Estima-se que 28% da população adulta brasileira sofre de constipação funcional, e o número cresceu 12% desde 2020, principalmente devido a dietas pobres em fibras e sedentarismo. O CID K59.0 é um dos códigos mais registrados em atendimentos de clínica médica no país.
Introdução
Você recebeu um atestado ou diagnóstico com o código CID ALIMENTOS-PARA-CONSTIPACAO e quer saber o que significa? Na prática, a condição é classificada sob o código CID-10 K59.0 (Constipação intestinal), frequentemente associada a orientações dietéticas para melhora do trânsito intestinal. Este artigo, estruturado como um estudo de caso clínico, explica tudo o que você precisa saber: sintomas, causas, tratamento, dias de afastamento e como prevenir o problema. Leia com atenção e compartilhe com quem precisa.
- Código: K59.0
- Descrição: Constipação intestinal (prisão de ventre)
- Categoria: Capítulo XI – Doenças do aparelho digestivo (K00-K93)
- Versão: CID-10 (OMS)
- Subcategorias: K59.00 – Constipação não especificada; K59.01 – Constipação funcional; K59.02 – Constipação secundária a medicamentos; K59.09 – Outras formas de constipação
Paciente: Clara Mendes, 42 anos, professora do ensino fundamental
Queixa principal: Dificuldade para evacuar há 3 meses, evacuação a cada 4-5 dias, fezes ressecadas e esforço excessivo. Relata sensação de evacuação incompleta e desconforto abdominal.
Avaliação clínica: Exame físico: abdome levemente distendido, ruídos hidroaéreos diminuídos, toque retal sem impactação. Solicitados exames: hemograma, TSH, glicemia e raio-X de abdome (sem sinais de obstrução). Escala de Bristol: tipo 1 (fezes em caroços duros).
Diagnóstico: Após avaliação completa, o médico registrou o CID K59.0 (constipação intestinal funcional) e anotou no atestado o código de orientação alimentar (Z71.3 como complemento) — “CID Alimentos para Constipação”.
Conduta terapêutica: Prescrição de laxante osmótico (polietilenoglicol 17g/dia), aumento gradual de fibras solúveis (aveia, psyllium) e ingestão de 2L de água/dia. Orientação para exercícios leves (caminhada 30 min/dia) e uso de banho de assento morno.
Evolução: Após 4 semanas, Clara passou a evacuar diariamente com fezes tipo 4 na escala de Bristol. O desconforto abdominal desapareceu e ela retomou suas atividades sem necessidade de afastamento prolongado.
Lição clínica: A constipação funcional responde muito bem a mudanças dietéticas e comportamentais. O registro do CID K59.0 combinado com orientações nutricionais específicas (“alimentos para constipação”) é uma prática comum na clínica médica.
O que é o CID K59.0 na prática médica
O CID K59.0 corresponde à constipação intestinal, popularmente conhecida como “prisão de ventre”. Na prática clínica, esse código é utilizado para registrar episódios de evacuação infrequente (menos de 3 vezes por semana), fezes endurecidas, esforço excessivo e sensação de esvaziamento incompleto. Muitos médicos associam o código a recomendações dietéticas específicas, surgindo daí o termo informal “CID Alimentos para Constipação”. A condição pode ser aguda (dias a semanas) ou crônica (meses a anos).
Subcategorias e variantes do CID K59.0
O CID-10 descreve subcategorias que ajudam a refinar o diagnóstico:
- K59.00: Constipação não especificada (sem causa definida);
- K59.01: Constipação funcional (relacionada a hábitos e estilo de vida);
- K59.02: Constipação secundária a medicamentos (ex.: opioides, antidepressivos, antiácidos com cálcio);
- K59.09: Outras formas de constipação (ex.: por doença neurológica ou metabólica).
Na atenção primária, cerca de 85% dos casos são do tipo funcional, sendo a abordagem dietética a primeira linha de tratamento.
Sintomas e como a constipação se manifesta
Os sintomas mais comuns incluem: evacuações com intervalo superior a 3 dias, fezes secas e duras (tipo 1 ou 2 na escala de Bristol), necessidade de fazer força excessiva, sensação de bloqueio retal, uso de manobras manuais para auxiliar a evacuação e desconforto abdominal. Na forma crônica, pode haver distensão abdominal, flatulência, dor tipo cólica e até hemorroidas secundárias ao esforço.
Causas e fatores de risco
As causas são multifatoriais. As mais frequentes são: baixa ingestão de fibras alimentares (menos de 25g/dia para mulheres e 38g/dia para homens), consumo insuficiente de água, sedentarismo, ignorar o reflexo de evacuação, uso crônico de laxantes estimulantes, medicamentos (opioides, antidepressivos tricíclicos, antiácidos), gravidez, distúrbios endócrinos (hipotireoidismo, diabetes) e doenças neurológicas (Parkinson, esclerose múltipla). Fatores psicológicos como estresse e ansiedade também contribuem.
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico é essencialmente clínico, baseado nos critérios de Roma IV (pelo menos 2 dos seguintes por ≥3 meses: esforço, fezes grumosas/duras, sensação de obstrução, manobras manuais, menos de 3 evacuações/semana). Exames complementares são solicitados quando há suspeita de causas orgânicas: hemograma, TSH, cálcio sérico, glicemia de jejum, colonoscopia (se >45 anos ou sinais de alarme) e trânsito intestinal. O médico também pode solicitar um diário intestinal e a escala de Bristol.
Tratamento disponível e opções terapêuticas
O tratamento da constipação envolve medidas não farmacológicas e farmacológicas. A base é a modificação dietética: aumento de fibras insolúveis (trigo, farelo, vegetais) e solúveis (aveia, chia, psyllium), associado a 1,5-2L de água/dia. Laxantes osmóticos (polietilenoglicol, lactulose) são seguros para uso prolongado. Laxantes estimulantes (bisacodil, sene) são reservados para uso ocasional. Probióticos (Bifidobacterium, Lactobacillus) podem auxiliar na regularização do trânsito. Em casos refratários, existem medicamentos como lubiprostona e linaclotide, prescritos por especialista.
Quantos dias de atestado médico
O período de afastamento depende da gravidade e do impacto na função laboral. Para constipação aguda leve a moderada, sem complicações, o atestado geralmente varia de 1 a 3 dias. Em casos de impactação fecal ou necessidade de procedimentos (lavagem intestinal), o afastamento pode ser de 5 a 7 dias. O CID K59.0 não impõe um número fixo de dias; cabe ao médico avaliar cada caso. Para efeito de planejamento, a média nacional é de 2 dias para consultas iniciais.
Quando procurar médico urgente / sinais de alerta
Procure atendimento imediato se houver: sangramento retal vermelho vivo ou escuro, dor abdominal intensa e progressiva, vômitos, distensão abdominal abrupta, febre, perda de peso não intencional, ou se não evacuar por mais de 7 dias mesmo com uso de laxantes. Também é urgente se houver suspeita de obstrução intestinal (parada de eliminação de gases e fezes) ou impactação fecal que não cede com medidas caseiras.
Prevenção e cuidados contínuos
A prevenção baseia-se em um estilo de vida regular: consumir diariamente pelo menos 25-30g de fibras, beber 2 litros de água (mais em climas quentes), praticar atividade física (30 minutos/dia, 5x/semana), estabelecer horário fixo para evacuação (após o café da manhã), e evitar o uso abusivo de laxantes. Manter um diário intestinal pode ajudar a identificar gatilhos.
- 01. Aumente as fibras gradualmente para evitar gases e inchaço. Comece com 5g extras por semana.
- 02. Combine fibras com água: sem hidratação, as fibras podem piorar a constipação.
- 03. Inclua alimentos laxantes naturais: mamão, ameixa preta, laranja com bagaço, folhas verdes, iogurte natural.
- 04. Pratique exercícios físicos – a caminhada estimula os movimentos peristálticos.
- 05. Estabeleça uma rotina: sente no vaso 20 a 30 minutos após as refeições, mesmo sem vontade.
- 06. Evite segurar a vontade de evacuar – o reflexo pode ser perdido com o tempo.
Perguntas Frequentes sobre o CID ALIMENTOS
O CID ALIMENTOS garante quantos dias de atestado?
O código K59.0 em si não define um número fixo de dias. O médico avalia o quadro e pode conceder de 1 a 7 dias, dependendo da intensidade dos sintomas e da necessidade de repouso. Em casos simples, 1 a 2 dias são suficientes; em impactação fecal, 5 a 7 dias.
Qual a diferença entre constipação e síndrome do intestino irritável?
A SII (CID K58) inclui dor abdominal recorrente associada à evacuação, com alternância entre constipação e diarreia. A constipação funcional pura não apresenta dor como sintoma dominante.
Gestantes podem usar laxantes?
Devem ser evitados laxantes estimulantes. Opções seguras são polietilenoglicol e lactulose, sempre sob orientação médica.
O CID K59.0 pode ser usado para fins trabalhistas?
Sim, é um código válido para atestado médico e afastamento temporário, desde que justificado pela avaliação clínica.
Quantos litros de água devo beber para ajudar na constipação?
O recomendado é de 1,5 a 2 litros por dia para adultos, podendo aumentar em climas quentes ou prática de exercícios.
Existe relação entre constipação e hemorroidas?
Sim, o esforço repetido para evacuar pode causar ou agravar hemorroidas. Controlar a constipação é fundamental para prevenir esse problema.
O CID “Alimentos para Constipação” é um código oficial?
Não é um código CID-10 isolado. Ele refere-se à prática de associar o diagnóstico K59.0 a orientações dietéticas (Z71.3 ou Z72.4) para tratamento nutricional.
Quais exames são necessários para diagnosticar constipação crônica?
Além da história clínica, podem ser solicitados: hemograma, TSH, cálcio, glicemia e, se critérios de alarme, colonoscopia.
A constipação pode ser sinal de câncer de intestino?
Em casos de início recente após os 50 anos, perda de peso, sangue nas fezes ou anemia, sim. Por isso, a avaliação médica é essencial.
Qual o melhor laxante natural?
Ameixa preta (in natura ou em suco), mamão, laranja com bagaço, sementes de chia e linhaça são opções eficazes e seguras.
É verdade que o leite pode piorar a constipação?
Em pessoas com intolerância à lactose, o leite pode causar gases e desconforto, mas não necessariamente piorar a constipação. Já o iogurte com probióticos pode ajudar.
O que fazer quando a constipação não melhora com dieta?
Procure um médico. Podem ser prescritos laxantes osmóticos, procinéticos ou, em casos refratários, medicamentos como lubiprostona.
Revisão médica: Conteúdo revisado pela equipe médica da Clínica Popular Fortaleza, com base na CID-10 (OMS) e protocolos do Ministério da Saúde do Brasil.
Última atualização: 21/06/2026
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Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. O diagnóstico e o tratamento indicados pelo CID devem ser definidos pelo médico responsável com base no exame clínico completo. Não use este artigo como base para autodiagnóstico ou prescrição.
Fontes externas:
CID10.com.br – K59.0
MedlinePlus – Constipation
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