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Exame de Urina: Como Interpretar o Resultado do EAS / Urina Tipo 1






Exame de Urina: Como Interpretar o Resultado do EAS / Urina Tipo 1


📊 Em Destaque 2026

Estima-se que 50% das mulheres adultas terão pelo menos um episódio de infecção urinária ao longo da vida. O exame de urina resultado (EAS) é o primeiro passo para o diagnóstico, com sensibilidade de 80-90% para leucócitos e nitrito. Além disso, cerca de 10% da população apresenta hematúria microscópica em algum momento, e a proteinúria persistente atinge 3-5% dos adultos, sendo um marcador precoce de doença renal crônica.

Você acabou de receber o resultado do exame de urina e viu que a quantidade de leucócitos está elevada, ou talvez o nitrito apareceu como positivo. É normal se perguntar: o que isso significa? Estou com infecção? Preciso tomar antibiótico? O exame de urina tipo 1 (EAS – Elementos Anormais e Sedimento) é um dos testes laboratoriais mais solicitados na prática clínica, pois fornece informações valiosas sobre o trato urinário e a função renal. Neste artigo, médico e redator especialista em laboratório clínico, explico cada parâmetro do exame de urina resultado, seus valores de referência, causas de alterações e o que fazer diante de um laudo alterado. Você aprenderá a interpretar o sumário de urina de forma clara e segura, sempre lembrando que o diagnóstico definitivo é médico.

⚠️ Atenção: Este artigo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. Resultados de exames devem ser interpretados por um médico no contexto clínico completo de cada paciente. Não use este conteúdo para autodiagnóstico ou automedicação. Se você apresentar sintomas como dor ao urinar, febre, urina com sangue ou inchaço, procure um profissional de saúde imediatamente.

Valores de Referência do EAS / Urina Tipo 1

Categoria Valor Referência
Cor Amarela clara a amarelo âmbar
Aspecto Límpido
Densidade urinária 1.010 – 1.025
pH 4,5 – 8,0 (normal 5-6)
Leucócitos (piócitos) < 5 / campo células/campo (400x)
Nitrito Negativo
Hemácias < 2 / campo células/campo (400x)
Proteína Traços (até 10 mg/dL)
Glicose Negativo
Cetonas Negativo
Cilindros hialinos 0 – 2 / campo (raros)
Cristais Ausentes ou raros (oxalato de cálcio, ácido úrico)

O que é o exame de urina tipo 1 (EAS) e para que serve

O exame de urina tipo 1, também chamado de EAS (Elementos Anormais e Sedimento) ou sumário de urina, é uma análise laboratorial que avalia as características físicas, químicas e microscópicas da urina. Ele é amplamente utilizado para rastrear infecções do trato urinário (ITU), doenças renais, distúrbios metabólicos (como diabetes) e até mesmo problemas hepáticos. O exame é simples, não invasivo e fornece pistas importantes para o diagnóstico. O exame de urina resultado normal indica que os rins estão filtrando adequadamente e não há sinais de infecção ou lesão. Mas quando algum parâmetro foge da referência, o médico pode solicitar exames complementares, como urocultura, ultrassom ou dosagens sanguíneas.

Preparo e coleta correta: como não errar

A coleta adequada é essencial para um exame de urina resultado confiável. Recomenda-se segurar a urina por 2 a 4 horas antes da coleta (ou usar a primeira urina da manhã), pois assim a amostra fica mais concentrada e os elementos anormais são mais facilmente detectados. A higiene íntima deve ser feita com água e sabão neutro, secando com toalha limpa. A mulher deve afastar os grandes lábios e o homem retrair o prepúcio (se não circuncidado). Coletar o jato médio diretamente no recipiente estéril, descartando o primeiro jato (que carreia contaminantes da uretra). Evite coletar durante o período menstrual, pois sangue pode falsear o resultado para hemácias. Não deixe a amostra em temperatura ambiente por mais de 2 horas; se possível, leve ao laboratório imediatamente ou refrigere (2-8°C).

Parâmetros físicos: cor, aspecto, densidade e pH

Cor: Normalmente amarela clara a âmbar, devido ao pigmento urocromo. Urina muito clara pode indicar excesso de hidratação; escura pode ser desidratação, presença de bilirrubina (cor de chá) ou sangue (avermelhada). Alimentos como beterraba e medicamentos também alteram a cor.

Aspecto: Límpido é o normal. Turvação pode ser causada por leucócitos, hemácias, cristais ou bactérias. Um aspecto opaco frequentemente acompanha infecção urinária.

Densidade: Mede a concentração de solutos. Varia de 1.010 a 1.025 em condições normais. Densidade baixa (hipostenúria) aparece em diabetes insípido ou ingestão excessiva de água; densidade alta ocorre na desidratação, insuficiência cardíaca ou proteinúria intensa.

pH: O pH urinário normal fica entre 5 e 6 (levemente ácido), mas pode variar de 4,5 a 8,0. pH alcalino (>7) sugere infecção por bactérias que urease (como Proteus), dieta vegetariana ou uso de bicarbonato. pH muito ácido pode estar associado a dieta rica em proteínas, acidose metabólica ou consumo de ácido ascórbico.

Leucócitos e nitrito – infecção urinária

Os leucócitos (piócitos) são glóbulos brancos que indicam inflamação. No exame de urina resultado normal, encontramos menos de 5 leucócitos por campo de alta magnificação (400x). Quando esse número está acima de 5, chamamos de leucocitúria, e a principal causa é a infecção urinária (ITU). Outras causas incluem inflamação vaginal (contaminação), tuberculose urinária, nefrite intersticial ou uso de cateter vesical.

O nitrito é um teste enzimático indireto para bactérias gram-negativas (como Escherichia coli, Klebsiella, Proteus). Essas bactérias convertem nitrato urinário em nitrito. O teste tem alta especificidade (cerca de 95%) para ITU quando positivo, mas sensibilidade moderada (cerca de 50-70%), pois nem todas as bactérias produzem nitrito. Portanto, nitrito positivo praticamente confirma infecção bacteriana, mas nitrito negativo não a exclui. Quando associamos leucocitúria + nitrito positivo + sintomas (disúria, polaciúria, urgência), a probabilidade de ITU é muito alta e o antibiótico empírico pode ser iniciado.

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Hemácias – hematúria: sangue na urina

A presença de hemácias na urina (hematúria) é definida como mais de 2 hemácias por campo. Pode ser microscópica (detectada apenas ao microscópio) ou macroscópica (urina avermelhada). As causas são variadas: infecção urinária, cálculos renais (litiase), glomerulonefrite, trauma, tumores do trato urinário (bexiga, rim), exercício físico intenso, menstruação ou uso de anticoagulantes. Na glomerulonefrite, as hemácias costumam ser dismórficas (acantócitos). A hematúria isolada sem leucócitos ou proteinúria significativa pode ser benigna, mas sempre requer investigação. Exames complementares como ultrassom, urografia ou cistoscopia podem ser necessários.

Link interno: Confira também Ureia Alta no Sangue: Causas, Valores Normais e O Que Fazer.

Proteína – proteinúria

A presença de proteína na urina (proteinúria) é normal em pequenas quantidades (traços, até 10 mg/dL). Quando o teste mostra 1+ ou mais, indica proteinúria patológica. As principais causas são: doença renal crônica (DRC), glomerulonefrite, síndrome nefrótica, diabetes mellitus descompensado (nefropatia diabética), hipertensão arterial, pré-eclâmpsia na gestação e mieloma múltiplo (proteinúria de Bence Jones). A proteinúria persistente acima de 300 mg/24h é marcador de lesão renal. O médico pode solicitar proteinúria de 24h ou relação proteína/creatinina em amostra isolada para quantificar.

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Glicose e cetonas – diabetes e jejum

A glicose na urina (glicosúria) deve ser negativa. Quando positiva, geralmente indica diabetes mellitus descompensado (glicemia acima do limiar renal, cerca de 180 mg/dL). Outras causas: doença de Fanconi (disfunção tubular), gravidez (glicosúria gestacional), alimentação parenteral ou estresse. A glicosúria isolada sem hiperglicemia sugere distúrbio tubular renal.

As cetonas (cetonúria) são negativas no normal. Aparecem no jejum prolongado, dietas cetogênicas (low carb), exercício extenuante e, principalmente, na cetoacidose diabética (CAD) – emergência médica com altas concentrações de corpos cetônicos, glicemia elevada e acidose. A cetonúria leve pode ocorrer em gestantes com jejum noturno.

Link externo: MedlinePlus – Urinalysis (em inglês).

Cilindros e cristais – sedimento urinário

Os cilindros são estruturas formadas nos túbulos renais a partir da proteína Tamm-Horsfall. Cilindros hialinos (translúcidos) são normais em pequena quantidade, especialmente em urina concentrada. Já os cilindros granulosos, hemáticos, leucocitários ou epiteliais indicam lesão renal ativa. Cilindros hemáticos são típicos de glomerulonefrite; cilindros leucocitários sugerem pielonefrite ou nefrite intersticial.

Os cristais são comuns em urina normal, especialmente oxalato de cálcio e ácido úrico, quando em pequena quantidade. No entanto, cristais em grande número ou associados a sintomas (dor lombar, hematúria) podem indicar litíase renal (cálculo). Cristais de cistina ou estruvita têm significado patológico específico. A análise do sedimento deve ser correlacionada com a clínica.

Link externo: SBAC – Sociedade Brasileira de Análises Clínicas.

Quando tratar ITU e outras alterações

A decisão de tratar uma infecção urinária baseia-se na combinação de leucocitúria (>5/campo) + nitrito positivo + sintomas (disúria, polaciúria, urgência, dor suprapúbica, febre). Nesse cenário, o antibiótico empírico pode ser iniciado, direcionado após urocultura e antibiograma. Em pacientes com sintomas sugestivos de ITU, mas nitrito negativo e leucocitúria isolada, a urocultura é fundamental. A bacteriúria assintomática (leucócitos normais, mas bactérias na cultura) geralmente não requer tratamento, exceto em gestantes ou antes de procedimentos urológicos.

Para proteinúria, hematúria ou cilindros anormais, o tratamento depende da causa subjacente: controle de diabetes e hipertensão na DRC, imunossupressão para glomerulonefrite, litotripsia para cálculos, etc. Nunca se automedique: procure um médico para avaliar seu exame de urina resultado completo.

Link interno: Leia sobre Creatinina Alta: O Que Significa, Valores Normais e O Que Fazer.

Outros exames solicitados junto com o EAS

Frequentemente, o médico pede outros exames para complementar a avaliação: urocultura (padrão-ouro para ITU), creatinina e ureia sanguíneas (função renal), ácido úrico (para gota e risco de cálculo), glicemia de jejum e hemoglobina glicada (controle do diabetes), albumina sérica, hemograma (leucocitose na infecção), ultrassom de rins e vias urinárias (para cálculo, hidronefrose, tumores). Em casos selecionados, proteinúria de 24h ou eletroforese de proteínas podem ser solicitados.

Links internos: Veja também Ácido Úrico Alto: Sintomas, Causas e Como Tratar a Gota, TSH Alto: O Que Significa, Valores e Hipotireoidismo, e Hemoglobina Baixa Sintomas.

🥇 Dicas de Ouro

  1. 01. Colete sempre o jato médio após higiene íntima rigorosa, de preferência com a primeira urina da manhã. Isso reduz a contaminação e garante um exame de urina resultado confiável.
  2. 02. Não colete urina durante o período menstrual – o sangue pode falsear a contagem de hemácias e leucócitos. Se houver sangramento vaginal, use absorvente interno e avise o laboratório.
  3. 03. Leve a amostra ao laboratório em até 2 horas (ou refrigere a 2-8°C por no máximo 4 horas). A demora permite proliferação bacteriana e lise de células, alterando o resultado.
  4. 04. Interprete os resultados sempre com um médico. Um parâmetro isolado pode não ter significado clínico; é a combinação deles que orienta o diagnóstico. Por exemplo, leucocitúria + nitrito positivo praticamente confirmam ITU; já a proteinúria isolada pode ser benigna.
  5. 05. Mantenha-se hidratado, mas sem excesso, nas horas que antecedem a coleta. Muita água dilui a urina e pode mascarar alterações como leucócitos e proteína.
  6. 06. Se você tem diabetes, hipertensão ou histórico de infecções urinárias de repetição, o EAS periódico é fundamental para monitoramento precoce de complicações.

Perguntas Frequentes

1. O que significa EAS no exame de urina?

EAS significa “Elementos Anormais e Sedimento”. É a análise da urina que avalia características físicas (cor, aspecto, densidade), químicas (pH, proteína, glicose, cetonas, nitrito) e microscópicas (leucócitos, hemácias, cilindros, cristais).

2. O que significa nitrito positivo no exame de urina?

Nitrito positivo indica a presença de bactérias gram-negativas (como Escherichia coli) que transformam nitrato em nitrito. É altamente específico para infecção urinária (ITU), mas nem todas as ITUs produzem nitrito.

3. O que fazer se o exame de urina der leucócitos altos?

Leucócitos acima de 5/campo sugerem inflamação ou infecção. Se houver sintomas (disúria, febre), procure um médico para iniciar tratamento. Pode ser necessário urocultura para identificar a bactéria.

4. Hematúria (sangue na urina) é sempre grave?

Nem sempre. Pode ser causada por infecção, cálculo, exercício intenso ou até menstruação. Mas deve ser investigada, especialmente se persistente ou sem causa aparente, para descartar tumores ou glomerulonefrite.

5. Posso coletar urina menstruada?

Não. O sangue menstrual contamina a amostra e altera os resultados de hemácias e leucócitos. Espere até o fim do ciclo ou colete com absorvente interno e higiene cuidadosa, avisando o laboratório.

6. O que significa proteína na urina (proteinúria)?

Pequenas quantidades (traços) são normais. Acima de 1+ pode indicar lesão renal (glomerulonefrite, diabetes, hipertensão) ou condições como pré-eclâmpsia na gravidez. Exames de confirmação são necessários.

7. Glicose na urina é sempre diabetes?

É o mais comum, mas também pode ocorrer na doença de Fanconi, gravidez (glicosúria gestacional) ou uso de certos medicamentos. A glicemia deve ser medida para confirmar.

8. Como evitar contaminação na coleta de urina?

Faça higiene íntima com água e sabão, seque bem, colete o jato médio em recipiente estéril, não toque a borda do pote com os dedos e evite contato com fezes ou corrimento vaginal.

Revisão médica: Conteúdo revisado pela equipe médica da Clínica Popular Fortaleza, com base em valores de referência aprovados pela SBPC/ML e literatura científica atual.

Última atualização: 16/06/2026

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Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. Resultados de exames devem ser interpretados por um médico no contexto clínico completo de cada paciente. Não use este artigo para autodiagnóstico.


Ana Beatriz Melo
Ana Beatriz Melohttps://clinicapopularfortaleza.com.br
Ana Beatriz Melo é jornalista de saúde com mais de 8 anos de experiência em comunicação médica. Graduada em Jornalismo pela UFC e com MBA em Gestão da Saúde pela FGV, atua como editora-chefe do Clínica Popular Fortaleza. Seu trabalho é pautado pela precisão científica, responsabilidade editorial e compromisso com a saúde pública brasileira.

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