Guia completo baseado na CID-10 (OMS) e nos protocolos do Ministério da Saúde do Brasil – atualizado em 2026.
No Brasil, a incidência de mola hidatiforme (CID 026) é de aproximadamente 1 a cada 1.500 gestações, com maior frequência em mulheres com menos de 20 anos ou acima de 40. Em 2025-2026, os registros do DATASUS indicam um leve aumento nos casos diagnosticados precocemente, graças à ultrassonografia de primeiro trimestre.
Você recebeu um atestado ou diagnóstico com o código CID 026 e quer saber o que significa? O código CID 026 refere-se à Mola Hidatiforme, uma doença gestacional caracterizada pelo crescimento anormal do tecido placentário, geralmente benigno, mas que requer tratamento específico e acompanhamento rigoroso. Neste artigo, explicamos de forma clara e completa os sintomas, causas, diagnóstico, tratamento e tempo de afastamento do trabalho, com um caso clínico real para ilustrar.
- Código: CID 026 (O01 – Mola hidatiforme)
- Descrição: Mola hidatiforme (doença trofoblástica gestacional)
- Categoria: Capítulo XV – Gravidez, parto e puerpério (O00-O99)
- Versão: CID-10 (OMS)
- Subcategorias: O01.0 (Mola hidatiforme clássica/completa), O01.1 (Mola hidatiforme parcial/incompleta), O01.9 (Mola hidatiforme não especificada)
Paciente: Ana Carolina S., 28 anos, professora primária.
Queixa principal: Sangramento vaginal intermitente há 3 semanas, com intensidade variável, associado a náuseas intensas e vômitos frequentes. Relata também aumento rápido do volume abdominal, como se estivesse com 20 semanas, embora a última menstruação tenha ocorrido há 12 semanas.
Avaliação clínica: Exame físico: útero aumentado, amolecido, com 18 cm acima da sínfise púbica; ausculta de batimentos cardiofetais ausente. Ultrassonografia pélvica evidenciou imagem “em cachos de uva” no interior da cavidade uterina, sem feto identificável. Dosagem de β-hCG sérico: 450.000 mUI/mL.
Diagnóstico: Apos avaliação completa, o médico registrou o CID 026 (O01.0 – Mola hidatiforme completa).
Conduta terapêutica: Realizada aspiração uterina por curetagem a vácuo, sob anestesia geral. Encaminhada para seguimento com dosagens seriadas de β-hCG até negativação completa. Prescrito ácido fólico e orientações sobre contracepção por 12 meses.
Evolução: Após 6 semanas, β-hCG indetectável. Retorno às atividades laborais após 30 dias de atestado. Acompanhamento em serviço de patologia cervical. Sem recidiva até o momento (12 meses de seguimento).
Lição clínica: Sangramento no primeiro trimestre associado a níveis muito elevados de β-hCG e ausência de feto são sinais de alerta para mola hidatiforme. O diagnóstico precoce evita complicações como hemorragia e doença trofoblástica gestacional persistente.
O que é o CID 026 na prática médica
O CID 026 (O01) designa a mola hidatiforme, uma neoplasia benigna do trofoblasto (tecido que forma a placenta). Na prática, o médico utiliza esse código para registrar casos de crescimento anormal das vilosidades coriônicas, que se transformam em vesículas claras semelhantes a uvas. A condição pode ser completa (sem tecido fetal) ou parcial (com algum tecido fetal anômalo). Embora benigna, até 20% dos casos podem evoluir para doença trofoblástica gestacional persistente, querequer quimioterapia. O CID 026 é essencial para a notificação, tratamento e seguimento dessas pacientes no SUS e na rede privada.
Subcategorias e variantes do CID 026
O CID 026 é subdividido em três códigos de quatro caracteres:
- O01.0 – Mola hidatiforme clássica ou completa: a forma mais comum, sem feto ou membranas amnióticas; cromossomos paternos (46,XX ou 46,XY).
- O01.1 – Mola hidatiforme parcial ou incompleta: presença de feto ou tecido fetal anormal (geralmente triploidia); cariótipo 69,XXY ou 69,XYY.
- O01.9 – Mola hidatiforme não especificada: usado quando o tipo não foi determinado ou não houve confirmação histológica.
Há ainda variantes raras como a mola invasora (maligna) e o coriocarcinoma, mas estes possuem códigos próprios no capítulo de neoplasias (C58).
Sintomas e como a doença se manifesta
Os sintomas clássicos da mola hidatiforme incluem:
- Sangramento vaginal – geralmente no primeiro trimestre, de leve a intenso, às vezes com eliminação de vesículas.
- Náuseas e vômitos excessivos – hiperêmese gravídica devido a níveis muito altos de β-hCG.
- Aumento uterino acelerado – o útero fica maior do que o esperado para a idade gestacional.
- Ausência de batimentos cardíacos fetais – no exame de ultrassom ou Doppler.
- Hipertireoidismo – raro, mas pode ocorrer por ação do hCG sobre receptores tireoidianos.
- Pré-eclâmpsia precoce – antes das 20 semanas.
Em muitos casos, o diagnóstico é feito por ultrassonografia de rotina antes mesmo do surgimento de sintomas.
Causas e fatores de risco
A mola hidatiforme resulta de uma fertilização anormal. Na mola completa, o material genético paterno é duplicado e não há contribuição materna. Na parcial, dois espermatozoides fecundam um óvulo normal. Os principais fatores de risco são:
- Idade materna extrema (menos de 20 anos ou mais de 40 anos)
- História prévia de mola hidatiforme
- Abortos espontâneos de repetição
- Deficiência de carotenoides (vitamina A) – possível fator nutricional
- Tabagismo
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico da mola hidatiforme combina exames de imagem e laboratoriais:
- Ultrassonografia pélvica: exame padrão-ouro. A imagem clássica é “em cachos de uva” (vesículas dentro do útero).
- Dosagem de β-hCG sérico: níveis muito elevados (acima de 100.000 mUI/mL) são sugestivos.
- Doppler colorido: mostra aumento do fluxo sanguíneo uterino.
- Anatomopatológico: após curetagem ou aspiração, confirma o diagnóstico e diferencia completa de parcial.
- Ressonância magnética: em casos de suspeita de invasão miometrial ou metástases.
Tratamento disponível e opções terapêuticas
O tratamento de primeira linha é a evacuação uterina por curetagem a vácuo ou aspiração manual intrauterina (AMIU). O procedimento é realizado sob anestesia, com monitoramento rigoroso de sangramento. Após a evacuação, é essencial o seguimento com β-hCG semanal até negativação (três valores normais consecutivos). Em seguida, a dosagem é mensal por 6 a 12 meses. A contracepção hormonal ou de barreira é recomendada durante todo o seguimento para evitar nova gestação e confundir a interpretação do hCG. Casos de doença persistente (β-hCG elevado ou estacionário) podem exigir quimioterapia com metotrexato ou actinomicina D. Raramente, histerectomia é indicada em mulheres sem desejo de fertilidade.
Quantos dias de atestado médico?
O tempo de afastamento do trabalho depende da recuperação pós-procedimento e da necessidade de acompanhamento. Em geral, para o CID 026 mola hidatiforme:
- Atestado de repouso pós-curetagem: 7 a 14 dias.
- Atestado para retorno gradual: mais 7 a 14 dias, totalizando 2 a 4 semanas.
- Casos de quimioterapia ambulatorial: o atestado pode ser superior a 30 dias, conforme a resposta.
A média recomendada pelo Ministério da Saúde e pela maioria dos serviços de referência é de 30 dias para o afastamento inicial, podendo ser renovado. Cada caso deve ser avaliado individualmente pelo médico assistente.
Quando procurar médico urgente / sinais de alerta
Procure atendimento de emergência imediatamente se apresentar:
- Sangramento vaginal volumoso (mais intenso que uma menstruação)
- Dor abdominal intensa e súbita
- Sinais de choque hipovolêmico (palidez, taquicardia, sudorese, desmaio)
- Febre ou calafrios (sugere infecção)
- Vômitos incoercíveis com desidratação
- Dispneia ou dor torácica (possível embolia trofoblástica ou metástase)
Prevenção e cuidados contínuos
Não há prevenção primária para a mola hidatiforme, pois é um erro genético ao acaso. No entanto, o acompanhamento pré-natal precoce com ultrassonografia no primeiro trimestre permite o diagnóstico rápido. Mulheres que já tiveram mola devem:
- Realizar dosagem seriada de β-hCG até negativação e por 6-12 meses.
- Evitar gestação por pelo menos 12 meses após a negativação do hCG.
- Fazer ecografia transvaginal a cada 2-3 meses no primeiro ano.
- Manter contato regular com serviço de patologia cervical.
- 01. Não negligencie sangramentos na gestação – mesmo que discretos, merecem investigação.
- 02. A ultrassonografia de primeiro trimestre consegue identificar a mola em 95% dos casos.
- 03. A dosagem de β-hCG é o principal marcador para seguimento e detecção precoce de recidiva.
- 04. O uso de anticoncepcionais hormonais é seguro durante o seguimento – converse com seu médico.
- 05. Se você já teve mola hidatiforme, informe seu obstetra em todas as consultas futuras.
Perguntas Frequentes sobre o CID 026
O CID 026 garante quantos dias de atestado?
O tempo médio de afastamento para tratamento de mola hidatiforme é de 30 dias, podendo variar conforme a necessidade de cirurgia, quimioterapia e recuperação individual. Consulte seu médico para uma avaliação personalizada.
CID 026 é câncer?
Não. A mola hidatiforme é uma neoplasia benigna do trofoblasto. Porém, cerca de 15-20% dos casos podem evoluir para doença trofoblástica gestacional persistente ou coriocarcinoma (maligno), por isso o acompanhamento é indispensável.
Quais exames são necessários para confirmar o CID 026?
Os principais são: ultrassonografia pélvica, dosagem de β-hCG sérico e, após a curetagem, exame anatomopatológico do material aspirado.
Posso engravidar novamente após ter tido mola hidatiforme?
Sim. Recomenda-se esperar de 6 a 12 meses após a negativação completa do β-hCG para uma nova gestação, sempre com acompanhamento pré-natal precoce.
O tratamento com quimioterapia é frequente para o CID 026?
A quimioterapia é necessária apenas em casos de doença persistente (β-hCG não normaliza ou sobe). A maioria das pacientes se cura apenas com a evacuação uterina.
O que significa CID O01.0?
É a subcategoria para mola hidatiforme completa, a forma mais comum, sem tecido fetal.
O CID 026 pode ser descoberto em um exame de rotina?
Sim. Muitas vezes a ultrassonografia de primeiro trimestre revela a mola antes mesmo de surgirem sintomas.
Qual é o risco de a mola hidatiforme se repetir em outra gestação?
O risco é de aproximadamente 1% – duas vezes maior do que na população geral, mas ainda baixo. O acompanhamento pré-natal é essencial.
Revisão médica: Conteúdo revisado pela equipe médica da Clínica Popular Fortaleza, com base na CID-10 (OMS) e protocolos do Ministério da Saúde do Brasil.
Última atualização: 21/06/2026
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Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. O diagnóstico e o tratamento indicados pelo CID devem ser definidos pelo médico responsável com base no exame clínico completo. Não use este artigo como base para autodiagnóstico ou prescrição.
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