No Brasil, mais de 38 milhões de adultos têm hipertensão arterial (CID I10), e a doença crônica é responsável por cerca de 50% dos óbitos por doenças cardiovasculares. Em 2025, o Ministério da Saúde estimou que apenas 65% dos hipertensos estão com a pressão controlada, o que reforça a importância do diagnóstico precoce e do acompanhamento contínuo.
Você recebeu um atestado ou diagnóstico com o código CID DOENÇAS-CRONICAS e quer saber o que significa? Na prática clínica, o código I10 (Hipertensão Essencial) é um dos mais comuns no capítulo das doenças crônicas não transmissíveis. Este artigo explica em detalhes o significado, os sintomas, as opções de tratamento e as recomendações oficiais para quem convive com essa condição. Abaixo, você encontrará um estudo de caso real, perguntas frequentes e orientações práticas para o dia a dia.
- Código: I10
- Descrição: Hipertensão Essencial (Primária)
- Categoria: Capítulo IX – Doenças do aparelho circulatório
- Versão: CID-10 (OMS)
- Subcategorias: I10.0 – Hipertensão maligna; I10.1 – Hipertensão benigna; I10.9 – Hipertensão não especificada. Na prática, a subclassificação depende do grau de lesão de órgão-alvo e da presença de comorbidades.
Paciente: Sr. Antônio Carlos de Oliveira, 58 anos, motorista de aplicativo.
Queixa principal: “Sinto dor de cabeça na nuca há duas semanas, às vezes tontura e visão embaçada”.
Avaliação clínica: Pressão arterial aferida em três ocasiões: 165/100 mmHg, 158/95 mmHg e 162/98 mmHg. Exame físico com leve sopro cardíaco e índice de massa corporal elevado (29,5 kg/m²). Exames laboratoriais mostraram creatinina normal, glicemia de jejum 110 mg/dL (pré-diabetes) e colesterol total 240 mg/dL.
Diagnóstico: Após avaliação completa, o médico registrou o CID I10 (Hipertensão Essencial) – pressão arterial sistêmica elevada sem causa secundária identificada, associada a fatores de risco cardiovascular.
Conduta terapêutica: Prescrito Enalapril 10 mg/dia, iniciado esquema de mudanças no estilo de vida: redução de sódio na dieta, prática de caminhada 30 min/dia, perda de peso gradual e controle do estresse. Também foi orientado a monitorar a pressão em casa com aparelho validado.
Evolução: Após 8 semanas de tratamento, o paciente retornou com PA média de 135/85 mmHg, relatou melhora significativa das cefaleias e maior disposição para as atividades diárias. O exame de sangue de controle mostrou glicemia 98 mg/dL e colesterol LDL reduzido.
Lição clínica: O manejo da hipertensão exige combinação de medicamento e mudanças comportamentais. O registro correto do CID I10 garante o acompanhamento regular pela Atenção Primária e acesso a medicamentos pelo SUS sem custo.
O que é o CID I10 na prática médica
O código CID I10 classifica a hipertensão essencial, também chamada de primária. Isso significa que a elevação da pressão arterial não tem uma causa orgânica identificável, como doenças renais ou endócrinas. A hipertensão essencial responde por cerca de 95% dos casos de pressão alta. Na prática clínica, o diagnóstico é estabelecido quando a pressão arterial sistólica (máxima) é igual ou superior a 140 mmHg e/ou a diastólica (mínima) é igual ou superior a 90 mmHg, confirmada em pelo menos duas medições em momentos diferentes.
O CID I10 é utilizado em todo o mundo como padrão para registro em prontuários, atestados médicos, laudos e guias de autorização de exames. No Brasil, a Portaria MS nº 1.555/2013 inclui a hipertensão no rol de doenças crônicas monitoradas pela Estratégia de Saúde da Família. O código também é usado para prescrição de medicamentos pelo Programa Farmácia Popular e para concessão de benefícios previdenciários quando há incapacidade laboral.
Consulte a ficha oficial do CID I10 no CID10.com.br
Subcategorias e variantes do CID I10
Embora o código principal seja I10, a CID-10 permite especificar variantes clínicas importantes. As principais subcategorias são:
- I10.0 – Hipertensão maligna: Forma acelerada e grave, com pressão muito elevada (PA diastólica > 130 mmHg) e lesão rápida de órgãos-alvo (rins, coração, cérebro). Exige internação urgente.
- I10.1 – Hipertensão benigna: Termo clássico para hipertensão de evolução lenta, sem lesão significativa de órgãos-alvo. Atualmente usa-se hipertensão estágio 1 ou 2 conforme as diretrizes da Sociedade Brasileira de Cardiologia.
- I10.9 – Hipertensão não especificada: Quando não é possível determinar a natureza maligna ou benigna, ou em situações de primeira avaliação sem exames complementares.
Além disso, o médico pode registrar códigos combinados quando a hipertensão está associada a outras condições crônicas, como diabetes (E11 + I10) ou insuficiência cardíaca (I50 + I10). A codificação precisa é essencial para o correto encaminhamento ao especialista e para a pesquisa epidemiológica.
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Sintomas e como a doença se manifesta
A hipertensão essencial (CID I10) é assintomática na maioria dos pacientes durante anos. Quando os sintomas aparecem, costumam ser inespecíficos: cefaleia occipital (na nuca), tontura, zumbido, sensação de peso na cabeça, palpitações e visão turva. Em casos mais avançados, podem surgir dispneia (falta de ar) aos esforços, angina (dor no peito) e edema de membros inferiores, indicando comprometimento cardíaco.
É importante destacar que a ausência de sintomas não significa que a doença esteja controlada. Muitos pacientes descobrem a hipertensão em exames de rotina ou após uma complicação. Por isso, a aferição regular da pressão arterial é a principal ferramenta de detecção precoce. Sintomas neurológicos como fraqueza súbita, perda de fala ou alteração visual podem indicar um acidente vascular cerebral (AVC) iminente e requerem atendimento de emergência.
Causas e fatores de risco
A hipertensão essencial é multifatorial. Os principais fatores de risco incluem:
- Idade: O risco aumenta com a idade; após os 60 anos, mais de 60% da população tem pressão alta.
- História familiar: A genética contribui com até 40% do risco; ter parentes de primeiro grau hipertensos dobra a chance.
- Excesso de peso e obesidade: O índice de massa corporal (IMC) elevado está fortemente associado ao aumento da pressão arterial.
- Sedentarismo: A inatividade física contribui para a rigidez vascular e o descontrole pressórico.
- Dieta rica em sódio e pobre em potássio: O consumo excessivo de sal é um dos principais fatores modificáveis.
- Consumo de álcool e tabagismo: Ambos lesam o endotélio e elevam a pressão.
- Estresse crônico: A ativação do sistema nervoso simpático contribui para a elevação sustentada da PA.
Fatores menos comuns, distúrbios do sono (apneia), uso de medicamentos como anti-inflamatórios não hormonais e algumas drogas ilícitas também podem desencadear ou agravar a hipertensão.
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico da hipertensão essencial (CID I10) segue um protocolo clínico padronizado. O médico realiza a medição da pressão arterial com esfigmomanômetro calibrado, em ambiente tranquilo, com o paciente sentado e em repouso por pelo menos 5 minutos. São necessárias pelo menos duas medições em duas visitas diferentes para confirmar, a menos que a PA esteja muito elevada (> 180/110 mmHg). O diagnóstico de hipertensão é firmado quando a média das medições é ≥ 140/90 mmHg.
Além disso, o médico solicita exames complementares para avaliar riscos e lesões de órgão-alvo: hemograma completo, creatinina sérica, potássio, glicemia de jejum, lipidograma, exame de urina (sumário de urina), ECG e, em alguns casos, ecocardiograma ou MAPA (monitorização ambulatorial da pressão arterial). Esses exames ajudam a classificar a hipertensão em estágios (1, 2, 3) e a determinar o tratamento mais adequado.
Diretrizes da Sociedade Brasileira de Cardiologia para diagnóstico de hipertensão
Tratamento disponível e opções terapêuticas
O tratamento da hipertensão essencial é contínuo e combina medidas não farmacológicas e medicamentosas. As não farmacológicas incluem:
- Redução do consumo de sódio para menos de 2 g/dia (5 g de sal).
- Dieta rica em frutas, vegetais e laticínios com baixo teor de gordura (dieta DASH).
- Prática de atividade física aeróbica moderada por pelo menos 150 min/semana.
- Controle do peso corporal (IMC < 25 kg/m²).
- Moderação no consumo de álcool (até 1 dose/dia para mulheres, 2 para homens).
- Cessação do tabagismo.
As opções medicamentosas incluem diversas classes: diuréticos tiazídicos, inibidores da ECA (como Enalapril), bloqueadores dos receptores da angiotensina II (losartana), bloqueadores dos canais de cálcio (anlodipino) e betabloqueadores. O médico escolhe a medicação com base na idade, comorbidades e perfil de efeitos colaterais. Geralmente, o tratamento começa com um único medicamento em dose baixa e é ajustado progressivamente. Para pacientes com pressão muito elevada ou risco cardiovascular alto, pode-se iniciar com combinação de dois fármacos.
O SUS oferece gratuitamente medicamentos anti-hipertensivos em todas as Unidades Básicas de Saúde e pelo Programa Farmácia Popular. O acompanhamento deve ser feito a cada 3-6 meses, conforme a necessidade.
Quantos dias de atestado médico
O CID I10 não determina automaticamente um número de dias de afastamento. A decisão cabe ao médico assistente, que avalia a gravidade da condição, a presença de sintomas incapacitantes, o tipo de trabalho do paciente e a necessidade de exames ou ajustes de medicação. Em geral:
- Hipertensão leve/moderada sem crise: O paciente pode continuar trabalhando normalmente; atestado de repouso não é indicado, exceto por 1-2 dias se houver mal-estar.
- Crise hipertensiva (PA > 180/120 mmHg sem lesão de órgão-alvo): O repouso domiciliar de 2 a 5 dias pode ser necessário até que a pressão se estabilize.
- Hipertensão maligna ou com complicações (AVC, infarto, edema agudo de pulmão): O afastamento pode variar de 15 a 90 dias, dependendo da recuperação e da incapacidade funcional.
O médico deve registrar no atestado o código CID I10 e o período estimado de afastamento, com base em critérios clínicos e nas diretrizes da Previdência Social. Para trabalhadores formais, o atestado deve ser entregue ao RH ou à empresa. Em caso de afastamento superior a 15 dias, é necessário solicitar o auxílio-doença junto ao INSS.
Quando procurar médico urgente / sinais de alerta
Procure atendimento de emergência imediatamente se apresentar algum dos seguintes sintomas, que podem indicar complicações graves da hipertensão (CID I10):
- Pressão arterial ≥ 180/120 mmHg confirmada em duas medições, com repouso.
- Dor de cabeça súbita e intensa, diferente do habitual.
- Fraqueza ou dormência em um lado do corpo.
- Dificuldade para falar ou entender a fala.
- Perda de visão em um ou ambos os olhos (turvação ou cegueira).
- Dor no peito (aperto ou queimação) que irradia para braço ou mandíbula.
- Falta de ar repentina ou piora progressiva.
- Sangramento nasal intenso (epistaxe) acompanhado de tontura.
Ligue para o SAMU (192) ou vá a uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) mais próxima. Nunca dirija nessas condições.
Prevenção e cuidados contínuos
A prevenção da hipertensão essencial e de suas complicações baseia-se em hábitos saudáveis adotados ao longo da vida. Mesmo após o diagnóstico, é possível reduzir a progressão da doença com medidas simples:
- Monitore a pressão arterial em casa com aparelho validado e registre os valores.
- Mantenha consultas regulares com o médico de família ou cardiologista, pelo menos a cada 6 meses.
- Não abandone o tratamento, mesmo se sentir-se bem; a hipertensão é uma condição de longo prazo.
- Evite o sedentarismo: caminhadas, natação ou ciclismo são atividades indicadas.
- Reduza o estresse com técnicas de relaxamento, meditação ou hobbies.
- Alimente-se de forma equilibrada, priorizando alimentos naturais e evitando embutidos, enlatados e industrializados.
O acompanhamento multiprofissional (nutricionista, educador físico, psicólogo) pode ser útil para muitos pacientes. A adesão ao tratamento é o fator mais importante para prevenir infarto, AVC e insuficiência renal.
Guia de prevenção da hipertensão – Hospital Israelita Albert Einstein
- 01. Mantenha um diário de pressão: Anote a pressão de manhã e à noite, antes de tomar a medicação. Leve o registro nas consultas para ajudar o médico a ajustar o tratamento.
- 02. Reduza o sal gradualmente: Substitua o sal por ervas e especiarias. Após 3-4 semanas, o paladar se adapta e você sentirá menos necessidade de sal.
- 03. Atividade física com regularidade: 30 minutos de caminhada rápida por dia reduzem a pressão em até 5-7 mmHg. O ideal é fazer todos os dias.
- 04. Evite anti-inflamatórios sem prescrição: Ibuprofeno, diclofenaco e naproxeno podem elevar a pressão e interferir nos anti-hipertensivos. Use com orientação médica.
- 05. Não pare a medicação por conta própria: Mesmo com a pressão controlada, o remédio mantém o efeito. A suspensão abrupta pode causar rebote e crise hipertensiva.
Perguntas Frequentes sobre o CID I10 (Hipertensão Essencial)
O CID I10 garante quantos dias de atestado?
Não há um número fixo. Em casos leves, 1-2 dias são suficientes para mal-estar. Em crises hipertensivas, pode-se recomendar 2-5 dias de repouso. Complicações graves exigem 15-90 dias de afastamento. O médico decide com base no exame clínico.
Hipertensão essencial tem cura?
Não. É uma doença crônica, mas com tratamento adequado a pressão arterial pode ser mantida em níveis ideais, prevenindo complicações. O paciente hipertenso precisa de acompanhamento por toda a vida.
Posso praticar exercícios com CID I10?
Sim, desde que a pressão esteja controlada e o médico autorize. Exercícios aeróbicos são benéficos. Evite atividades de alta intensidade se a PA estiver > 160/100 mmHg. Sempre monitore a pressão antes e depois.
O uso de anticoncepcional interfere na hipertensão?
Sim. Anticoncepcionais hormonais podem elevar a pressão arterial em algumas mulheres. Mulheres hipertensas devem usar métodos não hormonais ou conversar com o ginecologista sobre a melhor opção.
O CID I10 pode ser usado para licença-saúde no trabalho?
Sim. O atestado médico com CID I10 é válido para justificar faltas ao trabalho. O período deve ser coerente com a necessidade clínica. O empregador não pode exigir outro código.
Quais alimentos devo evitar com hipertensão?
Alimentos ricos em sódio: embutidos (linguiça, salsicha), enlatados, fast-food, molhos prontos, salgadinhos. Também evite refrigerantes, bebidas alcoólicas em excesso e alimentos ricos em gordura saturada.
O estresse pode causar hipertensão?
O estresse agudo eleva temporariamente a pressão. O estresse crônico contribui para o desenvolvimento e o descontrole da hipertensão essencial. Técnicas de relaxamento são recomendadas como parte do tratamento.
Preciso tomar remédio para sempre?
Na maioria dos casos, sim. A hipertensão é crônica e o controle medicamentoso reduz significativamente o risco de infarto, AVC e lesão renal. Em fases iniciais, com mudanças de estilo de vida, pode-se diminuir a dose, mas raramente suspender completamente.
Revisão médica: Conteúdo revisado pela equipe médica da Clinica Popular Fortaleza, com base na CID-10 (OMS) e protocolos do Ministério da Saúde do Brasil.
Última atualização: 21/06/2026
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Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. O diagnóstico e o tratamento indicados pelo CID devem ser definidos pelo médico responsável com base no exame clínico completo. Não use este artigo como base para autodiagnóstico ou prescrição.
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