “imagem motivadora”: salve no celular uma foto de mãos bonitas e saudáveis. Olhe para ela sempre que bater a vontade de roer.

4. Quando buscar ajuda profissional?

Para a maioria das pessoas, as estratégias acima são suficientes. Mas em alguns casos, o hábito pode ser mais intenso e estar ligado a transtornos como ansiedade generalizada, TOC ou dermatilomania (vontade de cutucar a pele). Considere procurar um psicólogo ou psiquiatra se:

  • Você já tentou várias técnicas e não consegue parar por mais de alguns dias.
  • Roer as unhas causa feridas, sangramentos ou infecções frequentes.
  • O hábito atrapalha sua vida social ou profissional (você esconde as mãos, evita apertar as mãos, etc.).
  • Você sente que não tem controle sobre o impulso, mesmo quando quer muito parar.

Um profissional pode ajudar com terapia cognitivo-comportamental (TCC), que é altamente eficaz para quebrar hábitos automáticos, ou, em casos específicos, com medicamentos que reduzem a ansiedade.

5. Como prevenir recaídas e manter o progresso

Você conseguiu parar por alguns dias ou semanas? Parabéns! Mas saiba que recaídas são normais e não significam fracasso. O importante é não desistir. Veja como se manter no caminho:

  1. Não se culpe se roer uma unha: a culpa gera mais ansiedade, que gera mais vontade de roer. Diga a si mesmo: “Ok, aconteceu. Vou recomeçar agora.”
  2. Mantenha o kit de emergência sempre à mão: tenha um lixinho, um esmalte amargo e um hidratante na mochila, no carro ou na gaveta do escritório.
  3. Compartilhe com alguém de confiança: contar para um amigo ou familiar que você está tentando parar ajuda a criar um compromisso e receber apoio nos momentos difíceis.
  4. Observe o progresso: tire fotos das suas unhas a cada 3 dias. Ver a evolução (unhas mais fortes, compridas e bonitas) é um dos maiores motivadores.

Lembre-se: o cérebro leva em média 21 a 66 dias para criar um novo hábito. Seja paciente e celebre cada pequena conquista.

6. Benefícios que vão além da estética

Quando você consegue parar de roer unhas, os ganhos vão muito além de mãos bonitas. Estudos mostram que a onicofagia está associada a um risco maior de infecções (já que as mãos transportam bactérias para a boca) e problemas dentários, como desgaste do esmalte dos dentes. Ao parar, você:

  • Melhora a saúde bucal: reduz a pressão sobre os dentes e a gengiva.
  • Diminui o risco de infecções: evita a entrada de germes que podem causar desde gripes até infecções intestinais.
  • Fortalece a autoestima: mãos cuidadas transmitem confiança e bem-estar.
  • Reduz a ansiedade a longo prazo: ao quebrar o ciclo do hábito, você aprende a lidar com o estresse de forma mais saudável.

Lembre-se: sempre consulte um médico antes de tomar qualquer decisão sobre sua saúde.


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Ana Beatriz Melo
Ana Beatriz Melohttps://clinicapopularfortaleza.com.br
Ana Beatriz Melo é jornalista de saúde com mais de 8 anos de experiência em comunicação médica. Graduada em Jornalismo pela UFC e com MBA em Gestão da Saúde pela FGV, atua como editora-chefe do Clínica Popular Fortaleza. Seu trabalho é pautado pela precisão científica, responsabilidade editorial e compromisso com a saúde pública brasileira.

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