quarta-feira, julho 8, 2026

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CID F98: O que significa, sintomas e tratamento

Dado epidemiológico 2026

Estima-se que cerca de 15% das crianças em idade escolar apresentam algum transtorno comportamental ou emocional classificado no capítulo F98, sendo a enurese noturna (F98.0) o diagnóstico mais frequente, afetando aproximadamente 7% dos meninos e 3% das meninas aos 7 anos de idade.

Você recebeu um atestado ou diagnóstico com o código CID F98 e quer saber o que significa? Esse código abrange um grupo de transtornos comportamentais e emocionais que surgem tipicamente na infância ou adolescência, como enurese (xixi na cama), gagueira, pica (ingestão de substâncias não nutritivas) e outros. Neste artigo, explicamos cada subcategoria, os sintomas, as causas, como é feito o diagnóstico e quais tratamentos estão disponíveis, baseados nas diretrizes mais atuais da CID-10 e do Ministério da Saúde.

Identificação do CID

  • Código: F98
  • Descrição: Outros transtornos comportamentais e emocionais com início habitualmente na infância e adolescência
  • Categoria: Capítulo V – Transtornos mentais e comportamentais (F00-F99)
  • Versão: CID-10 (OMS)
  • Subcategorias: F98.0 (Enurese não orgânica), F98.1 (Encoprese não orgânica), F98.2 (Transtorno de alimentação na infância), F98.3 (Pica), F98.4 (Estereotipias motoras), F98.5 (Gagueira), F98.6 (Fala rápida), F98.8 (Outros transtornos especificados), F98.9 (Transtorno não especificado)

Caso Clínico Real — Exemplo Prático

Paciente: João Miguel, 8 anos, estudante do 2º ano do ensino fundamental

Queixa principal: “Faz xixi na cama quase todas as noites desde os 5 anos, já tentamos reduzir líquidos à noite e acordá-lo para ir ao banheiro, mas não adianta.”

Avaliação clínica: Exame físico normal, sem sinais de infecção urinária, diabetes ou alterações neurológicas. Ultrassonografia de vias urinárias sem anormalidades. Exame de urina tipo I normal. Aplicado questionário de frequência de enurese: 6 noites por semana, sem episódios diurnos. Desenvolvimento psicomotor adequado para a idade.

Diagnóstico: Após avaliação completa, o médico registrou o CID F98.0 — Enurese não orgânica (enurese noturna primária monossintomática).

Conduta terapêutica: Orientação sobre higiene do sono, restrição de líquidos 2 horas antes de dormir, uso de alarme de enurese (dispositivo que detecta umidade) e, em caso de falha após 3 meses, prescrição de desmopressina (DDAVP) na forma de comprimido sublingual, 120 mcg antes de deitar, com avaliação de sódio sérico após 1 semana.

Evolução: Após 8 semanas com o alarme, a frequência caiu para 2 noites por semana. Com a introdução da desmopressina, atingiu continência completa em 4 semanas. Mantido tratamento por 3 meses e retirada gradual. Sem recidiva em 6 meses de seguimento.

Lição clínica: A enurese noturna não orgânica é comum, tem bom prognóstico e responde bem a intervenções comportamentais e medicamentosas. O diagnóstico diferencial com outras causas orgânicas é essencial para evitar tratamentos desnecessários e ansiedade familiar.

Atenção: O diagnóstico de transtornos comportamentais e emocionais na infância e adolescência deve ser realizado exclusivamente por profissional de saúde mental ou pediatra com experiência em desenvolvimento infantil. Nunca tente autodiagnosticar ou medicar sem orientação médica. Sintomas como enurese, gagueira ou alimentação seletiva podem ter causas orgânicas ou psicológicas que exigem abordagem individualizada.

O que é o CID F98 na prática médica

O CID F98 reúne uma série de condições que afetam o comportamento e as emoções de crianças e adolescentes, cujo início ocorre tipicamente antes da vida adulta. Diferentemente de transtornos psiquiátricos maiores (como esquizofrenia ou depressão maior), esses distúrbios são mais restritos a funções específicas, como controle esfincteriano, fala, alimentação ou movimentos repetitivos. Na prática clínica, o médico utiliza esse código quando identifica um padrão persistente que causa sofrimento significativo ou prejuízo funcional na escola, em casa ou nas relações sociais. Por exemplo, a enurese (F98.0) é considerada quando a criança urina na cama ou na roupa de forma involuntária, pelo menos duas vezes por semana, por três meses consecutivos, após os 5 anos de idade. Já a gagueira (F98.5) é diagnosticada quando há repetições ou prolongamentos de sons e sílabas que afetam a fluência verbal. O código F98.9 é reservado para casos em que o quadro preenche critérios gerais, mas não se encaixa em nenhuma subcategoria específica.

Subcategorias e variantes do CID F98

As subcategorias do CID F98 são detalhadas para permitir um diagnóstico mais preciso. A seguir, as principais:

  • F98.0 – Enurese não orgânica: perda involuntária de urina, noturna e/ou diurna, em idade em que o controle já é esperado (acima de 5 anos), sem causa orgânica identificada.
  • F98.1 – Encoprese não orgânica: evacuação repetida em locais inadequados (roupa, chão), após os 4 anos, sem doença orgânica.
  • F98.2 – Transtorno de alimentação na infância: recusa persistente de alimentos, seletividade extrema ou ingestão insuficiente, levando a perda ponderal ou atraso no desenvolvimento.
  • F98.3 – Pica: ingestão habitual de substâncias não nutritivas (terra, tinta, papel, cabelo) por pelo menos um mês, em idade em que isso não é culturalmente aceito.
  • F98.4 – Estereotipias motoras: movimentos repetitivos, não funcionais e aparentemente intencionais (balançar, rodar, bater cabeça), que interferem nas atividades diárias.
  • F98.5 – Gagueira (tartamudez): distúrbio da fluência verbal com repetições, prolongamentos ou bloqueios, que compromete a comunicação.
  • F98.6 – Fala rápida (taquifemia): fala acelerada com omissões de sílabas e pausas inadequadas, resultando em discurso confuso.
  • F98.8 – Outros transtornos especificados: inclui condições como onicofagia (roer unhas) patológica, chupar o dedo persistente após idade apropriada, entre outros.
  • F98.9 – Transtorno não especificado: usado quando há sintomas suficientes para um diagnóstico, mas não se enquadram em nenhuma subcategoria.

Sintomas e como a doença se manifesta

Os sintomas variam conforme o transtorno específico. Na enurese, o principal sinal é a perda urinária involuntária durante o sono (enurese noturna) ou em vigília (enurese diurna), geralmente associada a vergonha e baixa autoestima. Na encoprese, há eliminação de fezes em locais inadequados, muitas vezes acompanhada de constipação crônica. A gagueira manifesta-se por repetições (“qu-qu-quero”), prolongamentos (“ssssim”) ou bloqueios (silêncio antes de falar), podendo piorar em situações de estresse. A pica é caracterizada pela ingestão de objetos não comestíveis, como terra, giz ou cabelo, que pode levar a problemas gastrointestinais ou intoxicações. As estereotipias motoras incluem balançar o corpo, bater palmas repetitivamente ou rodar objetos de forma não funcional, geralmente em contexto de excitação ou ansiedade. O transtorno de alimentação na infância se apresenta como recusa alimentar extrema, choro durante as refeições ou ingestão apenas de texturas específicas, comprometendo o ganho de peso.

Causas e fatores de risco

As causas são multifatoriais, envolvendo aspectos genéticos, neurobiológicos e ambientais. Na enurese, há forte componente hereditário (cerca de 70% das crianças com enurese têm um familiar próximo com o mesmo problema), além de atraso na maturação do sistema nervoso central que controla a produção de urina noturna. A encoprese está frequentemente associada a constipação funcional e retenção fecal voluntária, muitas vezes desencadeada por medo de evacuar ou experiências dolorosas. A gagueira tem origem em disfunções nos circuitos neurais da fala, com influência genética significativa. A pica pode estar ligada a deficiências nutricionais (ferro, zinco) ou transtornos do espectro autista. Fatores de risco comuns incluem prematuridade, baixo peso ao nascer, estresse familiar, histórico de abuso ou negligência, e comorbidades como TDAH e transtornos de ansiedade.

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico baseia-se em critérios clínicos padronizados pela CID-10 e pelo DSM-5-TR. O médico (pediatra, psiquiatra infantil ou neuropediatra) realiza uma anamnese detalhada com os pais e, quando possível, com a criança. Investiga-se a frequência, duração e impacto dos sintomas, além de excluir causas orgânicas por meio de exames como urina tipo I, urocultura, ultrassom abdominal, exames de fezes e, em alguns casos, avaliação neurológica. Para a gagueira, pode ser feita avaliação fonoaudiológica. O diagnóstico de enurese, por exemplo, exige que a criança tenha pelo menos 5 anos de idade cronológica (ou desenvolvimento equivalente), episódios pelo menos duas vezes por semana por três meses, e não seja devido a efeitos de substâncias ou doenças médicas. Importante lembrar que muitos desses transtornos apresentam remissão espontânea, mas quando persistem após os 7-8 anos, o tratamento é recomendado.

Tratamento disponível e opções terapêuticas

O tratamento é individualizado e geralmente combina intervenções comportamentais, psicoterapia e, em alguns casos, medicação. Para enurese noturna, a primeira linha são medidas comportamentais: restrição de líquidos à noite, agenda de micção, reforço positivo e alarme de enurese. Se não houver resposta após 3 meses, pode-se usar desmopressina (análogo do hormônio antidiurético) ou imipramina (antidepressivo tricíclico). Na encoprese, o tratamento envolve educação intestinal, laxantes para constipação (como polietilenoglicol) e psicoterapia. A gagueira é tratada com terapia fonoaudiológica baseada em fluência, técnicas de respiração e, em casos graves, medicações como risperidona (off-label). Para pica, aborda-se a deficiência nutricional subjacente e utiliza-se terapia comportamental para reduzir a ingestão de não-alimentos. As estereotipias motoras podem responder a terapia ocupacional e, se muito intensas, a antipsicóticos atípicos. O transtorno de alimentação na infância requer acompanhamento multidisciplinar com pediatra, nutricionista e psicólogo, usando técnicas de dessensibilização e exposição gradual.

Quantos dias de atestado médico

O número de dias de atestado para o CID F98 varia conforme o transtorno e seu impacto funcional. Em casos de enurese noturna sem complicações, geralmente não é necessário afastamento escolar. Porém, se a criança apresenta sofrimento emocional intenso ou recusa escolar, o médico pode recomendar de 1 a 3 dias para avaliação e início de intervenção. Para transtornos como encoprese grave ou gagueira com impacto na comunicação, atestados de 3 a 5 dias podem ser emitidos para realização de exames e primeira abordagem terapêutica. Em situações de crise (por exemplo, ingestão de substância tóxica na pica), o afastamento pode se estender por até 7 dias. O importante é que o atestado seja acompanhado de orientação e encaminhamento para tratamento continuado. Lembrando que o CID F98 não é uma doença aguda, mas crônica, e o tratamento é ambulatorial, raramente exigindo internação.

Quando procurar médico urgente / sinais de alerta

Embora a maioria dos casos de CID F98 seja manejada em consultas de rotina, alguns sinais de alerta exigem atenção médica imediata:

  • Ingestão de substâncias tóxicas ou objetos cortantes (pica) – risco de perfuração ou intoxicação.
  • Perda de peso significativa ou desidratação por recusa alimentar extrema.
  • Episódios de retenção urinária aguda ou fecal com dor intensa.
  • Gagueira súbita após trauma craniano ou evento neurológico.
  • Automutilação associada a estereotipias motoras.
  • Sintomas depressivos graves, isolamento social ou ideação suicida (comorbidade frequente).
  • Febre, vômitos ou alteração do nível de consciência – suspeitar de causa orgânica como infecção urinária ou neurológica.

Nesses casos, procure o pronto-socorro pediátrico ou psiquiátrico imediatamente.

Prevenção e cuidados contínuos

A prevenção primária dos transtornos do CID F98 inclui promoção de ambiente familiar acolhedor, rotinas consistentes, alimentação balanceada e estímulo ao desenvolvimento da fala e controle esfincteriano sem pressão excessiva. Evitar exposição a traumas, violência e estresse crônico é fundamental. O acompanhamento pediátrico regular permite identificar precocemente sinais de risco. Já a prevenção secundária envolve o tratamento imediato dos sintomas iniciais para evitar cronificação. Para crianças com diagnóstico estabelecido, os cuidados contínuos incluem sessões regulares de psicoterapia, fonoaudiologia ou terapia ocupacional, além de medicação quando indicada. A escola deve ser parceira, com estratégias de inclusão e suporte emocional. O monitoramento de comorbidades (TDAH, ansiedade, depressão) é essencial, pois esses transtornos frequentemente coexistem e pioram o prognóstico. O suporte familiar com psicoeducação e treinamento de pais melhora a adesão ao tratamento e os resultados a longo prazo.

Dicas de Ouro

  1. 01. Não culpe a criança pelos sintomas. Transtornos como enurese e gagueira são involuntários e geram grande sofrimento emocional.
  2. 02. Mantenha um diário de sintomas (frequência, horários, gatilhos) para ajudar o médico no diagnóstico e na avaliação da resposta ao tratamento.
  3. 03. Em casos de enurese, evite fraldas noturnas após os 5 anos, pois podem atrasar o despertar natural. Use protetores de colchão impermeáveis.
  4. 04. Busque sempre uma equipe multidisciplinar: pediatra, psicólogo, fonoaudiólogo e, se necessário, psiquiatra infantil. Cada profissional contribui com uma abordagem específica.
  5. 05. Tenha paciência: a maioria dos transtornos F98 melhora com o tempo e com intervenções adequadas. O tratamento pode levar meses, e recaídas são comuns, mas não desista.

Perguntas Frequentes sobre o CID F98

O CID F98 garante quantos dias de atestado?

Não há uma regra fixa. O médico avalia o caso individualmente. Em geral, para enurese ou gagueira sem complicações, 1 a 3 dias são suficientes para avaliação inicial. Para transtornos mais graves (pica com ingestão de tóxico, encoprese com dor intensa), pode-se estender para 5 a 7 dias. O atestado deve vir acompanhado de plano terapêutico e encaminhamentos.

O CID F98 tem cura?

Muitos desses transtornos apresentam remissão espontânea com o desenvolvimento infantil, especialmente a enurese noturna. Quando persistem, o tratamento adequado leva ao controle dos sintomas na maioria dos casos. Fala-se em “controle” ou “remissão” mais do que “cura”, pois alguns podem recorrer em situações de estresse.

Qual médico trata o CID F98?

O pediatra é o primeiro ponto de contato. Para diagnóstico mais aprofundado, o ideal é um psiquiatra infantil ou neuropediatra. Terapias específicas são feitas por psicólogo (terapia cognitivo-comportamental), fonoaudiólogo (gagueira, taquifemia) e terapeuta ocupacional (estereotipias, pica).

CID F98 é considerado deficiência?

Em geral, não. A menos que o transtorno cause limitação funcional significativa e persistente, como gagueira grave que impede a comunicação ou estereotipias motoras que comprometem a escrita. Nesses casos, pode-se solicitar avaliação para o Benefício de Prestação Continuada (BPC) ou inclusão escolar especial.

Crianças com CID F98 podem tomar medicação?

Sim, quando indicado. Os medicamentos mais comuns são desmopressina (para enurese), imipramina (enurese refratária), laxantes (encoprese), risperidona (gagueira grave, estereotipias), e ISRS (comorbidade ansiosa). Toda medicação deve ser prescrita e monitorada por médico.

O CID F98 pode ser confundido com outros transtornos?

Sim. Por exemplo, enurese pode ser secundária a diabetes insipidus, infecção urinária ou epilepsia noturna. Pica pode ser confundida com autismo ou deficiência intelectual. Gagueira precisa ser diferenciada de disfluência normal do desenvolvimento. Por isso, exames complementares são importantes.

É possível prevenir o CID F98?

Não totalmente, mas fatores protetores incluem ambiente familiar estável, estímulo adequado da fala e controle esfincteriano sem pressão, e tratamento precoce de constipação e deficiências nutricionais. Evitar exposição ao tabaco na gestação e ao estresse tóxico também reduz riscos.

O CID F98 afeta o desempenho escolar?

Frequentemente. A enurese pode causar bullying e absenteísmo. A gagueira prejudica a participação oral em sala de aula. A pica pode levar a intoxicações que afetam a cognição. O transtorno de alimentação compromete a energia e concentração. Por isso, a escola deve ser informada e estratégias de apoio devem ser implementadas.

CID F98 tem herança genética?

Sim, especialmente a enurese noturna (70% de concordância entre gêmeos monozigóticos) e a gagueira (agregação familiar significativa). A encoprese também mostra influência genética, mas relacionada à constipação. Fatores ambientais modulam a expressão dos genes.

Quando o CID F98 é considerado crônico?

Quando os sintomas persistem por mais de 12 meses, apesar das intervenções iniciais. Nesses casos, o tratamento deve ser longitudinal, com ajustes periódicos. Exemplos: gagueira que perdura até a adolescência, enurese que não responde a alarme e medicação, ou pica em crianças maiores.

Revisão médica: Conteúdo revisado pela equipe médica da Clinica Popular Fortaleza, com base na CID-10 (OMS) e protocolos do Ministério da Saúde do Brasil.

Última atualização: 21/06/2026

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Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. O diagnóstico e o tratamento indicados pelo CID devem ser definidos pelo médico responsável com base no exame clínico completo. Não use este artigo como base para autodiagnóstico ou prescrição.

Fontes e leitura complementar:

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