A asma (CID J45) afeta cerca de 6,4% dos adultos e 13% das crianças brasileiras, segundo o Global Initiative for Asthma (GINA, 2024). É uma das doenças crônicas mais prevalentes no país e causa mais de 100 mil hospitalizações por ano no SUS.
Você recebeu um atestado ou diagnóstico com o código CID J45 e quer saber o que significa? O CID J45 corresponde à asma, uma doença inflamatória crônica das vias aéreas que provoca crises de falta de ar, chiado no peito e tosse. Neste artigo, explicamos de forma clara e completa o significado desse código, os tipos de asma, os sintomas, o diagnóstico e as opções de tratamento disponíveis, além de responder às dúvidas mais comuns sobre o tema.
- Código: J45
- Descrição: Asma
- Categoria: Capítulo X (J00-J99): Doenças do aparelho respiratório
- Versão: CID-10 (OMS)
O que é o CID J45 na prática?
O CID J45 é o código da Classificação Internacional de Doenças (10ª revisão) que designa a asma. A asma é uma doença inflamatória crônica das vias aéreas, caracterizada por hiper-reatividade brônquica e obstrução reversível do fluxo aéreo. Na prática, significa que o paciente apresenta crises recorrentes de falta de ar (dispneia), sibilância (chiado no peito), aperto torácico e tosse seca, especialmente à noite ou nas primeiras horas da madrugada. Esses sintomas são variáveis e reversíveis, podendo ser desencadeados por diversos fatores como alérgenos, infecções virais, exercício físico, poluição ou fumaça de cigarro.
O diagnóstico de asma é essencialmente clínico, mas deve ser confirmado por espirometria. A doença pode se manifestar em diferentes graus de gravidade — intermitente, persistente leve, persistente moderada ou persistente grave — e o tratamento é individualizado conforme a frequência e intensidade dos sintomas. O CID J45 é usado em prontuários, atestados, laudos e guias de autorização de exames e medicamentos.
Subcategorias do CID J45
O CID J45 se divide em quatro subcategorias que especificam o tipo de asma com base no principal mecanismo desencadeante ou na ausência de especificação. Conhecer essas subcategorias é importante para direcionar o tratamento e entender o perfil do paciente.
- J45.0 – Asma predominantemente alérgica: É a forma mais comum, geralmente iniciada na infância. Está associada a história pessoal ou familiar de atopia (rinite alérgica, eczema, alergia alimentar). Os gatilhos mais frequentes são alérgenos inalatórios como ácaros, pólen, pelos de animais e fungos.
- J45.1 – Asma não alérgica: Ocorre em pacientes sem evidência de sensibilização alérgica. Costuma surgir na vida adulta e é frequentemente desencadeada por infecções virais, exercício físico, ar frio, estresse emocional ou exposição a irritantes químicos (fumaça, poluição).
- J45.8 – Asma mista: Combina características alérgicas e não alérgicas. O paciente pode apresentar sensibilização a alérgenos, mas também reagir a estímulos não alérgicos. É um subtipo comum em adultos com asma persistente.
- J45.9 – Asma não especificada (NE): Utilizado quando o médico não consegue determinar o tipo predominante ou quando o diagnóstico é feito sem investigação complementar que diferencie os subtipos. É um código provisório que deve ser evitado sempre que possível para um planejamento terapêutico mais preciso.
Sintomas e como se manifesta
Os sintomas da asma são variáveis e podem mudar ao longo do tempo, com períodos de remissão e exacerbações. Os principais sinais e sintomas incluem:
- Dispneia (falta de ar): Sensação de sufocamento ou dificuldade para respirar, que pode ser progressiva durante uma crise.
- Sibilância (chiado no peito): Som agudo audível durante a expiração, causado pela passagem de ar por brônquios estreitados.
- Aperto no peito: Sensação de pressão ou constrição torácica, muitas vezes descrita como “algo apertando o peito”.
- Tosse seca: Principalmente noturna ou nas primeiras horas da manhã, podendo ser o único sintoma em alguns pacientes (asma variante com tosse).
- Cansaço e fadiga: Decorrente do esforço respiratório aumentado e da má oxigenação durante as crises.
- Despertar noturno: Os sintomas costumam piorar à noite, interrompendo o sono.
Os sintomas são reversíveis, seja espontaneamente ou com uso de broncodilatadores. Entre as crises, o paciente pode estar assintomático. A gravidade dos sintomas define a classificação da asma: intermitente (sintomas ≤ 2x/semana) ou persistente (leve, moderada ou grave conforme frequência e impacto no sono e atividades diárias).
Causas e fatores de risco
A asma é uma doença multifatorial, resultante da interação entre predisposição genética e exposição a fatores ambientais. Os principais fatores de risco e gatilhos incluem:
Fatores genéticos e constitucionais
- História familiar de asma ou atopia (rinite alérgica, eczema, alergias alimentares).
- Sexo masculino na infância (maior prevalência em meninos) e feminino na vida adulta.
- Obesidade, que está associada a maior gravidade da asma e pior resposta ao tratamento.
Gatilhos ambientais
- Alérgenos: Ácaros da poeira doméstica, pólen, pelos de animais (gatos, cães), fungos (mofo), baratas.
- Infecções respiratórias virais: Vírus sincicial respiratório (VSR), rinovírus, influenza, são os principais desencadeantes de crises, especialmente em crianças.
- Exercício físico: A broncoconstrição induzida por exercício ocorre em muitos asmáticos, principalmente em ambientes frios e secos.
- Poluição atmosférica: Material particulado, ozônio, dióxido de enxofre e óxidos de nitrogênio irritam as vias aéreas.
- Fumaça de cigarro: Tabagismo ativo ou passivo é um dos principais agravantes da asma.
- Medicamentos: Ácido acetilsalicílico (AAS) e anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs) podem desencadear crises em pacientes com asma sensível à aspirina.
- Emoções fortes: Estresse, ansiedade e choro intenso podem precipitar sintomas por hiperventilação.
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico da asma é baseado na combinação de história clínica característica e demonstração de obstrução reversível das vias aéreas. O passo a passo inclui:
- História clínica detalhada: Presença de sintomas episódicos de dispneia, sibilância, aperto no peito e tosse, especialmente à noite/madrugada, e melhora com broncodilatador.
- Exame físico: Pode revelar sibilos à ausculta pulmonar, mas entre as crises o exame pode ser normal.
- Espirometria (prova de função pulmonar): Exame fundamental. Critérios diagnósticos: relação VEF1/CVF < 0,7 (obstrução) e reversibilidade > 12% e > 200 mL após inalação de broncodilatador de curta ação (salbutamol).
- Testes complementares: Teste de provocação brônquica (com metacolina ou exercício) em casos duvidosos; dosagem de IgE total e específica (alérgenos); hemograma (eosinofilia pode estar presente); teste cutâneo de hipersensibilidade imediata (prick test).
- Exames de imagem: Radiografia de tórax geralmente normal, mas pode ser solicitada para excluir outras doenças pulmonares.
O diagnóstico diferencial inclui DPOC, bronquite eosinofílica, disfunção de cordas vocais, fibrose cística, bronquiectasias, entre outras condições.
Tratamento disponível
O tratamento da asma é dividido em duas vertentes principais: tratamento de manutenção (controle a longo prazo) e tratamento das crises agudas. O objetivo é alcançar e manter o controle da doença, prevenir exacerbações e melhorar a qualidade de vida.
Tratamento de manutenção
- Corticosteroides inalatórios (CI): São a base do tratamento. Medicamentos como budesonida, beclometasona, fluticasona reduzem a inflamação brônquica. Devem ser usados diariamente, mesmo na ausência de sintomas.
- Beta-2 agonistas de longa duração (LABA): Exemplos: salmeterol, formoterol. São combinados com CI em um único inalador (bombinha combinada) para melhorar o controle dos sintomas.
- Leucotrienos modificadores (montelucaste): Opção oral para casos leves ou como adjuvante, especialmente em asma induzida por exercício ou sensível à aspirina.
- Teofilina: De uso limitado devido a efeitos colaterais, mas pode ser empregada em casos refratários.
- Biológicos (imunobiológicos): Indicados para asma grave não controlada apesar de altas doses de CI+LABA. Exemplos: omalizumabe (anti-IgE) para asma alérgica, mepolizumabe, benralizumabe, dupilumabe (anti-IL5/IL4) para asma eosinofílica.
Tratamento da crise aguda
- Beta-2 agonista de curta duração (SABA): Salbutamol (Aerolin) 2 a 4 jatos a cada 20 minutos na primeira hora, depois conforme necessidade.
- Corticosteroide sistêmico: Prednisona 40 mg/dia por 5 dias (adultos) ou equivalente, para reduzir a inflamação.
- Oxigênio suplementar: Se saturação de oxigênio (SpO₂) < 94%, para manter SpO₂ ≥ 95%.
- Casos graves: Podem necessitar de internação, uso de brometo de ipratrópio (anticolinérgico), sulfato de magnésio intravenoso e ventilação não invasiva.
Crise aguda: o que fazer?
Uma crise de asma pode ser assustadora, mas saber como agir é essencial. Siga estas orientações:
- Mantenha a calma: Sente-se ereto, não se deite. Afrouxe roupas apertadas.
- Use o broncodilatador de resgate: Aplique 2 a 4 jatos de salbutamol com espaçador, se disponível. Repita a cada 20 minutos se não houver melhora.
- Acione ajuda médica: Se não houver melhora após 3 ciclos de broncodilatador, ou se a falta de ar for intensa, procure imediatamente um serviço de emergência.
- Sinais de alerta: Cianose (lábios ou unhas azulados), fala entrecortada, uso de musculatura acessória (tórax e pescoço), agitação ou sonolência, frequência respiratória > 30/min. Esses sinais indicam gravidade e necessidade de atendimento urgente.
Quantos dias de atestado médico?
A duração do atestado por asma (CID J45) varia conforme a gravidade da crise e a necessidade de afastamento do trabalho ou escola. Para uma crise leve a moderada, o médico costuma recomendar 1 a 3 dias de repouso e monitoramento. Em crises graves que exigem internação ou uso de corticoide sistêmico, o afastamento pode se estender de 5 a 10 dias, dependendo da evolução clínica. Pacientes com asma persistente moderada a grave podem precisar de afastamentos periódicos para ajuste de tratamento. O médico deve avaliar cada caso individualmente e emitir o atestado com o CID correspondente.
Quando procurar médico urgente
Procure atendimento médico de urgência se:
- A crise não melhora com o uso do broncodilatador de resgate após 3 aplicações.
- Você não consegue falar frases completas sem parar para respirar.
- Seus lábios ou pontas dos dedos ficam azulados (cianose).
- Você sente tontura, confusão mental ou sonolência excessiva.
- A frequência respiratória está muito acelerada (acima de 30 respirações por minuto).
- Você apresenta dor no peito intensa ou sensação de desmaio.
- 01. Nunca pare o corticoide inalatório por conta própria. Ele é a base do controle e reduz a inflamação; a suspensão abrupta aumenta o risco de crises graves.
- 02. Identifique e evite seus gatilhos pessoais. Mantenha um diário de sintomas para reconhecer o que desencadeia suas crises (ácaros, pólen, fumaça, exercício).
- 03. Tome a vacina anual contra a gripe. As infecções virais são os principais desencadeantes de exacerbações; a vacina reduz o risco de complicações.
- 04. Use sempre o espaçador com a bombinha. Ele melhora a deposição do medicamento nos pulmões e reduz efeitos colaterais na boca e garganta.
- 05. Tenha um plano de ação por escrito. Pergunte ao seu médico como agir em caso de crise, quando aumentar a medicação e quando buscar emergência.
- 06. Mantenha acompanhamento regular com pneumologista ou clínico. O controle da asma requer revisões periódicas e ajustes de dose conforme a evolução.
Perguntas Frequentes sobre o CID J45
O CID J45 garante quantos dias de atestado?
Não há um número fixo de dias determinado pelo código. O médico avalia a gravidade da crise: crises leves costumam gerar 1 a 3 dias de repouso; crises moderadas a graves podem exigir de 5 a 10 dias ou mais, especialmente se houver internação. O atestado deve refletir o tempo necessário para recuperação e reavaliação clínica.
CID J45 é grave?
A asma pode variar de leve a grave. A maioria dos pacientes tem asma leve a moderada e responde bem ao tratamento. A asma grave é aquela que permanece descontrolada apesar de altas doses de corticoide inalatório + LABA, podendo exigir biológicos. Com tratamento adequado, a maioria dos pacientes leva vida normal.
Posso ter CID J45 e não saber que sou asmático?
Sim, é possível. Muitas pessoas com asma leve ou variante com tosse podem não associar os sintomas à doença. A tosse noturna, o chiado após exercício ou a falta de ar em episódios podem ser ignorados. O diagnóstico precoce é importante para controle e prevenção de danos pulmonares.
CID J45 tem cura?
Não, a asma é uma doença crônica sem cura definitiva. No entanto, o tratamento adequado permite controle total dos sintomas na grande maioria dos casos. Crianças podem apresentar remissão dos sintomas na adolescência, mas a doença pode retornar na vida adulta.
Qual a diferença entre CID J45 e CID J44 (DPOC)?
O CID J44 é a Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), geralmente relacionada ao tabagismo e com obstrução irreversível ou parcialmente reversível. A asma (J45) tem obstrução reversível e costuma iniciar mais cedo, com sintomas variáveis. A espirometria diferencia as duas condições.
CID J45 pode ser usado para solicitar medicamentos pelo SUS?
Sim. O CID J45 é necessário para prescrição de medicamentos do componente básico da assistência farmacêutica (bombinhas, prednisona) e também para acesso a biológicos via protocolos do Ministério da Saúde. O laudo médico com o CID deve ser preenchido adequadamente.
O que significa J45.0, J45.1, J45.8 e J45.9?
São subcategorias do CID J45: J45.0 (asma alérgica), J45.1 (asma não alérgica), J45.8 (asma mista) e J45.9 (asma não especificada). A diferenciação ajuda no tratamento e na identificação dos gatilhos.
Revisão médica: Conteúdo revisado pela equipe médica da Clínica Popular Fortaleza, com base na CID-10 (OMS) e protocolos do Ministério da Saúde do Brasil.
Última atualização: 16/06/2026
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Fontes externas:
- CID-10 – Classificação Internacional de Doenças
- MedlinePlus – Asma (NIH)
- Conselho Federal de Medicina – CFM
- Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade
- Hospital Israelita Albert Einstein – Guia de Asma
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Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. O diagnóstico e o tratamento indicados pelo CID devem ser definidos pelo médico responsável com base no exame clínico completo. Não use este artigo como base para autodiagnóstico ou prescrição.


