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CID G43: Enxaqueca — O Que Significa, Tipos e Tratamento






CID G43: Enxaqueca — O Que Significa, Tipos e Tratamento


📊 Em Destaque 2026

A enxaqueca (migrânea) afeta cerca de 15% da população mundial, sendo três vezes mais comum em mulheres, com pico entre 25 e 55 anos. Estima-se que 1 em cada 5 brasileiros já teve pelo menos uma crise de enxaqueca ao longo da vida.

Você recebeu um atestado/diagnóstico com o código CID G43 O QUE SIGNIFICA e quer saber o que significa? Esse código é usado pela Classificação Internacional de Doenças (CID-10) para identificar a enxaqueca, também conhecida como migrânea — uma condição neurológica crônica que vai muito além de uma simples “dor de cabeça”. Neste artigo, você vai entender os tipos, sintomas, causas, tratamentos e quantos dias de atestado pode precisar. Continue lendo para esclarecer todas as suas dúvidas.

📋 Identificação do CID

  • Código: G43
  • Descrição: Enxaqueca (Migrânea)
  • Categoria: Capítulo VI (G00-G99): Doenças do sistema nervoso
  • Versão: CID-10 (OMS)

⚠️ Atenção: Apenas um médico pode atribuir o CID G43 após avaliação clínica completa. Não se automedique. Se você tem dores de cabeça frequentes, intensas ou com sintomas neurológicos (como perda de visão ou formigamento), procure um neurologista ou clínico geral.

O que é o CID G43 na prática

O CID G43 representa a enxaqueca, uma cefaleia primária de origem neurológica que se caracteriza por crises recorrentes de dor de cabeça de moderada a forte intensidade, geralmente unilateral e pulsátil. Diferente da cefaleia tensional (a dor de cabeça mais comum), a enxaqueca costuma vir acompanhada de náuseas, vômitos, sensibilidade à luz (fotofobia) e ao som (fonofobia). A fisiopatologia envolve uma hiperexcitabilidade neuronal e liberação de neuropeptídeos, como o CGRP, que desencadeiam a inflamação dos vasos sanguíneos cerebrais. É uma condição crônica que impacta significativamente a qualidade de vida, sendo considerada pela OMS uma das 10 principais causas de anos vividos com incapacidade.

Segundo a CID-10, o código G43 engloba desde a enxaqueca sem aura até formas complicadas. O diagnóstico é essencialmente clínico, baseado nos critérios da Classificação Internacional de Cefaleias (ICHD-3).

Subcategorias do CID G43

A CID-10 subdivide o código G43 em categorias mais específicas, de acordo com a presença ou não de aura, a duração das crises e a gravidade:

  • G43.0 – Enxaqueca sem aura: a forma mais comum; a dor de cabeça ocorre sem sinais neurológicos premonitórios.
  • G43.1 – Enxaqueca com aura: precedida por sintomas neurológicos focais reversíveis, geralmente visuais (escotomas cintilantes, linhas em zigue-zague), que duram de 20 a 60 minutos.
  • G43.2 – Estado de mal migranoso: crise de enxaqueca que dura mais de 72 horas, com intensidade severa e resistente a tratamentos comuns.
  • G43.3 – Enxaqueca complicada: quando a aura persiste por mais de 60 minutos ou há sinais neurológicos duradouros; inclui a enxaqueca com infarto cerebral (raro).
  • G43.8 – Outras enxaquecas: formas atípicas, como enxaqueca basilar, enxaqueca hemiplégica familiar, enxaqueca oftalmoplégica.
  • G43.9 – Enxaqueca não especificada (NE): quando o médico não especifica o tipo, mas fica claro tratar-se de enxaqueca.

Cada subcategoria tem implicações no tratamento e na condução clínica. Por exemplo, a enxaqueca com aura exige atenção redobrada para evitar gatilhos e, raramente, pode estar associada a maior risco de AVC em mulheres jovens que usam anticoncepcionais orais.

Sintomas e como se manifesta

A crise de enxaqueca pode durar de 4 a 72 horas sem tratamento. Os sintomas típicos incluem:

  • Dor unilateral (em um lado da cabeça), pulsátil (como uma batida), de intensidade moderada a grave.
  • Náusea e/ou vômito presentes em cerca de 80% dos pacientes.
  • Fotofobia e fonofobia – o paciente prefere ficar em ambiente escuro e silencioso.
  • Aura (em 25% dos casos): sintomas visuais (pontos brilhantes, linhas tortuosas, perda temporária da visão), sensoriais (formigamento no rosto ou mão) ou de fala. A aura precede a dor em 20-60 minutos e é completamente reversível.
  • Fase prodrômica: horas ou dias antes, o paciente pode sentir fadiga, bocejos frequentes, desejo por doces, irritabilidade ou rigidez no pescoço.
  • Fase pós-drômica: após a crise, a pessoa fica exausta, confusa ou com dor residual no couro cabeludo.

É importante diferenciar a enxaqueca de outros tipos de cefaleia, como a cefaleia tensional (dor em aperto bilateral, sem náusea) e a cefaleia em salvas (dor orbital unilateral, intensa, com lacrimejamento).

Causas e fatores de risco

A enxaqueca tem forte componente genético: cerca de 70% dos pacientes têm histórico familiar. O principal mecanismo fisiopatológico é a ativação do sistema trigeminovascular com liberação de CGRP e substância P, causando inflamação neurogênica e dilatação dos vasos meníngeos. Fatores desencadeantes comuns incluem:

  • Estresse emocional – o gatilho mais frequente.
  • Jejum prolongado ou pular refeições.
  • Alterações do sono – tanto dormir pouco quanto dormir em excesso.
  • Ciclo menstrual – a queda do estrogênio antes da menstruação é um gatilho clássico (enxaqueca menstrual).
  • Álcool, especialmente vinho tinto.
  • Alimentos: queijos curados, chocolate, cafeína em excesso, embutidos, glutamato monossódico.
  • Estímulos sensoriais: luzes piscantes, cheiros fortes (perfumes, fumaça).
  • Mudanças climáticas – alterações de pressão atmosférica, calor intenso.

Mulheres têm três vezes mais risco do que homens, especialmente durante a vida reprodutiva. A enxaqueca também está associada a outras condições como ansiedade, depressão, fibromialgia e epilepsia.

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico da enxaqueca é clínico, baseado nos critérios da Classificação Internacional de Cefaleias (ICHD-3). Para enxaqueca sem aura (G43.0), são necessários pelo menos 5 episódios que preencham os seguintes critérios:

  • Duração de 4 a 72 horas (sem tratamento ou com tratamento ineficaz).
  • Pelo menos duas das seguintes características: unilateral, pulsátil, dor moderada a grave, agravamento com atividade física rotineira.
  • Durante a crise, pelo menos um dos seguintes: náusea e/ou vômito, fotofobia e fonofobia.

Para enxaqueca com aura (G43.1), é necessário que a aura seja completamente reversível e dure entre 5 e 60 minutos, precedendo a cefaleia em até 60 minutos. Exames de imagem (tomografia ou ressonância magnética) são solicitados apenas quando há suspeita de causas secundárias (aneurisma, tumor, malformação), ou em casos atípicos. O diário de cefaleia, registrando frequência, duração, intensidade e gatilhos, é uma ferramenta fundamental para o diagnóstico e o planejamento terapêutico.

Consulte também: CID F41: O Que Significa, Sintomas de Ansiedade e Tratamento (distúrbios de ansiedade frequentemente coexistem com enxaqueca).

Tratamento disponível

O tratamento da enxaqueca divide-se em abortivo (para a crise aguda) e preventivo (para reduzir a frequência e a intensidade das crises).

Tratamento abortivo (crise aguda):

  • Triptanos – medicamentos de primeira linha. Ex: sumatriptano (oral, nasal ou injetável), rizatriptano, zolmitriptano. Agem nos receptores 5-HT1B/1D, contraindo os vasos e inibindo a liberação de CGRP. São eficazes, mas contraindicados em pacientes com doença cardiovascular.
  • AINEs – ibuprofeno 400-800 mg, naproxeno sódico 500-550 mg, associados ou não à metoclopramida (antiemético para náusea).
  • Antieméticos – metoclopramida 10 mg (pode ser usada isoladamente em crises leves).
  • Gepants e ditans – novas classes, como ubrogepant e lasmiditan, para pacientes que não toleram triptanos.

Tratamento preventivo (indicado quando o paciente tem 4 ou mais crises por mês, ou crises prolongadas/incapacitantes):

  • Propranolol (beta-bloqueador) – dose inicial 40 mg/dia, podendo chegar a 160 mg.
  • Amitriptilina (antidepressivo tricíclico) – 25-50 mg ao deitar.
  • Topiramato (anticonvulsivante) – 25-100 mg/dia, com ajuste gradual.
  • Valproato de sódio – opção, mas com mais efeitos colaterais.
  • Anticorpos anti-CGRP – fremanezumab, galcanezumab (injeções subcutâneas mensais ou trimestrais). São modernos e eficazes, mas de alto custo.

Além da medicação, mudanças no estilo de vida são essenciais: regularidade do sono, alimentação em horários fixos, exercícios aeróbicos moderados e técnicas de relaxamento (biofeedback, meditação). A acupuntura e a toxina botulínica (para enxaqueca crônica) também são opções complementares.

Mais informações sobre medicações comuns: Ibuprofeno Para Que Serve e Clonazepam Para Que Serve (usado em casos de insônia associada).

Quantos dias de atestado médico

Para um episódio agudo de enxaqueca, o atestado médico geralmente cobre de 1 a 3 dias, dependendo da intensidade da crise e da atividade profissional do paciente. A legislação brasileira não estipula um número fixo; cabe ao médico avaliar a incapacidade laboral. Em casos de estado de mal migranoso (G43.2) que exijam internação, o afastamento pode ser maior. Para pacientes com enxaqueca crônica que precisam de ajuste de tratamento preventivo, o médico pode conceder atestados de 3 a 5 dias ou recomendar afastamento pelo INSS se houver incapacidade prolongada.

Na prática, a maioria das crises agudas resolve em 1-2 dias com repouso e medicamentos adequados. É importante que o paciente informe ao médico a necessidade de atestado já na consulta.

Quando procurar médico urgente

Embora a enxaqueca seja uma condição benigna na maioria dos casos, alguns sinais de alarme exigem avaliação imediata em serviço de urgência:

  • Dor de cabeça súbita e intensa como um “trovão” (pior dor da vida).
  • Dor associada a febre, rigidez de nuca (suspeita de meningite).
  • Dor após traumatismo craniano.
  • Sintomas neurológicos persistentes, como fraqueza em um lado do corpo, fala arrastada, alteração visual que não desaparece.
  • Convulsões ou perda de consciência.
  • Dor de cabeça em paciente com câncer, imunossupressão ou distúrbio de coagulação.

Nestes casos, o CID G43 pode não ser adequado – exames de imagem e laboratoriais são necessários para descartar causas graves.

Leia também: CID M54: O Que Significa Dorsalgia, Lombalgia e Cervicalgia (dores na coluna que podem acompanhar a enxaqueca).

Dicas de Ouro

🥇 Dicas de Ouro

  1. 01. Mantenha um diário de enxaqueca anotando data, hora, intensidade, gatilhos e medicação usada. Isso ajuda seu médico a identificar padrões e ajustar o tratamento.
  2. 02. Respeite os horários de sono e alimentação. Dormir e acordar sempre no mesmo horário (inclusive fins de semana) reduz crises em muitos pacientes.
  3. 03. Identifique e evite seus gatilhos pessoais. Se notar que vinho tinto, chocolate ou jejum provocam crises, evite-os.
  4. 04. Não use analgésicos simples (dipirona, paracetamol) por mais de 10 dias por mês – isso pode causar cefaleia por uso excessivo de medicamentos, piorando o quadro.
  5. 05. Considere suplementação com magnésio, riboflavina (vitamina B2) ou coenzima Q10, que têm evidência modesta na prevenção. Converse com seu médico antes.
  6. 06. Pratique exercícios aeróbicos leves a moderados (como caminhada, natação) pelo menos 3 vezes por semana, mas evite treinos intensos que podem desencadear crises.

Perguntas Frequentes sobre o CID G43

O CID G43 garante quantos dias de atestado?

O atestado médico por enxaqueca geralmente cobre de 1 a 3 dias para uma crise aguda. O médico avalia a intensidade da dor, a presença de sintomas incapacitantes (náusea intensa, vômito, fotofobia) e a atividade profissional. Casos de estado de mal migranoso podem exigir afastamento maior, com possível necessidade de internação.

Enxaqueca tem cura?

A enxaqueca é uma condição crônica, mas pode ser controlada com tratamento adequado. Muitos pacientes apresentam redução significativa na frequência e intensidade das crises com medidas preventivas e mudanças no estilo de vida. Algumas pessoas deixam de ter crises após a menopausa ou com o envelhecimento.

Qual a diferença entre enxaqueca e cefaleia tensional?

A enxaqueca geralmente é pulsátil, unilateral, de moderada a forte intensidade, associada a náusea e sensibilidade à luz/som. A cefaleia tensional é em aperto ou pressão, bilateral, leve a moderada, sem náusea ou vômito, e sem fotofobia/fonofobia significativa.

Enxaqueca com aura é perigosa?

Na maioria dos casos, a aura é benigna e reversível. Porém, em mulheres jovens que fumam e usam anticoncepcionais orais, a enxaqueca com aura aumenta o risco de acidente vascular cerebral (AVC). É importante discutir o método contraceptivo com o médico nessas situações.

Posso tomar triptano todos os dias?

Não. O uso excessivo de triptanos (mais de 10 dias por mês) pode levar à cefaleia por uso excessivo de medicamentos e reduzir a eficácia do tratamento. Eles são indicados apenas para crises agudas, com limite de 2 a 3 doses por semana.

O que é o estado de mal migranoso (G43.2)?

É uma crise de enxaqueca que dura mais de 72 horas, com dor intensa e resistente a medicamentos comuns. Requer atendimento médico urgente, muitas vezes com medicação intravenosa (como clorpromazina, dexametasona ou triptano injetável) para interromper a crise.

O CID G43 é usado para crianças?

Sim, a enxaqueca também ocorre em crianças e adolescentes. Os critérios diagnósticos são adaptados (crises podem durar de 2 a 72 horas). O tratamento pediátrico deve ser orientado por neurologista infantil.

Revisão médica: Conteúdo revisado pela equipe médica da Clínica Popular Fortaleza, com base na CID-10 (OMS) e protocolos do Ministério da Saúde do Brasil.

Última atualização: 16/06/2026

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Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. O diagnóstico e o tratamento indicados pelo CID devem ser definidos pelo médico responsável com base no exame clínico completo. Não use este artigo como base para autodiagnóstico ou prescrição.


Fontes adicionais: MedlinePlus – Enxaqueca, Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade, Hospital Israelita Albert Einstein.


Ana Beatriz Melo
Ana Beatriz Melohttps://clinicapopularfortaleza.com.br
Ana Beatriz Melo é jornalista de saúde com mais de 8 anos de experiência em comunicação médica. Graduada em Jornalismo pela UFC e com MBA em Gestão da Saúde pela FGV, atua como editora-chefe do Clínica Popular Fortaleza. Seu trabalho é pautado pela precisão científica, responsabilidade editorial e compromisso com a saúde pública brasileira.

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