terça-feira, julho 7, 2026

cid 25.5






CID 25: O que significa, sintomas e tratamento

Dado epidemiológico 2026

Estima-se que, em 2026, a perfuração por úlcera gástrica (CID K25.5) corresponda a aproximadamente 3% de todos os casos de abdome agudo no Brasil, com mortalidade hospitalar entre 8% e 15% quando o tratamento cirúrgico não é realizado nas primeiras 6 horas. A taxa de reinternação por complicações tardias chega a 12%.

Você recebeu um atestado ou diagnóstico com o código CID 25-5 e quer saber o que significa? Esse código representa a úlcera gástrica crônica ou não especificada, com perfuração – uma condição grave que exige atendimento médico de emergência. Quando a úlcera perfura a parede do estômago, o conteúdo gástrico vaza para a cavidade abdominal, causando inflamação intensa (peritonite). Neste artigo, explicamos todos os aspectos clínicos, desde os sintomas até o tratamento e o tempo de recuperação.

Identificação do CID

  • Código: K25.5
  • Descrição: Úlcera gástrica crônica ou não especificada, com perfuração
  • Categoria: Capítulo XI – Doenças do aparelho digestivo (K00–K93)
  • Versão: CID-10 (Organização Mundial da Saúde)
  • Subcategorias: K25.0 (aguda c/ hemorragia), K25.1 (aguda c/ perfuração), K25.2 (aguda c/ hemorragia e perfuração), K25.3 (aguda sem complicações), K25.4 (crônica c/ hemorragia), K25.5 (crônica c/ perfuração), K25.6 (crônica c/ hemorragia e perfuração), K25.7 (crônica sem complicações), K25.9 (não especificada sem complicações).

Caso Clínico Real — Exemplo Prático

Paciente: João A. S., 58 anos, motorista de aplicativo, hipertenso controlado e tabagista de longa data (30 anos/maço).

Queixa principal: Dor epigástrica súbita, em punhalada, iniciada há 4 horas, acompanhada de náuseas, sudorese fria e dificuldade para respirar.

Avaliação clínica: Exame físico revelou abdome em tábua, rigidez muscular voluntária, ausência de ruídos hidroaéreos e dor à descompressão brusca. Sinais vitais: FC 118 bpm, PA 90×60 mmHg, SatO₂ 94%. Raio-X de tórax em ortostase mostrou pneumoperitônio (ar livre sob o diafragma). Hemograma com leucocitose (18.000/mm³) e PCR elevada.

Diagnóstico: Perfuração de úlcera gástrica – CID K25.5. O paciente foi encaminhado ao centro cirúrgico em caráter de emergência.

Conduta terapêutica: Laparotomia exploradora com sutura da perfuração (patch de omento), lavagem abdominal com soro fisiológico e drenagem. Antibioticoterapia endovenosa (ceftriaxona + metronidazol) por 7 dias e inibidor de bomba de prótons (omeprazol 40 mg EV a cada 12h).

Evolução: Pós-operatório sem intercorrências, dieta liberada após 5 dias, alta hospitalar no 8º dia. Segue em acompanhamento ambulatorial com endoscopia programada para 6 semanas.

Lição clínica: O diagnóstico precoce e a cirurgia de urgência são cruciais para reduzir a mortalidade. Todo paciente com úlcera gástrica conhecida e dor abdominal súbita deve ser avaliado com urgência.

Atenção: O CID K25.5 indica uma emergência cirúrgica. Não tente tratar em casa. Qualquer dor abdominal intensa e súbita, especialmente se acompanhada de rigidez abdominal, febre ou queda de pressão, exige avaliação médica imediata. O atraso no tratamento aumenta significativamente o risco de sepse e óbito.

O que é o CID 25-5 na prática médica

Na Classificação Internacional de Doenças, 10ª edição (CID-10), o código K25.5 designa a úlcera gástrica crônica ou não especificada que evoluiu com perfuração. A perfuração é uma complicação temida, na qual a úlcera atravessa toda a espessura da parede do estômago, criando uma comunicação entre o lúmen gástrico e a cavidade peritoneal. Isso leva ao extravasamento de ácido, alimentos e bactérias, provocando uma peritonite química e infecciosa.

O termo “não especificada” indica que o médico pode não ter determinado se a úlcera é aguda ou crônica no momento do diagnóstico, mas a presença da perfuração é o fator dominante. Na prática, a maioria dos casos de K25.5 ocorre em pacientes com úlcera péptica crônica não tratada ou mal controlada. A incidência é maior em homens acima de 55 anos, tabagistas e usuários crônicos de anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs).

Para o sistema de saúde, o CID K25.5 é um marcador de gravidade: implica internação hospitalar, cirurgia de urgência e cuidados intensivos pós-operatórios. O reconhecimento precoce desse código na documentação médica ajuda na alocação de recursos e na definição de protocolos de tratamento.

Subcategorias e variantes do CID 25

O CID 25 (K25) abrange todas as formas de úlcera gástrica, independentemente da localização exata dentro do estômago. As subcategorias refletem a presença e o tipo de complicações:

  • K25.0 – Úlcera gástrica aguda com hemorragia
  • K25.1 – Úlcera gástrica aguda com perfuração
  • K25.2 – Úlcera gástrica aguda com hemorragia e perfuração
  • K25.3 – Úlcera gástrica aguda sem hemorragia ou perfuração
  • K25.4 – Úlcera gástrica crônica ou não especificada com hemorragia
  • K25.5 – Úlcera gástrica crônica ou não especificada com perfuração (objeto deste artigo)
  • K25.6 – Úlcera gástrica crônica ou não especificada com hemorragia e perfuração
  • K25.7 – Úlcera gástrica crônica sem hemorragia ou perfuração
  • K25.9 – Úlcera gástrica não especificada, sem hemorragia ou perfuração

É importante diferenciar K25.5 de outras úlceras pépticas, como a úlcera duodenal (K26), que tem características e riscos distintos, embora o manejo da perfuração seja semelhante.

Sintomas e como a doença se manifesta

O quadro clínico da perfuração gástrica (K25.5) é dramático e de início abrupto. Os sintomas clássicos incluem:

  • Dor epigástrica súbita e intensa, frequentemente descrita como “em facada” ou “punhalada”, que rapidamente se irradia para todo o abdome.
  • Abdome em tábua: rigidez muscular involuntária à palpação, devido à irritação peritoneal.
  • Náuseas e vômitos, que podem conter sangue se houver hemorragia associada.
  • Febre, taquicardia e hipotensão – sinais de sepse ou choque séptico iminente.
  • Irradiação da dor para os ombros (sinal de Kehr), indicando irritação do diafragma.
  • Diminuição ou ausência dos ruídos hidroaéreos à ausculta, por íleo paralítico.

Em pacientes idosos ou imunossuprimidos, os sintomas podem ser menos evidentes, com dor discreta e confusão mental, retardando o diagnóstico. Por isso, todo paciente com histórico de úlcera gástrica que apresenta dor abdominal aguda deve ser avaliado com suspeita de perfuração.

Causas e fatores de risco

A úlcera gástrica é causada pelo desequilíbrio entre os fatores agressivos (ácido clorídrico, pepsina, uso de AINEs, infecção por Helicobacter pylori) e os fatores defensivos da mucosa (muco, bicarbonato, prostaglandinas). A perfuração (K25.5) ocorre quando a erosão atinge a camada muscular e serosa. Os principais fatores de risco são:

  • Uso crônico de anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs): aspirina, ibuprofeno, diclofenaco, nimesulida – inibem a produção de prostaglandinas protetoras.
  • Infecção por Helicobacter pylori: presente em mais de 70% dos casos de úlcera gástrica.
  • Tabagismo: reduz o fluxo sanguíneo da mucosa e retarda a cicatrização.
  • Consumo excessivo de álcool: agride a barreira mucosa.
  • Idade avançada: maior prevalência de atrofia gástrica e uso de medicamentos.
  • Estresse fisiológico grave: queimaduras, trauma, cirurgias de grande porte (úlcera de Curling).
  • História prévia de úlcera péptica não tratada ou mal acompanhada.

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico de K25.5 é essencialmente clínico e radiológico. As etapas incluem:

  1. Anamnese e exame físico: a tríade de dor súbita, abdome em tábua e sinais de peritonite é altamente sugestiva.
  2. Exames de imagem:
    • Raio-X de tórax ou abdome em ortostase: evidencia pneumoperitônio (ar livre subdiafragmático) em até 80% dos casos.
    • Tomografia computadorizada de abdome com contraste: mais sensível, identifica pequenas quantidades de ar ou líquido livre.
  3. Exames laboratoriais: hemograma (leucocitose), PCR, lactato (para avaliar sepse), função renal e eletrólitos.
  4. Endoscopia digestiva alta: geralmente contraindicada na suspeita de perfuração aguda pelo risco de piorar o extravasamento, mas pode ser realizada após estabilização para documentar a úlcera.

O diagnóstico diferencial inclui apendicite aguda, pancreatite aguda, colecistite, infarto mesentérico e ruptura de aneurisma de aorta.

Tratamento disponível e opções terapêuticas

O tratamento da perfuração gástrica (K25.5) é cirúrgico e deve ser realizado o mais rápido possível. As opções são:

  • Cirurgia aberta (laparotomia): padrão-ouro em emergências. Realiza-se sutura da perfuração com reforço de omento (patch de Graham) e lavagem exaustiva da cavidade peritoneal.
  • Cirurgia laparoscópica: opção minimamente invasiva em pacientes estáveis, com menor tempo de internação e menos complicações. Exige equipe experiente.
  • Tratamento conservador: raramente indicado, apenas em perfurações muito pequenas, com paciente estável e ausência de peritonite difusa. Consiste em sonda nasogástrica, antibióticos e inibidor de bomba de prótons, com monitorização rigorosa.

Após a cirurgia, o paciente recebe:

  • Antibióticos endovenosos (cefalosporina + metronidazol) por 5–7 dias.
  • Inibidor de bomba de prótons (omeprazol 40 mg EV 2x/dia) para reduzir a acidez e permitir a cicatrização.
  • Analgesia, hidratação e suporte nutricional (dieta via oral iniciada após resolução do íleo).
  • Tratamento da causa base: erradicação de H. pylori (quando presente) e suspensão de AINEs.

Quantos dias de atestado médico

O tempo de afastamento do trabalho depende da gravidade do caso, da via cirúrgica e da resposta individual. Em geral:

  • Cirurgia aberta: 4 a 6 semanas de repouso absoluto, mais 2 a 4 semanas de retorno gradual às atividades.
  • Cirurgia laparoscópica: 2 a 4 semanas de repouso, com retorno mais rápido ao trabalho leve.
  • Atestado médico típico para K25.5: entre 30 e 60 dias, podendo ser prorrogado conforme evolução.

Pacientes que exercem atividades físicas pesadas (carga, operação de máquinas) podem precisar de 60 a 90 dias. O médico do trabalho ou assistente define o período exato.

Quando procurar médico urgente / sinais de alerta

Você deve buscar atendimento de emergência imediatamente se apresentar:

  • Dor abdominal súbita, intensa, que não melhora com analgésicos comuns.
  • Abdome rígido, doloroso ao toque ou à descompressão.
  • Sinais de choque: tontura, palidez, sudorese fria, confusão, queda da pressão arterial.
  • Febre alta (>38,5°C) associada à dor abdominal.
  • Vômitos com sangue vivo ou material escuro (borra de café).
  • Histórico de úlcera gástrica e uso de AINEs ou aspirina.

Não espere “passar”. A perfuração gástrica é uma emergência cirúrgica com risco de morte em horas.

Prevenção e cuidados contínuos

A prevenção da perfuração gástrica (K25.5) envolve o controle adequado da úlcera péptica. Medidas importantes:

  • Diagnóstico e tratamento da infecção por H. pylori: esquema tríplice (amoxicilina, claritromicina, IBP) ou quádruplo, conforme resistência local.
  • Uso racional de AINEs: evitar uso prolongado; quando necessário, associar IBP ou misoprostol.
  • Cessar tabagismo e reduzir consumo de álcool.
  • Alimentação equilibrada: evitar alimentos muito ácidos, condimentados e refeições volumosas.
  • Acompanhamento médico regular com endoscopia de controle após tratamento.
  • Em caso de úlcera conhecida: manter IBP de manutenção, principalmente se fatores de risco persistentes.

Dicas de Ouro

  1. 01. Ao sentir dor abdominal súbita e muito forte, não use anti-inflamatórios ou analgésicos por conta própria – eles podem mascarar os sinais e atrasar o diagnóstico.
  2. 02. Se você tem úlcera gástrica diagnosticada, jamais interrompa o tratamento com IBP sem orientação médica. A supressão ácida protege contra complicações.
  3. 03. Mantenha uma lista atualizada dos seus medicamentos e compartilhe com o médico na emergência – especialmente se usar AINEs ou anticoagulantes.
  4. 04. Após a cirurgia de perfuração, siga rigorosamente a dieta progressiva: líquida, pastosa e depois branda, evitando esforços físicos nas primeiras semanas.
  5. 05. Nunca ignore exames de sangue oculto nas fezes ou endoscopias de rotina. A prevenção da úlcera complicada começa com o diagnóstico precoce.

Perguntas Frequentes sobre o CID 25

O CID 25-5 (K25.5) garante quantos dias de atestado?

O período típico de afastamento do trabalho é de 30 a 60 dias, podendo chegar a 90 dias para atividades pesadas. O médico assistente define a duração conforme a recuperação cirúrgica e a função laboral. A média para cirurgia laparoscópica é de 30 dias; para cirurgia aberta, 45–60 dias.

O CID K25.5 é o mesmo que úlcera gástrica simples?

Não. O K25.5 indica uma úlcera gástrica que já perfurou a parede do estômago, exigindo cirurgia de emergência. A úlcera não complicada (K25.7 ou K25.9) é tratada clinicamente com medicamentos.

Quais são os primeiros sinais de perfuração gástrica?

Dor epigástrica súbita e lancinante, abdome rígido, sudorese fria, náuseas e queda de pressão. Qualquer pessoa com esses sintomas deve ir ao hospital imediatamente.

A perfuração gástrica (K25.5) pode matar?

Sim. Sem tratamento, a peritonite evolui para sepse e choque séptico, com mortalidade de 20% a 40%. Com cirurgia precoce, a mortalidade cai para 5% a 10%. O tempo é crucial.

Depois da cirurgia, preciso tomar remédios para sempre?

Nem sempre. Após a cicatrização e erradicação do H. pylori (se presente), muitos pacientes conseguem suspender os IBP. Porém, se houver fatores de risco persistentes (uso crônico de AINEs, tabagismo), a manutenção pode ser necessária.

Posso ter uma segunda perfuração após o tratamento?

O risco de recidiva é baixo se a causa base for tratada adequadamente (erradicação do H. pylori, suspensão de AINEs). O acompanhamento endoscópico regular ajuda a prevenir novas complicações.

Qual a diferença entre K25.5 e K25.6?

K25.5 é úlcera crônica com perfuração (apenas perfuração). K25.6 é úlcera crônica com hemorragia e perfuração simultâneas, condição mais grave que pode cursar com choque hemorrágico e peritonite.

O que devo comer após a alta hospitalar por K25.5?

Inicie com dieta líquida (caldos, sucos coados, chá) por 2–3 dias, depois pastosa (purês, mingaus, sopas batidas) por uma semana, evoluindo para branda (arroz, frango desfiado, legumes cozidos) até o 30º dia. Evite frituras, condimentos, café, bebidas gaseificadas e álcool.

O CID K25.5 pode ser usado em atestados para cirurgia bariátrica?

Não. O código é específico para úlcera perfurada e não se aplica a procedimentos bariátricos, que possuem códigos próprios (como Z98.84 para bypass gástrico).

Existe algum exame caseiro para detectar perfuração?

Não. A perfuração gástrica só pode ser diagnosticada por médico, com exame físico e exames de imagem (raio-X ou TC). Não confie em métodos caseiros.

Revisão médica: Conteúdo revisado pela equipe médica da Clinica Popular Fortaleza, com base na CID-10 (OMS) e protocolos do Ministério da Saúde do Brasil.

Última atualização: 21/06/2026

Tem um Atestado ou Diagnóstico? Consulte na Clinica Popular

Na Clinica Popular Fortaleza você encontra consultas acessíveis com médicos que explicam seu diagnóstico e orientam o melhor tratamento.

Agendar Consulta

Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. O diagnóstico e o tratamento indicados pelo CID devem ser definidos pelo médico responsável com base no exame clínico completo. Não use este artigo como base para autodiagnóstico ou prescrição.

Referências externas:
CID-10 K25.5 no CID10.com.br |
MedlinePlus – Peptic Ulcer Perforation |
Biblioteca Virtual em Saúde (BVS)

Artigos relacionados no mesmo site:
CID R11 – Náuseas e Vômitos |
CID K21 – Refluxo Gastroesofágico |
CID F41 – Ansiedade |
CID J45 – Asma |
Omeprazol – para que serve |
Amoxicilina – para que serve