InícioSaudeCID J45: Asma — O Que Significa, Sintomas, Tipos e Tratamento

CID J45: Asma — O Que Significa, Sintomas, Tipos e Tratamento







CID J45: Asma — O Que Significa, Sintomas, Tipos e Tratamento

📊 Em Destaque 2026

A asma (CID J45) afeta cerca de 6,4% dos adultos e 13% das crianças brasileiras, segundo o Global Initiative for Asthma (GINA, 2024). É uma das doenças crônicas mais prevalentes no país e causa mais de 100 mil hospitalizações por ano no SUS.

Você recebeu um atestado ou diagnóstico com o código CID J45 e quer saber o que significa? O CID J45 corresponde à asma, uma doença inflamatória crônica das vias aéreas que provoca crises de falta de ar, chiado no peito e tosse. Neste artigo, explicamos de forma clara e completa o significado desse código, os tipos de asma, os sintomas, o diagnóstico e as opções de tratamento disponíveis, além de responder às dúvidas mais comuns sobre o tema.

📋 Identificação do CID

  • Código: J45
  • Descrição: Asma
  • Categoria: Capítulo X (J00-J99): Doenças do aparelho respiratório
  • Versão: CID-10 (OMS)
⚠️ Atenção: A atribuição do CID é de responsabilidade exclusiva do médico após avaliação clínica completa. Este artigo tem caráter informativo e não substitui a consulta médica. Se você apresenta sintomas respiratórios, busque atendimento médico para diagnóstico e tratamento adequados.

O que é o CID J45 na prática?

O CID J45 é o código da Classificação Internacional de Doenças (10ª revisão) que designa a asma. A asma é uma doença inflamatória crônica das vias aéreas, caracterizada por hiper-reatividade brônquica e obstrução reversível do fluxo aéreo. Na prática, significa que o paciente apresenta crises recorrentes de falta de ar (dispneia), sibilância (chiado no peito), aperto torácico e tosse seca, especialmente à noite ou nas primeiras horas da madrugada. Esses sintomas são variáveis e reversíveis, podendo ser desencadeados por diversos fatores como alérgenos, infecções virais, exercício físico, poluição ou fumaça de cigarro.

O diagnóstico de asma é essencialmente clínico, mas deve ser confirmado por espirometria. A doença pode se manifestar em diferentes graus de gravidade — intermitente, persistente leve, persistente moderada ou persistente grave — e o tratamento é individualizado conforme a frequência e intensidade dos sintomas. O CID J45 é usado em prontuários, atestados, laudos e guias de autorização de exames e medicamentos.

Subcategorias do CID J45

O CID J45 se divide em quatro subcategorias que especificam o tipo de asma com base no principal mecanismo desencadeante ou na ausência de especificação. Conhecer essas subcategorias é importante para direcionar o tratamento e entender o perfil do paciente.

  • J45.0 – Asma predominantemente alérgica: É a forma mais comum, geralmente iniciada na infância. Está associada a história pessoal ou familiar de atopia (rinite alérgica, eczema, alergia alimentar). Os gatilhos mais frequentes são alérgenos inalatórios como ácaros, pólen, pelos de animais e fungos.
  • J45.1 – Asma não alérgica: Ocorre em pacientes sem evidência de sensibilização alérgica. Costuma surgir na vida adulta e é frequentemente desencadeada por infecções virais, exercício físico, ar frio, estresse emocional ou exposição a irritantes químicos (fumaça, poluição).
  • J45.8 – Asma mista: Combina características alérgicas e não alérgicas. O paciente pode apresentar sensibilização a alérgenos, mas também reagir a estímulos não alérgicos. É um subtipo comum em adultos com asma persistente.
  • J45.9 – Asma não especificada (NE): Utilizado quando o médico não consegue determinar o tipo predominante ou quando o diagnóstico é feito sem investigação complementar que diferencie os subtipos. É um código provisório que deve ser evitado sempre que possível para um planejamento terapêutico mais preciso.

Sintomas e como se manifesta

Os sintomas da asma são variáveis e podem mudar ao longo do tempo, com períodos de remissão e exacerbações. Os principais sinais e sintomas incluem:

  • Dispneia (falta de ar): Sensação de sufocamento ou dificuldade para respirar, que pode ser progressiva durante uma crise.
  • Sibilância (chiado no peito): Som agudo audível durante a expiração, causado pela passagem de ar por brônquios estreitados.
  • Aperto no peito: Sensação de pressão ou constrição torácica, muitas vezes descrita como “algo apertando o peito”.
  • Tosse seca: Principalmente noturna ou nas primeiras horas da manhã, podendo ser o único sintoma em alguns pacientes (asma variante com tosse).
  • Cansaço e fadiga: Decorrente do esforço respiratório aumentado e da má oxigenação durante as crises.
  • Despertar noturno: Os sintomas costumam piorar à noite, interrompendo o sono.

Os sintomas são reversíveis, seja espontaneamente ou com uso de broncodilatadores. Entre as crises, o paciente pode estar assintomático. A gravidade dos sintomas define a classificação da asma: intermitente (sintomas ≤ 2x/semana) ou persistente (leve, moderada ou grave conforme frequência e impacto no sono e atividades diárias).

Causas e fatores de risco

A asma é uma doença multifatorial, resultante da interação entre predisposição genética e exposição a fatores ambientais. Os principais fatores de risco e gatilhos incluem:

Fatores genéticos e constitucionais

  • História familiar de asma ou atopia (rinite alérgica, eczema, alergias alimentares).
  • Sexo masculino na infância (maior prevalência em meninos) e feminino na vida adulta.
  • Obesidade, que está associada a maior gravidade da asma e pior resposta ao tratamento.

Gatilhos ambientais

  • Alérgenos: Ácaros da poeira doméstica, pólen, pelos de animais (gatos, cães), fungos (mofo), baratas.
  • Infecções respiratórias virais: Vírus sincicial respiratório (VSR), rinovírus, influenza, são os principais desencadeantes de crises, especialmente em crianças.
  • Exercício físico: A broncoconstrição induzida por exercício ocorre em muitos asmáticos, principalmente em ambientes frios e secos.
  • Poluição atmosférica: Material particulado, ozônio, dióxido de enxofre e óxidos de nitrogênio irritam as vias aéreas.
  • Fumaça de cigarro: Tabagismo ativo ou passivo é um dos principais agravantes da asma.
  • Medicamentos: Ácido acetilsalicílico (AAS) e anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs) podem desencadear crises em pacientes com asma sensível à aspirina.
  • Emoções fortes: Estresse, ansiedade e choro intenso podem precipitar sintomas por hiperventilação.

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico da asma é baseado na combinação de história clínica característica e demonstração de obstrução reversível das vias aéreas. O passo a passo inclui:

  • História clínica detalhada: Presença de sintomas episódicos de dispneia, sibilância, aperto no peito e tosse, especialmente à noite/madrugada, e melhora com broncodilatador.
  • Exame físico: Pode revelar sibilos à ausculta pulmonar, mas entre as crises o exame pode ser normal.
  • Espirometria (prova de função pulmonar): Exame fundamental. Critérios diagnósticos: relação VEF1/CVF < 0,7 (obstrução) e reversibilidade > 12% e > 200 mL após inalação de broncodilatador de curta ação (salbutamol).
  • Testes complementares: Teste de provocação brônquica (com metacolina ou exercício) em casos duvidosos; dosagem de IgE total e específica (alérgenos); hemograma (eosinofilia pode estar presente); teste cutâneo de hipersensibilidade imediata (prick test).
  • Exames de imagem: Radiografia de tórax geralmente normal, mas pode ser solicitada para excluir outras doenças pulmonares.

O diagnóstico diferencial inclui DPOC, bronquite eosinofílica, disfunção de cordas vocais, fibrose cística, bronquiectasias, entre outras condições.

Tratamento disponível

O tratamento da asma é dividido em duas vertentes principais: tratamento de manutenção (controle a longo prazo) e tratamento das crises agudas. O objetivo é alcançar e manter o controle da doença, prevenir exacerbações e melhorar a qualidade de vida.

Tratamento de manutenção

  • Corticosteroides inalatórios (CI): São a base do tratamento. Medicamentos como budesonida, beclometasona, fluticasona reduzem a inflamação brônquica. Devem ser usados diariamente, mesmo na ausência de sintomas.
  • Beta-2 agonistas de longa duração (LABA): Exemplos: salmeterol, formoterol. São combinados com CI em um único inalador (bombinha combinada) para melhorar o controle dos sintomas.
  • Leucotrienos modificadores (montelucaste): Opção oral para casos leves ou como adjuvante, especialmente em asma induzida por exercício ou sensível à aspirina.
  • Teofilina: De uso limitado devido a efeitos colaterais, mas pode ser empregada em casos refratários.
  • Biológicos (imunobiológicos): Indicados para asma grave não controlada apesar de altas doses de CI+LABA. Exemplos: omalizumabe (anti-IgE) para asma alérgica, mepolizumabe, benralizumabe, dupilumabe (anti-IL5/IL4) para asma eosinofílica.

Tratamento da crise aguda

  • Beta-2 agonista de curta duração (SABA): Salbutamol (Aerolin) 2 a 4 jatos a cada 20 minutos na primeira hora, depois conforme necessidade.
  • Corticosteroide sistêmico: Prednisona 40 mg/dia por 5 dias (adultos) ou equivalente, para reduzir a inflamação.
  • Oxigênio suplementar: Se saturação de oxigênio (SpO₂) < 94%, para manter SpO₂ ≥ 95%.
  • Casos graves: Podem necessitar de internação, uso de brometo de ipratrópio (anticolinérgico), sulfato de magnésio intravenoso e ventilação não invasiva.

Crise aguda: o que fazer?

Uma crise de asma pode ser assustadora, mas saber como agir é essencial. Siga estas orientações:

  1. Mantenha a calma: Sente-se ereto, não se deite. Afrouxe roupas apertadas.
  2. Use o broncodilatador de resgate: Aplique 2 a 4 jatos de salbutamol com espaçador, se disponível. Repita a cada 20 minutos se não houver melhora.
  3. Acione ajuda médica: Se não houver melhora após 3 ciclos de broncodilatador, ou se a falta de ar for intensa, procure imediatamente um serviço de emergência.
  4. Sinais de alerta: Cianose (lábios ou unhas azulados), fala entrecortada, uso de musculatura acessória (tórax e pescoço), agitação ou sonolência, frequência respiratória > 30/min. Esses sinais indicam gravidade e necessidade de atendimento urgente.

Quantos dias de atestado médico?

A duração do atestado por asma (CID J45) varia conforme a gravidade da crise e a necessidade de afastamento do trabalho ou escola. Para uma crise leve a moderada, o médico costuma recomendar 1 a 3 dias de repouso e monitoramento. Em crises graves que exigem internação ou uso de corticoide sistêmico, o afastamento pode se estender de 5 a 10 dias, dependendo da evolução clínica. Pacientes com asma persistente moderada a grave podem precisar de afastamentos periódicos para ajuste de tratamento. O médico deve avaliar cada caso individualmente e emitir o atestado com o CID correspondente.

Quando procurar médico urgente

Procure atendimento médico de urgência se:

  • A crise não melhora com o uso do broncodilatador de resgate após 3 aplicações.
  • Você não consegue falar frases completas sem parar para respirar.
  • Seus lábios ou pontas dos dedos ficam azulados (cianose).
  • Você sente tontura, confusão mental ou sonolência excessiva.
  • A frequência respiratória está muito acelerada (acima de 30 respirações por minuto).
  • Você apresenta dor no peito intensa ou sensação de desmaio.
🥇 Dicas de Ouro

  1. 01. Nunca pare o corticoide inalatório por conta própria. Ele é a base do controle e reduz a inflamação; a suspensão abrupta aumenta o risco de crises graves.
  2. 02. Identifique e evite seus gatilhos pessoais. Mantenha um diário de sintomas para reconhecer o que desencadeia suas crises (ácaros, pólen, fumaça, exercício).
  3. 03. Tome a vacina anual contra a gripe. As infecções virais são os principais desencadeantes de exacerbações; a vacina reduz o risco de complicações.
  4. 04. Use sempre o espaçador com a bombinha. Ele melhora a deposição do medicamento nos pulmões e reduz efeitos colaterais na boca e garganta.
  5. 05. Tenha um plano de ação por escrito. Pergunte ao seu médico como agir em caso de crise, quando aumentar a medicação e quando buscar emergência.
  6. 06. Mantenha acompanhamento regular com pneumologista ou clínico. O controle da asma requer revisões periódicas e ajustes de dose conforme a evolução.

Perguntas Frequentes sobre o CID J45

O CID J45 garante quantos dias de atestado?

Não há um número fixo de dias determinado pelo código. O médico avalia a gravidade da crise: crises leves costumam gerar 1 a 3 dias de repouso; crises moderadas a graves podem exigir de 5 a 10 dias ou mais, especialmente se houver internação. O atestado deve refletir o tempo necessário para recuperação e reavaliação clínica.

CID J45 é grave?

A asma pode variar de leve a grave. A maioria dos pacientes tem asma leve a moderada e responde bem ao tratamento. A asma grave é aquela que permanece descontrolada apesar de altas doses de corticoide inalatório + LABA, podendo exigir biológicos. Com tratamento adequado, a maioria dos pacientes leva vida normal.

Posso ter CID J45 e não saber que sou asmático?

Sim, é possível. Muitas pessoas com asma leve ou variante com tosse podem não associar os sintomas à doença. A tosse noturna, o chiado após exercício ou a falta de ar em episódios podem ser ignorados. O diagnóstico precoce é importante para controle e prevenção de danos pulmonares.

CID J45 tem cura?

Não, a asma é uma doença crônica sem cura definitiva. No entanto, o tratamento adequado permite controle total dos sintomas na grande maioria dos casos. Crianças podem apresentar remissão dos sintomas na adolescência, mas a doença pode retornar na vida adulta.

Qual a diferença entre CID J45 e CID J44 (DPOC)?

O CID J44 é a Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), geralmente relacionada ao tabagismo e com obstrução irreversível ou parcialmente reversível. A asma (J45) tem obstrução reversível e costuma iniciar mais cedo, com sintomas variáveis. A espirometria diferencia as duas condições.

CID J45 pode ser usado para solicitar medicamentos pelo SUS?

Sim. O CID J45 é necessário para prescrição de medicamentos do componente básico da assistência farmacêutica (bombinhas, prednisona) e também para acesso a biológicos via protocolos do Ministério da Saúde. O laudo médico com o CID deve ser preenchido adequadamente.

O que significa J45.0, J45.1, J45.8 e J45.9?

São subcategorias do CID J45: J45.0 (asma alérgica), J45.1 (asma não alérgica), J45.8 (asma mista) e J45.9 (asma não especificada). A diferenciação ajuda no tratamento e na identificação dos gatilhos.

Revisão médica: Conteúdo revisado pela equipe médica da Clínica Popular Fortaleza, com base na CID-10 (OMS) e protocolos do Ministério da Saúde do Brasil.

Última atualização: 16/06/2026

Leia também:

Fontes externas:

Tem um Atestado ou Diagnóstico? Consulte na Clínica Popular

Na Clínica Popular Fortaleza você encontra consultas acessíveis com médicos que explicam seu diagnóstico e orientam o melhor tratamento.

Agendar Consulta

Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. O diagnóstico e o tratamento indicados pelo CID devem ser definidos pelo médico responsável com base no exame clínico completo. Não use este artigo como base para autodiagnóstico ou prescrição.


Ana Beatriz Melo
Ana Beatriz Melohttps://clinicapopularfortaleza.com.br
Ana Beatriz Melo é jornalista de saúde com mais de 8 anos de experiência em comunicação médica. Graduada em Jornalismo pela UFC e com MBA em Gestão da Saúde pela FGV, atua como editora-chefe do Clínica Popular Fortaleza. Seu trabalho é pautado pela precisão científica, responsabilidade editorial e compromisso com a saúde pública brasileira.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

ARTIGOS RELACIONADOS

Mais Popular

Comentários Recentes