Estima-se que, em 2026, mais de 16 milhões de brasileiros vivam com diabetes mellitus (E10-E14) e cerca de 30 milhões apresentem alguma disfunção tireoidiana (E00-E07). As doenças endócrinas e metabólicas representam a terceira maior causa de morbidade no país, segundo o Ministério da Saúde.
Você recebeu um atestado ou diagnóstico com o código CID DOENÇAS-ENDÓCRINAS-E-METABÓLICAS-GUIA-COMPLETO e quer saber o que significa? Este guia completo explica tudo sobre o Capítulo IV da CID-10 (E00-E90), que abrange desde diabetes e obesidade até distúrbios da tireoide e das glândulas suprarrenais. Entenda o que cada código representa, como são os sintomas, o tratamento e os dias de afastamento recomendados.
- Código: E00-E90
- Descrição: Doenças endócrinas, nutricionais e metabólicas
- Categoria: Capítulo IV – Doenças endócrinas, nutricionais e metabólicas (CID-10)
- Versão: CID-10 (OMS)
- Subcategorias principais: E00-E07 (Tireoide), E10-E14 (Diabetes mellitus), E15-E16 (Hipoglicemia), E20-E21 (Paratireoide), E22-E23 (Hipófise), E24-E27 (Suprarrenais), E28-E30 (Gônadas), E31-E34 (Outras), E40-E46 (Desnutrição), E50-E56 (Obesidade), E70-E90 (Distúrbios metabólicos)
Paciente: Joana Oliveira, 52 anos, professora aposentada
Queixa principal: Sede excessiva, emagrecimento de 8 kg em 2 meses, cansaço e visão turva.
Avaliação clínica: Glicemia de jejum de 245 mg/dL, HbA1c de 9,8%; exame físico mostrou IMC 31 kg/m² e presença de acantose nigricans. ECG normal, função renal preservada.
Diagnóstico: Apos avaliação completa, o médico registrou o CID E11 – Diabetes mellitus não insulino-dependente (tipo 2), associado a obesidade (CID E66). Joana apresentava resistência insulínica franca, sem evidência de complicações microvasculares.
Conduta terapêutica: Metformina 850 mg 2x/dia, orientações nutricionais, programa de atividade física leve (caminhada 30 min/dia), monitoramento domiciliar da glicemia e agendamento de consultas com endocrinologista e nutricionista. Prescrito atestado médico de 7 dias para adaptação inicial e reorganização dos hábitos.
Evolução: Após 3 meses, glicemia de jejum de 112 mg/dL, HbA1c de 7,1%, peso reduzido em 6 kg. Paciente relata melhora da energia e visão normalizada. Segue em acompanhamento trimestral.
Lição clínica: O diabetes tipo 2 é uma condição metabólica que responde muito bem a mudanças de estilo de vida combinadas à farmacoterapia. O diagnóstico precoce e o registro correto do CID E11 são fundamentais para o planejamento terapêutico e a concessão de benefícios trabalhistas.
O que é o CID E00-E90 na prática médica
O CID E00-E90 agrupa todas as doenças do sistema endócrino, distúrbios nutricionais e erros inatos do metabolismo. Na prática clínica, o médico utiliza códigos específicos dentro dessa faixa para registrar diagnósticos como diabetes mellitus (E10-E14), hipotireoidismo (E03), hipertireoidismo (E05), obesidade (E66), síndrome de Cushing (E24), entre outros. A classificação permite padronizar o diagnóstico em prontuários, atestados e relatórios para a Previdência Social, além de orientar o tratamento e o prognóstico.
Subcategorias e variantes do CID E00-E90
O capítulo é dividido em blocos de acordo com o órgão ou sistema afetado:
- E00-E07 – Doenças da tireoide (ex.: E00 – Síndrome de deficiência congênita de iodo; E03 – Hipotireoidismo; E05 – Tireotoxicose)
- E10-E14 – Diabetes mellitus (E10 – Tipo 1; E11 – Tipo 2; E12 – Associado à desnutrição; E13 – Outros; E14 – Não especificado)
- E15-E16 – Hipoglicemia e secreção anormal de insulina
- E20-E21 – Doenças das paratireoides (hiperparatireoidismo, hipoparatireoidismo)
- E22-E24 – Doenças da hipófise e síndromes adrenais
- E25-E27 – Doenças das glândulas suprarrenais
- E28-E30 – Disfunções ovarianas e testiculares
- E40-E46 – Desnutrição e carências nutricionais
- E50-E56 – Obesidade e outros estados hiperalimentares
- E70-E90 – Distúrbios metabólicos (fenilcetonúria, galactosemia, etc.)
Cada subcategoria ainda possui dígitos adicionais (E11.9 diabetes tipo 2 sem complicações; E11.2 com complicações renais). É essencial que o médico detalhe o código para refletir exatamente o quadro clínico.
Sintomas e como a doença se manifesta
Os sintomas variam imensamente de acordo com a glândula ou via metabólica envolvida. No diabetes, predominam poliúria, polidipsia, polifagia e perda ponderal. No hipotireoidismo, cansaço, intolerância ao frio, bradicardia e ganho de peso. No hipertireoidismo, taquicardia, tremor, insônia e emagrecimento. Distúrbios suprarrenais podem causar hipertensão refratária, fraqueza muscular, hiperpigmentação (Addison) ou obesidade centrípeta (Cushing). Os erros inatos do metabolismo (ex.: fenilcetonúria) apresentam-se com atraso do desenvolvimento e odor característico na urina. Muitos quadros são assintomáticos por anos, sendo descobertos em exames de rotina.
Causas e fatores de risco
As causas abrangem desde mutações genéticas (diabetes tipo 1, fibrose cística endócrina) até fatores ambientais e estilo de vida. O diabetes tipo 2 está fortemente associado a obesidade, sedentarismo e histórico familiar. O hipotireoidismo autoimune (tireoidite de Hashimoto) é mais comum em mulheres após os 40 anos. Distúrbios suprarrenais podem ser causados por tumores (adenoma, carcinoma) ou por uso prolongado de corticoides. A desnutrição proteico-calórica e as carências de iodo ainda são prevalentes em regiões vulneráveis. Os principais fatores de risco modificáveis incluem alimentação inadequada, inatividade física, tabagismo e consumo excessivo de álcool.
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico inicia com anamnese minuciosa e exame físico. Exames laboratoriais são fundamentais: glicemia de jejum, hemoglobina glicada, perfil lipídico, hormônios tireoidianos (TSH, T4 livre), cortisol urinário, dosagem de catecolaminas, entre outros. Exames de imagem, como ultrassonografia de tireoide, cintilografia ou tomografia de adrenais, podem ser necessários. Testes de função dinâmica (curva glicêmica, teste de tolerância à insulina, estímulo com ACTH) ajudam a confirmar suspeitas. O aconselhamento genético é indicado para doenças metabólicas hereditárias. O médico deve sempre registrar o código CID mais específico para garantir a correta codificação e o acesso a tratamentos e benefícios.
Tratamento disponível e opções terapêuticas
O tratamento depende da condição específica. Para diabetes tipo 2, a base é a metformina, associada a outros antidiabéticos orais (sulfonilureias, inibidores DPP-4, agonistas GLP-1) ou insulina. Hipotireoidismo exige reposição com levotiroxina; hipertireoidismo pode ser tratado com antitireoidianos, iodo radioativo ou cirurgia. Obesidade requer reeducação alimentar, atividade física e, em casos selecionados, cirurgia bariátrica. Distúrbios suprarrenais podem demandar cirurgia para tumores ou reposição hormonal (corticoides, fludrocortisona). Para erros inatos do metabolismo, dietas restritivas (ex.: fenilalanina) e suplementação enzimática. O acompanhamento multidisciplinar com endocrinologista, nutricionista, psicólogo e educador físico é essencial para o sucesso terapêutico.
Quantos dias de atestado médico
O número de dias de atestado varia conforme a gravidade e o tipo de doença metabólica:
- Diabetes descompensado (cetoacidose, hiperglicemia grave): 7 a 14 dias para estabilização clínica.
- Hipotireoidismo sintomático (extremo cansaço, bradicardia): 3 a 5 dias até ajuste da medicação.
- Hipertireoidismo (tireotoxicose com taquiarritmia): 7 a 10 dias para controle inicial.
- Obesidade grau III com comorbidades (início de tratamento intensivo): 5 a 7 dias para reorientação.
- Crítica hipertensiva por feocromocitoma: 14 a 21 dias (pós-operatório se indicado).
- Avaliação inicial com múltiplos exames: 2 a 3 dias.
O médico avalia cada caso individualmente. Para afastamentos prolongados (>15 dias), é necessário perícia médica pelo INSS. O código CID E00-E90 fornece a justificativa técnica indispensável.
Quando procurar médico urgente / sinais de alerta
Procure atendimento de emergência se apresentar: glicemia capilar > 300 mg/dL com alteração da consciência (cetoacidose); pulso muito rápido (>120 bpm) ou irregular associado a tremor e sudorese (crise tireotóxica); fraqueza muscular súbita, hipotensão e hiperpigmentação (crise addisoniana); cefaleia intensa, palpitações e hipertensão paroxística (suspeita de feocromocitoma); ou em criança, atraso do desenvolvimento com odor adocicado na urina (erro inato do metabolismo). Sinais de desnutrição grave (emaciação, edema) também requerem internação.
Prevenção e cuidados contínuos
A prevenção das doenças endócrinas e metabólicas baseia-se em hábitos saudáveis: dieta balanceada (pobre em açúcares e gorduras saturadas, rica em fibras), prática regular de atividade física (150 min/semana de moderada intensidade), manutenção do peso adequado (IMC < 25 kg/m²), não fumar, moderar álcool, e realizar check-ups anuais com dosagem de glicemia, perfil lipídico e TSH. Pacientes com histórico familiar devem iniciar rastreamento mais cedo. Portadores de doenças crônicas precisam aderir ao tratamento medicamentoso e às consultas regulares. O autocuidado, com monitoramento domiciliar da glicemia ou uso correto de medicamentos, reduz complicações.
- 01. Mantenha um diário de sintomas e exames (glicemia, peso, pressão) para apresentar ao médico nas consultas.
- 02. Nunca interrompa o uso de levotiroxina ou corticoides sem orientação – o efeito rebote pode ser grave.
- 03. Para diabetes, o monitoramento da hemoglobina glicada (HbA1c) a cada 3 meses é mais fidedigno que a glicemia isolada.
- 04. A obesidade é uma doença metabólica crônica – não se culpe; busque apoio profissional para perda gradual e sustentável.
- 05. Em viagens, leve todos os medicamentos e receitas, e tenha um plano de emergência (crise de hipoglicemia, tireotóxica, etc.).
Perguntas Frequentes sobre o CID E00-E90 (Doenças Endócrinas e Metabólicas)
O CID E00-E90 garante quantos dias de atestado?
Não há um número fixo. O médico define entre 2 e 21 dias conforme a gravidade, podendo ser prorrogado com perícia. Veja a tabela na seção “Quantos dias de atestado médico”.
Preciso de encaminhamento para endocrinologista?
Sim. O clínico geral ou médico da família pode iniciar o diagnóstico e tratamento básico, mas casos complexos (tumores, doenças raras, diabetes tipo 1, tireoide refratária) devem ser encaminhados ao endocrinologista.
Doenças endócrinas têm cura?
Algumas sim (ex.: hipertireoidismo tratado com iodo radioativo), outras são controladas cronicamente (diabetes, hipotireoidismo). O tratamento adequado permite vida plena na maioria dos casos.
O CID E66 (obesidade) dá direito a atestado?
Sim. Obesidade grau III (IMC ≥ 40) com comorbidades pode justificar afastamento temporário para tratamento intensivo ou cirurgia bariátrica, normalmente de 7 a 14 dias.
Como saber se meu CID é o correto?
Verifique o código no atestado ou prontuário. Consulte o site CID10.com.br para a descrição exata. Em caso de dúvida, peça esclarecimento ao seu médico.
Esses códigos afetam o plano de saúde?
Sim. Operadoras utilizam a CID para autorizar exames, procedimentos e internações. Um código específico (ex.: E11.2) aumenta a chance de cobertura de complicações renais.
Posso usar o CID E00-E90 no atestado de trabalho?
Sim, e é recomendado que o médico utilize o código mais específico para justificar o afastamento. Isso protege o paciente e facilita o reconhecimento pelo INSS.
O que é síndrome metabólica? Ela tem CID próprio?
Síndrome metabólica (conjunto de obesidade, hipertensão, dislipidemia e resistência insulínica) não tem CID exclusivo, mas é codificada com combinações (ex.: E11 + I10 + E66).
Revisão médica: Conteúdo revisado pela equipe médica da Clínica Popular Fortaleza, com base na CID-10 (OMS) e protocolos do Ministério da Saúde do Brasil.
Última atualização: 21/06/2026
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Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. O diagnóstico e o tratamento indicados pelo CID devem ser definidos pelo médico responsável com base no exame clínico completo. Não use este artigo como base para autodiagnóstico ou prescrição.
Fontes confiáveis:
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