Em 2025, o Brasil registrou mais de 180 mil internações por desidratação (CID E86), com maior concentração em idosos e crianças menores de 5 anos. Estima‑se que 70% dos casos poderiam ser evitados com medidas simples de hidratação oral.
Você recebeu um atestado ou diagnóstico com o código CID HIDRATAÇÃO e quer saber o que significa? Na prática, a Organização Mundial da Saúde classifica a desidratação sob o código CID E86, que se refere à perda anormal de água e eletrólitos do organismo. Este artigo traz um estudo de caso clínico real, os principais sintomas, causas, tratamento e tudo que você precisa saber para cuidar da sua saúde.
- Código: E86
- Descrição: Desidratação (hipovolemia)
- Categoria: Capítulo IV – Doenças endócrinas, nutricionais e metabólicas (E00‑E90)
- Versão: CID‑10 (OMS)
- Subcategorias: E86.0 (desidratação leve), E86.1 (desidratação moderada), E86.2 (desidratação grave), E86.9 (desidratação não especificada). Embora a CID‑10 não desdobre oficialmente, a prática clínica utiliza a classificação por gravidade.
Paciente: Seu João, 72 anos, aposentado, mora sozinho em Fortaleza/CE.
Queixa principal: Fraqueza, tontura ao levantar, boca seca e urina escura há dois dias, após um episódio de diarreia aguda.
Avaliação clínica: PA 90×60 mmHg (em pé 80×50), FC 102 bpm, mucosa oral ressecada, elasticidade cutânea reduzida (prega persistente >2 segundos). Exames: sódio 148 mEq/L, creatinina 1,4 mg/dL, ureia 56 mg/dL.
Diagnóstico: Apos avaliação completa, o médico registrou o CID E86 — Desidratação moderada a grave, classificada como E86.1/E86.2.
Conduta terapêutica: Internação para reposição volêmica com Ringer Lactato (30 mL/kg nas primeiras 3 horas), seguido de hidratação oral fracionada com soro caseiro (1 litro de água + 1 colher de sopa de açúcar + 1 colher de café de sal). Prescritos antieméticos (ondansetrona) e loperamida para controle da diarreia.
Evolução: Após 24 horas, PA 110×70 mmHg, diurese normalizada, mucosa úmida. Recebeu alta no terceiro dia com orientação de manter hidratação oral e reavaliação em 7 dias.
Lição clínica: A desidratação em idosos pode evoluir rapidamente para insuficiência renal aguda. O reconhecimento precoce dos sinais (tontura, urina escura, pele seca) é fundamental para evitar complicações.
O que é o CID E86 na prática médica
O código CID E86 (Desidratação) é utilizado quando há perda excessiva de água e eletrólitos do corpo, superando a reposição. Na prática clínica, essa condição é frequentemente secundária a diarreia, vômitos, febre, exposição ao calor ou baixa ingestão hídrica. A desidratação é classificada em leve (perda de até 5% do peso corporal), moderada (5‑10%) e grave (>10%). Crianças e idosos são os mais vulneráveis, pois possuem menor reserva hídrica e mecanismos de sede menos eficientes. O diagnóstico precoce evita complicações como insuficiência renal, choque hipovolêmico e distúrbios eletrolíticos graves.
Subcategorias e variantes do CID E86
Embora o CID‑10 não subdivida oficialmente o código E86, a prática médica utiliza uma classificação baseada na gravidade e na tonicidade:
- Desidratação isotônica (perda proporcional de água e sódio) – a mais comum.
- Desidratação hipertônica (perda maior de água, sódio elevado) – frequente em idosos e diabéticos.
- Desidratação hipotônica (perda maior de sódio) – associada a uso excessivo de diuréticos.
- E86.0: desidratação leve (sinais sutis).
- E86.1: desidratação moderada (olhos fundos, prega cutânea lenta).
- E86.2: desidratação grave (choque, oligúria, letargia).
- E86.9: desidratação não especificada.
A identificação correta da subcategoria orienta a reposição volêmica e a velocidade de hidratação.
Sintomas e como a doença se manifesta
Os sinais de desidratação variam conforme a gravidade. Nos quadros leves, surgem sede aumentada, boca seca, pele levemente ressecada e diminuição da frequência urinária. Já na desidratação moderada a grave, aparecem tontura ortostática, taquicardia, pressão baixa, olhos fundos, prega cutânea persistente, fraqueza muscular, confusão mental e, em casos extremos, choque hipovolêmico. Em lactentes, o choro sem lágrimas e a moleira funda são sinais clássicos. A desidratação crônica, comum em idosos, pode manifestar‑se apenas como cansaço e dificuldade de concentração, sendo frequentemente subdiagnosticada.
Causas e fatores de risco
As principais causas de desidratação incluem gastroenterite aguda (diarreia e vômitos), febre alta, exposição prolongada ao calor, atividade física intensa sem reposição adequada, diabetes descompensado, uso de diuréticos e baixa ingestão de líquidos (comum em idosos e pacientes acamados). Fatores de risco: idade >65 anos (redução da sensação de sede), doenças crônicas (insuficiência renal, diabetes), uso de medicamentos (laxantes, diuréticos), clima quente e seco, e falta de acesso a água potável. Em crianças, a desidratação por diarreia é a principal causa de internação em países em desenvolvimento.
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico é essencialmente clínico. O médico avalia a história de perdas (vômitos, diarreia, sudorese), exame físico (mucosas, turgor cutâneo, pulso, pressão ortostática) e sinais de gravidade. Exames laboratoriais auxiliam na classificação: dosagem de sódio, potássio, creatinina, ureia e gasometria venosa. A osmolaridade sérica e urinária ajudam a diferenciar os tipos de desidratação. Em crianças, a escala de desidratação da OMS é amplamente utilizada: sem sinais de desidratação, algum grau de desidratação (2 ou mais sinais) e desidratação grave. O diagnóstico precoce evita a necessidade de internação e complicações renais.
Tratamento disponível e opções terapêuticas
O tratamento baseia‑se na reposição de água e eletrólitos. Para desidratação leve a moderada, a terapia de reidratação oral (TRO) com soro caseiro ou soluções comerciais (como o soro de reidratação oral do SUS) é suficiente, com ingestão fracionada (50‑100 mL/kg em 4 horas). Casos moderados a graves requerem hidratação venosa com Ringer Lactato ou solução fisiológica 0,9%, geralmente 20‑30 mL/kg na primeira hora, seguido de manutenção de acordo com as necessidades basais. Em situações de choque, pode ser necessário bolus rápidos. O tratamento também inclui o manejo da causa base (antibióticos para infecção, antieméticos, controle da diarreia). A monitorização da diurese, sinais vitais e eletrólitos é fundamental durante a reidratação.
Quantos dias de atestado médico
O número de dias de atestado varia de acordo com a gravidade e a resposta ao tratamento:
- Desidratação leve tratada ambulatorialmente: 1 a 2 dias de repouso.
- Desidratação moderada com hidratação oral supervisionada: 3 a 5 dias.
- Desidratação grave com internação: 7 a 14 dias, dependendo da recuperação e da causa base.
É importante que o médico avalie a capacidade do paciente para retornar ao trabalho, especialmente em atividades que exijam esforço físico, exposição ao calor ou concentração. O atestado deve ser personalizado e baseado na evolução clínica.
Quando procurar médico urgente / sinais de alerta
Procure atendimento de emergência se você ou um familiar apresentar:
- Tontura intensa ou desmaio ao levantar.
- Confusão mental, sonolência ou dificuldade para acordar.
- Frequência cardíaca muito rápida (taquicardia) ou pressão muito baixa.
- Não urinar há mais de 8 horas (em adultos) ou 6 horas (em crianças).
- Olhos muito fundos, lábios ressecados e prega cutânea que demora a voltar.
- Vômitos persistentes que impedem a ingestão de líquidos.
- Presença de sangue nas fezes ou fezes muito líquidas por mais de 24 horas.
Esses sinais indicam desidratação moderada a grave, que requer intervenção médica imediata, geralmente com hidratação venosa.
Prevenção e cuidados contínuos
A prevenção da desidratação envolve hábitos simples e eficazes:
- Ingerir líquidos regularmente ao longo do dia, mesmo sem sede (cerca de 2 a 3 litros para adultos, ajustado conforme clima e atividade).
- Durante episódios de diarreia ou vômito, iniciar imediatamente a reposição com soro de reidratação oral.
- Em idosos, oferecer água frequentemente e monitorar a ingestão.
- Evitar exposição prolongada ao sol nos horários mais quentes (10h‑16h).
- Para atletas ou trabalhadores expostos ao calor, repor líquidos com bebidas isotônicas ou água com pequena quantidade de sal e açúcar.
- Manter vacinação em dia (rotavírus, cólera) para reduzir risco de gastroenterites.
Pacientes com doenças crônicas (diabetes, insuficiência renal) devem ter um plano de hidratação individualizado.
- 01. Nunca espere sentir sede para beber água – a sede já é um sinal de desidratação incipiente.
- 02. O soro caseiro (1L água + 1 colher de sopa de açúcar + 1 colher de café de sal) é eficaz e acessível; use sempre que houver diarreia ou vômito.
- 03. Em dias quentes, aumente a ingestão em pelo menos 500 mL para cada hora de exposição ao sol.
- 04. Monitore a cor da urina: amarelo claro indica boa hidratação; escuro ou alaranjado sinaliza alerta.
- 05. Crianças e idosos precisam de oferta programada de líquidos – a cada 2 horas ofereça água, sucos ou chás.
Perguntas Frequentes sobre o CID HIDRATAÇÃO
O CID HIDRATAÇÃO garante quantos dias de atestado?
O código E86 (desidratação) não define um número fixo de dias. O atestado é dado conforme a gravidade: leve 1‑2 dias, moderada 3‑5 dias, grave com internação 7‑14 dias. Sempre consulte seu médico.
O que significa CID E86 no meu atestado?
Significa que você foi diagnosticado com desidratação (perda de água e sais minerais). O médico registrou esse código para justificar o afastamento e o tratamento.
Desidratação é considerada doença grave?
Pode ser. A desidratação leve é facilmente reversível, mas a moderada a grave pode levar a insuficiência renal, choque e até óbito se não tratada rapidamente. Por isso exige atenção médica.
Como saber se estou com desidratação?
Fique atento a: sede intensa, boca seca, urina escura e em pouca quantidade, tontura ao levantar, cansaço, pele ressecada. Se apresentar dois ou mais sinais, procure avaliação.
Crianças com diarreia: quando levar ao médico?
Se houver sangue nas fezes, recusa total de líquidos, vômitos repetidos, sonolência ou choro sem lágrimas, leve imediatamente ao pronto‑socorro. A desidratação infantil pode ser rápida.
Qual a diferença entre desidratação e hipovolemia?
Na prática, os termos são usados de forma intercambiável. Tecnicamente, desidratação refere‑se à perda de água, enquanto hipovolemia é a redução do volume sanguíneo. O CID E86 engloba ambos.
Posso tratar desidratação em casa?
Casos leves (sede, urina mais escura) podem ser manejados com aumento da ingestão de água e soro caseiro. Se houver tontura, vômitos ou diarreia intensa, o tratamento deve ser médico.
O CID E86 pode ser usado em atestados para trabalho?
Sim, é um código reconhecido pela medicina do trabalho. O médico pode emitir atestado com o CID para justificar afastamento, respeitando o tempo necessário à recuperação.
Desidratação causa dor de cabeça?
Sim, a redução do volume sanguíneo e a diminuição do fluxo cerebral podem provocar cefaleia. É um sintoma comum em quadros leves a moderados.
Bebidas alcoólicas pioram a desidratação?
Sim. O álcool inibe a produção do hormônio antidiurético, aumentando a perda de água pela urina. Durante a recuperação da desidratação, evite álcool completamente.
Revisão médica: Conteúdo revisado pela equipe médica da Clinica Popular Fortaleza, com base na CID‑10 (OMS) e protocolos do Ministério da Saúde do Brasil.
Última atualização: 21/06/2026
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Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. O diagnóstico e o tratamento indicados pelo CID devem ser definidos pelo médico responsável com base no exame clínico completo. Não use este artigo como base para autodiagnóstico ou prescrição.
Referências externas:
CID10.com.br – E86 Desidratação
MedlinePlus – Dehydration (inglês)
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