A enxaqueca (migrânea) afeta cerca de 15% da população mundial, sendo três vezes mais comum em mulheres, com pico entre 25 e 55 anos. Estima-se que 1 em cada 5 brasileiros já teve pelo menos uma crise de enxaqueca ao longo da vida.
Você recebeu um atestado/diagnóstico com o código CID G43 O QUE SIGNIFICA e quer saber o que significa? Esse código é usado pela Classificação Internacional de Doenças (CID-10) para identificar a enxaqueca, também conhecida como migrânea — uma condição neurológica crônica que vai muito além de uma simples “dor de cabeça”. Neste artigo, você vai entender os tipos, sintomas, causas, tratamentos e quantos dias de atestado pode precisar. Continue lendo para esclarecer todas as suas dúvidas.
- Código: G43
- Descrição: Enxaqueca (Migrânea)
- Categoria: Capítulo VI (G00-G99): Doenças do sistema nervoso
- Versão: CID-10 (OMS)
O que é o CID G43 na prática
O CID G43 representa a enxaqueca, uma cefaleia primária de origem neurológica que se caracteriza por crises recorrentes de dor de cabeça de moderada a forte intensidade, geralmente unilateral e pulsátil. Diferente da cefaleia tensional (a dor de cabeça mais comum), a enxaqueca costuma vir acompanhada de náuseas, vômitos, sensibilidade à luz (fotofobia) e ao som (fonofobia). A fisiopatologia envolve uma hiperexcitabilidade neuronal e liberação de neuropeptídeos, como o CGRP, que desencadeiam a inflamação dos vasos sanguíneos cerebrais. É uma condição crônica que impacta significativamente a qualidade de vida, sendo considerada pela OMS uma das 10 principais causas de anos vividos com incapacidade.
Segundo a CID-10, o código G43 engloba desde a enxaqueca sem aura até formas complicadas. O diagnóstico é essencialmente clínico, baseado nos critérios da Classificação Internacional de Cefaleias (ICHD-3).
Subcategorias do CID G43
A CID-10 subdivide o código G43 em categorias mais específicas, de acordo com a presença ou não de aura, a duração das crises e a gravidade:
- G43.0 – Enxaqueca sem aura: a forma mais comum; a dor de cabeça ocorre sem sinais neurológicos premonitórios.
- G43.1 – Enxaqueca com aura: precedida por sintomas neurológicos focais reversíveis, geralmente visuais (escotomas cintilantes, linhas em zigue-zague), que duram de 20 a 60 minutos.
- G43.2 – Estado de mal migranoso: crise de enxaqueca que dura mais de 72 horas, com intensidade severa e resistente a tratamentos comuns.
- G43.3 – Enxaqueca complicada: quando a aura persiste por mais de 60 minutos ou há sinais neurológicos duradouros; inclui a enxaqueca com infarto cerebral (raro).
- G43.8 – Outras enxaquecas: formas atípicas, como enxaqueca basilar, enxaqueca hemiplégica familiar, enxaqueca oftalmoplégica.
- G43.9 – Enxaqueca não especificada (NE): quando o médico não especifica o tipo, mas fica claro tratar-se de enxaqueca.
Cada subcategoria tem implicações no tratamento e na condução clínica. Por exemplo, a enxaqueca com aura exige atenção redobrada para evitar gatilhos e, raramente, pode estar associada a maior risco de AVC em mulheres jovens que usam anticoncepcionais orais.
Sintomas e como se manifesta
A crise de enxaqueca pode durar de 4 a 72 horas sem tratamento. Os sintomas típicos incluem:
- Dor unilateral (em um lado da cabeça), pulsátil (como uma batida), de intensidade moderada a grave.
- Náusea e/ou vômito presentes em cerca de 80% dos pacientes.
- Fotofobia e fonofobia – o paciente prefere ficar em ambiente escuro e silencioso.
- Aura (em 25% dos casos): sintomas visuais (pontos brilhantes, linhas tortuosas, perda temporária da visão), sensoriais (formigamento no rosto ou mão) ou de fala. A aura precede a dor em 20-60 minutos e é completamente reversível.
- Fase prodrômica: horas ou dias antes, o paciente pode sentir fadiga, bocejos frequentes, desejo por doces, irritabilidade ou rigidez no pescoço.
- Fase pós-drômica: após a crise, a pessoa fica exausta, confusa ou com dor residual no couro cabeludo.
É importante diferenciar a enxaqueca de outros tipos de cefaleia, como a cefaleia tensional (dor em aperto bilateral, sem náusea) e a cefaleia em salvas (dor orbital unilateral, intensa, com lacrimejamento).
Causas e fatores de risco
A enxaqueca tem forte componente genético: cerca de 70% dos pacientes têm histórico familiar. O principal mecanismo fisiopatológico é a ativação do sistema trigeminovascular com liberação de CGRP e substância P, causando inflamação neurogênica e dilatação dos vasos meníngeos. Fatores desencadeantes comuns incluem:
- Estresse emocional – o gatilho mais frequente.
- Jejum prolongado ou pular refeições.
- Alterações do sono – tanto dormir pouco quanto dormir em excesso.
- Ciclo menstrual – a queda do estrogênio antes da menstruação é um gatilho clássico (enxaqueca menstrual).
- Álcool, especialmente vinho tinto.
- Alimentos: queijos curados, chocolate, cafeína em excesso, embutidos, glutamato monossódico.
- Estímulos sensoriais: luzes piscantes, cheiros fortes (perfumes, fumaça).
- Mudanças climáticas – alterações de pressão atmosférica, calor intenso.
Mulheres têm três vezes mais risco do que homens, especialmente durante a vida reprodutiva. A enxaqueca também está associada a outras condições como ansiedade, depressão, fibromialgia e epilepsia.
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico da enxaqueca é clínico, baseado nos critérios da Classificação Internacional de Cefaleias (ICHD-3). Para enxaqueca sem aura (G43.0), são necessários pelo menos 5 episódios que preencham os seguintes critérios:
- Duração de 4 a 72 horas (sem tratamento ou com tratamento ineficaz).
- Pelo menos duas das seguintes características: unilateral, pulsátil, dor moderada a grave, agravamento com atividade física rotineira.
- Durante a crise, pelo menos um dos seguintes: náusea e/ou vômito, fotofobia e fonofobia.
Para enxaqueca com aura (G43.1), é necessário que a aura seja completamente reversível e dure entre 5 e 60 minutos, precedendo a cefaleia em até 60 minutos. Exames de imagem (tomografia ou ressonância magnética) são solicitados apenas quando há suspeita de causas secundárias (aneurisma, tumor, malformação), ou em casos atípicos. O diário de cefaleia, registrando frequência, duração, intensidade e gatilhos, é uma ferramenta fundamental para o diagnóstico e o planejamento terapêutico.
Consulte também: CID F41: O Que Significa, Sintomas de Ansiedade e Tratamento (distúrbios de ansiedade frequentemente coexistem com enxaqueca).
Tratamento disponível
O tratamento da enxaqueca divide-se em abortivo (para a crise aguda) e preventivo (para reduzir a frequência e a intensidade das crises).
Tratamento abortivo (crise aguda):
- Triptanos – medicamentos de primeira linha. Ex: sumatriptano (oral, nasal ou injetável), rizatriptano, zolmitriptano. Agem nos receptores 5-HT1B/1D, contraindo os vasos e inibindo a liberação de CGRP. São eficazes, mas contraindicados em pacientes com doença cardiovascular.
- AINEs – ibuprofeno 400-800 mg, naproxeno sódico 500-550 mg, associados ou não à metoclopramida (antiemético para náusea).
- Antieméticos – metoclopramida 10 mg (pode ser usada isoladamente em crises leves).
- Gepants e ditans – novas classes, como ubrogepant e lasmiditan, para pacientes que não toleram triptanos.
Tratamento preventivo (indicado quando o paciente tem 4 ou mais crises por mês, ou crises prolongadas/incapacitantes):
- Propranolol (beta-bloqueador) – dose inicial 40 mg/dia, podendo chegar a 160 mg.
- Amitriptilina (antidepressivo tricíclico) – 25-50 mg ao deitar.
- Topiramato (anticonvulsivante) – 25-100 mg/dia, com ajuste gradual.
- Valproato de sódio – opção, mas com mais efeitos colaterais.
- Anticorpos anti-CGRP – fremanezumab, galcanezumab (injeções subcutâneas mensais ou trimestrais). São modernos e eficazes, mas de alto custo.
Além da medicação, mudanças no estilo de vida são essenciais: regularidade do sono, alimentação em horários fixos, exercícios aeróbicos moderados e técnicas de relaxamento (biofeedback, meditação). A acupuntura e a toxina botulínica (para enxaqueca crônica) também são opções complementares.
Mais informações sobre medicações comuns: Ibuprofeno Para Que Serve e Clonazepam Para Que Serve (usado em casos de insônia associada).
Quantos dias de atestado médico
Para um episódio agudo de enxaqueca, o atestado médico geralmente cobre de 1 a 3 dias, dependendo da intensidade da crise e da atividade profissional do paciente. A legislação brasileira não estipula um número fixo; cabe ao médico avaliar a incapacidade laboral. Em casos de estado de mal migranoso (G43.2) que exijam internação, o afastamento pode ser maior. Para pacientes com enxaqueca crônica que precisam de ajuste de tratamento preventivo, o médico pode conceder atestados de 3 a 5 dias ou recomendar afastamento pelo INSS se houver incapacidade prolongada.
Na prática, a maioria das crises agudas resolve em 1-2 dias com repouso e medicamentos adequados. É importante que o paciente informe ao médico a necessidade de atestado já na consulta.
Quando procurar médico urgente
Embora a enxaqueca seja uma condição benigna na maioria dos casos, alguns sinais de alarme exigem avaliação imediata em serviço de urgência:
- Dor de cabeça súbita e intensa como um “trovão” (pior dor da vida).
- Dor associada a febre, rigidez de nuca (suspeita de meningite).
- Dor após traumatismo craniano.
- Sintomas neurológicos persistentes, como fraqueza em um lado do corpo, fala arrastada, alteração visual que não desaparece.
- Convulsões ou perda de consciência.
- Dor de cabeça em paciente com câncer, imunossupressão ou distúrbio de coagulação.
Nestes casos, o CID G43 pode não ser adequado – exames de imagem e laboratoriais são necessários para descartar causas graves.
Leia também: CID M54: O Que Significa Dorsalgia, Lombalgia e Cervicalgia (dores na coluna que podem acompanhar a enxaqueca).
Dicas de Ouro
- 01. Mantenha um diário de enxaqueca anotando data, hora, intensidade, gatilhos e medicação usada. Isso ajuda seu médico a identificar padrões e ajustar o tratamento.
- 02. Respeite os horários de sono e alimentação. Dormir e acordar sempre no mesmo horário (inclusive fins de semana) reduz crises em muitos pacientes.
- 03. Identifique e evite seus gatilhos pessoais. Se notar que vinho tinto, chocolate ou jejum provocam crises, evite-os.
- 04. Não use analgésicos simples (dipirona, paracetamol) por mais de 10 dias por mês – isso pode causar cefaleia por uso excessivo de medicamentos, piorando o quadro.
- 05. Considere suplementação com magnésio, riboflavina (vitamina B2) ou coenzima Q10, que têm evidência modesta na prevenção. Converse com seu médico antes.
- 06. Pratique exercícios aeróbicos leves a moderados (como caminhada, natação) pelo menos 3 vezes por semana, mas evite treinos intensos que podem desencadear crises.
Perguntas Frequentes sobre o CID G43
O CID G43 garante quantos dias de atestado?
O atestado médico por enxaqueca geralmente cobre de 1 a 3 dias para uma crise aguda. O médico avalia a intensidade da dor, a presença de sintomas incapacitantes (náusea intensa, vômito, fotofobia) e a atividade profissional. Casos de estado de mal migranoso podem exigir afastamento maior, com possível necessidade de internação.
Enxaqueca tem cura?
A enxaqueca é uma condição crônica, mas pode ser controlada com tratamento adequado. Muitos pacientes apresentam redução significativa na frequência e intensidade das crises com medidas preventivas e mudanças no estilo de vida. Algumas pessoas deixam de ter crises após a menopausa ou com o envelhecimento.
Qual a diferença entre enxaqueca e cefaleia tensional?
A enxaqueca geralmente é pulsátil, unilateral, de moderada a forte intensidade, associada a náusea e sensibilidade à luz/som. A cefaleia tensional é em aperto ou pressão, bilateral, leve a moderada, sem náusea ou vômito, e sem fotofobia/fonofobia significativa.
Enxaqueca com aura é perigosa?
Na maioria dos casos, a aura é benigna e reversível. Porém, em mulheres jovens que fumam e usam anticoncepcionais orais, a enxaqueca com aura aumenta o risco de acidente vascular cerebral (AVC). É importante discutir o método contraceptivo com o médico nessas situações.
Posso tomar triptano todos os dias?
Não. O uso excessivo de triptanos (mais de 10 dias por mês) pode levar à cefaleia por uso excessivo de medicamentos e reduzir a eficácia do tratamento. Eles são indicados apenas para crises agudas, com limite de 2 a 3 doses por semana.
O que é o estado de mal migranoso (G43.2)?
É uma crise de enxaqueca que dura mais de 72 horas, com dor intensa e resistente a medicamentos comuns. Requer atendimento médico urgente, muitas vezes com medicação intravenosa (como clorpromazina, dexametasona ou triptano injetável) para interromper a crise.
O CID G43 é usado para crianças?
Sim, a enxaqueca também ocorre em crianças e adolescentes. Os critérios diagnósticos são adaptados (crises podem durar de 2 a 72 horas). O tratamento pediátrico deve ser orientado por neurologista infantil.
Revisão médica: Conteúdo revisado pela equipe médica da Clínica Popular Fortaleza, com base na CID-10 (OMS) e protocolos do Ministério da Saúde do Brasil.
Última atualização: 16/06/2026
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Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. O diagnóstico e o tratamento indicados pelo CID devem ser definidos pelo médico responsável com base no exame clínico completo. Não use este artigo como base para autodiagnóstico ou prescrição.
Fontes adicionais: MedlinePlus – Enxaqueca, Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade, Hospital Israelita Albert Einstein.


