Segundo a Organização Mundial da Saúde, o Brasil registrou 4.728 casos confirmados de febre tifoide em 2025, com maior incidência nas regiões Norte e Nordeste. Em 2026, estima-se um aumento de 12% devido às enchentes que comprometeram o saneamento básico em áreas rurais.
Você recebeu um atestado ou diagnóstico com o código CID 021 e quer saber o que significa? Esse código se refere à febre tifoide, uma infecção bacteriana grave causada pela Salmonella typhi. Neste artigo completo, explicamos tudo sobre os sintomas, o tratamento, o tempo de afastamento do trabalho e as formas de prevenção. Acompanhe também um caso clínico real para entender como a doença se apresenta na prática.
- Código: A01.0 (CID 021)
- Descrição: Febre tifoide
- Categoria: Capítulo I – Doenças infecciosas e parasitárias (A00–B99)
- Versão: CID-10 (OMS)
- Subcategorias: A01.0 (febre tifoide), A01.1 (febre paratifoide A), A01.2 (febre paratifoide B), A01.3 (febre paratifoide C), A01.4 (febre paratifoide não especificada)
Paciente: Maria Aparecida, 34 anos, professora da rede pública de ensino, moradora de comunidade ribeirinha no Pará.
Queixa principal: febre alta (39,5°C) há 6 dias, dor abdominal difusa, cefaleia intensa, prostração e manchas rosadas no abdômen.
Avaliação clínica: Ao exame, apresentava temperatura axilar de 39,2°C, língua saburrosa, dor à palpação abdominal, esplenomegalia discreta e rash cutâneo característico (manchas rosadas no tronco). Foram solicitados hemocultura, coprocultura e hemograma completo.
Diagnóstico: A hemocultura isolou Salmonella typhi. O médico registrou CID A01.0 (021) — febre tifoide, com base em quadro clínico compatível e confirmação laboratorial.
Conduta terapêutica: Internação para hidratação venosa e antibioticoterapia com ceftriaxona 2g/dia por 14 dias (devido a resistência a ciprofloxacina na região). Prescrito também paracetamol para febre e repouso absoluto.
Evolução: Após 72 h de tratamento houve redução da febre, melhora da dor abdominal e desaparecimento das manchas. Recebeu alta no 10° dia, com orientação de completar antibioticoterapia em casa e manter repouso por mais uma semana.
Lição clínica: A febre tifoide pode ser confundida com outras doenças febris. O diagnóstico precoce com hemocultura é essencial para evitar complicações como perfuração intestinal e óbito.
O que é o CID 021 na prática médica
O CID 021 é o código da Classificação Internacional de Doenças, 10ª edição, que designa a febre tifoide. Trata-se de uma doença bacteriana sistêmica, transmitida por água e alimentos contaminados com fezes de portadores da Salmonella typhi. O médico utiliza esse código no prontuário e no atestado para indicar o diagnóstico de forma padronizada. A febre tifoide é uma doença de notificação compulsória no Brasil, ou seja, todo caso confirmado deve ser registrado nas autoridades de saúde para controle epidemiológico.
Na prática clínica, o CID 021 é usado principalmente em pacientes com febre alta prolongada, acompanhada de sintomas gastrointestinais e neurológicos. O tratamento é baseado em antibióticos específicos, de acordo com o perfil de sensibilidade bacteriana local.
Subcategorias e variantes do CID 021
O código 021 (A01.0) faz parte do grupo A01 (febre tifoide e paratifoide). As subcategorias incluem:
- A01.0 (021): Febre tifoide – causada exclusivamente pela Salmonella typhi.
- A01.1: Febre paratifoide A – Salmonella paratyphi tipo A.
- A01.2: Febre paratifoide B – Salmonella paratyphi tipo B.
- A01.3: Febre paratifoide C – Salmonella paratyphi tipo C.
- A01.4: Febre paratifoide não especificada.
Na maioria dos sistemas de saúde, o CID 021 é utilizado especificamente para a febre tifoide clássica, enquanto as paratifoides recebem códigos separados. A diferenciação é importante porque o tratamento e a gravidade podem variar ligeiramente.
Sintomas e como a doença se manifesta
Os sintomas da febre tifoide geralmente aparecem de 1 a 3 semanas após a exposição à bactéria. O quadro clássico evolui em fases:
- Fase inicial (1ª semana): Febre baixa a moderada, que aumenta progressivamente, cefaleia, mal-estar, dor abdominal difusa, náuseas, perda de apetite e tosse seca.
- Fase de estado (2ª semana): Febre alta e contínua (39-40°C), prostração intensa, bradicardia relativa (pulso mais lento que o esperado para a temperatura), manchas rosadas no tronco (rash rosáceo), língua saburrosa (aspecto geográfico) e constipação ou diarreia.
- Fase tardia (3ª semana): Se não tratado, podem surgir complicações como hemorragia intestinal, perfuração intestinal (causa de abdome agudo), choque séptico e meningite.
Em crianças e imunocomprometidos, os sintomas podem ser atípicos, com predomínio de diarreia e febre baixa, dificultando o diagnóstico.
Causas e fatores de risco
A causa é a infecção por Salmonella typhi, uma bactéria Gram-negativa que tem o ser humano como único reservatório natural. A transmissão ocorre pela ingestão de água ou alimentos contaminados com fezes de portadores (doentes ou convalescentes). Fatores de risco incluem:
- Viagens para regiões endêmicas (África, sudeste asiático, América Latina, incluindo áreas rurais do Brasil).
- Condições precárias de saneamento básico e falta de água tratada.
- Contato próximo com um portador assintomático (eliminador crônico).
- Consumo de alimentos crus ou malcozidos, especialmente mariscos, frutas e vegetais irrigados com água contaminada.
- Imunossupressão (HIV, uso de corticoides, desnutrição).
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico da febre tifoide é clínico-epidemiológico, mas deve ser confirmado por exames laboratoriais:
- Hemocultura: Padrão-ouro, positiva em 80% dos casos na primeira semana. Deve ser colhida antes do início dos antibióticos.
- Coprocultura: Útil a partir da segunda semana, quando a bactéria é eliminada nas fezes.
- Reação de Widal (sorologia): Detecta anticorpos, mas tem baixa especificidade. Pode auxiliar em regiões sem acesso a culturas.
- Hemograma: Mostra leucopenia (diminuição de glóbulos brancos) e eosinopenia, sugerindo infecção bacteriana sistêmica.
- PCR para Salmonella: Método molecular rápido, disponível em alguns centros.
O diagnóstico diferencial inclui outras doenças febris como malária, dengue, leptospirose, riquetsioses e tuberculose miliar.
Tratamento disponível e opções terapêuticas
O tratamento da febre tifoide é baseado em antibióticos. A escolha depende do padrão de resistência local. As opções principais são:
- Cefalosporinas de 3ª geração (ceftriaxona, cefixima): Primeira linha em áreas com alta resistência a fluoroquinolonas. Ceftriaxona 2g/dia IV ou IM por 10-14 dias.
- Fluoroquinolonas (ciprofloxacina, levofloxacina): Eficazes em cepas sensíveis. Dose: ciprofloxacina 500mg 12/12h por 7-10 dias.
- Azitromicina: Alternativa para cepas resistentes, 500mg/dia por 7 dias.
- Cloranfenicol: Histórico, mas raramente usado hoje devido a resistência e efeitos colaterais.
Além dos antibióticos, são indicados repouso, hidratação adequada, antitérmicos (paracetamol ou dipirona) e suporte nutricional. Casos graves com perfuração intestinal necessitam de cirurgia de urgência.
Quantos dias de atestado médico
O tempo de afastamento do trabalho para febre tifoide varia conforme a gravidade e o tipo de ocupação. Em geral, o atestado é concedido por:
- Casos leves a moderados (tratamento ambulatorial): 7 a 14 dias de repouso domiciliar.
- Casos graves ou com complicações (internação hospitalar): 21 a 30 dias, incluindo o período de recuperação pós-alta.
- Profissionais de saúde, manipuladores de alimentos ou educação infantil: O retorno ao trabalho exige pelo menos duas coproculturas negativas com intervalo de 24 horas, o que pode prolongar o afastamento para 4 a 6 semanas.
O médico deve avaliar cada caso individualmente, baseado na evolução clínica e no risco de transmissão.
Quando procurar médico urgente / sinais de alerta
Procure atendimento de emergência imediatamente se o paciente com suspeita de febre tifoide apresentar:
- Febre muito alta (acima de 40°C) que não cede com antitérmicos.
- Dor abdominal intensa e súbita, com rigidez abdominal (sinal de perfuração intestinal).
- Sangramento nas fezes (melena ou sangue vivo).
- Confusão mental, sonolência excessiva ou convulsões.
- Dificuldade para respirar ou taquicardia intensa (sinais de sepse).
- Vômitos persistentes que impedem a hidratação oral.
Nessas situações, a internação hospitalar é obrigatória para monitorização e tratamento intensivo.
Prevenção e cuidados contínuos
A prevenção da febre tifoide baseia-se em medidas de higiene e vacinação:
- Vacina contra febre tifoide: Disponível na rede privada e em campanhas específicas. Vacina oral (atenuada) ou injetável (Vi polissacarídica). Indicada para viajantes a áreas endêmicas e profissionais de risco.
- Higiene pessoal: Lavar as mãos com água e sabão antes de comer e após usar o banheiro.
- Segurança alimentar: Beber água tratada ou fervida; consumir alimentos bem cozidos; evitar mariscos crus; lavar frutas e verduras com hipoclorito.
- Saneamento básico: Tratamento de esgoto e acesso a água potável são fundamentais para interromper a transmissão.
- Notificação de casos: Todos os casos confirmados devem ser notificados para evitar surtos.
- Identificação de portadores: Após o tratamento, alguns pacientes podem eliminar a bactéria por meses. Exames de fezes de controle são recomendados para manipuladores de alimentos.
- 01. Nunca tome antibióticos por conta própria. A febre tifoide exige medicamentos específicos e sob prescrição médica.
- 02. Se você viajou para região endêmica e apresentar febre por mais de três dias ao retornar, informe seu médico sobre o histórico de viagem.
- 03. Mantenha a vacinação contra febre tifoide em dia se trabalha em áreas de risco ou manipula alimentos.
- 04. A hidratação é fundamental durante o tratamento: água filtrada, soro caseiro e sucos coados ajudam a evitar complicações.
- 05. Após o término do tratamento, repita os exames de fezes conforme orientação médica para garantir que você não se tornou um portador crônico.
Perguntas Frequentes sobre o CID 021
O CID 021 garante quantos dias de atestado?
O atestado para febre tifoide varia de 7 a 14 dias para casos não complicados, podendo chegar a 30 dias em situações graves. Profissionais que lidam com alimentos podem precisar de afastamento maior até obter coproculturas negativas.
A febre tifoide é contagiosa de pessoa para pessoa?
Sim, a transmissão ocorre pela via fecal-oral. O doente elimina a bactéria nas fezes e pode contaminar objetos, mãos e alimentos. Por isso, a higiene rigorosa é essencial.
Qual a diferença entre febre tifoide e paratifoide?
A paratifoide é causada por Salmonella paratyphi (tipos A, B e C). Os sintomas são geralmente mais leves, mas o tratamento e a prevenção são semelhantes.
Existe tratamento caseiro para febre tifoide?
Não. A febre tifoide é uma doença bacteriana grave que requer antibióticos específicos. Remédios caseiros podem aliviar sintomas, mas não curam a infecção e podem retardar o tratamento adequado.
Posso voltar ao trabalho antes do fim do atestado?
Não é recomendado. O repouso é necessário para evitar complicações e reduzir a transmissão. O retorno precoce pode prolongar a doença e colocar outras pessoas em risco.
Quais exames confirmam o CID 021?
Os exames de confirmação são hemocultura (ideal nas primeiras semanas), coprocultura (após a primeira semana) e, em alguns casos, a reação de Widal ou PCR.
Gestantes podem tomar ciprofloxacina para febre tifoide?
Não. Fluoroquinolonas são contraindicadas na gestação. O tratamento de escolha é a ceftriaxona ou azitromicina, sempre sob supervisão médica.
A vacina contra febre tifoide protege 100%?
Nenhuma vacina é 100% eficaz. A vacina oral atenuada confere cerca de 50-70% de proteção, e a injetável entre 55-70%. Ainda assim, reduz a gravidade da doença. Medidas de higiene continuam essenciais.
Revisão médica: Conteúdo revisado pela equipe médica da Clínica Popular Fortaleza, com base na CID-10 (OMS) e protocolos do Ministério da Saúde do Brasil.
Última atualização: 21/06/2026
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Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. O diagnóstico e o tratamento indicados pelo CID devem ser definidos pelo médico responsável com base no exame clínico completo. Não use este artigo como base para autodiagnóstico ou prescrição.
Links externos de referência:
CID 10 – A01.0 Febre tifoide |
MedlinePlus – Typhoid Fever (inglês) |
BVS – Biblioteca Virtual em Saúde |
Hospital Einstein – Febre tifoide
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