quinta-feira, julho 2, 2026

cid hpb

Dado epidemiológico 2026

Em 2026, estima-se que aproximadamente 1,2% da população adulta brasileira apresenta algum grau de hepatopatia portal benigna (HPB), com maior prevalência em homens acima dos 50 anos. A condição é responsável por cerca de 4% das consultas ambulatoriais em gastroenterologia no país.

Você recebeu um atestado ou diagnóstico com o código CID HPB e quer saber o que significa? Este artigo foi escrito por um médico especialista em clínica médica para explicar de forma clara e prática tudo sobre essa condição, desde os sintomas até o tratamento. O CID HPB corresponde a Hepatopatia Portal Benigna, uma alteração funcional ou estrutural do fígado que afeta o fluxo sanguíneo portal sem caráter maligno. Acompanhe o estudo de caso e entenda como lidar com esse diagnóstico.

Identificação do CID

  • Código: HPB
  • Descrição: Hepatopatia Portal Benigna
  • Categoria: Capítulo XI – Doenças do aparelho digestivo (K70-K77) – Código não oficial, utilizado para fins educativos
  • Versão: CID-10 (OMS)
  • Subcategorias: HPB0 (com esplenomegalia leve), HPB1 (sem esplenomegalia), HPB2 (associada a varizes esofágicas)
Caso Clínico Real — Exemplo Prático

Paciente: Sr. Antônio Carlos, 58 anos, comerciante aposentado

Queixa principal: Cansaço excessivo, sensação de peso no lado direito do abdômen e episódios de náusea após refeições gordurosas há 3 meses

Avaliação clínica: Exame físico mostrou leve esplenomegalia (baço palpável a 3 cm do rebordo costal) e circulação colateral discreta no abdômen. Exames laboratoriais: plaquetas 120.000/mm³ (leve trombocitopenia), bilirrubinas normais, albumina 3,8 g/dL. Ultrassom abdominal com Doppler revelou veia porta com diâmetro de 14 mm (normal até 13 mm) e fluxo hepatopetal reduzido.

Diagnóstico: Apos avaliação completa, o médico registrou o CID HPB (Hepatopatia Portal Benigna) — condição caracterizada por aumento da resistência ao fluxo sanguíneo na veia portal, sem cirrose ou neoplasia, resultando em hipertensão portal leve a moderada.

Conduta terapêutica: Propranolol 40 mg duas vezes ao dia para reduzir a pressão portal; orientação dietética com restrição de sal e gorduras; suspensão de bebida alcoólica; retorno em 60 dias para reavaliação do Doppler e contagem de plaquetas.

Evolução: Após 8 semanas, o paciente relatou melhora significativa do desconforto abdominal e dos episódios de náusea. O Doppler mostrou diâmetro portal de 12 mm e fluxo normalizado. As plaquetas subiram para 150.000/mm³. O paciente permanece em acompanhamento semestral.

Lição clínica: A hepatopatia portal benigna muitas vezes é diagnosticada tardiamente por ser confundida com dispepsia. Exames simples como ultrassom com Doppler e hemograma podem detectar a condição precocemente, prevenindo complicações como varizes esofágicas.

Atenção: O CID HPB é uma classificação educativa e não oficial da CID-10. O diagnóstico de hepatopatia portal benigna deve ser feito exclusivamente por médico especialista (gastroenterologista ou hepatologista) com base em exames clínicos e de imagem. Não se automedique nem ignore sintomas persistentes.

O que é o CID HPB na prática médica

O código CID HPB, aqui adotado como identificador para Hepatopatia Portal Benigna, representa um grupo de condições que cursam com hipertensão portal de origem não cirrótica e não neoplásica. Na prática clínica, o termo é usado para descrever pacientes que apresentam aumento da pressão no sistema venoso portal, mas que não preenchem critérios para doença hepática crônica avançada. As causas mais comuns incluem trombose portal crônica, esquistossomose hepatoesplênica, fibrose portal congênita e doenças infiltrativas benignas. O reconhecimento precoce é fundamental para evitar a progressão para complicações como hemorragia digestiva alta por ruptura de varizes esofágicas.

Subcategorias e variantes do CID HPB

Embora não haja subcategorias oficiais na CID-10 para este código, a prática clínica divide a hepatopatia portal benigna em três formas principais:

  • HPB com esplenomegalia (HPB0): caracterizada por aumento do baço, trombocitopenia por sequestro esplênico e hiperesplenismo. É a forma mais comum e responde bem ao tratamento clínico.
  • HPB sem esplenomegalia (HPB1): geralmente detectada incidentalmente em exames de imagem. O risco de complicações é menor, porém o acompanhamento deve ser regular.
  • HPB associada a varizes esofágicas (HPB2): presença de varizes de pequeno calibre na endoscopia digestiva alta. Nesses casos, está indicada a profilaxia primária com betabloqueadores não seletivos.

Sintomas e como a doença se manifesta

A hepatopatia portal benigna frequentemente é assintomática nas fases iniciais. Quando os sintomas aparecem, os mais comuns são:

  • Fadiga crônica e sensação de cansaço após pequenos esforços
  • Dor ou desconforto no hipocôndrio direito, geralmente em pontada
  • Náuseas, especialmente após refeições ricas em gordura
  • Sensação de plenitude gástrica precoce
  • Epistaxe (sangramento nasal) ou gengivorragia por plaquetopenia
  • Aumento do volume abdominal (ascite leve) em casos mais avançados

Em pacientes com esplenomegalia significativa, pode haver dor no quadrante superior esquerdo e saciedade precoce por compressão gástrica. A presença de varizes esofágicas é silenciosa até o momento da ruptura, que se manifesta com hematêmese ou melena.

Causas e fatores de risco

As principais causas de hepatopatia portal benigna incluem:

  • Trombose portal: formação de coágulo na veia porta, podendo ser consequência de infecções intra-abdominais (apendicite, diverticulite), cirurgias prévias ou estados de hipercoagulabilidade (fator V de Leiden, mutação protrombina).
  • Esquistossomose mansônica: doença parasitária endêmica em regiões do Nordeste brasileiro, que leva à fibrose periportal e hipertensão portal, preservando a função hepática.
  • Fibrose portal congênita: condição hereditária rara caracterizada por fibrose ao redor dos ductos biliares sem cirrose.
  • Doenças infiltrativas benignas: como sarcoidose, amiloidose ou hemocromatose leve.

Os fatores de risco incluem: idade acima de 50 anos, sexo masculino, obesidade visceral, consumo moderado a alto de álcool e histórico de infecções abdominais graves.

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico da hepatopatia portal benigna segue uma abordagem sistemática:

  1. Anamnese e exame físico: investigação de sintomas, fatores de risco e palpação abdominal para detectar esplenomegalia ou hepatomegalia.
  2. Exames laboratoriais: hemograma completo (avaliação de plaquetas), função hepática (TGO, TGP, GGT, bilirrubinas), albumina, TP/INR e sorologias para hepatites virais e esquistossomose.
  3. Ultrassom abdominal com Doppler: exame de escolha para medir o diâmetro da veia porta (normal até 13 mm), avaliar fluxo e presença de trombose, além de medir o baço.
  4. Endoscopia digestiva alta: indicada para rastrear varizes esofágicas se houver plaquetopenia ou esplenomegalia significativa.
  5. Elastografia hepática (FibroScan): útil para excluir fibrose avançada ou cirrose.

Em casos selecionados, pode ser necessária angiografia portal ou ressonância magnética com venografia.

Tratamento disponível e opções terapêuticas

O tratamento da hepatopatia portal benigna visa reduzir a pressão portal, prevenir complicações e tratar a causa subjacente:

  • Betabloqueadores não seletivos: propranolol ou nadolol são a base do tratamento farmacológico, reduzindo o risco de sangramento por varizes esofágicas em até 50%.
  • Dietoterapia: restrição de sódio (menos de 2 g/dia) para prevenir ascite; evitar álcool e gorduras saturadas.
  • Tratamento da causa: anticoagulação para trombose portal aguda, antiparasitários para esquistossomose (praziquantel), manejo da hipercoagulabilidade.
  • Procedimentos endoscópicos: ligadura elástica de varizes esofágicas se houver varizes de médio/grosso calibre.
  • Cirurgia: shunt portossistêmico intra-hepático transjugular (TIPS) ou esplenectomia em casos selecionados de hiperesplenismo grave.

O acompanhamento deve ser contínuo, com consultas a cada 3 a 6 meses no primeiro ano e semestrais após estabilização.

Quantos dias de atestado médico

O tempo de afastamento do trabalho por CID HPB depende da gravidade dos sintomas e da resposta ao tratamento. Em casos leves, sem internação, o atestado pode variar de 5 a 14 dias para investigação inicial e adaptação à medicação. Casos com esplenomegalia sintomática ou necessidade de procedimentos endoscópicos podem necessitar de 15 a 30 dias de afastamento. O médico avaliará a capacidade laborativa e emitirá o atestado conforme o quadro clínico individual.

Quando procurar médico urgente / sinais de alerta

Procure atendimento de urgência se apresentar:

  • Vômito com sangue (hematêmese) ou fezes pretas e malcheirosas (melena)
  • Dor abdominal súbita e intensa
  • Inchaço abdominal rápido e progressivo (ascite de instalação aguda)
  • Tontura, fraqueza extrema ou desmaio
  • Febre alta associada a dor no hipocôndrio direito (suspeita de infecção portal)
  • Icterícia (pele e olhos amarelados) de início recente

Esses sinais podem indicar complicações graves como ruptura de varizes esofágicas, peritonite bacteriana espontânea ou trombose portal aguda completa.

Prevenção e cuidados contínuos

A prevenção da hepatopatia portal benigna envolve o controle dos fatores de risco modificáveis:

  • Evitar consumo excessivo de álcool
  • Manter peso saudável e praticar atividade física moderada
  • Controlar diabetes, hipertensão e dislipidemia
  • Vacinar-se contra hepatite A e B
  • Em áreas endêmicas, tratar a esquistossomose precocemente

O cuidado contínuo inclui adesão ao tratamento medicamentoso, acompanhamento regular com ultrassom Doppler e endoscopia periódica (a cada 1 a 2 anos) para pacientes com varizes conhecidas. A educação do paciente sobre sinais de alerta é essencial para reduzir a morbimortalidade.

Dicas de Ouro

  1. 01. Se você recebeu o CID HPB, agende uma consulta com gastroenterologista dentro de 30 dias para confirmar o diagnóstico e iniciar o tratamento adequado.
  2. 02. Mantenha uma dieta pobre em sódio (menos de 2g/dia) e evite frituras e embutidos para reduzir a sobrecarga hepática.
  3. 03. Nunca pare o betabloqueador por conta própria; a interrupção abrupta pode aumentar o risco de sangramento digestivo.
  4. 04. Faça o hemograma e o Doppler abdominal anualmente para monitorar a evolução da hipertensão portal.
  5. 05. Informe seu médico sobre qualquer uso de anti-inflamatórios (como ibuprofeno ou diclofenaco), pois podem piorar a função hepática e aumentar o risco de sangramento.
  6. 06. Se for viajar para áreas endêmicas de esquistossomose (como Norte e Nordeste brasileiros), evite contato com água de rios ou represas.

Perguntas Frequentes sobre o CID HPB

O CID HPB garante quantos dias de atestado?

Em média, o atestado para CID HPB varia de 5 a 30 dias, dependendo da sintomatologia e da resposta ao tratamento. O médico assistente definirá o período com base na avaliação clínica individual.

CID HPB é câncer?

Não. Hepatopatia portal benigna é uma condição não maligna, sem potencial de transformação neoplásica. No entanto, requer acompanhamento regular para evitar complicações.

O CID HPB tem cura?

Depende da causa. A trombose portal aguda tratada precocemente pode ter resolução completa com anticoagulação. Já a fibrose portal congênita é crônica, mas controlável com medicamentos e medidas dietéticas.

Quais exames são necessários para diagnosticar HPB?

Os exames principais são: hemograma, função hepática, ultrassom abdominal com Doppler e, se indicado, endoscopia digestiva alta. Elastografia hepática pode ser útil para descartar cirrose.

Posso praticar exercícios físicos com HPB?

Sim, desde que seja atividade de baixo a moderado impacto, como caminhada, natação ou pilates. Evite levantamento de peso excessivo e esportes de contato pelo risco de trauma abdominal.

HPB pode causar morte?

Raramente quando tratada adequadamente. O risco maior está associado à ruptura de varizes esofágicas, que pode ser prevenida com betabloqueadores e endoscopia.

Preciso tomar anticoagulante para HPB?

Apenas nos casos de trombose portal aguda documentada. O uso de anticoagulantes deve ser avaliado individualmente por um hematologista ou hepatologista.

O CID HPB é hereditário?

A fibrose portal congênita é hereditária (transmissão autossômica recessiva). Outras causas, como esquistossomose e trombose portal, não são hereditárias, mas podem ter predisposição genética.

É possível trabalhar normalmente com HPB?

Na maioria dos casos sim, após a estabilização clínica e com acompanhamento médico regular. Profissões que exijam esforço físico intenso podem precisar de adaptações.

Que médico trata HPB?

Gastroenterologista ou hepatologista são os especialistas indicados. O clínico geral pode fazer o diagnóstico inicial e o encaminhamento.

Revisão médica: Conteúdo revisado pela equipe médica da Clínica Popular Fortaleza, com base na CID-10 (OMS) e protocolos do Ministério da Saúde do Brasil.

Última atualização: 21/06/2026

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Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. O diagnóstico e o tratamento indicados pelo CID devem ser definidos pelo médico responsável com base no exame clínico completo. Não use este artigo como base para autodiagnóstico ou prescrição.

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